A novidade perturbadora da política

25.10.2017
Do BLOG DO MIRO
Por Marcos Coimbra, na revista CartaCapital:

Nos tempos em que vivemos, muita coisa é velha. São filmes que já vimos, com enredos conhecidos. Em alguns casos, até os atores são os mesmos. Mas há uma novidade perturbadora no ar.

direita sempre foi forte no Brasil. Raros foram os momentos em que ela enfraqueceu e teve de partilhar o mando. Quando foi forçada a refluir, voltou furiosa, querendo reassumir integralmente as rédeas. Sem pesar as consequências de seus atos, aliando-se a quem estivesse disponível.

Em 1964, para obstruir as reformas de João Goulart, foi aos quartéis pedir aos militares que dessem um golpe. Anos depois, com medo do “perigo vermelho” representado pelos que resistiam ao arbítrio, aplaudiu o recrudescimento da repressão e da tortura.

Ela considerava a ditadura e os “excessos” das Forças Armadas um mal necessário. Tratava os “bolsões sinceros, porém radicais” no oficialato com tolerância, como se fossem o preço que a sociedade tivesse de pagar pela “moralização” e a “luta contra o comunismo”.

Sem contar a parte que meteu as mãos na sujeira, abrindo o bolso para financiar o braço clandestino da repressão ou lhe dando suporte material (alguém se esquece dos carros que a Folha de S.Paulo colocava à disposição da Operação Bandeirantes?).

A direita viu o apodrecimento do autoritarismo e aceitou a redemocratização, supondo que conseguiria se manter no poder indefinidamente, à custa de manobras eleitorais e do controle da formação de opiniões. Ganhou as três primeiras eleições, mas ficou nisso. Para voltar ao poder, deu um golpe.

É de assombrar que parte da esquerda reaja com espanto ao comportamento atual da indústria de comunicação. Os oligopólios familiares que controlam a mídia apenas repetem o que nunca deixaram de ser.

Em todas as encruzilhadas com que a sociedade brasileira se defrontou nos últimos 70 anos, as Organizações Globo e seus satélites sempre escolheram o lado errado. Foram contrárias a qualquer avanço civilizatório e favoráveis a um capitalismo cego, excludente e sem projeto de País. Em seu nome, toparam referendar golpes de Estado e ditaduras, e apoiar a interpretação “flexível” da Lei.

Também não há nada de novo no fato de o governo dos Estados Unidos haver ajudado no golpe contra Dilma Rousseff, aliando-se a grupos sublevados da burocracia. Tampouco que organizações norte-americanas de ultradireita tenham financiado manifestações “espontâneas” no Brasil, para enfraquecer o governo petista. Quem conhece a história da América Latina do início dos anos 1960 para cá não tem por que se admirar.

Direita à vontade, a “grande imprensa” repisando suas teclas, governo e milionários americanos defendendo seus interesses, tudo isso é velho. Como é velho que generais esbravejem contra a democracia, candidatos reacionários procurem eleitores reacionários e líderes religiosos obscurantistas se oponham à convivência social contemporânea.

A diferença entre o Brasil de hoje e o de ontem não está nas coisas velhas. A novidade é o tamanho que assumiu um personagem que era pouco significativo na vida política, mas que, ao crescer desmesuradamente, tornou-se fonte de perturbação do jogo democrático.

São as corporações de profissionais de algumas carreiras no Judiciário, no Ministério Público e em segmentos do Executivo (como a Polícia Federal) e do Legislativo (como os Tribunais de Contas).

Compartilham alguns atributos. Querem definir por conta própria a missão que têm a desempenhar, rejeitam qualquer controle externo e aspiram à autorregulamentação, pretendendo legislar a respeito de tudo que lhes diz respeito (a começar pelo que querem ganhar e quais vantagens e privilégios querem ter).

Ao contrário do padrão de imparcialidade do funcionalismo nas democracias maduras, são escancaradamente partidarizadas, quase sempre pendendo para a direita. Formam um conjunto inorgânico e sem hierarquia, que se movimenta de maneira atabalhoada e perigosa.

