DIREITA GOLPISTA E NAZISTA:Direita xucra ignora que Hitler perseguiu judeus e comunistas

16.08.2017
Do BLOG DA CIDADANIA,15.08.17
Por Eduardo Guimarães

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“Dizer que o nazismo foi de esquerda é uma grande ignorância da História e de como as coisas aconteceram”, segundo Izidoro Blikstein, professor de Linguística e Semiótica da USP e especialista em análise do discurso nazista e totalitário disse recentemente à BBC.

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Na verdade, é mais do que isso. Não é só ignorância. Não raro, essa releitura histórica absurda é espargida por nazistas “naturais” que não sabem que são nazistas – e muito menos o que foi o nazismo.

O nazismo entrou em pauta por conta dos choques de neonazistas e supremacistas brancos contra grupos antirracistas na cidade universitária norte-americana de Charlottesville.

Pelo menos uma pessoa morreu e outras 33 ficaram feridas neste sábado(12). Durante o confronto, um homem atropelou um grupo de pessoas que protestava contra a marcha da extrema-direita dos EUA, que é contra negros, imigrantes, gays e judeus.

A vítima, que segundo a imprensa norte-americana uma mulher de 32 anos, não teve a identidade divulgada.Além disso, dois policiais morreram na queda de um helicóptero perto do local dos confrontos. A informação foi confirmada pelo Departamento de Polícia de Charlottesville.

Vale ver ou rever reportagem sobre o caso para entender a origem de um surto que acometeu a direita xucra tupiniquim, nazifascista pela própria natureza.

Sou nazista, sim“, berrava o MBL norte-americano no último sábado (12). Os nazistas ianques pelo menos sabem que são nazistas. Os daqui, além de não saberem imputam sua ideologia – e os próprios métodos – à esquerda, em um rasgo quilométrico de burrice, falta de instrução e problemas psicológicos sérios.

Uma mocinha no Twitter definiu bem o que acontece no Brasil

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Mas, afinal, o nazismo foi um movimento de esquerda ou de direita? Há uma corrente nova de historiadores que fala em “confusão de conceitos” e afirma que o nazismo se apresentava como uma “terceira via”, não sendo, portanto, “nem de direita, nem de esquerda”…

Igualzinho ao partido inventado por Gilberto Kassab.

“Tanto o nazismo alemão quanto o fascismo italiano surgem após a Primeira Guerra Mundial para enfrentar o socialismo marxista que tinha sido vitorioso na Rússia na revolução de outubro de 1917, afirma Denise Rollemberg, professora de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF).

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Porém, como no caso da Venezuela, não importa quantas provas apareçam que a direita xucra não aceita e fica repetindo – e contaminando outros ignorantes – que o nazismo foi de esquerda e que Hitler era uma espécie de Lula…

nazi 7Apesar de alguns dizerem que o nazismo também não gostava da direita, isso é ridículo. Eu e tantos outros aproveitamos a onda fascista que engolfou o Brasil em 2013 – e que ainda não refluiu – para estudar a ascensão do nazifascismo na Alemanha dos anos 1920, 1930 e sabemos que tudo isso é uma enorme besteira.

Por acaso o nazismo perseguiu empresários que não fossem judeus? Por acaso o nazismo perseguiu capitalistas? Não. O nazismo foi, também, uma caça interminável e irrefreável a judeus e comunistas. Essa era a base “popular” do nazismo: apontar judeus e comunistas como “inimigos da pátria” e jogar tudo de ruim nas costas deles.

Assim como fazem em um certo país gigante da América do Sul com comunistas e nordestinos.

A história não mente e seus fatos não comportam interpretações.

Em 8 de março de 1933, Hitler aumentava a repressão ao Partido Comunista da Alemanha cassando os mandatos de seus deputados. Dirigentes foram presos ou perseguidos e, uma semana depois, a agremiação foi proibida, segundo a Deutche Welle.

A tropa de assalto nazista marchou com suas tochas pelo Portão de Brandemburgo em 30 de janeiro de 1933, dia em que Hitler foi nomeado chanceler. Políticos conservadores não acreditavam que ele permanecesse por muito tempo no poder, mas o homem do uniforme marrom estava obcecado pela conquista do mundo e começou amplas reformas na Alemanha.

Ditadores tratam e começar suas ditaduras por uma onda de reformas, para salgar a terra em que antes vigia a democracia.

Poucos dias depois, no final de fevereiro, porém, o Reichstag (sede do Parlamento) foi destruído por um incêndio. Os nazistas, muito provavelmente os autores do atentado, aproveitaram a situação para impor uma série de medidas repressivas contra os comunistas.

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O ministro Hermann Göring apresentou novas medidas voltadas principalmente contra os comunistas, acusados por Hitler de ser mentores do atentado incendiário.

Wilhelm Pieck, membro do Comitê Central, já havia advertido para o perigo nazista em 1932. Num apelo aos seus camaradas, sugeriu a movimentação em massa contra os fascistas e defendeu a aliança com a União Soviética.

No dia 15 de março de 1933, o Partido Comunista Alemão (KPD) foi proibido, colocado na ilegalidade, assim como fizeram as ditaduras militares sul-americanas no século passado.

De volta à Alemanha nazista, cada vez mais comunistas eram presos. O ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, prometeu, então, que não deixaria a perseguição aos opositores apenas ao encargo da polícia.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o movimento esquerdista reorganizou-se. Na Alemanha Oriental, comunistas e social-democratas criaram o Partido Socialista Unitário. De alguma forma, a República Democrática Alemã (RDA), dita Alemanha Oriental, foi resultado da perseguição de Hitler à esquerda.

No Brasil, a perseguição destro-midiático-nazifascista contra a esquerda e o comunismo tem muito da perseguição de Hitler à esquerda e ao comunismo alemães do início do século passado… Às vezes a história se repete como tragédia mesmo, como sugere o vídeo abaixo.

