BRASIL COLONIZADO: O REFIS DAS PETROLEIRAS

19.12.2017
Do blog DINÂMICA GLOBAL, 12.12.17
Por Samuel Gomes*

O Brasil inteiro já sabe que a MP 795, a MP do Mi-Shell, gera perdas de arrecadação para o erário da ordem R$ 1 trilhão até 2040, destrói a nossa indústria naval, debilita de morte a indústria de bens e equipamentos, retira dinheiro da Seguridade Social (Saúde, Previdência e Assistência Social) e destrói um milhão de empregos de brasileiros em favor da criação de empregos nos países centrais do capitalismo, permitindo que eles enfrentem suas crises aprofundando a nossa. Tudo isso para atender aos interesses e exigências das petroleiras internacionais, aquelas poderosas empresas que promovem guerras de rapina e destroem países mundo afora para roubar o seu petróleo. Se houvesse corrupção no Brasil e se este não fosse um governo sério e responsável, não seria uma temeridade (opa!) supor que o crime de lesa pátria foi imposto ao país à custa de dutos de dinheiro das mãos dos beneficiários para as mãos sujas de abjetos governantes e desprezíveis parlamentares entreguistas.

Mesmo sabendo de tudo isso, no dia 6 de dezembro de 2017 a Câmara Federal aprovou a MP 795, a MP do Mi-Shell. No dia da vergonha e da humilhação da nacional, 208 deputados entreguistas e traidores derrotaram 194 deputados que votaram contra com a bandeira nacional à frente dos olhos. Os 208 joaquim silvérios dos reis tinham as bandeiras dos Estados Unidos e da Inglaterra tremulando diante dos seus olhos de peixe morto.

Agora é a vez do Senado Federal votar a medida. Agora é a hora e a vez do Senado Federal, supostamente a Câmara Alta, a Casa da Federação, a casa da sabedoria, da reflexão e da prudência. Eis que senão quando, no dia de hoje, às vésperas da votação da MP do Mi-Shell pelo Senado, vem a público um estudo da Associação Nacional dos Auditores da Receita Federal (Unafisco) mostrando que, além da doação de R$ 1 trilhão em renúncia fiscal em favor das empresas petrolíferas internacionais, a maldita lei do Mi-Shell Temer promoverá o perdão de R$ 54 bilhões de impostos que a Receita Federal está cobrando das multinacionais do petróleo por remessa ilegal de “lucros” ao exterior. Remessa ilegal de lucros é o nome técnico para o velho golpe que as multinacionais aplicam nos países onde se instalam de superfaturar compras nos seus países para mandar dinheiro para lá ao invés de investir aqui. Esse é um assunto sério e perigoso. Não esqueçamos que o presidente João Goulart foi apeado do poder em 1964 também por haver liderado, com a bancada de esquerda e nacionalista, a aprovação da Lei da Remessa de Lucros, que havia sido enviada ao Congresso ainda no governo Vargas (Lei 4.131/1962).

Pois bem. Se o Senado já tinha um trilhão de razões para mandar para o lixo, que ao lixo pertence, a MP do Mi-Shell, agora tem um argumento adicional, o argumento da vergonha na cara. Não é possível que a Receita Federal cobre impostos dos brasileiros e não apenas seja impedida de cobrar impostos da ordem de 1 trilhão de empresas que vem aqui explorar o nosso petróleo como também tenha que perdoar 54 bilhões de impostos que elas sonegaram criminosamente aos cofres públicos mediante contratos- fantasma para remessa ilegal de “lucros”.

Os deputados que votaram a favor da MP do Mi-Shell e que agora dizem que não sabiam do perdão de R$ 54 bilhões de impostos devidos por remessas ilegais de lucro ao exterior pelas multinacionais do petróleo vão fazer hara kiri coletivo na Praça dos Três Poderes? E os senadores querem saber já ou preferem “arrependimento” posterior? Faça chegar essa pergunta e sua indignação a cada senador, a cada senadora. Pergunte se o Senado vai botar a sua digital no criminoso Refis das petroleiras internacionais: 1 trilhão de renúncia fiscal e 54 bilhões de perdão por impostos sonegados. Vamos ver se o Senado Federal se comportará como a Casa da Federação ou uma casa da luz vermelha.