Nasceram como um avanço da Constituição de 1988, mas tornaram-se fator de instabilidade institucional permanente. Quem criou o monstrengo em que se transformaram foi a direita política, empresarial e midiática, que achou que as usaria para derrotar a esquerda e depois as manteria sob controle.

Temos anos complicados à frente. É indispensável acabar logo com o despropósito do governo de Michel Temer, fazendo eleições presidenciais de verdade com a participação de Lula. Mas é preciso também que encontremos meios para consertar a bagunça institucional que essas corporações estão provocando e ainda vão causar, caso não sejam trazidas de volta à normalidade institucional.

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Fonte:

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VÍDEO DE FUNARO COMPROVA DELAÇÃO DE JOESLEY E COMPLICA AINDA MAIS TEMER

16.10.2017
Do portal BRASIL247, 15.10.17

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Fonte:https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/322444/V%C3%ADdeo-de-Funaro-comprova-dela%C3%A7%C3%A3o-de-Joesley-e-complica-ainda-mais-Temer.htm

Lava Jato, um modo simples de enriquecer os fiscais da probidade

05.09.2017
Do portal JORNAL GGN
Por Luís Nassif

A declaração do professor Rene Ariel Dotti, advogado da Petrobras na Lava Jato, sobre o PT, em artigo no blog, traz à luz o contexto dos custos da advocacia da Petrobras, hoje na área externa dominada pela empresa Hogan Lovells, de Washington, que já levou 300 milhões de dólares em honorários e domina completamente essa área dentro da estatal.

A Hogan chegou à Petrobras em 2012, quando o diretor jurídico da Petrobrás Venezuela S.A., Diógenes Bermudez, saiu da empresa e foi para a Hogan Lovells.

Bermudez é formado pela Universidade Central da Venezuela e com especialização na Georgetown University. Antes de ir para a Petrobras Venezuela trabalhava na PDVSA como diretor jurídico da sua subsidiária Lagoven. Quando foi para a Hogan Lovells levou junto a conta da Petrobras Venezuela e a partir de Washington, sua base hoje comanda a conta da cliente Petrobras global, um mega cliente.

Mesmo os concorrentes norte-americanos da Hogan Lovells, grandes escritórios reunidos em torno de uma associação no Brasil, consideram os honorários um exagero. Principalmente porque a Petrobras não precisa abrir licitação, pois foi dispensada por uma lei especial para contratar e pagar sem fiscalização de qualquer escritório.

Não é o único supernegócio de escritórios de advocacia com a Petrobras. Na ação junto ao Departamento de Justiça contratou o Baker Mackenzie, também caríssimo e outro escritório de monitoramento, de confiança do Departamento de Justiça, que fica dentro da própria empresa.

Com esse nível de honorários, a transparência é fundamental, pois a faxina da propina poderá custar mais caro ainda para a Petrobras do que a própria corrupção, se não houver transparência na contratação.

Hoje em dia, o mercado de compliance se tornou uma mina de ouro para os escritórios de advocacia norte-americanoa. Os honorários são tão exagerados que muitas multinacionais recriaram seus próprios departamentos jurídicos para fugir desse nível de honorários. Foi o caso da gigante de química Dupont, cuja história tornou-se reportagem da Business Week

Há suspeitas de que a Hogan possa ter sido apadrinhada por Ellen Gracie e Durval Soledade, membros da “comissão de investigação” criada para supervisionar os escritórios estrangeiros. Ambos fazem parte da CGI (Comissão de Gestão de Investigação) da Eletrobras, que também contratou o escritório Hogan. O escritório de Ellen Gracie foi contratado por R$ 4 milhões, sem licitação, justamente para supervisionar os escritórios contratados. E aumentou em cinco vezes o trabalho inicial estimado e, obviamente, os custos.

Alerta um experiente advogado da área, que se as relações do cliente com escritórios não forem claramente competitivas há um contexto perigoso no sistema de faturas mensais, com cobrança por horas trabalhadas e não por resultado: as pendências não acabam nunca porque quando acabarem cessam as faturas e se ninguém contesta a coisa vai por anos a fio. Esse é um dos grandes negócios inventados pelos EUA para vender serviços.