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2017/08/direita-xucra-ignora-que-hitler-perseguiu-judeus-e-comunistas/

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KARNAL: ALUNOS DE CLASSE MÉDIA DEVERIAM FICAR DE PÉ UM DIA TODO

07.06.2017
Do portal BRASIL247
Por Leandro Karnal, em seu Facebook

Se nada der certo, se tudo der errado, surgirá o Brasil

Duas escolas do Rio Grande do Sul criaram, em ocasiões diferentes, uma atividade curiosa. Os alunos do terceiro ano do ensino médio se fantasiaram dentro do desafio: e se os meus planos de vestibular e de vida falharem? Desafio dado e surgiram garis, faxineiras, vendedoras, presidiários etc. As fotos circulam pela internet. Qual o problema da atividade?

01) Estabelece de forma clara que trabalhos mecânicos/ braçais são inferiores e podem ser ridicularizados, reforçando nossa tradição escravista;

02) Associa baixa renda e salários pequenos a fracasso pessoal e reforça uma ideia preconceituosa;

03) Não cria o contraditório para estimular o pensamento: dar errado é produzir algo concreto como o gari que trabalha com um produto que ninguém duvida que seja útil (limpeza) ou dar certo é ser alguém que aplica na bolsa? A vendedora da loja ganha, em alguns momentos, mais do que os professores da escola, quem deu certo? Qual seria o trabalho que dá certo e a vida que dá errado? O debate é importante. A escola deve estimular o pensamento e evitar o monolítico, especialmente no campo que desperta o preconceito.

04) Vestir meninas de faxineiras com saias curtas associa trabalho doméstico com disponibilidade de corpos e chance de assédio;

05) Colocar na mesma escala um presidiário e uma vendedora do Boticário mostra que não existe leitura ética nem de valor na concepção dos alunos e promotores do evento. Não ser rico seria dar errado sempre. Curioso é não considerar uma grande categoria nova: o milionário presidiário;

06) Toda atividade pedagógica deve estimular o pensamento crítico e nunca reforçar o sentimento de “Casa Grande”;

07) A melhor atividade para alunos de classe média e classe alta seria fazerem um estágio de uma semana pegando dois ônibus, ficando de pé um dia todo numa lanchonete e ganhando pouco, atendendo clientes arrogantes e, ao fim do dia, com sorte, conseguirem estar em uma escola pública até 22h30 da noite para após tudo isto, voltarem para casa com mais dois ônibus. Tenho certeza de que uma semana nesta rotina mudaria muita coisa na concepção destes alunos sobre o mundo, seus valores e seus preconceitos. O aluno que estava fantasiado de “fracassado” teve sua roupa lavada e passada , sua comida feita, seu transporte garantido e tudo mais porque existem “fracassados”que trabalham para ele.

Queria tranquilizar a tanta gente que se preocupa se os professores de humanas transformaram os alunos em militantes de esquerda. Observem as fotos na internet e durmam tranquilos. Nenhuma mudança social deriva de um projeto escolar que, depois de doze anos de ensino médio e fundamental, consegue ter essa ideia ruim. E se tudo der errado no Brasil? Teremos o Brasil como ele é…

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/300135/Karnal-Alunos-de-classe-m%C3%A9dia-deveriam-ficar-de-p%C3%A9-um-dia-todo.htm

Já que Moro foi pífio em Curitiba, restou à mídia usar Marisa para transformar Lula no viúvo do mal

10.05.2017
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
Por Kiko Nogueira

 

A nova estratégia de demonização de Lula passou a ser acusá-lo de culpar Marisa Letícia por seus crimes.

Na audiência com Moro, Lula afirmou que, enquanto ele havia descartado a compra do triplex no Guarujá, Marisa relutava.

“Eu não ia ficar com o apartamento, mas a dona Marisa ainda tinha dúvida se ia ficar para fazer negócio, ou não”, falou. Moro perguntou se ela decidiu não ficar. “Não discutiu comigo mais”, foi a resposta.

E daí?

E daí nada, mas já que estamos na lama, haverá sempre porcos e uma farta distribuição de lavagem.

Nordestino, nove dedos, bêbado, analfabeto, ladrão, infiel, criador de filhos bandidos, assassino de Celso Daniel…

Faltava o viúvo safado que se aproveita da falecida. Não falta mais.

Essa exploração dá bem a medida do quanto o depoimento de Lula a Moro foi frustrante para quem esperava que o juiz esmagasse o ex-presidente.

Ao longo de cinco extenuantes horas, Moro e sua patota do MPF não apresentaram nem uma mísera prova. Moro ainda fez, à margem da lei, questionamento a respeito de outros inquéritos, mentiu sobre a relação umbilical com a imprensa, abusou porque pode tudo.

Levou um sabão histórico nas considerações finais. Na GloboNews, o time de Camarotti e Catanhêde não tinha como esconder a tristeza. No Jornal Nacional, o clima era de fim de feira.

Restou a uma mídia que não se cansa de apelar para os baixos instintos a miséria de usar Marisa para atingir Lula.

A capa da Veja traz Marisa Letícia num retrato em fundo rosa, a face dela com photoshop na sobrancelha no estilo rainha diaba.

Giancarlo Civita, o herdeiro de Roberto, vai se provando à altura do pai no que este tinha de mais desprezível, uma espécie de Michel Temer dos empresários da imprensa — sem carisma, sem talento, cumpridor de serviço sujo que age na sombra.

O cordão da baixaria foi engrossado por Geraldo Alckmin, o Santo da Odebrecht. “Ter jogado a culpa na esposa falecida é algo inaceitável, inaceitável”, disse o tucano, balançando a calva.

É um golpe baixo, mesmo para os padrões dele, e ajuda a explicar por que o PSDB vive na draga nas sondagens presidenciais. É a mesma lógica oportunista que levou o partido que perdeu nas urnas em 2014 a se aliar à escória do PMDB.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, uma das estrelas do elenco da força tarefa que estava presente ao interrogatório de Lula, também resolveu se aproveitar da onda.

