JOESLEY: TEMER É O CHEFE DA MAIOR E MAIS PERIGOSA QUADRILHA DO BRASIL

18.06.2017
Do portal BRASIL247
O Brasil é hoje presidido por seu maior e mais perigoso criminoso, chamado Michel Temer; quem afirma, em entrevista concedida à revista Época, é o empresário Joesley Batista, do grupo J&F; “O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida”, afirma
247 – O empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F, que controla a JBS, decidiu quebrar o silêncio e afirmou que o Brasil é hoje presidido por seu maior e mais perigoso criminoso. Sim, ele mesmo, Michel Temer.
“O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida”, disse Joesley, em entrevista à revista Época.
Na entrevista, Joesley falou sobre sua relação com Temer, sempre baseada na troca de favores. “Nunca foi uma relação de amizade. Sempre foi uma relação institucional, de um empresário que precisava resolver problemas e via nele a condição de resolver problemas. Acho que ele me via como um empresário que poderia financiar as campanhas dele – e fazer esquemas que renderiam propina. Toda a vida tive total acesso a ele. Ele por vezes me ligava para conversar, me chamava, e eu ia lá.”
Ele menciona o caso em que Temer o pediu para ajudar a financiar a guerrilha na internet, para ajudar a golpear a presidente legítima Dilma Rousseff, a quem devia lealdade institucional, e financiar o golpe de 2016. “Sempre estava ligado a alguma coisa ou a algum favor. Raras vezes não. Uma delas foi quando ele pediu os R$ 300 mil para fazer campanha na internet antes do impeachment, preocupado com a imagem dele. Fazia pequenos pedidos. Quando o Wagner saiu, Temer pediu um dinheiro para ele se manter. Também pediu para um tal de Milton Ortolon, que está lá na nossa colaboração. Um sujeito que é ligado a ele. Pediu para fazermos um mensalinho. Fizemos. Volta e meia fazia pedidos assim. Uma vez ele me chamou para apresentar o Yunes. Disse que o Yunes era amigo dele e para ver se dava para ajudar o Yunes”, afirma.
Segundo Joesley, Temer acredita que os empresários lhe devem favores em razão do cargo que ocupa. “Há políticos que acreditam que pelo simples fato do cargo que ele está ocupando já o habilita a você ficar devendo favores a ele. Já o habilita a pedir algo a você de maneira que seja quase uma obrigação você fazer. Temer é assim”, diz ele.
“Temer é o chefe de Cunha”
O empresário afirma ainda que Eduardo Cunha, o ex-presidente da Câmara que aceitou o impeachment fraudulento e hoje está condenado a mais de 15 anos de prisão, é subordinado a Temer. “A pessoa a qual o Eduardo se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer. Sempre falando em nome do Temer. Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia. Funcionava assim: primeiro vinha o Lúcio [o operador Lúcio Funaro]. O que ele não conseguia resolver pedia para o Eduardo. Se o Eduardo não conseguia resolver, envolvia o Michel”, afirma.
“Em grande parte do período que convivemos, meu acerto era direto com o Lúcio. Eu não sei como era o acerto do Lúcio do Eduardo, tampouco do Eduardo com o Michel. Eu não sei como era a distribuição entre eles. Eu evitava falar de dinheiro de um com o outro. Não sabia como era o acerto entre eles. Depois, comecei a tratar uns negócios direto com o Eduardo. Em 2015, quando ele assumiu a presidência da Câmara. Não sei também quanto desses acertos iam para o Michel. E com o Michel mesmo eu também tratei várias doações. Quando eu ia falar de esquema mais estrutural com Michel, ele sempre pedia para falar com o Eduardo.”
Joesley relembra que a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara institucionalizou o achaque. “O mais relevante foi quando Eduardo tomou a Câmara. Aí virou CPI para cá, achaque para lá. Tinha de tudo. Eduardo sempre deixava claro que o fortalecimento dele era o fortalecimento do grupo da Câmara e do próprio Michel. Aquele grupo tem o estilo de entrar na sua vida sem ser convidado”, afirma. Ele enfatizou ainda que a turma que governo o Brasil pós-golpe “é a maior e mais perigosa organização criminosa deste país, liderada pelo presidente.
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Fantástico: Globo parte pra cima de Temer e renúncia vira possibilidade

12.12.2016
Do portal da Revista Fórum, 11.12.16

temer e cunha juntos

Temer já estaria considerando a possibilidade de renunciar antes do dia 31/12 para não sair escorraçado do governo, é o que teria dito um de seus aliados a um deputado de oposição.

