Estatal de Minas bancou plantio de feijão nas terras de Aécio; conheça o aeroporto que ele fez em Montezuma

11.06.2016
Do blog VI O MUNDO, 10.06.16

O aeroporto de Montezuma fica a cerca de 50km das terras que Aécio e a irmã Andreia herdaram do pai, Aécio Ferreira da Cunha. É distinto do aeroporto de Cláudio, feito em terras do lado materno da família. A justificativa para a construção em Montezuma foi estimular um polo para exploração de minério no norte de Minas — que nunca se materializou — e dar impulso ao turismo por causa das águas quentes da cidade. Assim, Montezuma foi incluída no plano estadual de expansão aeroportuária. Os locais dizem que a obra só saiu por causa da proximidade com as terras das quais o ex-governador Aécio Neves agora é herdeiro. Montezuma tem um moderno aeroporto abandonado mas não tem maternidade.

Aécio, o pai, já falecido, aparece na lista dos deputados que receberam ajuda financeira do IBAD, o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), nas eleições de 1962. O IBAD era biombo da CIA, a central de inteligência dos Estados Unidos, que financiou campanhas com dinheiro de empresários e foi uma das ferramentas na articulação do golpe de 64. Aécio pai foi da Arena, partido de sustenção da ditadura, e em seguida do PDS e do PFL. Ele foi integrante do conselho de Furnas e próximo de Dimas Toledo, o diretor de engenharia da estatal de energia acusado de utilizar a empresa pública para financiar a campanha de Fernando Henrique Cardoso em 1998 e tentar derrotar Itamar Franco na disputa pelo governo de Minas. Foi a famosa Lista de Furnas.

Estatal do governo de Minas fez parceria com firma de pai de Aécio

José Marques, na Folha, em 10.06.2016

Uma estatal do governo de Minas Gerais fechou termo de parceria com o pai do senador Aécio Neves (PSDB), Aécio Ferreira da Cunha (1927-2010), quando seu filho ainda era governador.

Assinado em 19 de março de 2010, 11 dias antes de Aécio renunciar ao mandato para concorrer ao Senado, o termo previa pagamento de R$ 250 mil para a produção de feijão na fazenda de Cunha em Montezuma (norte de Minas Gerais).

Foram desembolsados R$ 150 mil em dezembro do mesmo ano. Após a morte naquele ano do pai de Aécio, a empresa foi herdada pelo atual senador e por sua irmã, Andrea Neves.

As informações foram reveladas pelo jornal “O Tempo” e também foram obtidas pela Folha.

A parceria, que não está mais em vigor, foi celebrada entre a estatal Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) e a Perfil Agropecuária, empresa de Aécio pai, e previa a plantação de 1.400 kg de sementes de feijão na fazenda de Montezuma.

Depois, a produção deveria ser vendida preferencialmente à própria estatal. O acordo tinha validade de 12 meses e podia ser estendido.

A justificativa para o uso da fazenda é que a Epamig não tinha estrutura e precisaria atuar em conjunto com outros produtores.

A Perfil, segundo o termo, tinha “condição técnica e socioeconômica” para produzir as sementes.

Como contrapartida, a Perfil usaria sua propriedade e ensacaria o feijão.

Procurados, tanto Aécio Neves quanto a Epamig afirmam que a parceria foi legal. A estatal diz que assina termos com entidades que manifestam a intenção de produzir as sementes.

Já o ex-governador afirma que não houve “qualquer interferência do Estado”.

EX-DEPUTADO

Aécio Ferreira da Cunha foi deputado estadual e federal por Minas Gerais. A presidência da Epamig era exercida, na época, pelo também ex-deputado Baldonedo Napoleão (PSDB).

Após Aécio Neves deixar o governo, o então vice e atual senador Antonio Anastasia (PSDB) assumiu o cargo.

Em dezembro de 2010, a Epamig fez o pagamento de R$ 150 mil à Perfil.

Dois meses antes, o pai de Aécio havia morrido de insuficiência hepática. Ainda hoje, Aécio e Andrea são donos da empresa, que tem capital social de R$ 500 mil.

Na quarta (8), um deputado do PT de Minas entrou com pedido de investigação no Ministério Público sobre o termo de parceria para que a Promotoria apure se Aécio beneficiou familiares no episódio.

OUTRO LADO

Por meio de nota, a assessoria de Aécio Neves afirmou que a parceria entre a empresa Perfil e a Epamig foi “absolutamente regular”.

A celebração do termo, segundo a nota, “ocorreu nos mesmos moldes de centenas de outros firmados pela empresa, sem qualquer interferência do governo do Estado” e fez parte de um programa que “existe há décadas como estímulo de transferência de tecnologia”.

“O valor final do Termo de Parceria citado foi de R$ 150.337,50. Desse valor, como previsto em contrato, 15% foram pagos à Epamig pela assistência técnica fornecida, seguindo integralmente o que determinava o contrato”, diz o comunicado.

Já a Epamig afirmou que uma de suas competências é produzir sementes selecionadas, mas não tem estrutura para que isso seja feito em larga escala e, por isso, firma parcerias e convênios.

No caso da Perfil, a estatal diz que o termo foi assinado para atendimento de convênio de transferência de tecnologia realizado com o Ministério do Desenvolvimento Agrário.

A empresa pública diz que a parceria com a companhia da família de Aécio Neves gerou 2.637 sacas de sementes, distribuídas nos vales do Jequitinhonha e Mucuri, e que os R$ 150 mil foram pagos com nota fiscal.

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/estatal-de-minas-bancou-plantio-de-feijao-nas-terras-de-aecio-conheca-o-aeroporto-que-ele-fez-em-montezuma.html

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