“No geral, eu não vi nenhuma consistência nas alegações. Infelizmente, as afirmações em relação à Dona Marisa a responsabilizando por tudo é um tanto triste de se ver feitas nesse momento até porque, como o ex-presidente disse, ela não está aí para se defender”, disse.

Ora, o sujeito investiga Lula há três anos, não apresenta uma evidência de que o apartamento pertença ao réu — e, instigado pelo Estadão, se defende de sua inépcia atacando Lula com um julgamento moral e uma fofoca.

Marisa não foi absolvida por Sergio Moro depois de morta, como explicou Joaquim de Carvalho no DCM. Os mesmos que a achincalharam quando de seu AVC agora simulam solidariedade e compadecimento.

Vera Magalhães, pitbull da Jovem Pan que foi casada com um assessor de Aécio Neves e que divulgou, entre piadas, vídeos da corja que invadiu a garagem de José Dirceu para linchá-lo, chegou a tirar da manga o termo “sororidade”.

Noves fora o processo kafkiano e o pântano em que estamos metidos, o que a aliança da mídia com a Lava Jato conseguiu produzir, até agora, foi a alavancagem do nome de Lula nas pesquisas para as eleições de 2018.

Ninguém normal gosta de ver uma perseguição abjeta.

Eis a única certeza que existe até agora — além da que essa canalha sempre pode piorar.

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Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/ja-que-moro-foi-pifio-em-curitiba-restou-a-midia-usar-marisa-para-transformar-lula-no-viuvo-do-mal-por-kiko-nogueira/

QUEM É HONESTA CONSIGO MESMA RECONHECE O ÓDIO IRRACIONAL QUE UM DIA SENTIU POR LULA:O MEU ÓDIO AO LULA – TALVEZ VOCÊ SE IDENTIFIQUE

12.05.2017
Do portal BRASIL247
Por Cristina Diniz

Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se Presidente da República quando eu tinha 13 anos – entre 2003 e 2010 – e, nesses oito anos de mandato, senti muita raiva do sujeito. Não consigo lembrar exatamente desde quando ou por que, mas desde que me conheço por gente eu tenho uma certeza: que ódio desse Lula ignorante.

Em partes, porque minha família inteira o detesta também. Cresci ouvindo comentários da piada que ele era. De como supostamente arrancou um dedo só para ganhar um processo contra a fábrica que trabalhava. E, o mais chocante: porque não tinha educação. Como assim? Quer ser Presidente do Brasil e só fez até a quarta-série? Até eu já tinha passado da quarta-série. Diziam também que era analfabeto e não sabia escrever ou ler – circulava sempre uma sátira dele lendo um livro de ponta cabeças. Pessoalmente eu tinha minhas dúvidas em relação ao fato, afinal aprende-se a ler antes da quarta-série.

Outra razão e objeto de canalização do meu ódio era o partido que ele representava. *Insira um palavrão*, o PT. Quem conseguia apoiar o Partido dos Trabalhadores? Eu ficava revoltada porque meu número na chamada na escola foi o 13 por três anos seguidos. Também não gostava de vermelho e evitava a cor. Nunca me esqueço do ano em que, para as Olimpíadas do Colégio, minha turma teve que ficar com a camisa vermelha – e o meu número era o treze, imaginem que vergonha eu passei.

Oras, o PT e o Lula já eram a escória da sociedade brasileira mesmo antes de estarem no poder. Mesmo antes do Lula ser Presidente eu já odiava o Lula e nós já sabíamos que ele era um ignorante. A voz dele irritava, e o fato do partido dele representar a esquerda. Ah, a esquerda! – ameaçava a paz global. Pra ser sincera eu também não sei desde quando comecei a ver a esquerda como a representação do mal na Terra, porém eu tinha as explicações que recebia: Che Guevara comunista matou milhares, comunismo é satanismo e o MST é uma barbaridade. Ok, no fundo eu não sentia nem vergonha por não saber explicar o meu ódio.

Quando entrei na faculdade de Relações Internacionais em 2010, era ano de eleições. E com informação, meu ódio cresceu. O curso estava dividido entre PSDB e PT, e eu obviamente, andava pelos corredores com meu “Serra” no peito. Para meu primeiro trabalho importante como universitária, na aula de Introdução à Política Externa, me propus a estudar e promover o debate “As Propostas de Política Externa dos Candidatos a Presidente do Brasil” – José Serra e Dilma Rousseff (Deus me livre, a Dilma).

Em resumo, depois de dois meses de pesquisa a minha conclusão me irritou: basicamente a política externa de Lula e do PT estavam trazendo o país para o seu momento mais privilegiado no cenário internacional, e a proposta de Serra levava para outro caminho. Por fim, tentei disfarçar mas apresentei o estudo e a conclusão. Ainda assim votei pelo PSDB naquele ano, e ainda assim tive muita raiva e “ameacei sair do país” quando Dilma foi eleita. Também culpei o Nordeste analfabeto por não saber votar e comprar os votos pra ganhar esmola do bolsa-família.

E saí do país, fui fazer o primeiro intercâmbio (trabalhar em uma fábrica nos Estados Unidos) e, aprendendo melhor o inglês, também fiz um curso online oferecido pela ONU na época: Os Desafios da Fome no Mundo. No primeiro texto eu já queria desistir. “Caso de estudo Brasil: a política social que tirou o país do mapa da fome”. É claro que enaltecia o programa Bolsa Família e o ex-Presidente Lula. Será que os doutores conheciam o Lula e o PT? Ah, que raiva. Que raiva por que mesmo?

Quem nunca se sentiu uma pessoa ruim por odiar um alguém sem saber explicar o porquê? -Principalmente nós, mulheres, que fomos educadas para ver a outra como inimiga e ameaça, e o fazemos assim até a maturidade chegar através de informação e experiências (quando ela chega) – enfim, comecei a perceber então que o que agora mais me dava raiva era que eu não sabia do que estava falando. Afinal, o problema do Brasil era a desigualdade e vilão nesse caso poderia ser o neoliberalismo,mas não era o Bolsa-Família ou o Lula.