O que o faz tentar se agarrar ao cargo de qualquer forma é a manutenção do foro privilegiado. Não só dele, mas de muitos de seus atuais ministros.

Eles sabem que abrir mão disso agora pode levá-los a ter de forma rápida o futuro de Sérgio Cabral.

Mas o atual presidente já teria, segundo esta fonte, sentido o cheiro do golpe dentro do golpe que estaria sendo articulado pelas Organizações Globo.

O Fantástico desta noite foi mais um exemplo de como a emissora já abandonou o governo. Além de fazer um resumo da delação da Odebrecht vazada durante a semana, o semanário global também deu com destaque o resultado do Datafolha, onde a avaliação do presidente despencou para apenas 10% de ótimo e bom. E o índice de ruim e péssimo passou a ser de 51%.

Mais do que dar esses números, o apresentador fez questão de destacar que a pesquisa foi realizada antes do vazamento da delação da Odebrecht. Ou seja, deixando claro que os números atuais podem ser ainda piores.

Um dos fatores que teria levado Temer a ir jantar com Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e alguns líderes partidários hoje à noite teria sido exatamente este, avaliar o estrago do cavalo de pau no noticiário global.

Ele queria saber quais os riscos de partidos aliados abandonarem o governo por conta disso.

Não é a delação da Odebrecht que mais preocupa Temer. Mas a forma como a Globo está se aproveitando disso para rifá-lo.

O presidente já estaria avaliando mandar o seguinte recado à emissora. De que não servirá de bucha de canhão para que o Congresso eleja alguém ao gosto da família Marinho no ano que vem.

Os próximos dias prometem muitas emoções.

PSO Fantástico em sua seleção citou os políticos do PMDB, dois do PT, e omitiu que o Mineirinho (apelido de Aécio Neves (PSDB), na lista da Odebrecht) é apontado como destinatário de R$ 15 milhões entre 7 de outubro e 23 de dezembro de 2014. E ainda que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), – o Santo – teria recebido na campanha de 2010 R$ 2 milhões por meio de seu cunhado Adhemar Ribeiro, irmão da primeira-dama Lu Alckmin, segundo delações de executivos da empresa. Certamente isso não foi à toa.

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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/12/11/globo-parte-pra-cima-de-temer-no-fantastico-e-renuncia-vira-possibilidade/

GOLPISTAS SEM MORAL:A OPERAÇÃO ESTANCA SANGRIA DO GOVERNO MICHEL TEMER

16.11.2016
Do portal THE INTERCEPT, 13.11.16
Por João Filho

EM MARÇO DESTE ANO, às vésperas do desfecho do impeachment de Dilma Rousseff, um dos procuradores da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, se mostrou preocupado com a possibilidade de interferência do governo Michel Temer na força-tarefa. O procurador da República chegou a elogiar os governos Lula e Dilma – cujos integrantes são os principais alvos da operação – por não tentarem controlar as investigações, e ainda mandou um recado para o governo não-eleito que tomaria o poder:

“Aqui temos um ponto positivo que os governos investigados do PT têm a seu favor. Boa parte da independência atual do Ministério Público, da capacidade técnica da Polícia Federal decorre de uma não intervenção do poder político, fato que tem que ser reconhecido. Os governos anteriores realmente mantinham o controle das instituições, mas esperamos que isso esteja superado.”

