Imprensa lavajatense reage mal a depoimento de Tacla Duran

03.11.2017
Do blog O CAFEZINHO
Por Miguel do Rosário

Para entender a Lava Jato, é preciso atentar para o fato de que ela nunca foi apenas uma operação policial.

A Lava Jato é uma operação midiática.

Foi concebida para derrubar o governo Dilma, criminalizar o PT e destruir a indústria brasileira de óleo e gás, com objetivo de beneficiar multinacionais do petróleo, em especial as norte-americanas.

A Lava Jato foi concebida para dar o golpe no Brasil e entregar o poder político a bandidos do mercado financeiro e à Globo.

Depois do golpe, ela tenta disfarçar, fingindo que investiga ali, investiga acolá, sabendo que tudo irá resultar em pizza.

Mas o objetivo foi cumprido: houve o golpe e o Brasil foi entregue a bandidos sem nenhum tipo de compromisso com a população e totalmente obedientes às diretrizes do mercado financeiro, lá fora, e à Globo, aqui dentro.

As histórias de que o golpe foi dado com objetivo de “parar a Lava Jato” são ingênuas. O golpe foi dado pela Lava Jato. E agora que não importa mais se a Lava Jato continua ou não, porque o serviço já foi feito.

Depois da Lava Jato, o Brasil suspendeu projetos de construção de refinarias, paralisou as refinarias já construídas, e passou a importar quantidades recordes de derivados de petróleo de refinarias norte-americanas.

Depois da Lava Jato, o Brasil iniciou a entrega do pré-sal, já vendeu partes importantes da Petrobrás, já destruiu ou quase destruiu suas principais indústrias, paralisou o projeto de energia nuclear, e agora se prepara para privatizar a Eletrobrás, entregando ao estrangeiro a matriz energética mais limpa do mundo.

Os “prêmios” de Sergio Moro na Globo e nos Estados Unidos tem essa explicação.

A Lava Jato sempre atacou pela mídia, que ela também corrompeu, desde o início.

Ao escolher a dedo para quem irá entregar vazamentos ilegais, a Lava Jato corrompe e controla a mídia, que se deixa corromper e se deixa controlar, até porque entendeu que tinha os mesmos objetivos políticos.

A mídia brasileira, corrupta, plutocrática e antinacional, identificou-se imediatamente com a Lava Jato.

Hoje, a Lava Jato planta uma matéria na Folha, intitulada “Fugas e cidadania estrangeira atrasam processos da Lava Jato com Moro“, que não passa de uma tentativa grosseira de atacar Rodrigo Tacla Duran.

A matéria não traz nenhum fato novo, nenhuma denúncia, nenhum documento, nada.

É apenas uma matéria chapa-branca em relação a Sergio Moro.

Uma matéria, em suma, vendida à Lava Jato.

Ora, Tacla Duran fez denúncias importantes.

Tem documentos.

Tacla Duran não está preso nas masmorras da Globo em Curitiba. Ou seja, não está sob tortura, como ocorre com todos os delatores da Lava Jato.

Não está fazendo “delação premiada”, pelo menos não com o Brasil.

Tacla Duran está simplesmente apresentando a sua versão dos fatos, de maneira livre e espontânea.

O que disse Tacla Duran?

Que a Lava Jato ameaçou sua família.

Que a Lava Jato falsificou documentos, ou aceitou, deliberadamente, documentos falsos.

Ele poderia simplesmente não falar nada. Silenciar-se.

Não.

Recebeu dois deputados brasileiros críticos à Lava Jato e gravou um depoimento franco e corajoso.

Como reage a imprensa brasileira?

Está curiosa para saber o que aconteceu?

Informou seus leitores sobre o teor das denúncias de Tacla Duran?

Não.

A imprensa lavajatense reagiu com silêncio e omissão, num primeiro momento.

E agora, com essa matéria na Folha, com um contra-ataque chapa-branca-policial da… Lava Jato.

Lava Jato e imprensa lavajatense sentiram o golpe.

Daqui a pouco, publicaremos, aqui no Cafezinho, a transcrição completa do áudio de Tacla Durán.

Leia o resumo do áudio escrito por Romulus Maya e publicado aqui no Cafezinho.