A minha ficha caiu quando realmente olhei para uma charge na Veja (a revista que meus avos assinam e eu lia assiduamente): O ex-presidente Lula aparecia montado em um jegue cheio de malas e bolsas, e a legenda “mais um nordestino que veio pra São Paulo sem saber o que fazia” me deixou horrorizada. Esqueci o político naquela imagem e lembrei que essa era uma referência a um povo. Que horror. Era isso que eu pensava. Racista e preconceituosa. Sem a menor empatia. Achando que eu era melhor porque estava no Sul do país. Que bom que eu só tinha 22 anos e ainda dava tempo de me desconstruir.

Ainda faço esse exercício quando me surpreendo com sentimentos negativos a algo ou alguém. Pergunto-me o porquê e espero saber responder com lucidez. Hoje, admiro o Presidente que Lula foi e acompanho a perseguição que sofre, enquanto outros políticos estão envolvidos em escândalos maiores, mas não causam nem metade da indignação. Eu não tenho problemas se o Lula for preso – se fez errado, que pague. Porém como disse uma amiga “se contra fatos não há argumentos, contra a falta a de provas, qual é o argumento?”.

P.S: É claro que toda vez que um texto que não ataque o Lula seja publicado já se espera ser rotulado como “defender bandido”. Mas aí isso já é analfabetismo funcional, e tudo bem, eu tento entender. Também já fui assim.

 Cristina Diniz

Bacharel em RELAÇÕES INTERNACIONAIS – UNIVALI/Santa Catarina

Global Development Specialist na Youth for Understanding

Austin, Texas, 11 de maio de 2017

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/295219/O-meu-%C3%B3dio-ao-Lula-%E2%80%93-talvez-voc%C3%AA-se-identifique.htm

O que Bolsonaro está fazendo na Lista de Furnas

10.04.2017
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
Por Kiko Nogueira

Bolsonaro e Cunha com o Pastor Everaldo: na Lista de FurnasBolsonaro e Cunha (com o Pastor Everaldo ao centro): na Lista de Furnas

Ancelmo Gois, no Globo, lembrou que o processo da Lista de Furnas, dinheiro de caixa 2 que abasteceu 156 campanhas em 2000, foi reaberto.

Estão lá os notórios Aécio, Serra e Alckmin — mas também Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro. Os seguidores do JB estão ouriçados, alegando que se trata de mais uma calúnia contra o incorruptível mito.

Em 2015, Bolsonaro acusou na Câmara que “os canalhas ligados ao PT e PSOL” forjaram o documento. É a mesma argumentação de Aécio Neves, que apenas tira o PSOL.

Joaquim de Carvalho, autor de uma série de reportagens sobre o tema no DCM, explicou a questão:

Existe uma só Lista de Furnas, cujo original foi periciado pela Polícia Federal e serviu de base para a denúncia que a procuradora da república Andréia Bayão apresentou no Rio de Janeiro em 2012, depois de inquérito da Polícia Federal que durou seis anos.

Foram onze as pessoas denunciadas por ela, por crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, todas sem foro privilegiado, entre elas Dimas Toledo, o ex-deputado Roberto Jefferson e o próprio Nílton Monteiro.

Aécio e mais de uma centena de políticos só não entraram na denúncia porque têm foro privilegiado e a investigação contra eles estava parada na Procuradoria Geral da República, em Brasília.

Todos os políticos da lista eram da base de Fernando Henrique Cardoso, inclusive Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro. O objetivo da lista era mesmo chantagem, mas de políticos como Aécio Neves, para que negociassem com Lula a permanência de Dimas em Furnas.

Por três anos, deu certo, e há vários testemunhos, entre eles o de Roberto Jefferson e agora o de Delcídio do Amaral, de que Aécio pediu a Lula que mantivesse Dimas em Furnas.

Jair Messias Bolsonaro aparece como destinatário de 50 mil reais, como você pode ver abaixo.

Quem divulgou a versão de que é falsidade foi o PSDB de Minas Gerais, com base em pareces de peritos contratados para isso e num laudo da PF feito em cima de uma das cópias divulgadas por Nilton Monteiro, o homem que confessou atuar em Furnas como operador do caixa 2.

Quando a tese da falsidade prosperava, Monteiro entregou à Polícia Federal a lista original, que foi periciada. A conclusão foi que se tratava de um papel autêntico.

Em março, Roberto Jefferson e mais seis viraram réus no caso.

Bolsonaro age como se fosse uma virgem no bordel.

Ele era do Partido Progressista, o que mais aparecia, proporcionalmente, nas investigações da Lava Jato — mas sua campanha era irrigada com boas vibrações do espírito santo. Na semana passada, a Justiça declarou o bloqueio de meio bilhão de reais do PP.

Acabou migrando para o PSC, ninho de pastores evangélicos. Um deles, Everaldo, o presidente, pediu dinheiro a Cunha, segundo a PF.

Depois de se desentender com a liderança do PSC, JB já avisou que vai sair — juntamente com o amigão Marco Feliciano, que pretende ser vice na chapa para a presidência em 2018.

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Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-que-bolsonaro-esta-fazendo-na-lista-de-furnas-por-kiko-nogueira/

MÉDICOS-MONSTROS, CONHEÇA-OS: Presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, sobre o caso de Dona Marisa: “O que esses jovens médicos fizeram é um absurdo. Terão que aprender da pior forma possível”

17.02.2017
Do blog VI O MUNDO

Regina Parizi Marisa

Regina Parizi: “Ao fazer comentário depreciativo, desonroso, cruel ou desumano sobre um paciente, o médico está, sim, violando a ética médica”. Da esquerda para a direita, em fotos nos cadastros dos CRMs: Richam, Gabriela, Ademar, Pedro Paulo, Michael e Ráyssa

 por Conceição Lemes

24 de janeiro de 2017, cerca de meio dia. Dona Marisa Letícia Lula da Silva da Silva, 66 anos, esposa do ex-presidente Lula, chega ao Hospital Assunção, em São Bernardo do Campo (SBC), com pico de hipertensão arterial e forte dor de cabeça.