Os governos citados pelo procurador eram compostos pelo mesmo grupo político que acabou de assumir o poder. Era a época de Geraldo Brindeiro, que ficou conhecido como Engavetador Geral da República. Dos 626 inquéritos criminais que recebeu, o Brindeiro engavetou 242 e arquivou outros 217. Por isso, diante desse modus operandi, não era de se estranhar a preocupação de Carlos Lima, que mandou um recado claro quando perguntado sobre a possibilidade de Temer e sua turma assumirem o governo:

“Em um país com instituições sólidas, a troca de governo não significa absolutamente nada. Quero crer que nenhum governo no Brasil signifique alterações de rumo no Ministério Público, no Judiciário, na Polícia Federal. Deveria ser assim. Queremos simplesmente que as instituições continuem livres para continuar a fazer o que a lei exige delas”

Pois é. Apesar do mantra “as instituições estão funcionando normalmente” ser repetido exaustivamente pelo governo e por jornalistas, a realidade tem mostrado que o temor do procurador era pertinente. Na última terça-feira, o líder do governo, deputado André Moura (PSC), protocolou um pedido de urgência para a tramitação do PL 3636/2015 a chamada Lei de Leniência –, do qual também é relator.

É, meus amigos, agora temos o PL do Apocalipse para fazer companhia para a PEC 241.

Esse projeto de lei simplesmente muda as regras para delação premiada das empresas envolvidas em corrupção, permitindo que o governo acerte acordos de leniência com elas sem envolver o Ministério do Público e sem a fiscalização do TCU. Caso esses acordos sejam acertados, as empresas não poderão mais ser processadas judicialmente. É, meus amigos, agora temos o PL do Apocalipse para fazer companhia para a PEC 241.

E eles estão realmente com pressa. André Moura (PSC), por orientação do Planalto, passou o dia correndo atrás da assinaturas de deputados para aprovar com prioridade o projeto. E conseguiu. O pedido de urgência foi assinado por líderes dos principais partidos da base governista, entre eles PMDB, PSDB, PP, PSB, PSC e PTB. O currículo do líder do governo talvez ajude a entender o motivo de tanta pressa. Aliado muito próximo de Eduardo Cunha, o deputado é um dos alvos da Lava Jato, responde a uma série de inquéritos na Justiça, é réu em três ações no STF,  já foi condenado por improbidade administrativa em segunda instância e é acusado de tentativa de assassinato. Este é o homem que Michel Temer escolheu para liderar seu governo na Câmara.

cunha

Cunha passa instruções para seu fiel escudeiro, André Moura (PSC) – que hoje é líder do governo Michel Temer na Câmara (Alex Ferreira/Câmara dos Deputados)

No fim do mês passado, o mesmo procurador que havia mandado um recado para o governo em março, questionou:

“O presidente da Câmara (Rodrigo Maia) está falando em colocar em votação a nova Lei de Leniência. E não houve discussão a respeito dela. Será que não querem brecar grandes leniências que estão prestes a acontecer no Brasil e que vão entregar, possivelmente, muitos fatos envolvendo o status quo político?”

A resposta é óbvia e podemos encontrá-la nas conversas vazadas entre Romero Jucá (PMDB) e Sérgio Machado (Transpetro), em que o deputado ressalta a importância do impeachment para abrir espaço para um grande acordo nacional e estancar a sangria da Lava Jato. Vamos reviver alguns trechos que ajudam a entender a atual movimentação do governo para driblar a operação:

Jucá – Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo para poder estancar essa sangria.

MachadoTem que ser uma coisa política e rápida. Eu acho que ele está querendo… o PMDB. Prende, e bota lá embaixo. Imaginou?

Machado – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel.

Jucá – Só o Renan que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

MachadoÉ um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

Jucá – Com o Supremo, com tudo.

Machado – Com tudo, aí parava tudo.

Jucá – É. Delimitava onde está, pronto.