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Fonte:https://ocafezinho.com/2017/11/03/imprensa-lavajatense-reage-mal-depoimento-de-tacla-duran/

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PAULO PAIM PROTESTA CONTRA REDUÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO FEITA POR TEMER

01.11.2017
Do portal BRASIL247, 30.10.17

Jefferson Rudy/Agência Senado

Senador Paulo Paim (PT-RS) se declarou indignado com mais uma redução no valor do salário mínimo proposta por Michel Temer; segundo Paim, o governo já havia baixado em R$10 o valor do mínimo na LDO para 2018; e agora o Ministério do Planejamento anunciou um corte de R$ 4 no valor para o próximo ano, passando de R$ 969 para R$ 965; “Catorze reais não são nada para o governo, mas para quem ganha o salário mínimo significa mais cinco litros de leite, significa mais cinco quilos de arroz ou significa mais três quilos de feijão. Significa muito”

Agência Senado – Em pronunciamento nesta terça-feira (31), o senador Paulo Paim (PT-RS) se declarou indignado com mais uma redução no valor do salário mínimo proposta pelo presidente Michel Temer. Segundo Paim, o governo já havia baixado em R$10 o valor do mínimo na LDO para 2018. E agora o Ministério do Planejamento anunciou um corte de R$ 4 no valor para o próximo ano, passando de R$ 969 para R$ 965.

— Catorze reais não são nada para o governo, mas para quem ganha o salário mínimo significa mais cinco litros de leite, significa mais cinco quilos de arroz ou significa mais três quilos de feijão. Sabe o que significa para quem não tem nada cinco quilos de arroz? Significa muito. Sabe o que significa três, quatro quilos de feijão a mais para quem não tem o que comer, para a família, às vezes, de três, quatro, cinco filhos? — questionou.

Além disso, Paulo Paim protestou contra a reforma trabalhista já aprovada pelo Palácio do Planalto e a tentativa de ressuscitar a reforma da Previdência, em análise na Câmara dos Deputados.

O senador ressaltou que o texto prevê o pagamento de benefício integral apenas após 65 anos de idade e 49 de contribuição. E garantiu que, com a realidade atual do mercado de trabalho, o brasileiro só terá direito ao valor máximo da aposentadoria depois de completar 90 anos.

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Fonte:https://www.brasil247.com/pt/247/poder/325199/Paulo-Paim-protesta-contra-redu%C3%A7%C3%A3o-do-sal%C3%A1rio-m%C3%ADnimo-feita-por-Temer.htm?utm_source=social_monitor&utm_medium=widget_vertical

MANIPULAÇÃO DA GLOBO GOLPISTA: Inconformada, a Globo viaja…na maionese

30.10.2017
Do blog TIJOLAÇO
Por 

viaja

 

É de dar risada ler a reação do público no Twitter à esta postagem lunática da Globo, baratinada diante do fato de que quatro anos de suas bombas não conseguiu destruir a identidade política do povão com o ex-presidente Lula.

Então, Lula lidera por conta de uma caravana sobre a qual a grande mídia não noticia uma linha?  Porque viajam?

“Se fosse assim Doria estaria em primeiro, disparado! Parem de mentir e de manipular, não tá colando mais”, diz uma leitora. “O PSDB vai lançar o Bino para presidente e Pedro (os caminhoneiros do seriado Carga Pesada) para vice”, diz outro.

É só isso o que encontram de explicações? Ah, justificam-se, “mas Dória e Alckmin não são conhecidos”. Doria, há dois anos, é arroz-de-festa na mídia; Alckmin está no quarto mandato como governador do maior estado do país e foi candidato a Presidente.

Luciano Huck deu chabu na largada, o mato vai ficando sem cachorro, porque Moro se algemou com as declarações expressas de que não é candidato.

Mas não é nada engraçado o grau de partidarismo primário a que fazem baixar o jornalismo no Brasil.

Está claro que a pesquisa do Ibope foi encomenda de alguém e, provavelmente, do seu tradicional cliente, a Globo.

Divulgada assim, de maneira “misteriosa”. o jornal se desobriga a dar manchete, os apresentadores do Fantástico estão desobrigados também de apresentar os resultados  e, assim, esconde-se tanto quanto possível o evidente: que Lula lidera, com enorme dianteira, as pesquisas eleitorais.