Submetida a avaliação clínica e exames, a tomografia diagnostica acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame cerebral.

É do tipo hemorrágico (vasos sanguíneos do cérebro se rompem). E subtipo subaracnóideo (hemorragia ocorre entre o cérebro e a aracnoide, uma das membras da meninge). É o mais raro e mais grave.

Dona Marisa é transferida para São Paulo.

24 de janeiro de 2017, 15h30. Dona Marisa dá entrada na emergência do Hospital Sírio-Libanês.

A essa altura, imagens de sua tomografia já estão sendo criminosamente vazadas do Hospital Assunção, da Rede D’Or São Luiz.

Nas horas seguintes, um grupo de médicos daria sequência ao crime iniciado com o vazamento das imagens, como revelou reportagem de Thiago Herdy, em O Globo:

A médica reumatologista, Gabriela Munhoz, de 31 anos, enviou mensagens a um grupo de Whatsapp de antigos colegas de faculdade, confirmando que dona Marisa estava no pronto-socorro [do Sírio-Libanês, onde trabalhava até então] com diagnóstico de AVC hemorrágico de nível 4 na escala Fisher — considerado um dos mais graves — prestes a ser levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
(…)

No dia de sua internação, um médico que atua fora do Sírio-Libanês foi o primeiro a enviar informações sobre o diagnóstico de dona Marisa no grupo “MED IX”. Pedro Paulo de Souza Filho postou imagens de uma tomografia atribuída a dona Marisa Letícia, acompanhada de detalhes que foram confirmados, em seguida, por Gabriela.

Os dados foram compartilhados por Pedro Paulo a partir de um outro grupo de médicos, intitulado “PS Engenho 3”, e atribuídos ao cardiologista Ademar Poltronieri Filho.

Em postagem publicada no mesmo grupo, um colega de Gabriela, o médico residente em urologia Michael Hennich, brincou quando ela disse que dona Marisa não tinha sido levada, ainda, para a UTI: “Ainda bem!”. Gabriela respondeu com risadas.

(…)

Outro médico do grupo, o neurocirurgião Richam Faissal Ellakkis, também comentou o quadro de dona Marisa:

“Esses fdp vão embolizar ainda por cima”, escreveu, em referência ao procedimento de provocar o fechamento de um vaso sanguíneo para diminuir o fluxo de sangue em determinado local. “Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela”, escreveu Ellakkis em redes sociais nos últimos dias.

24 de janeiro de 2017, entre 21h e 22h. De Goiânia, em nota no instagram do Diário do Poder,  a médica Ráyssa Monteiro Cognette posta este comentário: “#forcaavc”

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Atentem aos prints ao lado. Ráyssa identifica-se como Dra, talvez para impressionar ou exibir poder a seus 543 seguidores — muitos são leigos — no instagram.

A questão: Como pode uma doutora, cuja missão é salvar vidas, sugerir numa rede social que deseja o pior a uma pessoa lutando pela vida e que não lhe fez qualquer mal?

Ráyssa segue no Facebook o médico e senador Ronaldo Caiado (DEM-GO).

No sábado retrasado, 4 de fevereiro, dia do sepultamento de Dona Marisa, ela compartilhou  mensagem de Caiado criticando Lula no velório.

3 de fevereiro de 2017, 18h57. Dona Marisa Letícia Lula da Silva falece.

ALGUNS EXIGEM DOS CONSELHOS O QUE NEGARAM À DONA MARISA

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e os conselhos regionais (CRMs) têm em seus portais um serviço de busca de médicos, aberto ao público em geral.

Disponibiliza cadastro básico: em geral, nome, CRM (número de registro no Conselho Regional de Medicina), especialidade, situação em relação à entidade, e-mail e endereço. A busca pode ser feita por nome ou CRM.

Há médicos que disponibilizam todos os dados solicitados.

Outros, apenas nome, acompanhado de foto.

Pesquisei os cadastros dos seis médicos citados.

Curiosamente, Richam El Hossain Ellakkis (o que sugeriu a morte de Dona Marisa), Pedro Paulo de Sousa Filho (postou imagens de uma tomografia com detalhes sobre o diagnóstico) e Ademar Poltronieri Filho (a partir dele, Pedro Paulo teria obtido os dados) proíbem expressamente a divulgação de e-mail e endereço.

Gabriela Araújo Munhoz libera apenas o e-mail.

Michael Christian Ramos Hennich é de Curitiba. Devido à formatação do portal do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), não há e-mail nem endereço do médico.

Já Ráyssa Monteiro Cognette não tem endereço, e-mail, telefone e especialidade cadastrados no Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego); apenas, nome, foto e CRM.

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médicos 3 aOutro detalhe que chama a atenção é o fato de serem muito jovens.

Pelo número de CRM é possível saber em que ano passaram a exercer a medicina.

Com exceção de Ademar Poltronieri Filho, que pelo número de CRM deve estar na faixa dos 40 anos, os demais têm ao redor dos 31, 32 anos.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) abriu duas sindicâncias sobre o caso.

Uma, para apurar o vazamento das imagens da tomografia no hospital de São Bernardo do Campo.

Outra, para averiguar a conduta dos médicos que divulgaram o diagnóstico e/ou fizeram comentários cruéis sobre a situação de Dona Marisa.

“O que esses jovens médicos fizeram é um absurdo”, afirma a médica e professora Regina Parizi, em entrevista exclusiva ao Viomundo.

“Eu tenho conversado com muitos colegas e alunos”, conta. “Independentemente de preferências partidárias, grande parte está revoltada.”

Além de ter sido péssimo para a imagem do Sírio,  eles vão ficar marcados”, lamenta. “Infelizmente, vão ter que aprender da pior forma possível.”

Regina Parizi é uma das grandes autoridades em Bioética no Brasil.

Desde 2013, preside a Sociedade Brasileira de Bioética. Está no segundo mandato.

É professora de Bioética na Residência Médica do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo.

De 1995 a 1999, foi vice-presidente do CFM; de 1999 a 2003, conselheira.