Machado é filiado ao PMDB e foi ex-senador pelo PSDB, portanto sabia muito bem sobre o que estava falando. Jucá, então, nem se fala. Chega a impressionar como o roteiro revelado em março está se cumprindo nos mais mínimos detalhes. Impossibilitados de controlar diretamente a Lava Jato, a turma capitaneada por Michel Temer claramente busca uma solução política para delimitar a operação e estancar a sangria. A pressa do governo em acelerar o projeto se justifica quando percebemos que as empreiteiras estão caguetando governistas importantes comoJosé Serra (PSDB) e Paulo Skaf (PMDB). Essa semana também ficou comprovado que Michel Temer recebeu em sua conta eleitoral R$ 1 millhão não declarado do presidente Andrade Gutierrez.

Brazilian President Michel Temer (R) and Lower House President Rodrigo Maia (L) attend a ceremony to promote new economy laws at Plantalto palace on October 27, 2016.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /> Temer, who took over after the impeachment of Dilma Rousseff in August, urged an oil and gas conference in Rio de Janeiro to join what he said was an economy on the mend. / AFP / ANDRESSA ANHOLETE        (Photo credit should read ANDRESSA ANHOLETE/AFP/Getty Images)

Não há mais dúvidas de que o Poder Executivo está trabalhando com afinco para driblar a Lava Jato. Além da nova Lei da Leniência, a Operação Estanca Sangria do governo está empenhada em outras frentes na Câmara para delimitar as investigações, como o projeto que anistia o caixa 2, defendido abertamente pelo ministro Geddel. O grupo político que articulou o impeachment e tomou o poder tenta agora jogar areia nos olhos das investigações indiretamente, através desse tipo de traquinagem na Câmara.

Procuradores da Lava Jato chegaram a convocar entrevista coletiva para criticar essas ações do governo. O procurador Carlos Fernando, o mesmo que se mostrava preocupado com o novo governo pós-impeachment, declarou que o projeto“libera totalmente as pessoas de qualquer responsabilidade criminal” e“prejudica tanto que não teríamos mais uma Operação Lava Jato”.

Apesar das tramóias previstas no script estarem sendo cumpridas à risca, os agentes governistas da Operação Estanca Sangria ainda estão longe de um final feliz. Sem a mesma habilidade política da salamandra escorregadia que ocupava o seu cargo, Rodrigo Maia – que havia dito que a urgência seria votada na quarta-feira no plenário – mudou o rumo da conversa após as críticas ao governo. Ambos os projetos foram engavetados provisoriamente, mas, conhecendo a turma, novas investidas virão. Há um roteiro a se cumprir.

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Fonte:https://theintercept.com/2016/11/13/a-operacao-estanca-sangria-do-governo-michel-temer/

JUSTIÇA PARTIDÁRIA E SELETIVA:Emanuel Cancella: Prender Cunha é ‘chutar cachorro morto’, quero ver a Lava Jato prender um tucano

20.10.2016
Do blog VI  O MUNDO

cunha e tucanos

Prender Eduardo Cunha é ‘chutar cachorro morto’, quero ver a Lava Jato prender um tucano

por Emanuel Cancella, em seu blog

Antes de citar os tucanos gostaria de falar dos ministros do governo Lula e Dilma, presos pela operação Lava Jato.

Antonio Palocci e Paulo Bernardo foram presos às vésperas da eleição municipal, numa clara jogada eleitoral. E José Dirceu, ministro da Casa Civil do governo Lula está preso há anos com base no seguinte parecer jurídico : “Não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite” (1).

Em contrapartida, no governo golpista de Michel Temer, dos 24 ministros, 15 são investigados ou citados na Lava Jato. Nenhum deles preso !(2).

A nossa justiça é a mais cara do mundo e também a mais corrupta e parcial. Os tucanos, com uma folha corrida de fazer inveja a qualquer organização criminosa do país, quiçá do mundo, não possui um membro sequer atrás das grades.

A contribuição dos tucanos ao mundo do crime vai da compra de votos da reeleição de FHC (8), ao escândalo das compras das ambulâncias envolvendo o tucano José Serra (5).

Seguindo com o propinoduto do metrô de São Paulo, que envolve os governos tucanos de São Paulo, de Mario Covas a Geraldo Alckmin (6); o escândalo do banco Marka e FonteCidam, no governo de FHC, que, em 1999, deu um rombo aos cofres públicos de mais de R$ 1 BI (7).