A pressão sobre o Senado é gigante. A imprensa noticia hoje, 8 de dezembro de 2017, que as empresas estão ameaçando o governo: se a MP do Mi-Shell não for aprovada pelo Senado, elas não assinarão os contratos que ganharam no leilão do pré-sal do dia 27 de novembro. São elas a angloamericana Shell, a francesa Total, a inglesa BP e a norueguesa Statoil. Para um governo desesperado em fazer caixa para salvar a própria pele mostrando que apesar da desgraça que se abate sobre a nossa economia e o nosso povo as contas do governo vão muito bem, obrigado, essa é uma pressão mortífera. O pseudo-governo Temer não gosta de desagradar aos seus senhores. As empresas estrangeiras e os seus governos neo-coloniais pressionam o governico Temer, que comprou a Câmara e quer fazer o mesmo com o Senado. A minha aposta, porém, é a de que, se o Brasil se levantar, o Senado rejeita a MP do Mi-Shell. O placar está apertado. A nossa esperança equilibrista está de volta. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. A votação será na terça-feira, dia 12. A hora é agora. Pressão total! De pé, Brasil! Não à MP do Mi-Shell!

*Samuel Gomes, advogado em Brasília, assessor no Senado.

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Fonte:https://dinamicaglobal.wordpress.com/2017/12/12/brasil-colonizado-o-refis-das-petroleiras/

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Em desabafo apaixonado, geólogo que ajudou a descobrir o pré-sal diz que país está sendo transformado ‘num puteiro’, como a China do século 19: “Estamos perdendo o Brasil”

24.11.2016
Do blog VI O MUNDO

O Sinaval anunciou nesta quarta-feira (23/11) que irá ingressar com uma ação judicial contra a ANP (Agência Nacional do Petroleo) para impedir que a agência conceda waiver de conteúdo local para os FPSOs [Unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência] de Libra e Sépia, da Petrobras. O sindicato alega que não foi feita uma consulta ao mercado brasileiro que pudesse justificar o pedido de isenção. “A ANP não pode conceder a dispensa de conteúdo local sem que as etapas previstas sejam cumpridas. Falta uma consulta real aos fornecedores locais. A Petrobras argumenta que as plataformas de produção ficam 40% mais caras com conteúdo local, mas não apresentam as informações que comprovem esse argumento”, declarou o presidente do sindicato, Ariovaldo Rocha. […] A maior diferença estaria no casco do FPSO: enquanto no contrato original exigem-se índices [de conteúdo local] entre 75% e 90% para sua construção, no contrato da nova licitação a exigência teria caído para 0%. […] Outros subitens que apresentam grande variação são os de engenharia de instalação e de planta, que teriam passado de 90% para 26,4% e de 90% para 27,2%, respectivamente; e de comissionamento de planta, caindo de 90% para 0%. Já para ancoragem o percentual mínimo é o mesmo: 85%. […] O sindicato considera falsa a premissa de que o próximo leilão só terá sucesso com a flexibilização das regras de conteúdo local. “O sucesso depende muito mais do cenário internacional e das áreas ofertadas”, argumenta a entidade. “Ele (Pedro Parente, presidente da Petrobras) está convidado a conhecer os estaleiros brasileiros”, disse Rocha a jornalistas. Do site do Sindicato da Indústria Naval

Da Redação

O geólogo Guilherme Estrella, ex-diretor da Petrobras, fez um desabafo apaixonado durante o seminário sobre o petróleo e o pré-sal promovido pelo Clube de Engenharia, no Rio.

Inicialmente, ele lembrou que o Brasil tem as duas maiores províncias minerais do mundo, em Carajás e Minas Gerais. Produz na Amazônia 20% do oxigênio do planeta. Tem o maior aquífero do mundo. Tem o equivalente a 50% do seu território submerso na Amazônia Azul. Para completar, descobriu o pré-sal com a inteligência brasileira — uma reserva repleta de gás, que permite a produção de fertilizantes.