Presidiu três vezes o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp): de 1995 a 1997, 1999 a 2001 e 2001 a 2003.

Em 1995, a sua primeira medida ao assumir a presidência do Conselho foi determinar a abertura de processos contra os médicos que atuaram nos porões da ditadura militar, colaborando com os torturadores.

Segue a íntegra da nossa entrevista.

Viomundo – Com exceção da médica de Goiás, os demais se manifestaram numa comunidade fechada de profissionais da categoria. Isso poderia isentá-los de responsabilidade pela quebra de sigilo?

Regina Parizi – Não, não. Pelo seguinte: não se trata de um grupo técnico, mas de divulgação indevida em um grupo de turma de formatura.

Viomundo – Explique melhor.

Regina Parizi — Uma coisa é você se manifestar em um grupo técnico, que se reúne, para discutir um caso específico. Isso ocorre no mundo inteiro, inclusive aqui. São reuniões técnicas, marcadas, sem nominar pacientes, têm um protocolo. Adotam-se todos os cuidados para não vazar informações, preservando o sigilo do paciente.O fato de o grupo desses médicos ser fechado não minimiza o que fizeram.

Viomundo – O Cremesp vai considerar isso na sindicância que abriu?

Regina Parizi – Imagino que sim.

Viomundo – Como repercutiu  no meio médico?

Regina Parizi – Muito mal. Eu tenho conversado com muitos colegas e alunos [da Residência Médica do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo]. Independentemente de suas preferências partidárias, grande parte está revoltada.

Viomundo – Isso já aconteceu antes?

Regina Parizi — O caso da Dona Marisa não é primeiro. Mas, sinceramente, estamos assustados com essa geração mais nova. Falam determinadas coisas sobre e para pacientes que a gente não via antes. No caso desses jovens médicos, além de ter sido péssimo para a imagem do Sírio, eles vão ficar marcados. Infelizmente, terão que aprender da pior forma possível.

Viomundo – O fato de serem muito jovens me chamou a atenção.

Regina Parizi – Eu ainda dou aula de Bioética na Residência Médica do Hospital do Servidor. Um dos primeiros pontos que abordo é a questão da confidencialidade. Eu sempre digo: Hipócrates [considerado, o Pai da Medicina], há 24 séculos [viveu de 460 a.C-370 a.C], já falava que a confidencialidade é fundamental na relação médico-paciente.

Aliás, a medicina ganhou credibilidade, principalmente por conta da confidencialidade. Por isso, a sociedade confia as suas dificuldades, os seus problemas, os seus corpos, inclusive para pesquisas pós-morte.

O sigilo do médico é tão importante que é protegido por lei. Os médicos têm direito constitucional ao sigilo profissional perante o juiz. Ele só pode ser aberto por liminar e situações especialísssímas, por exemplo, quando há risco para terceiros.

Viomundo – Então, ao quebrar o sigilo, o médico viola o Juramento de Hipócrates, o Código de Ética e o direito de manter-se calado perante o juiz?

Regina Parizi – Sim, os três. O sigilo é um dos 25 princípios fundamentais do Código de Ética Médica. O que trata expressamente do tema é o XI:

O médico guardará sigilo a respeito das informações de que detenha conhecimento no desempenho de suas funções, com exceção dos casos previstos em lei.

O capítulo IX do Código de Ética Médica é dedicado só ao sigilo. O artigo 73 diz textualmente:

É vedado ao médico revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por motivo justo, dever legal ou consentimento, por escrito, do paciente.

Além disso, esse profissional rompe um direito constitucional de todos os médicos, que é o de se manter calado perante o juiz.

Viomundo – Então eles teriam agido também contra a própria categoria?

Regina Parizi – Lamentavelmente, sim. Veja bem. Na noite do dia em que Dona Marisa se internou, um colega me contatou para denunciar: “Olha que absurdo, a tomografia da Dona Marisa já está na internet!”

Por isso, aqui vai um alerta. Se o médico pensa em desrespeitar a privacidade do paciente por si só, é bom nunca esquecer que essa atitude implica também na violação direito constitucional ao sigilo.

O direito ao sigilo não é uma conquista individual. Ele só se tornou possível graças às batalhas e aos compromissos de todas as gerações anteriores.

Viomundo – Quando eu comecei a fazer Jornalismo na área de saúde, os médicos quase nunca davam entrevista. Foi o dr. Gabriel Oselka na presidência do Cremesp (1978-1984) que começou a mudar essa visão, mostrando que era importante falar para a sociedade. As coisas foram mudando, chegamos ao oposto, à exposição excessiva. No caso da Dona Marisa, à extrapolação. Como explicar isso?

Regina Parizi – É uma questão geracional. E aí há vários aspectos. Um deles: a exposição absurda combinada ao crescimento do preconceito e do conservadorismo, problema que nós temos na sociedade de um modo geral, mas que na área médica pode ficar muito grave, como mostra o caso da Dona Marisa.

Viomundo – A senhora quer dizer exposição excessiva nas redes sociais?

Regina Parizi – Isso! É um fator que pesa. Hoje em dia tudo é muito exposto nas redes sociais. A vida desses jovens médicos também. Estão tão acostumados a expor colegas, a contar o que fazem de manhã à noite, por exemplo, que talvez achem que tudo bem expor as outras pessoas também. É uma relação diferente da que nós tivemos.

Viomundo – Não haveria também problema de formação?

Regina Parizi – Com certeza, sim. A formação está muito ruim. Obviamente, tem que haver boa formação técnica. Mas não basta, tem que ter também formação humanitária. As matérias de Humanas são extremamente importantes para a área de medicina.

Atualmente, nos cursos de medicina tem a disciplina de Bioética. Espero que o governo atual não corte. Afinal, quando vão economizar, tendem a cortar as matérias relacionadas às ciências humanas, como se fossem supérfluas. E não são.

Aliás, o governo colocou como opcionais no Ensino Médio as matérias de ciências humanas. Isso é muito ruim, vai refletir negativamente mais à frente. Quem viver, verá.