Na lista de Furnas, entre os nomes estão o do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e dos políticos José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Delcídio Amaral, Roberto Jefferson, Jair Bolsonaro, Maria Gross Schloss ,dentre muitos outros — com aproximadamente 150 envolvidos (3).

Há ainda o desvio da merenda de São Paulo envolvendo o governo de Geraldo Alckmim (4).

A operação Lava Jato teria surgido como uma esperança de justiça, mas logo é desmoralizada.

Primeiro porque levou meses para prender o deputado Eduardo Cunha. Foi preciso o povo, no aeroporto Santos Dumont, gritar “pega- ladrão” para ele ser preso.

Mas é no trato com os tucanos que a Lava Jato mais se desacredita:

– Apesar das inúmeras delações, a Lava Jato não investiga o governo de FHC na Petrobrás, nem com FHC reconhecendo em seu próprio livro, Diários da Presidência, que em seu governo havia corrupção na empresa.

– Perseguem o filho de Lula, sem provas, mas fazem vista grossa com o filho de FHC, citado em falcatrua na Petrobrás, pelo ex-diretor da Petrobrás, preso, Nestor Cerveró, (9).

– Senadores tucanos, citados em delação, continuam em liberdade como Antonio Anastasia, Aloysio Nunes e Aécio Neves, este mais de cinco vezes delatado.

Não é só na Lava Jato que a Justiça protege os tucanos, pois os crimes do mensalão e o do banco Marka e FonteCidam prescreveram sem julgamento. E os outros crimes vão pelo mesmo caminho. O fato é que, apesar do envolvimento dos tucanos em varias maracutaias, nenhum deles foi preso.

Essa é a nossa Justiça: contra o PT e Lula, sem provas, mas com convicção e, na defesa dos tucanos, mesmo com provas, a prescrição.

1 – http://cartamaior.com.br/?/Coluna/O-ultimo-julgamento-de-excecao-e-o-fim-de-uma-farsa/29577
2 – https://www.brasil247.com/pt/247/poder/260736/Dos-24-ministros-de-Temer-15-s%C3%A3o-investigados-ou-citados-na-Lava-Jato.htm
3 – https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_Furnas
4 – https://brasilcorrupto.wordpress.com/r40-milhoes-desviados-da-merenda-escolar-em-sao-paulo/
5 – https://limpinhoecheiroso.com/2012/10/15/recordar-e-viver-ministro-serra-a-operacao-sanguessuga-e-o-escandalo-das-ambulancias/
6 – http://www.viomundo.com.br/denuncias/istoe-assalto-tucano-em-sao-paulo-foi-de-r-425-milhoes.html
7 – http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/10/caso-marka-fontecidam-e-encerrado-apos-prescricao-sem-condenacoes.html
8 – http://www.revistaforum.com.br/2014/10/20/provas-da-compra-votos-pela-reeleicao-de-fhc-eram-cabais-conta-jornalista/
9 – http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/06/1778954-em-video-cervero-diz-que-filho-de-fhc-serviu-como-pressao-por-contrato.shtml

Rio de Janeiro, 20 de outubro de 2016

Emanuel Cancella é da coordenação do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP)

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/emanuel-cancella-prender-eduardo-cunha-agora-e-chutar-cachorro-morto-quero-ver-a-lava-jato-prender-um-tucano.html

Prisão de Cunha é movimento calculado da Lava Jato para prender Lula

19.10.2016
Do blog O CAFEZINHO
Por Miguel do Rosário

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Arpeggio – Coluna diária de política – edição extraordinária

Por Miguel do Rosário

Nem coloquei ponto de interrogação no título porque é óbvio.

A Lava Jato não é uma investigação. É uma narrativa. Sempre foi uma narrativa. Todos os seus movimentos são calculados de acordo com seu impacto na opinião pública.

