A LEI NÃO É PARA TODOS:Filme sobre a Lava-Jato é uma farsa

04.09.2017
Do BLOG DO MIRO, 03.09.17
Por Paulo Pimenta, no site da Fundação Perseu Abramo:

Dizer que, no Brasil, a “lei é para todos”, infelizmente, soa como uma piada. Que digam Aécio, Temer e o próprio juiz Sérgio Moro, que além de receber salários acima do teto constitucional, conforme divulgado pela imprensa, vem cometendo uma série de ilegalidades ao longo dos últimos anos.

Só mesmo alguém como Sérgio Moro, que tem absoluta certeza da impunidade, para se achar no direito de grampear de forma ilegal a presidenta da República do Brasil e vazar de maneira criminosa os áudios para a Rede Globo. É por saber muito bem que, no Brasil, a lei não é para todos que Sérgio Moro autorizou a condução coercitiva do ex-presidente Lula, sem que Lula tenha sido intimado previamente para prestar depoimento, como prevê o Código de Processo Penal.

Num país onde realmente a lei é para todos, o procurador Deltan Dallagnol seria punido por, no mínimo, infração disciplinar pelo Conselho Nacional do Ministério Público Federal por estar lucrando com a Operação Lava Jato. As palestras do procurador têm rendido cachês milionários. Assim como Sérgio Moro, Deltan Dallagnol sabe que, no Brasil, a lei não é para todos, e valendo-se disso fez uso de um “PowerPoint” fantasioso para tentar destruir Lula, expondo o Ministério Público Federal (MPF) ao episódio mais vergonhoso da história dessa instituição.

Num país onde a lei é para todos, o delegado Igor Romário de Paula responderia por improbidade administrativa e abuso de autoridade por permitir que a Polícia Federal gravasse, sem autorização da Justiça, imagens internas do apartamento do ex-presidente Lula para, posteriormente, segundo a imprensa, serem entregues aos produtores do filme e exibidas aos atores do longa-metragem.

Num país onde a lei é para todos, o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, deveria estar respondendo por improbidade administrativa, peculato, abuso de autoridade e prevaricação por conta da relação promíscua estabelecida entre a PF e os produtores do filme da Lava Jato. Só mesmo alguém como Daiello, que se considera acima da lei, para admitir que sabe quem são os “financiadores ocultos” do filme e se achar no direito de não revelá-los, mas que, agora, descobre-se que são pessoas investigados pelo MPF e pela própria Polícia Federal.

Se há algo em comum entre o juiz Sérgio Moro, o procurador Deltan Dallagnol, os delegados Igor Romário de Paula e Leandro Daiello e os próprios produtores do filme da Lava Jato é que todos eles sabem que, no Brasil, a lei não é para todos. Sabem ainda que, no Brasil, a lei é usada como instrumento de perseguição racial, social e política, como têm feito neste último caso.

Portanto, o que é uma farsa na vida real só poderia virar uma farsa na ficção. E esse filme sobre a Operação Lava Jato é uma farsa tanto quanto dizer que no Brasil a “lei é para todos”.

* Paulo Pimenta é jornalista e deputado federal pelo PT-RS.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2017/09/filme-sobre-lava-jato-e-uma-farsa.html

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Datena e Junho de 2013, Veja e Greve Geral

27.04.2017
Do BLOG DO MIRO
Por Renato Rovai, em seu blog:

Um dos marcos de que as manifestações de junho de 2013 não eram algo de grupelhos, mas que tinham apelo popular foi uma enquete realizada pelo apresentador Datena, na TV Bandeirantes.

Ele perguntou se as pessoas eram favor ou contra os atos contra o aumento da passagem de ônibus, os famosos 20 centavos. E sua audiência começou a votar que sim.

Do alto de sua arrogância, Datena xingou todo mundo e mandou a produção modificar a questão pois, no seu entendimento, o público não havia entendido a pergunta.

E tomá-lhe pau. As pessoas continuaram apoiando.

E o apresentador teve que engolir aquele sapo.

Hoje, foi a Veja.

A revista dos Civitas realizou uma enquete para desmoralizar a Greve Geral, achando que sua bolha iria votar em peso contra o movimento.

E, danou-se. Mesmo na sua bolha.

No momento em que Fórum fez essa matéria, 73% dos votantes apoiavam o movimento.

