GOVERNO GOLPISTA:Somos mais de 40

05.09.2016
Do portal BRASIL247
Por Leandro Taques:

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Além de aplicar um golpe parlamentar no país, o presidente intruso Michel Temer tentou aplicar um golpe também na matemática. Em visita à China, o presidente foi questionado quanto às manifestações contrárias ao seu governo e limitou-se a dizer que se tratava de um grupo de 40 pessoas descontentes, que iam as ruas fazer baderna e quebrar carros. Além de milhões de brasileiros, as imagens e os números também são contrários à opinião de Temer e fizeram questão de deixar isso bem claro nos protestos que ocorreram neste domingo, em várias capitais do país e até no exterior.

Os quarenta baderneiros de Temer se multiplicaram milagrosamente e alimentaram o sentimento de indignação que toma conta da maioria da população, que se vê traída e vilipendiada em seus direitos democráticos. A avenida paulista foi tomada por centenas de milhares de pessoas que gritavam a plenos pulmões: “Fora Temer!” e reivindicavam eleições diretas já. Por todo país os protestos reverberaram e até da China era possível se ouvir os gritos de “Golpistas”. Temer vai dizer que não viu e não ouviu nada. Certamente fechou os olhos, tapou os ouvidos ou sintonizou em algum canal da tv aberta brasileira, que nada mostrou sobre o clamor popular.

A tentativa de desqualificar e minimizar a força das manifestações mostra o caráter antidemocrático do atual governo. Atribuir banditismo a esses movimentos, além de desonestidade política, é uma forma de justificar os excessos que vêm sendo cometidos pela polícia militar, que tem agido de modo abusivo e repressor, sob as ordens do governo golpista. Uma professora foi covardemente alvejada no rosto por uma bala de borracha disparada pela polícia militar de São Paulo e perdeu a visão do olho esquerdo. Em outro vídeo que circula na rede, um policial mira a cabeça de um manifestante e o atinge com tiro de bala de borracha, durante protestos em Fortaleza.

Quando diz que os protestos se resumem a 40 pessoas que quebram carro, o presidente está dando a senha para a repressão ser reimplantada, sob o pretexto de proteger o patrimônio público e privado. Já era de se esperar que um governo ilegítimo agisse dessa forma, o que devemos lamentar é o retrocesso ao qual estamos nos subordinando, graças ao descontentamento social de uma porção da nossa elite, nostálgica dos anos de chumbo e que se uniu aos interesses pessoais de um grupo político que sabendo que jamais voltaria ao poder através do voto popular, planejou um golpe de estado para assim tentar retomar o “seu país” de volta.

As consequências da irresponsabilidade desse projeto de poder, serão drásticas. Alguns que imaginaram que haveria uma mudança com o impeachment da presidente Dilma, se decepcionarão ao perceberem que serviram apenas como massa de manobra para as intenções políticas da direita. Os já mal intencionados que apoiaram o golpe como ideologia social, sentirão a força da resistência nas ruas, frustrando as suas expectativas de marcar a ferro e fogo o lombo do gado sem que esse se sinta infeliz. A forma que eles encontrarão para manter o ar de legitimidade do golpe é criminalizando e reprimindo violentamente as manifestações através da polícia, definindo como vagabundos, vândalos, bandidos e baderneiros todos aqueles que não se calarem diante do assalto ao poder o qual fomos submetidos.

Um trecho da música “Até quando?” do Gabriel, o pensador serve para ilustrar esse momento. “A Polícia existe pra manter você na lei, lei do silêncio, lei do mais fraco. Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco.” Essa será a lógica aplicada pelos golpistas. Quando os protestos eram contrários ao governo de Dilma Rousseff, todos os manifestantes eram cidadãos de bem. Quando o protesto é contra o governo Temer, todos os manifestantes são vagabundos e merecedores da violência policial. Essa é a democracia da direita. Esse é o Brasil que eles tanto queriam de volta.

Eu não sei o que Temer dirá quando for novamente perguntado sobre as novas manifestações contrárias a sua permanência na presidência, que aconteceram nesse final de semana em todo o país. Talvez ele diga que os 40 baderneiros convidaram mais 40 para tumultuar o ambiente, ou tente atribuir a presença de milhares de pessoas nas ruas, a uma farta distribuição de pão com mortadela promovida pelo PT com o propósito de desestabilizar o seu governo ilegítimo. Mas de uma coisa eu, o Brasil e o mundo, estamos convencidos. Somos mais de 40. Bem mais.

Vamos lançar a hashtag? #SomosMaisde40.

Vai ter resistência!

Foto: Leandro Taques

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/colunistas/neggotom/253446/Somos-mais-de-40.htm

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