Viomundo – Faltou formação bioética a esses médicos?

Regina Parizi – Acho que sim, e essa é uma questão central nesse caso.

A Bioética nasceu na década de 1970 a partir da discussão sobre os experimentos nazistas na Segunda Guerra e o mal que um profissional pode causar aos seres humanos se não tiver formação ética adequada.

Por isso, temos de que de estar sempre atentos. A formação bioética é fundamental nos cursos de medicina. E o sigilo profissional, um dos pontos principais.

Viomundo – Processos por quebra do sigilo são frequentes?

Regina Parizi – Há 22 anos participo do CFM e Cremesp – atualmente integro a câmaras de Bioética das duas instituições. Vi processos por erro médico e por vários outros motivos , mas por sigilo eram muito raros. Agora é um problema, como estamos acompanhando no caso de Dona Marisa.

Hoje em dia o sigilo é um dos graves problemas que temos e as instituições hospitalares precisam tomar cuidado. Isso veio com a internet, que preconiza a exposição.

Viomundo – Sigilo é cuidado que todo médico tem de ter com todo paciente, seja famoso ou não.

Regina Parizi — Com certeza. No caso de paciente famoso, às vezes o colega é cercado pela imprensa e fala demais. É preciso tomar cuidado nessas horas para não abrir informação que não pode ser aberta. No caso de Dona Marisa, ela foi vítima da quebra do sigilo, de preconceito e da situação política que nós estamos vivendo no Brasil.

Viomundo – No caso de Dona Marisa, há os médicos que vazaram e compartilharam exames e informações de saúde pessoais e sigilosas dela. Tem aqueles que debocharam, fizeram comentários agressivos, cruéis e desumanos, torcendo para que ela morresse. Além do preconceito explícito, eles infringem alguma regra ética?

Regina Parizi – Sim. Um dos princípios do Código de Ética Médica é:

O médico guardará absoluto respeito pelo ser humano e atuará sempre em seu benefício. Jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade.

O artigo 23 diz:

é vedado ao médico tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua dignidade.

Portanto, ao fazer comentário depreciativo, desonroso, cruel ou desumano sobre um paciente, o médico está, sim, violando a ética médica.

Viomundo – O preconceito e conservadorismo crescentes no Brasil contribuíram para isso?

Regina Parizi – É claro que sim. Infelizmente essa onda forte de preconceito e conservadorismo não é exclusividade do Brasil nem do meio médico. É generalizada. Isso assombra, pois, nós, médicos, fomos formados e treinados, para atender quem seja quem for. A nossa obrigação é sustentar a vida das pessoas, não é julgar.

Por isso, os médicos têm de ter uma formação democrática, para exercer a profissão. O médico tem de aplicar o seu conhecimento da mesma forma, seja o paciente branco, negro, indígena, de esquerda ou de direita. Muitas vezes num pronto-socorro você atende criminoso. É nossa obrigação.

Viomundo – Mas a categoria dos médicos é, no geral, conservadora.

Regina Parizi – De fato, é conservadora, porque vem de uma classe média, classe média alta. Aliás, essa nova geração de médicos está vindo de uma classe média alta, muito alta.

Que família pode pagar R$ 8 mil reais por mês de curso de medicina para o filho e ainda custear moradia e alimentação por vários anos?

Isso se reflete na sala de aula, quando você faz uma discussão, por exemplo, de que a responsabilidade pela assistência à saúde é uma questão mais coletiva.

Eles acham que não, por conta da formação familiar, de valores morais e éticos. Eles acham que é apenas uma questão individual. E ponto. Todas as questões coletivas estão fora de moda.

O que aconteceu com esses jovens médicos envolvidos no caso de Dona Marisa é uma pequena demonstração do que realmente está acontecendo.

O médico pode até se recusar atender determinado paciente. É um direito previsto no Código de Ética Médica.

Só que ele tem a obrigação de indicar um colega para fazer o atendimento. Agora, se ele for o único profissional em determinada cidade, por exemplo, ele é obrigado a atender, sim, sob pena de violar o Código de Ética.

Viomundo – Os vazamentos ocorreram no Hospital Assunção, que integra a maior rede hospitais privados do País, Rede D’or São Luiz, e no Sírio-Libanês. Como fica a situação deles?

Regina Parizi – Primeiro, são corresponsáveis, pois o hospital é o guardião das informações do paciente. Segundo, é péssimo para as instituições a repercussão que o caso está tendo.

Diante do que aconteceu certamente tem gente falando “não vou mais ao hospital x, porque ele vaza informação do paciente”

A sociedade tem que exercer mesmo este papel.

A sociedade tem limites para entender uma discussão técnica, mas sobre sigilo médico, não.

A sociedade sabe que o que aconteceu é imperdoável e não tem que facilitar, mesmo. A nossa obrigação e a do hospital é zelar pela privacidade do paciente.

Viomundo – Um pouco atrás a senhora disse que quebra de sigilo é hoje um dos graves problemas e que isso veio com a internet. E, agora?

Regina Parizi – A questão da internet é um desafio para nós. O pessoal mais jovem – incluem-se aí os médicos– acha que está protegido no celular, num grupo de rede social. Não está. É isso que eles têm que entender, pra gente começar a mudar a situação.

Eu sempre falo para os meus alunos: não há instrumento que lhes protejam; eles só te expõem; cuidado com aquilo que faz ou conversa com o colega no celular e nas redes sociais, abertas ou fechadas.

O mesmo digo, agora, para os leitores do Viomundo. Nós e a sociedade em geral temos de lutar juntos para preservar o sigilo das informações médicas, um direito dos pacientes e um dos bens mais preciosos da medicina.
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PS de Conceição Lemes: 

O Conselho Federal de Medicina  (CFM) é responsável pela fiscalização do exercício ético da medicina. A Associação Médica Brasileira (AMB), pela defesa e zelo da qualidade do exercício profissional, que envolve técnica e ética, conhecimento científico e humanístico.