Secundado, aliás, por quase toda a mídia, onde oito entre dez títulos são “Lula e Bolsonaro lideram…” quando o ex-presidente tem  bem mais que o dobro dos índices conferidos ao “candidato da bala”…

É cedo para dizer que perderam a batalha eleitoral, mas perderam a batalha política. Foram o mais longe que podiam ir em matéria de manobras e manipulações, controlaram o Judiciário e o parlamento e no que deu?

Deu em Temer no governo e o voto de direita no 45. Só que não no número do PSDB, mas no calibre da pistola.

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Fonte:http://www.tijolaco.com.br/blog/inconformada-globo-viaja-na-maionese/

Fiscais do Trabalho fazem paralisação. Ministro banca ‘portaria’

25.10.2017
Do portal REDE BRASIL ATUAL
Por redação RBA

Categoria protesta contra mudanças nas regras de combate ao trabalho escravo e pede revogação da medida. Ronaldo Nogueira admite apenas alterações no texto

trabalho escravo

Ministro considera que norma feita sem anuência de auditores pode regular conceituação de escravidão

São Paulo – Auditores-fiscais do Trabalho fazem nesta quarta-feira (25) paralisações por todo o país, em protesto contra a Portaria 1.129, que alterou regras para a fiscalização de combate ao trabalho escravo. Hoje, em entrevista, o ministro Ronaldo Nogueira disse que a norma será mantida, com possíveis alterações.

“A portaria não será revogada, não há motivos para isso”, afirmou Nogueira ao jornal O Globo. “O combate ao trabalho escravo não pode ser o monopólio de uma categoria ou de um partido político. Tem que ser do conjunto da sociedade”, acrescentou. As duas afirmações deixam lacunas: as ações de fiscalização envolvem pelo menos, além dos auditores, policiais federais. E as operações começaram em 1995, em um governo do PSDB, sendo mantidas e ampliadas nos governos seguintes, do PT, tornando-se política de Estado.

O ministro disse ainda que está “acolhendo sugestões” do Ministério Publico do Trabalho, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), dos auditores e da sociedade civil. “Devemos concluir a portaria até o dia 31. Vamos definir os pontos que caracterizam trabalho escravo.”

“A portaria altera o conceito de trabalho escravo disciplinado pelo Código Penal e por convenções da OIT para favorecer os infratores e enfraquecer a inspeção do Trabalho”, diz o Sinait, sindicato nacional dos fiscais. A categoria organiza atos públicos diante das superintendências regionais.

A Procuradoria-Geral da República deu prazo para que o Ministério do Trabalho revogue a medida. Ontem, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu os efeitos da portaria até o julgamento do mérito.

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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2017/10/fiscais-do-trabalho-fazem-paralisacao-ministro-banca-portaria-1

Weber revoga “meu escravo, minha vida”

25.10.2017
Do blog CONVERSA AFIADA, 24.10.17

Ministro Gilmar vai ficar triste…

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Nem todo motorista de carro oficial de Ministro é escravo

O Globo Overseas informa que a ministra Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal concedeu uma liminar que suspende os efeitos da portaria 1.129, que altera as regras de fiscalização do trabalho escravo no Brasil.

A portaria, publicada no dia 16/X pelo Ministério do Trabalho, dificulta o acesso à “lista suja” de empresas que utilizam mão-de-obra escrava, além de mudar a definição de trabalho escravo. A própria fiscalização de denúncias também seria prejudicada.

A medida recebeu críticas de diversos órgãos, como o Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e a Organização Internacional do Trabalho. Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), a portaria é “ilegal e absurda”.


Se a corrente estiver um pouquinho frouxa, não é mais trabalho escravo.

Será que o ministro Gilmar Mendes vai fazer ironia com a decisão de Rosa Weber?

Na quinta-feira 19/X, em evento no Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar debochou das críticas à portaria do Ministério do Trabalho:

“Eu, por exemplo, me submeto a um trabalho exaustivo, mas com prazer. Eu não acho que faço trabalho escravo”.


No dia seguinte em seu Twitter, o ministro continuou:

Combater o trabalho escravo é fundamental. Mas nem toda irregularidade trabalhista merece o tratamento de escravidão.

 

A interpretação das expressões “jornada exaustiva” e “condições degradantes de trabalho” não pode ser ideologizada.

 

Só no Brasil, altura de beliche e tamanho de armário geram discussão sobre trabalho escravo.

Gilmar insistiu na ironia e, posteriormente, indagou se seria escravidão o trabalho dos motoristas dos juízes do Supremo e do TSE.