Isso contrasta com o fato de que o brasileiro ainda consome menos energia per capita que o português. Reflexo de uma profunda desigualdade social.

Para Estrella, o Brasil agora é vítima do “grande poder internacional”. Ele localiza o início do mergulho na escolha de Joaquim Levy para ser ministro da Fazenda, pela presidenta Dilma Rousseff.

O golpe foi o “mergulho no poço”.

O ex-diretor da Petrobras acredita que o Brasil está sendo transformado num “puteiro” do capitalismo financeiro internacional, perdendo a soberania da mesma forma que a China perdeu no século 19 — ah, mas então foi por conta das guerras do ópio.

E no caso do Brasil? É entreguismo puro ou combinado com ação externa?

Estrella vê uma “guerra autofágica” entre forças políticas que agora deveriam se unir.

“Estamos perdendo o Brasil!”, ele denuncia, de maneira enfática, apaixonada e emocionada.

Estrella propõe uma grande frente que divida as forças políticas entre defensores da dependência ou da soberania nacional.

Vale a pena ver a íntegra.

Leia também:

PGR atuar contra a Petrobras é crime de lesa Pátria, diz deputado Pimenta

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/em-desabafo-apaixonado-geologo-que-ajudou-a-descobrir-o-pre-sal-diz-que-o-brasil-esta-sendo-transformado-num-puteiro-como-a-china-do-seculo-19-estamos-perdendo-o-brasil.html

Objetivo do golpe são riquezas do Brasil e inviabilizar o país como nação

09.08.2016
Do portal da REDE BRASIL ATUAL
Por Redação RBA 

Para o advogado Ricardo Gebrim e o jornalista Paulo Moreira Leite, interesses de grandes corporações no pré-sal estão por trás do ataque à democracia brasileira com o impeachment de Dilma Rousseff 

Paulo Moreira Leite e Ricardo Gebrim

Paulo Moreira Leite e Ricardo Gebrim apontam WikiLeaks como fonte de informação sobre Temer

 

São Paulo – Para o advogado Ricardo Gebrim, ex-presidente do Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo e dirigente do Movimento Consulta Popular, a ofensiva contra a democracia no Brasil é determinada pelo interesse do capitalismo internacional nas riquezas do país. Daí o fato de as privatizações de grandes empresas nacionais serem o principal objetivo dos setores golpistas representados por Michel Temer. “O que determina essa ofensiva é a crise (do capitalismo). Nada oferece tanta possibilidade de lucros como Petrobras e o pré-sal, que alimentam uma saída para a crise capitalista”, disse.

Gebrim participou, com o jornalista Paulo Moreira Leite, diretor do site Brasil 247 em Brasília, do debate “Corrupção e Política: o Brasil é um caso perdido?”, promovido na noite de ontem (8) pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FespSP).Os deputados Wadih Damous (PT-RJ) e Luciana Santos (PCdoB-PE), por problemas de agenda, não participaram.

Os dois debatedores ressaltaram a importância de se manter a luta contra o governo interino de Temer e aprofundar a unidade das forças populares e movimento social.

Para Gebrim, o golpe em andamento no Brasil faz parte de uma política ligada a “interesses de Estado dos Estados Unidos”, embora, segundo ele, esses interesses não necessariamente partam do governo norte-americano. Em sua opinião, os governos populares do Brasil incomodaram os norte-americanos ao entrar em “uma articulação de grande envergadura, os Brics”.

“Nada vai gerar mais lucro às corporações do que o golpe no Brasil. Mudar o marco regulatório do pré-sal foi o motivo principal do golpe”, disse. E isso não é tudo: “Temos 46% do setor elétrico para privatizar e alimentar o capitalismo em crise. O objetivo principal é se apoderar dessas riquezas essenciais à soberania”, disse Gebrim.

Paulo Moreira Leite também mencionou os interesses norte-americanos no impeachment de Dilma. “É mais fácil saber sobre o presidente interino no WikiLeaks do que na imprensa brasileira. Foi lá que ficamos sabendo que ele era informante da embaixada dos Estados Unidos.” Um dia após a posse de Temer (em 12 de maio), o WikiLeaks afirmou pelo Twitter  que Temer fornecia informações aos Estados Unidos quando era deputado federal, em 2006.