A Greve Geral pode surpreender muita gente, incluindo os que a estão convocando.

O saco cheio do povo é maior do que se imagina. E não é de se descartar que a Greve Geral desencadeie algo próximo de um novo Junho de 2013.

Só que dessa vez à revelia da Globo. E também contra a Globo. Que defende as reformas.

Sei que parece delírio. Mas a enquete da Veja de hoje diz muito mais do que qualquer análise de redes. Como a enquete do Datena também disse muito sobre o que a opinião pública pensava naquele momento.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/camara-aprova-fim-dos-direitos-trabalhistas-no-brasil-e-da-clt-veja-quem-sao-os-traidores.html

Os irmãos Neves estão tristes

12.04.2017
Do BLOG DO MIRO

Por João Paulo Cunha, no jornal Brasil de Fato:

Aécio Neves ficou indignado. Para o brasileiro, que desde a derrota do senador tucano, se acostumou com sua máscara de ódio e revanche contra o resultado das urnas, o semblante não mudou. Continua a emanar arrogância. O que mudou foi o alvo de seu destempero. Depois de desafiar os fatos, as verdades e a vontade popular, Aécio agora ataca a imprensa e a justiça, que sempre o embalaram no colo.

Andréa Neves ficou triste, até chorou. Para os mineiros, que se fartaram em acompanhar seu domínio sobre a mídia e seu estilo na fabricação da imagem do irmão mais novo, foi uma revelação de fragilidade que não se esperava dela. Altiva e discreta, nada é mais distante de Andréa que a fraqueza, a humildade e mesmo a exibição de sentimentos. A primeira irmã se viu como marionete num teatro em que costumava manipular os cordões.

O fato que deu origem a comportamentos tão inusitados nos dois personagens foi a reportagem da revista Veja, o mesmo suporte que tantas vezes brandiram de forma ameaçadora contra adversários, ou exibiam com orgulho quando lhes incensava o ego. A publicação trouxe o vazamento de uma delação, que aponta depósitos em contas de um banco em Nova York, relativos à propina, envolvendo os manos. Houve choro e ranger de dentes contra a revista e contra os vazamentos.

As consequências do episódio já são públicas e esperadas. Aécio se dissolveu como sal de frutas na água. Na corrida por protagonismo dentro de casa, conseguiu ser superado até por Dória, um petiz em política e sem pedigree no partido. Mesmo em seu estado natal e terceiro endereço (depois do Leblon e Brasília), vem acompanhando um movimento contínuo e determinado de afastamento de antigos aliados. Ele hoje é figura a ser evitada. O totem de papelão ficou sem serventia: ninguém o procura para tirar uma self.

Como estratégia de autodefesa, ele pode levar o partido para engrossar projetos contra abuso de autoridade, que limitam a ação do Ministério Público e da Polícia Federal. Tem seguidamente interpelado o STF, como se suas petições fossem capazes de mudar a prática da corte, sempre conivente com vazamentos. Ele se derrete no partido, encurta o futuro político e se contradiz a cada dia com suas ações de sobrevivência.

A forte carga política e mesmo policial da questão, que precisa ser apurada com rigor, no entanto, não esconde a dimensão psicológica do caso. Aécio e Andréa são hoje herdeiros de atitudes que sempre estiveram na base de sua relação. Há uma narrativa familiar que parece fazer do irmão uma espécie de ungido ao cargo que o avô não chegou a exercer, mesmo eleito indiretamente. Nessa fábula, a irmã entrou com o condão de imantar a imagem do prometido, criando uma redoma inexpugnável.

Os dois acreditaram um no outro. O candidato era invencível; a protetora era infalível. Aécio foi pego na armadilha criada pela manipulação da mídia a peso de publicidade oficial, ameaças a jornalistas e outras estratégias encobridoras. A blindagem tirou dele a defesa para a divergência e o debate. Ele não argumenta, ataca; não fala, vocifera; não relaciona, contracena. Andréa extirpou dele a saudável vacina do real. Não saber perder é o maior defeito de origem de um político.

Não é preciso ter compaixão com a tristeza dos Neves. Há uma determinação em tudo que fizeram. Atacaram a democracia por rancor, operaram contra a economia, ajudaram a parir o ódio na sociedade, criaram instabilidade nas instituições. Suas mãos estão manchadas por um golpe contra o país.