O premiado jornalista Leonardo Sakamoto, diretor da ONG Repórter Brasil, que investiga denúncias de trabalho escravo, responde:

De acordo com Tiago Cavalcanti, procurador do trabalho e coordenador nacional da área responsável pela repressão à escravidão do Ministério Público do Trabalho, “o ministro comete um erro jurídico elementar ao confundir jornada exaustiva com jornada prolongada. A exaustão não se limita à prestação de horas extras, mas à fadiga física e psíquica decorrente do ritmo, da frequência, da natureza da atividade. Nenhum ministro que anda de carro preto com motorista e ar condicionado está submetido a jornadas exaustivas”.

Na decisão de suspender a portaria, a ministra Rosa Weber afirmou que o texto “vulnera princípios basilares da Constituição”.

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Fonte:https://www.conversaafiada.com.br/brasil/weber-revoga-meu-escravo-minha-vida

A novidade perturbadora da política

25.10.2017
Do BLOG DO MIRO
Por Marcos Coimbra, na revista CartaCapital:

Nos tempos em que vivemos, muita coisa é velha. São filmes que já vimos, com enredos conhecidos. Em alguns casos, até os atores são os mesmos. Mas há uma novidade perturbadora no ar.

direita sempre foi forte no Brasil. Raros foram os momentos em que ela enfraqueceu e teve de partilhar o mando. Quando foi forçada a refluir, voltou furiosa, querendo reassumir integralmente as rédeas. Sem pesar as consequências de seus atos, aliando-se a quem estivesse disponível.

Em 1964, para obstruir as reformas de João Goulart, foi aos quartéis pedir aos militares que dessem um golpe. Anos depois, com medo do “perigo vermelho” representado pelos que resistiam ao arbítrio, aplaudiu o recrudescimento da repressão e da tortura.

Ela considerava a ditadura e os “excessos” das Forças Armadas um mal necessário. Tratava os “bolsões sinceros, porém radicais” no oficialato com tolerância, como se fossem o preço que a sociedade tivesse de pagar pela “moralização” e a “luta contra o comunismo”.

Sem contar a parte que meteu as mãos na sujeira, abrindo o bolso para financiar o braço clandestino da repressão ou lhe dando suporte material (alguém se esquece dos carros que a Folha de S.Paulo colocava à disposição da Operação Bandeirantes?).

A direita viu o apodrecimento do autoritarismo e aceitou a redemocratização, supondo que conseguiria se manter no poder indefinidamente, à custa de manobras eleitorais e do controle da formação de opiniões. Ganhou as três primeiras eleições, mas ficou nisso. Para voltar ao poder, deu um golpe.

É de assombrar que parte da esquerda reaja com espanto ao comportamento atual da indústria de comunicação. Os oligopólios familiares que controlam a mídia apenas repetem o que nunca deixaram de ser.

Em todas as encruzilhadas com que a sociedade brasileira se defrontou nos últimos 70 anos, as Organizações Globo e seus satélites sempre escolheram o lado errado. Foram contrárias a qualquer avanço civilizatório e favoráveis a um capitalismo cego, excludente e sem projeto de País. Em seu nome, toparam referendar golpes de Estado e ditaduras, e apoiar a interpretação “flexível” da Lei.

Também não há nada de novo no fato de o governo dos Estados Unidos haver ajudado no golpe contra Dilma Rousseff, aliando-se a grupos sublevados da burocracia. Tampouco que organizações norte-americanas de ultradireita tenham financiado manifestações “espontâneas” no Brasil, para enfraquecer o governo petista. Quem conhece a história da América Latina do início dos anos 1960 para cá não tem por que se admirar.

Direita à vontade, a “grande imprensa” repisando suas teclas, governo e milionários americanos defendendo seus interesses, tudo isso é velho. Como é velho que generais esbravejem contra a democracia, candidatos reacionários procurem eleitores reacionários e líderes religiosos obscurantistas se oponham à convivência social contemporânea.

A diferença entre o Brasil de hoje e o de ontem não está nas coisas velhas. A novidade é o tamanho que assumiu um personagem que era pouco significativo na vida política, mas que, ao crescer desmesuradamente, tornou-se fonte de perturbação do jogo democrático.