“O objetivo desse golpe é inviabilizar o Brasil como nação”, disse o jornalista. “A prioridade é o ataque ao pré-sal e à Petrobras, que permitiriam uma melhor distribuição de renda no nosso país.” Ele acredita que as reformas da Previdência e do Sistema Único de Saúde (SUS) virão na sequência.

Na opinião de Gebrim, as estratégias golpistas desenvolvidas para afastar Dilma Rousseff se desenvolveram, na América Latina, a partir de Honduras (2009), foram aprimoradas no Paraguai (2011) e chegaram ao Brasil mais sofisticadas. Segundo ele, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, demonstrou que a ideia de derrubar o presidente da Ucrânia Viktor Yanukovich, aliado da Rússia, era “vinculando-o à corrupção” a partir de um “aparato de Estado” formado por agentes policiais, membros do que seria o equivalente ao nosso Ministério Público e juízes. “Há um aperfeiçoamento desse sistema no Brasil”, afirmou o advogado.

Segundo ele, após o clima de grande polarização da eleição de 2014, decidida pela militância nas ruas, a presidenta Dilma cometeu um erro ao sair desse processo “e iniciar 2015 com ajuste fiscal”, quando a conjuntura já não era a mesma de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva iniciou seu governo após a Carta ao Povo Brasileiro.

Porém, para Gebrim, o golpe no Brasil foi precipitado por parte de seus executores. “Com essa precipitação, fomos ‘salvos’ por Eduardo Cunha, que abriu condições para denunciarmos o golpe. E devido a isso é que podemos até enfrentar uma derrota política, mas não será uma derrota moral.”

“Lacunas”

O advogado elencou quatro “lacunas” dos governos de Lula e Dilma que, segundo ele, facilitaram a execução do golpe contra Dilma: a falta de políticas que desenvolvessem a “capacidade de organização” das massas; a falta de reformas dos meios de comunicação e do sistema político; a utilização, por parte do petismo, do sistema de utilização de doações empresariais a campanhas; e ausência de políticas voltadas à classe média.

Para ilustrar as consequências da falta de políticas de conscientização, disse que, em 2015, uma pesquisa mostrou que 65% dos estudantes que entraram na universidade pelo ProUni eram contra o Bolsa Família.

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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/08/objetivo-do-golpe-sao-as-riquezas-do-brasil-e-inviabilizar-o-pais-como-nacao-4662.html

Estrella: o pré-sal é nosso

20.07.2016
Do portal BRASIL247
Por PAULO MOREIRA LEITE

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Líder da equipe que chegou às reservas do pre-sal, alvo de um projeto de abertura ao capital estrangeiro em discussão no Congresso, o geólogo Guilherme Estrella afirma que o fator político foi decisivo para uma descoberta com impacto relevante para o país e as novas gerações.” Lula rompeu com as políticas neoliberais que estavam em vigor e reconstruiu o lugar Petrobras em nosso desenvolvimento. A partir daí, estávamos a um passo do pré-sal,” diz ele, na primeira parte de uma entrevista exclusiva ao 247. Estrella também acusa o governo Fernando Henrique de “reduzir em 40% a presença da Petrobras na procura de novos campos de petróleo, limitando as pesquisas da empresa e favorecendo a entrada das multinacionais.”

BRASIL 247 – Como explicar a descoberta de pré-sal brasileiro?

GUILHERME ESTRELLA – Há fatores econômicos, pois envolve investimentos pesados. Também é preciso ter um bom conhecimento da área a ser explorada, com uma pesquisa geológica de qualidade. Mas o fator político foi decisivo.

247 – Por que?

GUILHERME ESTRELLA – No período que transcorreu entre a reforma neoliberal da Constituição de 1988, com a consequente quebra do monopólio e a instalação do regime de concessão internacional, havia uma política não escrita mas praticada pelos governos do PSDB. Consistia em reduzir em 40% a presença da Petrobras nos trabalhos de  engenharia e pesquisa. A razão disso era clara: pretendia-se estimular empresas estrangeiras a investir no Brasil. Estou convencido de que não era um comportamento casual, fruto de uma decisão de momento, mas uma decisão de caráter estratégico.