Possivelmente os irmãos não se reconhecem mais um no outro, como sempre fizeram. O espelho se partiu. No caleidoscópio dos cacos espalhados, a imagem que se forma está mais próxima da realidade. Por isso estão tristes. Não devem estar gostando do que veem.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2017/04/os-irmaos-neves-estao-tristes.html#more

A crise da previdência privada no mundo

16.01.2017
Do BLOG DO MIRO
Por Pere Rusiñol*, no site da CTB:

Os lobistas das aposentadorias privadas passam toda a vida anunciando a iminente crise do modelo público. E agora que os recursos das aposentadorias atingiram níveis mínimos, o que ameaça de fato entrar em erupção são os sistemas privados. Em todo o mundo.

O modelo público espanhol é de repartição: os trabalhadores de hoje pagam os vencimentos dos aposentados. A maioria dos sistemas privados, por outro lado, tem um modelo de capitalização: cada trabalhador coloca dinheiro em uma conta própria, que será sua futura pensão.

Há anos que os economistas críticos advertem que os perigos que cercam os modelos públicos por conta do envelhecimento afetam de igual modo os modelos de capitalização, que têm compromissos de pagamento impossíveis de serem assumidos. O maior fundo estadunidense – o dos funcionários públicos da Califórnia, Calpers – é um bom exemplo. Segundo o The Wall Street Journal, o fundo tem hoje um grande rombo: conta com ativos para cobrir somente 68% dos compromissos firmados. E a situação vai piorar, pois gasta em pagamentos de aposentadorias 20% do dinheiro que entra, sendo que o envelhecimento de seus clientes o obrigará a duplicar os pagamentos em apenas cinco anos.

Símbolos no pelourinho

O primeiro fundo europeu – o holandês ABP – está em situação similar: seu rombo é de 10% e vai se deteriorando com rapidez, posto que hoje somente 40% de seus clientes aportam rendimentos enquanto o resto recebe aposentadoria. Há uma década que seus vencimentos estão congelados e o debate atual é sobre reduzi-los.

No Chile – o grande símbolo do modelo privado, imposto por Augusto Pinochet – a situação é tão ruim que no último verão houve manifestações massivas exigindo mudanças. A aposentadoria média representa 34% do último salário recebido na ativa [N.E. sobre a Previdência chilena, saiba mais].

Além do envelhecimento, os modelos privados têm outros dois problemas adicionais: as elevadas comissões cobradas pelos gestores dos planos e o fato de estarem completamente expostos ao vai e vem dos mercados financeiros. As economias de toda uma vida podem virar pó diante de um mau investimento.

A situação provocada pelas baixas taxas de juros adicionou outras nuvens sombrias. Agora é muito mais difícil conseguir rentabilidades altas que permitam honrar o pagamento de um número cada vez maior de pensões. As cifras do último informe da OCDE sobre o mercado de previdência, de julho de 2016 com dados de 2015, são impressionantes: o rendimento líquido (após ser descontada a inflação) de dez anos dos fundos de pensão caiu como nunca e em todos os países. Na Dinamarca, passou de 16,6% em 2014 para 0,8% em 2015; na Holanda, de 15,1% para 0,6%, e em vários países os últimos dados agregados são negativos: na Polônia (- 6,1%), Turquia (- 5.9%) e até nos Estados Unidos (- 1,1%).

Na Espanha, a rentabilidade passou de 8% para 2%, a sexta pior queda entre os 35 países das OCDE. Mas, segundo estudos de Pablo Fernández, professor do IESE que mais tem analisado os fundos espanhóis, as comissões (taxas de administração) no país giram em torno de 2%, o que torna o rendimento insuficiente. O professor divulga todo ano um informe e o último, com números de 2015, foi tão deprimente como de costume: entre os 322 fundos com mais de 15 anos de história, apenas dois lograram rentabilidade superior à evolução do Ibex 35 [índice da bolsa de valores espanhola], e só um superou a dos bônus do Estado, sendo que 47 tiveram rendimento negativo.