Seria conveniente que o presidente da Petrobras, Pedro Parente, clareasse mais os critérios de atuação dos advogados e escritórios contratados. Afinal, se a Petrobras se tornou uma “empresa ética”, como apregoa Parente, os mega custos jurídicos precisam ser transparentes e fiscalizados.

O advogado René Ariel Dotti

Chamou atenção a entrevista de Dotti ao Estadão.

Contratado a peso de ouro como advogado de acusação da Petrobras, deu uma entrevista com viés partidário. Ficou a dúvida se ele vende seus serviços como um advogado que atua tecnicamente ou se está incluído na conta o ativismo político.

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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/lava-jato-um-modo-simples-de-enriquecer-os-fiscais-da-probidade-por-luis-nassif

CONHEÇA 9 IMPACTOS QUE A TERCEIRIZAÇÃO TRARÁ NA VIDA DO TRABALHADOR

27.03.2017
Do portal BRASIL247

Site Voyager elaborou uma lista com nove impactos diretos que a aprovação do Projeto de Lei (PL) 4302 de 1998, que regulamenta a terceirização no país, liberando-a para ser usada em qualquer ramo de atividade das empresas privadas e de parte do setor público, trará aos trabalhadores e ao mercado de trabalho no Brasil; entre os pontos listados estão a perda de direitos, aumento do número de acidentes de trabalho, maior taxa de rotatividade, redução do número de vagas em concursos públicos, dentre outros

247 – O site Voyager elaborou uma lista com nove impactos diretos que a aprovação do Projeto de Lei (PL) 4302 de 1998, que regulamenta a terceirização no país, liberando-a para ser usada em qualquer ramo de atividade das empresas privadas e de parte do setor público, trará aos trabalhadores e ao mercado de trabalho no Brasil.

Dentre outros pontos, “desaparece, por exemplo, a obrigação de que a empresa que encomende trabalho terceirizado fiscalize regularmente se a firma que contratou está cumprindo obrigações trabalhistas e previdenciárias. Desaparecem também, restrições à chamada “pejotização”, que é a mudança da contratação direta, com carteira assinada, pela contratação de um empregado nos moldes da contratação de uma empresa (pessoa jurídica) prestadora de serviços”, diz a publicação.

Confira os nove pontos destacados pelo site Voyager sobre o assunto.

1. Maior precarização das condições de trabalho e redução de vagas de emprego

A proposta induvidosamente acarretará para milhões de trabalhadores no Brasil o rebaixamento de salários e de suas condições de trabalho, instituindo como regra a precarização nas relações laborais.
Segundo estudo feito pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a partir de dados de 2013 do Ministério do Trabalho, os terceirizados, ao mesmo tempo em que ganham salários em média 25% menores, trabalham em média três horas a mais por semana do que os contratados diretamente pela empresa.

2. Maior número de acidentes de trabalho

Além disso, essa mesma pesquisa aponta que os “terceirizados” costumam sofrer mais acidentes de trabalho. O já elevado número desse tipo de acidente no Brasil (de dez acidentes, oito acontecem com empregados terceirizados) tende a ser agravado, gerando prejuízos para os trabalhadores, para o Sistema Único de Saúde e para Previdência Social, a qual, ainda, sofrerá impactos negativos até mesmo nos recolhimentos mensais.

3. Terceirização está ligada a condições análogas à escravidão e a maior probabilidade de morte no trabalho

Segundo números apresentados pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entre 2010 e 2013, nas 10 maiores operações de resgate de trabalhadores em situação análoga à escravidão, quase 3.000 dos 3.553 casos envolviam terceirizados.
Estes dados divulgados, em 2015, na audiência da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CPF), revelam também que no caso de óbitos durante o serviço no setor elétrico, 61 terceirizados perderam a vida em 2013, contra 18 empregados diretos. Na construção de edifícios, foram 75 falecimentos de terceirizados num total de 135 mortes; nas obras de acabamento, os terceirizados foram 18 do total de 20 óbitos.

