“Prezado LULA, Eu entendi o que você dizer sobre funcionários e políticos”

18.09.2016
Do WhatsApp
Por Douglas Antério

Prezado Lula,

Eu entendi o que você quis dizer quando, dentro da linguagem trôpega que lhe é peculiar, mas sempre eloquente e rica em figuras de linguagem, falou que:

” (…) as pessoas achincalham muito a política. Mas a profissão mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir para a rua encarar o povo, e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e está com emprego garantido o resto da vida. O político não. Ele é chamado de ladrão, é chamado de filho da mãe, é chamado de filho do pai, é chamado de tudo, mas ele tá lá, encarando, pedindo outra vez o seu emprego”.

É óbvio, numa singela interpretação de texto, que o que está dito aí por você é que o servidor político com mandato, além de estar sujeito aos mesmos processos que um servidor concursado, para se manter “servidor” ainda tem que passar pelo crivo do maior dos tribunais, o do sufrágio direto, secreto e universal; o que não é imposto ao egresso pela via do concurso.

Quem entendeu diferente, infelizmente, não o entendeu.

Entendi que você quis dizer em sua retórica:

Que concurso é importante, mas que bom seria se pudéssemos, de quatro em quatro anos, decidir, no voto, se aquele servidor concursado, que lhe atende mal na repartição, como que lhe fazendo um favor, poderia continuar no serviço público. Que bom seria se pudéssemos, a cada eleição, decidir se aquele juiz concursado, aprovado em primeiro lugar no certame, mas moroso no seu ofício, poderia continuar no serviço público. Que bom seria se pudéssemos, a cada julgamento democrático da eleição, decidir se aquele médico concursado, dos mais aplicados na graduação, mas que no hospital público atende um paciente em trinta segundos, sem sequer olhá-lo nos olhos, poderia continuar no serviço público. Que bom seria se pudéssemos decidir nas próximas eleições se aquele professor concursado, de impecável currículo lattes, mas que é ausente contumaz na sala de aula, deveria continuar no serviço público.

Sim, compreendi o dito por você em metáfora:

Que estar no serviço público pela via do voto não torna ninguém um demônio. E também estar ali pela via do concurso público não habilita ninguém a santo. Devem, os dois, contas ao patrão. Mas que o primeiro tem que se submeter de tempos em tempos a um órgão sensor a mais: o voto popular, isso é inegável. O outro, ainda não.

Até.

Douglas Antério

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