247 – E como se fazia isso?

GUILHERME ESTRELLA – Essa decisão impunha duas condicionantes a Petrobras. A primeira, era diminuir a participação da empresa nas licitações de blocos exploratórios promovidas pela Agencia Nacional do Petróleo, ANP. Disputando menos blocos, a empresa tinha áreas menores para pesquisar e explorar. A segunda consequência é que, na prática, essa situação obrigava a Petrobras a atuar apenas na bacia de Campos, então responsável por 80% da produção brasileira. Eram condicionantes gravíssimas para a empresa e para o Brasil.

247 – E por que?

GUILHERME ESTRELLA – Vamos lembrar o que acontecia em 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso. Naquele momento, os blocos exploratórios da Petrobras eram suficientes para companhia manter sua atividade apenas até 2008. Pensando aonde estaríamos, se essa visão fosse mantida sem mudanças, é difícil imaginar o destino da companhia. Com certeza, seria uma empresa menor e mais fragilidade. Só para dar uma ideia. Em 2002,  investimentos em pesquisa ficavam em US$ 110 milhões. Hoje, se encontram em US$ 1,1 bilhão. O lucro líquido foi de R$ 8,1 bilhões em 2002.  Em 2013, passava de US$ 23 bilhões. Nós tínhamos 11 bilhões  de barris em reservas. Hoje, são 16,5 bilhões. Se aquelas condicionantes fossem atendidas, e era natural que tivesse sido assim, vários blocos já sob domínio da Petrobras já teriam sido a ANP em agosto de 2003. 

247 – Qual era o outro efeito grave dessas condicionantes?

GUILHERME ESTRELLA – Um fato elementar do setor de E & P da nossa indústria , os campos de petróleo e ou gás natural perdem produção de modo acentuado após cinco anos. Em média, a perda pode chegar a 10% ao ano. Podemos imaginar o que isso iria significar para a Petrobras: uma situação, absolutamente fora de controle, da perda de sustentabilidade nos dez anos seguintes. Era um quadro de risco que estava começando em 2002.

247 – O que aconteceu então?

GUILHERME ESTRELLA – Logo depois da posse, o presidente Lula rompeu com a política neoliberal que estava em vigor, e que gerava uma relação perigosa de dependência externa. Numa decisão impecável, do ponto de estratégico, que foi ficando clara em inúmeros pronunciamentos, ele mudou a mensagem que vinha do governo. Mais uma vez de forma não escrita, dizia que a Petrobras iria reassumir  sua posição de principal condutora do setor petrolífero, voltando a participar de forma concreta na retomada do desenvolvimento industrial brasileira.

247 – Sabemos que essa postura foi muito bem recebida dentro da empresa. Por que?

GUILHERME ESTRELA – Não poderia ser de outra forma. Estávamos falando em investir fortemente nos blocos que, na situação anterior, deveriam ser devolvidos a ANP já em agosto. Foi assim que descobrimos os Santos os campos de Uruguá e Tambaú, de petróleo. Também encontramos o campo de gás de Mexilhão.

247 – Não era Mexilhinho?

GUILHERME ESTRELA – Nunca foi. Esse termo  depreciativo em relação a Petrobras e seus funcionários, foi uma fruto de uma crítica precipitada, de quem estava impaciente para condenar a nova orientação de qualquer maneira. Na verdade, era uma avaliação em cima  primeiros resultados da exploração, quando se colhe uma amostra parcial, incerta, que deve ser confirmada ou desmentida mais adiante. Estava totalmente errada. Com o tempo, revelou-se que Mexilhão  era, simplesmente, maior campo de gás natural já descoberto em território brasileiro.

247 – O efeito da nova postura do governo Lula foi imediato, então?