4. Maior taxa de rotatividade

Não se pode deixar de lembrar a elevada taxa de rotatividade que acomete os profissionais terceirizados. Esses trabalhadores ficam em média 2,7 anos no emprego intermediado, enquanto os contratados permanentes ficam em seus postos de trabalho, em média, por 5,8 anos.

5. Empresas poderão demitir funcionários para não pagar benefícios e ainda recontratá-los pagando menos

É comum que companhias de prestação de serviços terceirizadas demitam funcionários antes dos 12 meses de contrato para não pagar férias, décimo terceiro, entre outros direitos trabalhistas. A PL aprovada no Congresso também abre a porta para que empresas demitam funcionários e os recontratem pagando menos para exercer as mesmas funções.

6. Se a empresa decretar falência o funcionário não recebe nada.

Isso é mais corriqueiro do que você imagina. Em entrevista concedida ao G1 em 2012, a sindicalista Maria Isabel Caetano dos Reis, presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação, Trabalho Temporário, Prestação de Serviços e Serviços Terceirizáveis do Distrito Federal, resumiu bem a situação: “Aqui todo dia chega um trabalhador reclamando que a empresa (de prestação de serviços terceirizadas) sumiu, fechou, faliu”.

Consequentemente, os terceirizados deixam de receber seus direitos, como salários, 13º, férias ou vale-transporte.

7. Número de vagas em concursos públicos será bastante reduzida

Segundo a PL aprovada, no caso do serviço público, a exceção da terceirização será para atividades que são exercidas por carreiras de Estado, como juízes, promotores, procuradores, auditores, fiscais e policiais. Entretanto, outras funções, mesmo que ligadas à atividade-fim, poderão ser terceirizadas em órgãos ou empresas públicas. Isso acarretará uma drástica redução no número de vagas em concursos públicos.

8. O poder de greve será enfraquecido

Esta PL também autoriza a contratação de terceirizados para substituir trabalhadores em greve, caso ela seja declarada abusiva ou atinja serviço considerado essencial. O coordenador de Relações Sindicais do Dieese, Fausto Augusto Júnior, diz que a medida torna mais vulneráveis as contratações temporárias. Mais ainda: ele afirma que o texto fere preceito constitucional do direito à greve.

9. Como já ocorreu em outros países, o número de terceirizados deve disparar

No México, dados oficiais apontam que atualmente 16% da população economicamente ativa (8,32 milhões de pessoas) trabalham neste esquema. Em 2012 o país regulamentou a “subcontratação” – nome pelo qual a terceirização é conhecida por lá. O número representa quase o dobro do verificado em 2004, quando apenas 8,6% adotavam o regime. Além disso, 60% dos trabalhadores do país têm emprego informal, sem carteira assinada.

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/economia/287125/Conhe%C3%A7a-9-impactos-que-a-terceiriza%C3%A7%C3%A3o-trar%C3%A1-na-vida-do-trabalhador.htm

Moro defende Temer de indícios de acusações de Eduardo Cunha

14.02.2017
Do portal JORNAL GGN, 13.02.17
Por Patrícia Faermann

 
Jornal GGN – Ao negar a liberdade da prisão preventiva ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB), o juiz de primeira instância da Operação Lava Jato, Sergio Moro, defendeu o presidente Michel Temer, como suposta vítima de “reprovável tentativa de intimidação”. Em mais de treze páginas, defendeu-se ainda das críticas contra as prisões, e inverteu os indícios de acusação de Cunha contra o presidente e sua cúpula como tentativas de “pressão política”.
 
Moro utilizou o despacho em que decide manter a prisão de Eduardo Cunha como mecanismo de defesa à ele e à Michel Temer, e de resposta às críticas das prisões da Operação Lava Jato, feitas mais recentemente por Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
 
Ainda que sem citar o nome do ministro, o despacho do juiz contestou a declaração, na última terça-feira (07), de que o Supremo necessita discutir e se posicionar sobre “as alongadas prisões que se determinam em Curitiba”, “tema que conflita com a jurisprudência que desenvolvemos ao longo desses anos”.
 