Nas últimas semanas, avolumavam-se as críticas contra a operação, em virtude de vários fatores. Os principais e mais recentes foram o “power point” do Dallagnol e colegas, que revelou ao mundo que a Lava Jato acusava Lula sem nenhuma prova; e a prisão de Mantega e Palocci, desnecessárias e arbitrárias, realizadas dias antes do primeiro turno das eleições municipais, para afetar o desempenho do PT.

Sempre que há críticas a Lava Jato, ela produz um novo factoide para recuperar seu prestígio na opinião pública. Nos dias seguintes à tomada de poder pelos golpistas, surgiram os famigerados áudios de Sergio Machado, atacando membros importantes da cúpula do governo. Aquilo serviu para Lava Jato sobreviver ao impeachment, desvinculando-se do grupo político que dera o golpe. Não fossem aqueles áudios, a associação automática entre a operação e o impeachment, que já era óbvia, poderia se tornar um problema grave de imagem para a operação.

E agora nos aproximamos do segundo turno. A Lava Jato precisa oferecer uma nova série de espetáculos que possam prejudicar o PT.

Antes disso, porém, ela precisava resolver o seu problema de imagem, maculado pelas críticas a ela feitas em veículos de grande porte, como a Folha.

Na Folha de São Paulo, o físico Rogério Cerqueira Leite publicou um artigo duríssimo contra Moro, que respondeu no dia seguinte com uma carta autoritária, dizendo que Folha “não devia” publicar artigos “panfletários”. Ou seja, fazer despachos judiciais panfletários e prender pessoas com base neles, isso pode; dar sua opinião em jornal, isso não pode.

Cerqueira Leite fez uma tréplica matadora.

A resposta de Moro foi previsível: mandou prender Eduardo Cunha, um pato manco sem condição nenhuma de se defender desde que a justiça suíça enviou ao Brasil e divulgou ao mundo as milionárias contas na Suíça do deputado.

Não é sítio de amigo em Atibaia, não é pedalinho, não é apartamento que ele nunca usou. São centenas de milhões de dolares movimentados ilegalmente em contas no exterior. Tudo com a assinatura do deputado e de sua mulher. Não é preciso nenhuma convicção: as provas são cabais.

Sergio Moro e a Lava Jato tinham essa carta na manga, a prisão de Cunha, desde muito tempo.

Se a Lava Jato fosse séria, a prisão do deputado tinha de ser feita antes do golpe. Agora não adianta nada.

Um troll comentou na fanpage: ah, quero ver vocês defenderem Cunha.

Ora, o que eu defendo são as garantias constitucionais contra o arbítrio. Neste sentido, estou com o deputado federal Jean Wyllys: que Cunha seja sim respeitado em seus direitos fundamentais, mas que sua prisão não seja apenas uma jogada política para justificar futuros arbítrios.

Na minha opinião pessoal, acho a prisão de Cunha mais um espetáculo. Moro poderia simplesmente bloquear suas contas, apreender seu passaporte e convidá-lo para prestar depoimentos. Prender Cunha alegando risco de destruição de provas é ridículo a esta altura do campeonato. A única justificativa plausível para prender Cunha é que ele é homem forte do governo Temer, então a prisão impede que ele exerça seu poder de influência no Executivo e no Legislativo para criar obstáculos à investigação.

Esses “futuros arbítrios” mencionados por Wyllys, sabemos muito bem quais são: prender mais petistas nas próximas semanas; em especial, Lula, de preferência na véspera do segundo turno das eleições municipais.

Uma nova etapa da Lava Jato, lançada há poucos dias, prepara uma outra prisão de Delúbio Soares. Como já estão faltando petistas graúdos para prender, a Lava Jato vem fazendo uma espécie de promoção carcerária: prendendo petistas que já foram presos.

Mas talvez os meganhas de Curitiba nem precisem prender Lula. Podem simplesmente dar curso a um processo judicial sem provas, com força de convicção suficiente para condená-lo em primeira e segunda instâncias e, com isso, tirá-lo do menu político de 2018. Antes disso, precisavam elevar a moral da Lava Jato junto à opinião pública, que se alimenta de prisões, factoides e espetáculos.