Porém, nos últimos anos, AMB e CFM:

* Fizeram campanha pela derrubada da presidenta Dilma Rousseff, apoiaram o golpe parlamentar-midiático-jurídico em curso no Brasil e estimularam o ódio contra petistas, o ex-presidente Lula, Dona Marisa e toda a família.

* Defenderam posições repreensíveis no episódio do Mais Médicos. Lembremos que o presidente do CRM de Minas orientou os médicos mineiros a negarem atendimento a pacientes que tivessem sido atendidos por médicos cubanos.

Diante disso, como essas entidades podem agora repreender a conduta desses jovens médicos se elas próprias contribuíram para disseminar ódio e preconceito no meio médico contra petistas e do qual Dona Marisa foi vítima?

Sinceramente, espero que CFM e AMB reflitam sobre esse lamentável episódio. Do contrário, todos nós perderemos ainda mais.

 Leia também:

Beatriz Cerqueira: O governo golpista precisa de escola que impeça de pensar; o Escola sem partido visa isso

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/presidente-da-sociedade-brasileira-de-bioetica-sobre-o-caso-dona-marisa-o-que-esses-jovens-medicos-fizeram-e-um-absurdo-terao-de-aprender-da-pior-forma-possivel.html

“Casa Grande” surta com estudante negra que passou em 1º na Fuvest

08.02.2017
Do BLOG  DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

estudante capa

Segundo matéria da Folha de São Paulo publicada na segunda-feira 6, “Foi com uma frase provocativa estampada em uma rede social que Bruna Sena, 17, primeira colocada em medicina da USP de Ribeirão Preto, carreira mais concorrida da Fuvest-2017, comemora e passa um recado de sua conquista: “A casa-grande surta quando a senzala vira médica”.

Negra, pobre, tímida, estudante de escola pública, criada apenas pela mãe, que ganha R$ 1.400 como operadora de caixa de supermercado, Bruna será a primeira da família a interromper o ciclo de ausência de formação superior em suas gerações. Fez em grande estilo, passando em uma das melhores faculdades médicas do país.

A mãe, Dinália Sena, 50, que sustenta a casa desde que Bruna tinha nove meses e o pai deixou o lar, está entre a alegria e o pavor. Tem medo que a filha seja hostilizada. ‘Por favor, coloque no jornal que tenho medo dos racistas. Ela vai ser o 1% negro e pobre no meio dos brancos e ricos da faculdade’.

Já a filha mostra-se tranquila. Acredita que será bem recebida e tem na ponta da língua a defesa de sua raça, de cotas sociais e da necessidade de mais oportunidades para os negros no Brasil. “Claro que a ascensão social do negro incomoda, assim como incomoda quando o filho da empregada melhora de vida, passa na Fuvest

(…)

Segundo Bruna, que mora em um conjunto habitacional na periferia de Ribeirão Preto, vários de seus colegas de escolas nem “nem sabem que a USP é pública e que existe vestibular para passar”.

Com ajuda financeira de amigos e parentes, Bruna fazia kumon de matemática, mas o dinheiro não deu para seguir com o curso de inglês. “Tudo na nossa vida foi com muita luta, desde que ela nasceu, prematura de sete meses, e teve de ficar internada por 28 dias. Não tenho nenhum luxo, não faço minhas unhas, não arrumo meu cabelo. Tudo é para a educação dela”, declara a mãe.

Ainda segundo Dinália, “alguns conhecidos ajudaram. Uma amiga minha sempre dava livros para ela. Uma vez, essa amiga colocou R$ 10 dentro de um livro para comprarmos comida e escreveu: ‘Bruna, vence a vida, não deixe que ela te vença, estude’

Bruna nem começou o curso de medicina e já teve sua primeira grande experiência com o que vai enfrentar daqui para frente. Como sabe qualquer pessoa que estuda as condições sociais brasileiras, a forma mais comum de racismo nos dias de hoje se expressa através da negação do racismo, e foi isso que se viu na chamada para a matéria sobre Bruna colocada na página da Folha no Facebook.

Com 111 mil curtidas, mais de 20 mil compartilhamentos e quase 8 mil comentários, o que se viu nessa postagem foi uma horda de gente branca criticando mãe e filha negras por dizerem que existe racismo no Brasil e que os negros não têm as mesmas oportunidades que os brancos.

estudante 1Os milhares de comentários racistas são mais ou menos todos iguais. Todos acusam a moça de ser racista por sua mãe dizer que tem medo de que ela sofra racismo e todos dizem que Bruna, por ter passado no vestibular, prova que cotas “raciais” são dispensáveis – como se muitos negros fossem capazes de superar as dificuldades econômicas imanentes à etnia e passassem no vestibular de medicina da Fuvest.

estudante 2Será mesmo que essas pessoas acreditam que muitos negros conseguem se formar em medicina? Ao dizerem que Bruna é a prova de que “basta negros estudarem para passar no vestibular sem precisarem de cotas”, não estão dizendo que negro não se forma em medicina por não gostar de estudar?

Será que essas pessoas nunca leram estudos como o divulgado pelo Estadão não faz tanto tempo que mostra que apenas 0,9% dos médicos formados em São Paulo são negros apesar de o Estado ter 37% de habitantes que se declaram negros ou pardos?

Será que esses comentaristas brancos do Facebook que surtaram com a vitória de Bruna e negaram o racismo no Brasil não sabem que a mãe da moça tem medo de que ela sofra racismo por fatos como os mostrados em matéria do portal IG sobre ataques racistas nos banheiros na USP, reproduzidos na foto abaixo ?

estudante 3Bruna será um sucesso na vida. É linda, inteligente e corajosa. Porém, como mostra essa postagem da Folha de São Paulo no Facebook, ela, que diz não conhecer direito o racismo – até porque, em seu meio social segregado todos são como ela –, vai conhecer racismo muito de perto. E vai vencê-lo, mas, como mostram esses milhares de racistas que a criticaram, nem como médica logrará curar o Brasil dessa doença.

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2017/02/casa-grande-surta-com-estudante-negra-que-passou-em-1o-na-fuvest/