“É certo, tem havido muita mistificação em torno das prisões preventivas no âmbito da Operação Lavajato. (…) Setenta e nove prisões preventivas, em quase três anos, é um número significativo, mas outros casos de investigações rumorosas, como a chamada Operação Mani Pulite envolveram número muito superior de prisões provisórias, cerca de oitocentas prisões preventivas nos três primeiros anos, entre 1992 e 1994, somente em Milão, contagem muito superior das setenta e nove referidas”, defendeu Moro.
 
Com base na italiana Operação Mãos Limpas, como já o faz desde o início das investigações, há mais de dois anos, o magistrado da primeira instância contrariou Gilmar Mendes, afirmando que “não procede, portanto, a crítica genérica às prisões preventivas decretadas na Operação Lavajato pelo menos considerando a quantidade delas”.
 
Em seguida, em um despacho que deveria invocar apenas os argumentos específicos para decidir se mantém ou não Cunha na penitenciária de Curitiba, Sergio Moro realiza uma defesa fervorosa de suas polêmicas prisões. Para isso, apela à generalização da opinião pública sobre o tema, com relação à impunidade dos crimes de colarinho branco e políticos, e destaca de forma envaidecida:
 
“A questão real ­ e é necessário ser franco sobre isso ­ não é a quantidade, mas a qualidade das prisões, mas propriamente a qualidade dos presos provisórios. O problema não são as setenta e nove prisões ou os atualmente sete presos sem julgamento, mas sim que se tratam de presos ilustres, por exemplo, um dirigente de empreiteira, um ex­-Ministro da Fazenda, um ex-Governador de Estado, e, no presente caso, um ex-­Presidente da Câmara dos Deputados. Mas, nesse caso, as críticas às prisões preventivas refletem, no fundo, o lamentável entendimento de que há pessoas acima da lei e que ainda vivemos em uma sociedade de castas, distante de nós a igualdade republicana.”
 
Nessa mesma linha, ignora o que impõe o código penal para prisões preventivas e temporárias, de que a medida é necessária em casos de que a liberdade dos investigados apresentaria alguma ameaça ou risco às investigações: “este Juízo tem invocado a necessidade de decretar a preventiva para resguardar a ordem pública, protegendo a sociedade, outros indivíduos e os cofres públicos da prática serial e reiterada desses crimes”, afirma.
 
Mas apenas surgem, para Moro, “pontualmente, outros fundamentos, como a necessidade de preservar a aplicação da lei, prevenindo fuga ou a dissipação do produto do crime, ou a necessidade proteger a investigação ou a instrução contra destruição ou manipulação de provas”.
 
Em seguida, traz um histórico de argumentações que levaram à prisão o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef, o ex-presidente da UTC Engenharia Ricardo Pessoa, e dirigentes da Odebrecht. E então, somente na página 8 do despacho é que Moro argumenta sobre o caso em questão, de Eduardo Cunha.
 
Entre os pontos elencados, Moro recorreu à a decisão de Teori Zavascki para o afastamento de Cunha da Presidência da Câmara e exercício legislativo, que à época apontou a postura do parlamentar de extorsão, ameaça e intimidações – não contextualizada no despacho pelo juiz, mas que faziam referência às atuações de Cunha dentro da Câmara com demais parlamentares.
 
De forma frágil e sem sustentação, o magistrado do Paraná relacionou os argumentos de Teori com o recente envio de perguntas por Eduardo Cunha ao presidente Michel Temer. De forma contrária ao que vem adotando, de aproveitar depoimentos e delações de investigados para se chegar a outras pessoas, Moro não apenas desconsiderou as possíveis acusações de Cunha à cúpula do PMDB e à Michel Temer, como as chamou de “reprovável tentativa de intimidação da Presidência da República”.
 
Uma das estratégias de defesa de Eduardo Cunha era provar que, se ele era um dos responsáveis por comandar o esquema de corrupção dentro do PMDB na Petrobras, o então presidente da sigla, Michel Temer, deveria ser também responsabilizado na Lava Jato, por comandar as indicações, decisões e influências do partido.
 