GUILHERME ESTRELLA – Sim. Com essas três descobertas foi possível confirmar a existência de um  “sistema petrolífero” na bacia de Santos. Até então, ela ficara relegada ao segundo plano nas prioridades exploratórias da Petrobras. Isso porque, sem investimentos em novas pesquisas, parecia conter,   numa área de extensão gigantesca, um único e pequeno campo de gás natural, descoberto pela Shell, ainda no período dos contratos de risco da década de 1970. Na bacia do Espírito Santo foi descoberto o Campo de Golfinho, de óleo leve (de menor custo de refino) e muito gás. Foram abertas, assim, perspectivas exploratórias muito interessantes naquela bacia sedimentar, logo acima de Campos. Até então, ela era considerada não atrativa para as atividades da empresa. Tanto assim que a decisão de fechar a unidade de E&P, em Vitória, já estava tomada.  

247 – Qual a importância dessa nova postura para a descoberta do pré-sal?

GUILHERME ESTRELLA – A partir desse momento, estávamos a um passo do pré-sal. Não vamos nos enganar. A base de qualquer avanço de envergadura   consiste em aproveitar oportunidades exploratórias criadas pela competência técnica e geocientífica de uma companhia. Por essa razão é correto dizer que tudo o que veio depois significou o coroamento das decisões estratégicas de 2003. Seguindo nesta direção, na licitação da ANP daquele ano a Petrobras foi bastante agressiva. Arrematou inúmeros blocos, dentro e fora da bacia de Campos, persistindo na tendência que permitiu recompor a forte posição exploratória da companhia a longo prazo.   

247 – Como as concorrentes estrangeiras reagiram a essa postura?

GUILHERME ESTRELLA – Um fato importante da licitação de 2003, que marcou uma virada estratégica, é que a área  corporativa da Petrobras havia costurado alianças  de participação com empresas estatais e também privadas estrangeiras. Mas, num ato conjunto, totalmente inesperado, elas simplesmente nos comunicaram, às vésperas da licitação, que não estavam mais interessadas nas alianças anteriores.

247 – O que isso queria dizer?

GUILHERME ESTRELLA – Em meu entendimento, foi uma clara reação contra o governo Lula. Elas demonstraram que as decisões já tomadas não atendiam seus interesses.  Diante disso, a reação da Petrobras foi a de aumentar a agressividade na licitação. Isso permitiu a recomposição de nossa carteira exploratória, agora 100% Petrobras, para os anos vindouros.

(Amanhã, na segunda parte da entrevista, Guilherme Estrella discute por que a Shell interrompeu perfurações no meio do caminho,  na área onde mais tarde a Petrobras encontrou o pré-sal. Também explica porque a pesquisa e exploração de petróleo “não são coisa para banqueiros”).

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/244912/Estrella-o-pr%C3%A9-sal-%C3%A9-nosso.htm

GOLPISTAS QUEREM ENTREGAR O PRÉ-SAL PARA OS GRINGOS:No Boston Globe, Rapoza anuncia a “venda do século”: Para as multinacionais, lei que exclui Petrobras do pré-sal “é mais sexy que uma festa de Carnaval”

07.06.2016
Do blog VI O MUNDO
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Da Redação

Por mero acaso, um articulista de nome Rapoza escreveu o texto. Uma coincidência significativa.

Rapoza trabalhou no Brasil para o Wall Street Journal/Dow Jones entre 2004 e 2010.

Rapoza agora trabalha para a Forbes.

Rapoza reproduz, portanto, o modo de pensar dos grandes executivos do petróleo norte-americanos, que salivam de olho no pré-sal.

Rapoza, no diário norte-americano Boston Globe, anuncia a venda do século.

É a venda do pré-sal a interesses estrangeiros.

Rapoza reproduz os mesmos argumentos entreguistas de José Serra, o corretor.

A Petrobras foi quebrada pelo PT. Pouco importa que os delatores mais importantes na Operação Lava Jato digam que o esquema de corrupção na estatal começou no governo Fernando Henrique Cardoso, quando o tucano Delcídio do Amaral ganhou uma diretoria na estatal.

Pouco importa que a crise da Petrobras tenha relação direta com a vertiginosa queda internacional do preço do petróleo.