São as corporações de profissionais de algumas carreiras no Judiciário, no Ministério Público e em segmentos do Executivo (como a Polícia Federal) e do Legislativo (como os Tribunais de Contas).

Compartilham alguns atributos. Querem definir por conta própria a missão que têm a desempenhar, rejeitam qualquer controle externo e aspiram à autorregulamentação, pretendendo legislar a respeito de tudo que lhes diz respeito (a começar pelo que querem ganhar e quais vantagens e privilégios querem ter).

Ao contrário do padrão de imparcialidade do funcionalismo nas democracias maduras, são escancaradamente partidarizadas, quase sempre pendendo para a direita. Formam um conjunto inorgânico e sem hierarquia, que se movimenta de maneira atabalhoada e perigosa.

Nasceram como um avanço da Constituição de 1988, mas tornaram-se fator de instabilidade institucional permanente. Quem criou o monstrengo em que se transformaram foi a direita política, empresarial e midiática, que achou que as usaria para derrotar a esquerda e depois as manteria sob controle.

Temos anos complicados à frente. É indispensável acabar logo com o despropósito do governo de Michel Temer, fazendo eleições presidenciais de verdade com a participação de Lula. Mas é preciso também que encontremos meios para consertar a bagunça institucional que essas corporações estão provocando e ainda vão causar, caso não sejam trazidas de volta à normalidade institucional.

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Fonte:

Dois juízes, manifestações opostas sobre o impeachment: por que um é investigado e o outro não

25.10.2017
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
Por Joaquim de Carvalho

A decisão do Conselho Nacional de Justiça de investigar quatro juízes que se manifestaram contra o impeachment de Dilma Rousseff abre a discussão: e o que aconteceu com os (muitos) juízes que defenderam a retirada da então presidente do Palácio do Planalto?

Um deles, Itagiba Catta Preta, usou as redes sociais para convidar manifestantes a irem para a rua, foi para a rua, postou no facebook e não escondia que tinha sido eleitor de Aécio Neves. Não um simples eleitor, o eleitor que faz campanha, com direito a exibir fotos com adesivo no peito.

Itagiba fez mais do que isso.

Juiz federal em Brasília, ele, como magistrado, agiu como se fosse manifestante: proibiu a posse de Lula no ministério de Dilma Rousseff, no auge da crise política.

Quando se descobriu, na época, que o facebook dele era igual a de qualquer manifestante que seguiam patos amarelos na avenida, retirou a página do ar. Mas os registros foram copiados e divulgados, para desmoralização da Justiça.

Procure-se nos registros do CNJ se houve algum tipo de punição (ou investigação) para ele e nada se encontrará. Outra pesquisa interessante é sobre as manifestações nas redes sociais dos juízes agora investigados.

Na página do juiz André Nicolitt, por exemplo, juiz do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, não há nenhuma manifestação partidárias, não há menção a nome.

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O que se vê é a manifestação a favor de teses, idéias, não nomes.

Por isso, é preciso, certeiro, o argumento do advogado Leonardo Isaac Yarochewsky, doutor em Ciências Penais, expressa em artigo no site Justificando, de que a manifestação dos quatro juízes agora investigados pelo CNJ foi em defesa do Estado Democrático de Direito, da Constituição, não de Dilma Rousseff.

Há algo mais nobre do que defender idéias, teses?

Os fatos que se sucederam (e estão em curso) mostram que a tese que esses quatro juízes abraçaram estava certa.

O Brasil viveu em 2016 uma violência institucional — o ministro Ricardo Lewandwiki, que presidiu a sessão do Senado que cassou Dilma, chamou de “tropeço da democracia” —, e o mínimo que um cidadão consciente (juiz ou não) pode fazer é denunciar.

Não é uma manifestação política no sentido partidário.

É a defesa de algo muito maior – a democracia – e, em certos momentos, na defesa desse bem intangível, silenciar é que seria uma falha grave.

.x.x.x.x.

PS:

Acima, a foto do juiz que se manifestou contra o golpe, André Nicolitt; ao lado, a foto do juiz que se manifestou (e agiu) a favor, Itagiba Catta Preta. Um está sendo investigado e pode ser punido, o outro não. Notou a diferença? Se você não soubesse, precisaria dizer quem é quem?

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Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/dois-juizes-manifestacoes-opostas-sobre-o-impeachment-por-que-um-e-investigado-e-o-outro-nao-por-joaquim-de-carvalho/