Em depoimento prestado na última terça (07), na Justiça Federal em Curitiba, Cunha confirmou a sua teoria, acusando o ex-presidente de organizar as reuniões que decidiam sobre indicações e, portanto, em possíveis envolvimentos da sigla em corrupção nas empresas. “Tudo era reportado, sabíamos de tudo e de todos”, resumiu, na semana passada.
 
Ainda que sem entrar no mérito de entender por quais motivos o peemedebista enviava aquelas perguntas a Temer, se realmente poderiam ter relação com as acusações dirigidas a Eduardo Cunha na Lava Jato, Moro barrou a defesa e automaticamente defendeu o presidente da República:
 
 
Moro seguiu no efeito reverso de interpretação, com o intuito de manipular as tentativas de defesa do deputado cassado Eduardo Cunha, criminalizando-o por elas: “Depois de tal comportamento processual, revogar a preventiva de Eduardo Cosentino da Cunha poderia ser interpretada erroneamente como representando a capitulação deste Juízo a alguma espécie de pressão política a qual teria sofrido em decorrência do referido episódio”, disse.
 
E ainda apontou: “Esclareça-­se, para evitar mal entendidos, que pressão política, perante este julgador, não houve nenhuma, o que, contudo, não torna menos reprovável a tentativa do acusado de obtê­-la”.
 
Abaixo, a íntegra do despacho de Sérgio Moro:
 

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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/moro-defende-temer-de-indicios-de-acusacoes-de-eduardo-cunha

CLASSE MÉDIA FOI ENGANADA PELA MÍDIA QUE FEZ “TRABALHO SUJO” DO GOLPE

20.01.2017
Do portal BRASL247

VEJA COMO A MÍDIA MANIPULA A NOTÍCIA:Desafio aceito – quinta coluna é quem mesmo?

18.01.2017
Do blog OBJETIVANDO  DISPONILIZAR

quintacoluna

Olá! Feliz ano novo pra você também!

Bora tirar a poeira deste caldeirão aqui porque a coisa tá feia, muito feia.

Cheguei de viagem ontem com este desafio no grupo das Letras da UnB no Facebook, assim mesmo com todas as maiúsculas destacadas:

“Para aqueles que NÃO são analfabetos funcionais: sabem ler e INTERPRETAR.”

Daí a pessoa me cola uma notinha do Cláudio Humberto  pra interpretar.

Desafio aceito. Então, vamos à interpretação da notinha em questão.

Já começo avisando pra ignorar o autor da dita. Cê vai ver que no final do post isso não vai fazer a mínima diferença (ou vai acabar justificando e identificando o estilo do moço).

O texto em questão diz o seguinte:

QUINTA COLUNA

O Palácio do Planalto tem recebido diariamente dezenas de denúncias de sabotagens de militantes do PT ainda ocupando cargos de confiança em órgãos como Caixa, Dataprev, Funai, INSS, Fonasa etc.

 

Então, tá.

Vamos fazer primeiro a interpretação de texto que uma criança de 12 anos é capaz de fazer.

As palavras que resumem este post são: militantes + PT + sabotagem + cargos de confiança.

Então, temos aqui que os sujeitos são canalhas, sem caráter, sabotadores, destruidores, vândalos etcetcetcetc.

A criança de 12 anos diria que o texto fala de gente sem caráter que está destruindo o país.

A título de comparação, é como se eu pedisse pra criança reescrever a frase “Ivo viu a uva” com sinônimos, e obtivesse como resposta “o garoto observou a fruta”. Tá certinho. É isso mesmo que a escola pede e espera de você.

Vamos jogar feitiço nesse caldeirão?

Prossigamos, então, com a minha comparação. Tomemos a frase “Ivo viu a uva”. Eu pergunto: Ivo é cego?

Se você responder que sim, eu continuo: de onde você tirou essa conclusão? Do verbo ver em “Ivo viu a uva”?

Mas eu não disse que Ivo não é cego, eu disse que Ivo viu a uva. E, se Ivo for cego, eu posso estar mentindo ao dizer que Ivo viu a uva… E aí, como saber se Ivo é cego ou não, e se eu estou ou não mentindo sobre as habilidades visuais de Ivo?