Pouco importa que a Petrobras seja vítima.

Pouco importa que a estatal brasileira tenha desenvolvido, graças a injeção de dinheiro público, todas as tecnologias de exploração em água profundas que agora pode ceder aos gringos, como uma prestadora de serviços de luxo.

Pouco importa que ao Brasil não interesse necessariamente acelerar o ritmo da produção de petróleo, o que beneficia especialmente os grandes consumidores internacionais de petróleo, Estados Unidos e China, ao pressionar para baixo o preço do barril.

Rapoza identifica com clareza a oportunidade e não tergiversa: “For Big Oil, this law is sexier than a Carnaval party”.

Para Big Oil, as grandes petrolíferas internacionais, “esta lei é mais sexy que uma festa de Carnaval”.

Fica implícito que alguém vai se foder na jogada. Certamente não são a Chevron, a Exxon, a BP e outras.

Rapoza reproduz frase da entrevista do CEO da Shell em 2015: “No momento, esta [o pré-sal] é provavelmente a área mais excitante da indústria do petróleo. Já estamos no Brasil, estamos felizes… mas queremos mais”.

Rapoza prevê que Michel Temer e José Serra, o autor da lei que retira da Petrobras a participação de 30% em todos os campos do pré-sal, serão capazes de cumprir o compromisso de ampliar a participação de estrangeiros na maior descoberta petrolífera das últimas décadas.

Ele vibra pelo fato de que a Petrobras poderá inclusive vender a participação que já detém em poços de águas profundas.

É o sonho de qualquer comprador. Um campo de petróleo sem qualquer risco: basta abrir a torneira e faturar com a riqueza alheia.

“O petróleo pertence ao Brasil”. Segundo Rapoza, é o que dirão alguns. Ele discorda: “A Petrobras já exporta petróleo. E o governo brasileiro lucra com as exportações”.

Rapoza, obviamente, não entra nos pormenores: se o governo brasileiro poderia lucrar mais ou menos dependendo do ritmo de produção que ditasse no pré-sal.

Ele também não menciona que o golpe pretende eliminar a obrigatoriedade de conteúdo nacional.

Isso é absolutamente necessário para acelerar a produção a custos mais baixos, que é o que buscam as Sete Irmãs: o compromisso delas é zero com o Brasil e 100% com os acionistas privados.

O pré-sal, assim, vai repetir o minério de ferro de Carajás: ritmo de exploração ditado de fora, um crime de lesa Pátria segundo o jornalista Lúcio Flávio Pinto.

Graças à lei Kandir, de Fernando Henrique Cardoso, o imposto sobre exportação de produtos não industrializados é zero.

No caso do minério de ferro, o Pará fica com alguns empregos gerados localmente, com o giro do comércio local e com os buracos da destruição ambiental. O grosso do lucro é internacional.

Feito aconteceu com o manganês da serra do Navio.

Para completar a ironia, tivemos no mesmo dia a versão do Raposa em O Globo: o diário brasileiro publicou de forma entusiasmada que a Petrobras corre o risco de perder uma ação de U$ 10 bilhões para investidores dos Estados Unidos, por conta da Operação Lava Jato.

Nem Rapoza, nem os irmãos Marinho, destacam que a estatal brasileira foi vítima de um esquema de corrupção, que começou no governo FHC e terminou agora.

As perdas dos acionistas da Petrobras são quase que exclusivamente atribuídas à corrupção, não à vertiginosa queda do preço internacional do petróleo.

Rapoza e O Globo parecem sintonizados na mesma missão: convencer os brasileiros de que o pré-sal é um fardo tão pesado que seria melhor se livrar dele entregando às multinacionais.

O objetivo de fundo do golpe sempre foi este: conquistar o pré-sal.

Rapoza e O Globo cantam vitória de forma entusiasmada.

Leia também:

Condenados na Argentina integrantes da Operação Condor; no Brasil, retrocesso

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/no-boston-globe-rapoza-anuncia-a-venda-do-seculo-para-o-big-oil-lei-que-exclui-petrobras-do-pre-sal-e-mais-sexy-que-uma-festa-de-carnaval.html