Weber revoga “meu escravo, minha vida”

25.10.2017
Do blog CONVERSA AFIADA, 24.10.17

Ministro Gilmar vai ficar triste…

GilmarCarro.jpg

Nem todo motorista de carro oficial de Ministro é escravo

O Globo Overseas informa que a ministra Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal concedeu uma liminar que suspende os efeitos da portaria 1.129, que altera as regras de fiscalização do trabalho escravo no Brasil.

A portaria, publicada no dia 16/X pelo Ministério do Trabalho, dificulta o acesso à “lista suja” de empresas que utilizam mão-de-obra escrava, além de mudar a definição de trabalho escravo. A própria fiscalização de denúncias também seria prejudicada.

A medida recebeu críticas de diversos órgãos, como o Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e a Organização Internacional do Trabalho. Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), a portaria é “ilegal e absurda”.


Se a corrente estiver um pouquinho frouxa, não é mais trabalho escravo.

Será que o ministro Gilmar Mendes vai fazer ironia com a decisão de Rosa Weber?

Na quinta-feira 19/X, em evento no Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar debochou das críticas à portaria do Ministério do Trabalho:

“Eu, por exemplo, me submeto a um trabalho exaustivo, mas com prazer. Eu não acho que faço trabalho escravo”.


No dia seguinte em seu Twitter, o ministro continuou:

Combater o trabalho escravo é fundamental. Mas nem toda irregularidade trabalhista merece o tratamento de escravidão.

 

A interpretação das expressões “jornada exaustiva” e “condições degradantes de trabalho” não pode ser ideologizada.

 

Só no Brasil, altura de beliche e tamanho de armário geram discussão sobre trabalho escravo.

Gilmar insistiu na ironia e, posteriormente, indagou se seria escravidão o trabalho dos motoristas dos juízes do Supremo e do TSE.

O premiado jornalista Leonardo Sakamoto, diretor da ONG Repórter Brasil, que investiga denúncias de trabalho escravo, responde:

De acordo com Tiago Cavalcanti, procurador do trabalho e coordenador nacional da área responsável pela repressão à escravidão do Ministério Público do Trabalho, “o ministro comete um erro jurídico elementar ao confundir jornada exaustiva com jornada prolongada. A exaustão não se limita à prestação de horas extras, mas à fadiga física e psíquica decorrente do ritmo, da frequência, da natureza da atividade. Nenhum ministro que anda de carro preto com motorista e ar condicionado está submetido a jornadas exaustivas”.

Na decisão de suspender a portaria, a ministra Rosa Weber afirmou que o texto “vulnera princípios basilares da Constituição”.

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Fonte:https://www.conversaafiada.com.br/brasil/weber-revoga-meu-escravo-minha-vida

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