É aí que entra a Análise do Discurso. O último nível no game da interpretação de texto. Um trem que dá uma atenção monstro ao uso e às escolhas das palavras de um texto.

Então, vamos fazer a análise do discurso do texto em questão.

Vou chamar pra ajudar no trabalho um cara muito legal, que vira e mexe eu cito aqui, o holandês Teun van Dijk. Em 2000, ele escreveu um livro intitulado Ideologia e Discurso, que, se você entender inglês, eu recomendo muito que leia pelo menos os capítulos 1, 2 e 5. Vou usar o capítulo 5 pra trabalhar a interpretação da notinha abaixo.

Mas eu tava contando do van Dijk. Ele explica, grosso modo, que o grande lance de você trabalhar ideologicamente um texto é partir da divisão nós X eles (nós somos legais, eles são chatos; nós somos bonitos, eles são feios; nós somos honestos, eles são desonestos etcetcetc.). Desenvolvendo essa divisão, é só trabalhar um texto com as seguintes quatro instruções gerais:

  • Enfatize coisas boas sobre nós
  • Desenfatize coisas ruins sobre nós
  • Enfatize as coisas ruins deles
  • Desenfatize as coisas boas deles

Quem tem meio neurônio a mais já conseguiu enfiar 2678 edições de Veja, mais 345678654 textos de Estadão, Globo e Folha nessas quatro premissas daí de cima. Mas van Dijk vai mais fundo na coisa. O capítulo 5 desse livro que eu linquei aí em cima (começa na página 42) traz uma verdadeira receita de bolo sobre como manipular um texto. A ponto de listar os ingredientes e te deixar à vontade pra experimentar a dose de cada um deles.

Intâo, vamos lá pro texto destacar os ingredientes de van Dijk em míseras 30 palavras?

Traz a pipoca e o guaraná que a coisa vai ficar legal!

QUINTA COLUNA[a escolha desta expressão para o título da notinha tem, como diria o professor Girafales, motivo, razão e circunstância. Dona Wikipedia explica tudinho. Vou nem entrar na questão. Quero me pegar com a estrutura linguística e redacional da coisa!]  

O Palácio do Planalto tem recebido [Paradinha aqui pra analisar o sujeito dessa frase. Palácio do Planalto. Trata-se de um lugar, ponto turístico ou ainda uma construção arquitetônica, o que você quiser. Mas ele não tem muito jeitão de executor de tarefas, né? Aí você vai dizer que trata-se de uma metonímia. Corretíssimo. Resta saber por que a escolha de uma metonímia aqui. Quando dizemos “O estádio aplaudiu o jogador”, temos uma escolha do redator em sintetizar todos os torcedores presentes num todo – no caso, o estádio – que dá a ideia de quantidade, tamanho, proporção. Mas esse Palácio do Planalto não faz isso… quem recebe o que quer que seja no Palácio do Planalto são funcionários do local. Mas por que eles foram deliberadamente ocultados por esta metonímia daqui? Que funcionários são esses? Eles existem mesmo? (Spoilers no parágrafo abaixo.) Voltando ao nosso holandês mais querido, van Dijk aponta aqui dois ingredientes interessantes na construção de um discurso ideológico: a topicalização (estamos falando do Palácio do Planalto, a coisa é quente, é supostamente travestidamente disfarçadamente ah, whatever! informação oficial!) e o texto vago (como explica van Dijk: “um instrumento político e ideológico poderoso é a manipulação da clareza / vaguidão de um texto”, está na página 52)]

diariamente dezenas de denúncias [Temos aqui dois aparentes mensuradores: um de tempo, outro de quantidade/volume. Ambos podem ser substituídos pelo advérbio “muitas”. Mas eles foram deliberadamente escritos nessa frase para quantificar um troço que, se você pensar direitinho, não quantifica nada. Só enche os olhos. Sabe algodão doce na água? Pois é. Igualzinho. Ou, como diz van Dijk, “uma vez que um tópico é selecionado, os usuários de uma língua tem outra opção para a concretização de seu modelo mental – troço bem legal que TVD explica nos capítulos iniciais do livro – é a quantidade de detalhes sobre um evento, que o descreve de forma abstrata e genérica, ou dá detalhes mínimos (pág. 46). Aqui nós temos um evento A PA REN TE MEN TE descrito em detalhes. Mas se detalhes existissem, pormenorizados tintim por tintim eles seriam, né? Diariamente dezenas de denúncias equivale, quantitativamente, a semanalmente centenas de denúncias. Sabe quantas denúncias surgiram? Pois é, nem eu.]