* Pere Rusiñol é editor do Portal  Alternativas Económicas.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2017/01/a-crise-da-previdencia-privada-no-mundo.html

Mick Jagger e a revista agourenta

13.01.2017
Do BLOG DO MIRO
Por Altamiro Borges

Dizem que o roqueiro Mick Jagger dá azar. É só torcer para um time que ele perde. Mas a revista Exame – publicada pela Editora Abril, que também obra a revista Veja – é muito mais agourenta do que o bilionário cantor. Na edição desta semana, ela estampou na capa a foto de Mick Jagger para desejar que os assalariados brasileiros trabalhem até a morte. Em sua defesa militante do usurpador Michel Temer e de sua proposta destrutiva de reforma da Previdência, o panfleto dedicado à cloaca empresarial perdeu totalmente o senso de ridículo. Ou não! Afinal, desde o “golpe dos corruptos” as revistas da mercenária famiglia Civita têm recebido um bocado de grana em anúncios publicitários.

Ainda na capa, a Exame explica a razão da foto. “O que você e ele tem em comum. Talvez não seja a fama, nem os oito filhos. Mas, assim como Mick Jagger, você terá que trabalhar velhice adentro. A boa notícia, preparando-se para isso, será ótimo”, afirma na maior caradura a chamada de capa. Ela tenta comparar a vida do astro do rock, que acumula uma das maiores fortunas do mundo, com o calvário de milhões de explorados brasileiros que recebem salários de miséria e trabalham em péssimas condições. Tudo para justificar que se trabalhe “velhice adentro” com base na proposta do Judas Michel Temer do aumento da aposentadoria para 65 anos e do tempo de contribuição.

O escárnio da famiglia Civita ficou tão evidente que a revista Exame e o roqueiro Mick Jagger foram parar no topo do Twitter. Os internautas não perdoaram a gritante manipulação, postando inúmeros e divertidos memes. Será que o jornalista e o capista da Exame topam trabalhar “velhice adentro”? No caso dos donos da Editora Abril, não é preciso nem perguntar. Com a grana que estão arrancando do covil golpista, os mercenários passarão muito bem o restante da vida. É que se dane o trabalhador, que não virou um astro do rock!

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2017/01/mick-jagger-e-revista-agourenta.html

As mentiras de Temer sobre a Previdência

10.01.2017
Do BLOG DO MIRO
Por Danilo Motta, no site da CUT:

Para tentar conquistar o apoio da população à reforma da Previdência, o governo Temer investiu em propaganda massiva via redes sociais. As páginas oficiais governamentais publicaram nas últimas semanas uma série de vídeos defendendo as mudanças, muitos deles usados como propaganda nos meios de comunicação. Mas alguns pontos precisam ser mais bem esclarecidos, para que os trabalhadores não sejam enganados.
Um deles, intitulado Entenda a Reforma da Previdência, foi publicado na página do Palácio do Planalto no Facebook em 6 de dezembro – mesmo dia em que o governo encaminhou a proposta ao Congresso. Nele, o secretário de Previdência Social, Marcelo Caetano, aparece “explicando” a medida. Veja, ponto a ponto, o que se esconde nas entrelinhas dessa propaganda:

‘Idade mínima para se aposentar passa para 65 anos’

VERDADE CRUEL – Idade mínima para se aposentar passa a ser 65 anos para todos, em vez dos atuais 55 para mulheres ou 60, para homens. No caso dos trabalhadores rurais vale a mesma regra, ou seja, idade mínima de 65 anos para a aposentadoria, apesar de, via de regra, ingressarem mais cedo no mercado e da rotina mais penosa de trabalho.

‘Tempo mínimo de contribuição será de 25 anos’

VAMOS DETALHAR – De fato, o tempo mínimo será de 25 anos. Entretanto, para ter direito a receber o valor integral do benefício de aposentadoria (ou seja, média salarial durante tempo de contribuição), são necessários 49 anos de contribuição ininterruptos. Isso porque o benefício passa a ser calculado levando-se em conta a parcela de 51% das maiores contribuições com 1% adicionais a cada ano de contribuição. Ou seja, para atingir os 100%, o trabalhador precisa ficar 49 anos na ativa, sem interromper o pagamento ao INSS. Caso não consiga cumprir todos estes requisitos, o trabalhador tem direito ao equivalente a 76% da média salarial, acrescido de 1 ponto porcentual por ano de contribuição além dos 25 exigidos.

