Marina Lacerda: O “nacionalismo” dos verde-amarelos é pró-quintal dos EUA

14.09.2016
Do blog VI O MUNDO,12.09.16

selfie com pm, fhc e clinton

O cinismo da direita que se apropriou do verde-amarelo é gigantesco e monstruoso

por Marina Lacerda, especial para o Viomundo

O nacionalismo é uma pauta da direita nos países de centro, e uma agenda da esquerda nos países de periferia.

Nos países ditos desenvolvidos, a defesa do nacionalismo passa por calar os antagonismos internos (de classe, raça, gênero) e por defender posturas imperialistas.

Já em casos como o nosso, com histórias de colonização direta em tempos idos, e de colonização cultural e econômica ainda presentes, as propostas mais relacionadas à igualdade e à inclusão passam pela defesa de um desenvolvimento voltado aos nossos interesses e não aos de nossos colonizadores.

O processo de ruptura que temos vivido tem vários elementos que reafirmam a posição subalterna no Brasil no mundo, e eis porque é de um cinismo fenomenal o uso das cores da bandeira pelo grande e heterogêneo bloco anti-petista.

Vejamos:

a) desestabilização política severa provocada pela Lava Jato, que: foi inaugurada mais ou menos um ano após se revelar que a NSA espionava a Petrobrás e a Dilma; colocou no saco as principais empreiteiras brasileiras, responsáveis por projetos de infraestrutura, concorrentes de empresas norte-americanas, por exemplo; colocou no saco a própria Petrobrás;

b) realinhamento imediato do Brasil de Temer aos interesses dos Estados Unidos (em cujas relações estamos sempre em posição subordinada e assimétrica);

c) ruptura, formal e informal, dos projetos de integração econômica e concertação política fora da influência americana, como o MERCOSUL e a UNASUL, ou com outros países grandes da periferia, como os BRICS.

Nisso, aparece o agente do Exército infiltrado no Tinder, que forjou um flagrante (flagrante de nada) para prender duas dúzias de jovens.

O rol de ilegalidades é tremendo:

*atuação das Forças Armadas para questão de segurança pública fora das hipóteses previstas na Constituição;

* uso de operação de infiltração sem autorização judicial (naquele Brasil em que a lei penal valia alguma coisa, isso não podia);

* indução de um “flagrante”;

* flagrante de crime nenhum – o crime seria participar de uma manifestação  (!!!) na qual a moçada sequer pôde chegar.

A história fica entre o tétrico, o ridículo e o pavoroso; prática ditatorial que já está sendo objeto de atenção inclusive da Comissão de Mortos e Desaparecidos, integrada por familiares de pessoas que há décadas foram vítimas dessas práticas e que jamais voltaram para casa.

Pois bem. Mas aí tem a questão do nacionalismo mesmo. O Exército brasileiro não está  atuando no sentido de defender os interesses nacionais. Mesmo sendo difícil definir o que são esses tais interesses, definitivamente não é do interesse nacional reprimir a liberdade de expressão, tampouco agir ilegalmente para calar os protestos contra um governo de viés antinacional.

Ao que tudo indica (inclusive o silêncio do Ministro da Defesa a respeito do caso, o que sugere no mínimo sua anuência em relação ao que aconteceu), temos um Exército alinhado aos interesses dos Estados Unidos.

Um exército que parece não ter superado as definições de “segurança nacional” da época da guerra-fria, quando o inimigo interno era o “esquerdista”; um exército que parece se preocupar mais com “ameaças” dos movimentos sociais do que com a espionagem norte-americana que corre solta – como o Sowden denunciou, enfraquecendo nossas empresas e nossas potencialidades como sociedade que se deseja democrática.

O agente infiltrado ainda atuou em dobradinha com a Polícia Militar de São Paulo. Polícia que tem tido práticas criminosas, violentas e autoritárias, respaldadas pelo Ministro da Justiça. Jogada ensaiada de cabo a rabo. Só não contavam com o juiz que colocou os pingos nos is: prisão não só arbitrária como incompatível com o Estado Democrático de Direito.

Nas nossas disputas de poder — que, diferente do que muitos têm dito, infelizmente não foram criadas pelo PT – sempre esteve um projeto de desenvolvimento mais soberano ou mais subordinado. Mais ou menos colônia. Mais ou menos quintal. A posição que pende por sermos um quintal perdeu reiteradamente nas urnas, mas está com o controle de quase todas as instituições.

 Leia também:

Paulo Teixeira: Exército e GSI serão cobrados pela Operação Tabajara

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/marina-lacerda-o-nacionalismo-dos-verde-amarelos-e-pro-quintal-dos-eua.html

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