de sabotagens de militantes do PT [Cara, seis palavras que falam mais sobre quem escreveu do que sobre o tema do texto. Defina sabotagem, por favor. Deu tilt, né? Qualquer coisa pode ser sabotagem. Desde eu chamar Michel Temer de cara de mordomo de Agatha Christie até um post “Fora Temer”, ou adulteração de dados governamentais, ou alterar o nome do Wifi da repartição para golpistas de merda. Se temos centenas de sabotagens semanais, o texto poderia ao menos detalhar que sabotagens são essas, né? (Me dá uma pipoquinha, por favor? Obrigada! 😀 ) Mas temos apenas esse genérico generalizado sem especificação que fala muito sem falar nada. E você aí só pensando que sabotagem é um troço ruim, né? Eu tô aqui esperando a explicação pra saber que tipo de troço é uma sabotagem. Tô sentadinha esperando, claro. Outra coisa: “militantes do PT”. Mais uma expressão genérica. Um tio com boné do MST na fila do banco pode ser um militante do PT. A Dama de Vermelho pode ser militante do PT. Tudo vai depender da sua capacidade de imaginação e abstração. Observe que os militantes são apenas do PT, não são do PC do B, tá? O importante é que os militantes sejam do PT. A sabotagem quem pratica é o PT. É isso que você tem que pensar. (Mas isso é George Lakoff, e eu não vou meter Lakoff neste bedelho aqui porque não quero – e pra não deixar o trem quilométrico.)]

ainda ocupando cargos de confiança [aqui eu começo a ficar malvada. Ah, cês me desculpem, mas se ainda tem gente do PT ocupando “cargos de confiança” no governo, a culpa é do governo que não teve competência pra retirá-los todos dos cargos. Inda mais se eles estão praticando sabotagem, cáspita! Além de golpista é incompetente? Paporra!!!] 

em órgãos como Caixa, Dataprev, Funai, INSS, Funasa etc.[nem vou me delongar aqui. Só ler o que já escrevi lá em cima em “diariamente dezenas”. Mais um caso de “nível de descrição / grau de detalhe”, página 46 do van Dijk de 2000. Jornalisticamente falando, se você tem casos de sabotagens em órgãos como os citados acima, ou você conta tudo ou você não tem uma notícia. Um bom editor das antigas diria: “escreve essa merda direito e me dá mais detalhe, ou enfia essa história no rabo!”]

Spoiler do sujeito “Palácio do Planalto”: quem lida com textos jornalísticos sabe que “fontes do Palácio do Planalto” ou “fontes com alto trânsito do Palácio do Planalto” são expressões que, em 90% das vezes, significam “tô inventando esta nota, me deixa.” Lembro de uma vez que “altas fontes do Palácio do Planalto” contaram à reportagem da Folha de SPaulo que a então ministra da Casa Civil Gleisi Hoffman era alta entusiasta de uma CPI do Cachoeira, numa reunião realizada à revelia da então presidenta Dilma, quanto esta foi em viagem oficial aos Estados Unidos. As “altas fontes do Planalto” só se esqueceram de um detalhe: Gleisi Hoffmann havia viajado junto com Dilma pros EUA, não estava no Brasil era estar presente à hipotética reunião. Enfim… Adoro elucubrar identificações de fontes…

Entenderam por que nem precisei falar de Cláudio Humberto? O texto é autoexplicativo, gente…

Mas depois dessa análise toda, só tô pensando numa coisinha aqui: quem é o quinta-coluna em questão? Não ficou claro, né?

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Fonte:http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/desafio-aceito-quinta-coluna-e-quem-mesmo/