‘Homens a partir de 50 anos e mulheres com 45 ou mais terão regra de transição’

 
VAMOS DETALHAR – O trabalhador ou a trabalhadora que estiver na faixa etária citada terá de pagar um “pedágio”, que equivale a 50% do tempo que seria necessário para se aposentar pelas regras atuais. Ou seja, se você precisa contribuir por mais quatro anos pela regra atual para se aposentar, vai precisar ficar na ativa por mais seis anos caso a reforma seja aprovada (4 + 50%).

‘O objetivo da reforma é dar sustentabilidade à previdência no longo prazo, poder garantir o pagamento das aposentadorias e pensões das pessoas lá pra frente’

NÃO É BEM ASSIM – O principal argumento do governo para aprovar a proposta é o chamado “rombo da previdência”. Entretanto, a maior parte deste déficit alegado pelos defensores da reforma tem causas não relacionadas à previdência propriamente dita, como benefícios concedidos a empresas e a Desvinculação de Receitas da União. Dessa forma, o aumento no tempo de contribuição pelo trabalhador não garantiria, por si só, o equilíbrio dessas contas tal como apresentadas pelo governo.

‘Reforma valerá também para políticos e servidores’

NÃO É BEM ASSIM – Os militares foram excluídos da reforma, apesar de serem os responsáveis por metade do dito “déficit”. Eles continuariam nas regras atuais: a categoria pode se aposentar com 30 anos de serviço recebendo salário integral. Enquanto que os civis, como já detalhamos, precisariam contribuir ininterruptamente por 49 anos para ter direito à aposentadoria integral.

‘A gente gasta com pensão por morte muito mais que países mais velhos e mais ricos que a gente em termos proporcionais’

NÃO É BEM ASSIM – O Japão é o país com a maior expectativa de vida do planeta: 83,7 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde. Mesmo assim, em novembro passado, o parlamento do país aprovou uma reforma na lei da previdência social que reduz o tempo mínimo de contribuição para aposentadoria, de 25 anos para 10 anos.

Hoje, o Brasil tem 20,2 milhões de trabalhadores com 65 anos de idade ou mais. Destes, somente 13,4% compõem a força de trabalho, estando os demais estão fora do sistema. Esta característica demográfica brasileira evidencia a dificuldade que a população idosa terá para se manter na ativa e contribuindo para poder se aposentar.

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Fonte:https://altamiroborges.blogspot.com.br/2017/01/as-mentiras-de-temer-sobre-previdencia.html

Previdência: a farsa desmascarada

14.12.2016
Do BLOG DO MIRO, 13.12.16

Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

Às vezes, diz o brocado, é mais fácil pegar um mentiroso que um coxo. Nos últimos dois anos, os conservadores brasileiros surfaram na onda do sentimento anti-establishment que percorre o planeta. Deram-lhe conteúdo reacionário. Em maio, derrubaram um governo que ensaiava reformas sociais tímidas porém inéditas – acusando-o de responsável por práticas de corrupção que marcam a história do país há séculos. Promoveram uma série inédita de ataques aos direitos sociais, aos serviços públicos e às liberdades democráticas. Governam como saqueadores, loteando o Estado e desmantelando as políticas públicas.

Agora, quando começa a ficar claro que o resultado é o aprofundamento da crise, do desemprego e do empobrecimento, jogam a cartada do punitivismo. Convocam a população às ruas para pressionar por “dez medidas” que, se aprovadas, nos aproximarão ainda mais de um Estado Policial. Investem contra o Congresso Nacional. Ao fazê-lo, no mesmo momento em que o Palácio do Planalto tenta aprovar a “Reforma” da Previdência, arriscam-se a um enorme passo em falso, capaz de comprometer o conjunto de sua estratégia.

É que a manobra revela o caráter farsesco de seu “ataque” ao establishment. O sistema político brasileiro está, de fato, minado pela corrupção. As delações dos executivos da Odebrecht sugerem que só esta empresa – uma das dezenas que praticam permanentemente lobby no Congresso – financiava e cobrava favores de cerca de metade (300) dos 594 deputados e senadores senadores. Mas como “denunciar” os corruptos e defender, ao mesmo tempo, que eles continuem governando e investindo contra os direitos da maioria?

