O GOLPISTA TEMER E A “DOUTRINA DO CHOQUE”

16.05.2016
Do blog VI O MUNDO

Ernesto de Carvalho: Temer adotou o “choque e espanto”

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O GOLPE E A DOUTRINA DO CHOQUE

por Ernesto de Carvalho

É importante entender o que está acontecendo. Tem muita gente perplexa com o número de medidas absurdas tomadas de imediato pelo governo golpista.

Ministros corruptos, o fim do Ministério da Cultura, da representação de mulheres, da população negra etc etc.

Dá até a impressão de que os golpistas estariam cometendo algum erro, exagerando, pois pareceria óbvio que isso gerará muita insatisfação e revolta, que é escancarado demais. Mas não é assim que funciona.

O golpe está utilizando uma doutrina de guerra conhecida, a doutrina do “shock and awe” (choque e pavor), muito explicitada e comentada na época da invasão americana do Iraque em 2003.

Quem não conhece procure no Wikipedia.

A doutrina do choque é baseada na idéia de executar uma série de ações rápidas, no uso avassalador da força no começo da batalha, para “paralisar a compreensão do adversário e destruir sua vontade de lutar”.

É assim que se tomam medidas aparentemente desproporcionais. O resultado é deixar o inimigo (no caso, nós) paralisado, atônito, ou em pânico. Isto é um gesto deliberado, calculado, estudado. E funciona.

Olhe ao seu redor. O que mais se escuta é “é absurdo demais o que está acontecendo”, “meu deus eu não consigo nem mexer direito, é tanta destruição”, “como podem tão rápido terem feito tantos absurdos?”, e gente perguntando quando é a próxima manifestação, sem obter resposta.

Pois eles sabem exatamente o que estão fazendo. Estão em guerra contra uma boa parte da população. A resposta adequada é não se surpreender (já escrevi sobre isso antes, a importância de não se surpreender) e manter o foco, não desesperar.

O objetivo do golpe agora é deixar as pessoas paralisadas durante este período de impeachment para justamente evitar ao máximo as manifestações.

Os golpistas planejaram isso por meses, se não anos, por isso o ar de confiança que sempre exibiram.

Colocaram todas as peças no tabuleiro: chocar a população mais à esquerda diante de uma verdadeira hecatombe institucional, blindar os resultados desastrosos do processo com uma mídia completamente e explicitamente investida no golpe (a Globo principalmente) e abertamente posicionar os mecanismos de repressão mais eficazes e truculentos para conter qualquer resposta organizada.

O Ministério da Justiça fundido com o de Direitos Humanos é que nem uma placa “cuidado cão-guarda”. Não é por princípio que colocaram o advogado de facção criminosa, é por cálculo. Do ponto de vista deles, não há outra opção, é isso. É guerra.

Se fizessem menos do que isso, numa tentativa de conciliar, a nossa resposta seria muito maior, porque não estaríamos atônitas e atônitos. A guerra tem as suas técnicas seculares. Essa é uma delas.

É preciso acordar, deixar o choque passar e ir à luta sem medo. Luta.

Não asfixie o seu espaço de representação, tornando-o apenas espaço de estarrecimento perante o absurdo. Não fique sozinha/o. Não lamente, lute. Simplesmente manter-se informado/a do absurdo mais recente é a pior coisa que você pode fazer.

Converse com as pessoas, mas não no sentido de apontar “o absurdo”, mas sim no sentido de buscar ações concretas.

No meu caso, eu perdi a vergonha, em qualquer lugar falo para as pessoas sobre o que está acontecendo, aponto a culpa que a Globo tem na história, falo da necessidade de parar de assisti-la.

Nunca abro o registro da resignação. É pequeno, é simbólico, mas é um gesto. Perturba a narrativa.

Tenha uma agenda clara das manifestações e reuniões às quais você vai comparecer. E saiba quais são as suas principais redes de mobilização.

Instale o Telegram e use o e-mail encriptado.

As bombas caem por todos os lados, mas você tem que focar em uma de cada vez, sem perder o fôlego.

Uma dessas bombas, por exemplo, é o fim do Ministério da Cultura. É preciso mobilizar-se contra isso. Não falta gente revoltada.

Essas pessoas só precisam de um lugar e uma hora para protestar. Sem medo.

Agradeço ao Carlos Henrique por ter me lembrado da doutrina do choque.

Leia também:

CUT não vai a encontro com Temer alegando que não negocia “retrocessos”

***
Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/temer-adotou-o-choque-e-espanto.html

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