É exatamente este o movimento em curso. Ontem, os noticiários da TV Globo e Globo News exortavam a população a ir às ruas contra parlamentares desonestos. A partir de hoje, as duas emissoras pedirão que estes mesmíssimos senhores invistam contra direitos históricos do povo. Hipocrisia idêntica é praticada pelos blogs (Spotnik e O Antagonista, por exemplo) ligados a movimentos como o MBL e Vem pra Rua. O pacote de maldades é vasto. Não se trata de uma reforma, mas de um autêntico desmonte da Previdência – talvez o único esboço de Estado de Bem-Estar Social que as maiorias conseguiram arrancar das elites, num dos países mais desiguais do mundo.

O tempo mínimo necessário para obter aposentadoria aumentará – em alguns casos, em até dez anos. A regra valerá inclusive para os que já ingressaram no mundo do trabalho, numa clara violação do princípio do direito adquirido. O próprio valor do benefício cairá em relação aos valores já minguados de hoje — exceto para os que acumulem, no momento da retirada, cinquenta anos de contribuições. As aposentadorias rurais e dos idosos deixarão de acompanhar o salário-minimo, o que as tornará irrisórias em pouco tempo. As pensões por morte serão achatadas. A lista completa teria 17 itens, todos retrógrados e impopulares.

Não se trata de propostas de difícil compreensão, como no caso da PEC 241/55. Serão sentidas por milhões. Têm sentido oposto ao defendido por Dilma e Temer, em 2014. Sequer foram cogitadas por Aécio Neves, o segundo colocado nas eleições. Como impô-las? Comprando maioria num Congresso “de corruptos”?

Recorre-se nesse ponto à arma onipresente da ideologia. A contrarreforma não seria opção política, mas fatalidade técnica. O atual sistema teria se tornado inviável, por acumular déficits constantes e crescentes. O “ajuste” visaria, na verdade, evitar sua quebra certa. Estas fórmulas serão repetidas mil vezes, nos próximos dias, talvez para testar de novo a hipótese de Goebbels, sobre os meios para transformar mentiras em verdades…

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Outras Palavras lança hoje um novo site, dedicado à defesa da Seguridade Social. Chama-se

Previdência – Mitos e Verdades. Pode ser encontrado em www.outraspalavras.net/previdencia Seus objetivos políticos são claros: contribuir para desmascarar a “reforma” do governo e, num sentido mais amplo, a farsa em que se apoia a atual ofensiva conservadora. Seus métodos são os que procuramos praticar em toda nossa atividade jornalística. Investigação e análises profundas. Recusa à superficialidade e ao panfleto. Confiança na autonomia e espírito crítico dos leitores.

Para fazê-lo, mobilizamos três jornalistas tarimbados e sagazes – Glauco Faria, Patrícia Cornils e Nicolau Soares – e uma designer e editora de vídeos criativa – Gabriela Leite. Em defesa da Previdência e Seguridade Pública, eles examinarão o sistema atual e suas características. Mostrarão que, ao contrário do que alegam os conservadores, é preciso ampliar (e não reduzir) os benefícios, para construir uma sociedade um pouco menos injusta. Argumentarão que, para isso, as reformas necessárias são de sentido oposto às propostas pelo governo. Tributar os mais ricos, sempre poupados por nosso sistema tributário. Eliminar isenções (por exemplo, as que beneficiam o agronegócio). Rever privilégios: é aceitável reduzir a aposentadoria dos trabalhadores rurais e dos idosos e manter as pensões de marajás dos deputados e juízes?

Criado a partir de um projeto de Outras Palavras, o novo site já tem um primeiro apoiador: a Central dos Trabalhadores Brasileiros, (CTB). Seu aporte material permitiu formar a equipe e lançar a inicitavia A cláusula de independência editorial é pétrea. Eventuais erros e insuficiências em nosso trabalho são de responsabilidade exclusiva de Outras Palavras. Para uma batalha tão dura, queremos ampliar o leque de apoiadores. Além de outras centrais sindicais, ele pode incluir organizações e pessoas empenhados em lutar pelos direitos sociais e em reverter a maré conservadora que entristece o Brasil. Como é também marca registrada de nosso trabalho, a prestação de contas será pública.

Uma era – a Modernidade – está morrendo. As velhas relações sociais, econômicas e políticas tornam-se rapidamente obsoletas. O novo pode ser muito melhor ou pior, frisa Immanuel Wallerstein, mas não há volta atrás. Em meio à tempestade, chegaremos a um porto seguro? Não podemos saber de antemão, seguiremos navegando.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/12/previdencia-farsa-desmascarada.html