O Power Point de Dallagnol serviu ao propósito de reduzir a influência de Lula sobre as eleições de 2016. Todos os candidatos que associaram a sua imagem ao ex-presidente, perderam muitos votos. Os setores mais liberais e progressistas da sociedade ficaram horrorizados com aquela apresentação, mas as pessoas simples do povo não tiveram acesso ao sarcasmo dos intelectuais e da imprensa estrangeira. O que eles viram foi o que passou no Jornal Nacional: que Lula é o comandante máximo da corrupção.

Os comentaristas da Globonews nem disfarçaram. A prisão de Cunha foi imediatamente festejada como uma derrota dos argumentos da defesa de Lula, de que a Lava Jato é parcial.

A Lava Jato é uma operação que se desdobra em duas dimensões: na realidade e na mídia.

Hoje, a CNT/MDA divulgou pesquisa de opinião pública.

Há um trecho perigosíssimo para Lula, e que comprova como a Lava Jato, em sua cumplicidade com a mídia, tornou-se uma operação que julga e condena a pessoa muito antes do processo seguir os devidos trâmites legais:

Lava Jato: 89,9% têm acompanhado ou ouviram falar das investigações no âmbito da operação Lava Jato, que envolvem a Petrobras. Nesse grupo, 63,3% consideram que a ex-presidente Dilma Rousseff é culpada pela corrupção que está sendo investigada e 72,7% acham que o ex-presidente Lula é culpado.

Cunha era há tempos carta fora do baralho. Na verdade, antes mesmo do processo de impeachment seguir adiante, vários porta-vozes do golpe na grande mídia, defendiam seu afastamento, para que o impeachment não fosse manchado por sua liderança. Não foi possível porque o próprio Cunha se movimentou rapidamente para liderar o impeachment e, com isso, blindar-se. O impeachment permitiu a Cunha ganhar tempo.

Sua prisão tardia, como vários analistas já concluíram, era um movimento previsível no xadrez do golpe.

As expectativas agora giram em torno de provável delação premiada de Eduardo Cunha. Ora, essa delação é certa, porque Sergio Moro já deixou bem claro que ou delata ou apodrece na cadeia. A delação talvez já tenha sido previamente acertada com a Lava Jato, de um lado, e com os golpistas no governo de outro. Dificilmente serão delações para “derrubar” o governo, embora o núcleo mesmo do golpismo, que são as próprias castas jurídicas, a elite financeira e a mídia, não se preocupem tanto assim com o governo, desde que o Estado continue pagando salários de marajá aos primeiros, juros de mãe aos segundos e oferecendo gordos contratos de publicidade federal aos terceiros.

A degradação institucional no país chegou a tal ponto que é possível que delação de Eduardo Cunha, homem forte da direita há muitos anos, tenha como alvo o… PT. Ou então figuras menores do PMDB, sacrificadas na bacia das almas em nome do bem maior, que é consolidar o golpe e levar adiante o grande feirão do patrimônio nacional, que o governo Temer já anunciou, nas roadshows que vem fazendo mundo a fora, para 2017. Este sim será um inesquecível trem de alegria para a elite entreguista. As privatizações serão financiadas com dinheiro público nosso, como foram as da era tucana, e os operadores no Brasil, que são os tucanos, ganharão comissões bilionárias. Com essas privatizações, além da entrega do pré-sal, o dinheiro para financiar a campanha eleitoral de 2018, e eleger um tucano linha dura, provavelmente Geraldo Alckmin, o “santo”, está garantido!

Entretanto, Sergio Moro terá que ser muito criativo para prender Lula sob a acusação de “comandante máximo” da corrupção, e ao mesmo tempo manter Cunha atrás das grades. Que espécie de “comandante máximo” é Lula que, além das ridículas propinas recebidas (ter direito a frequentar um sítio em Atibaia, pedalinhos…), controlava (?) um esquema operado por Eduardo Cunha, que trabalhou para derrubar um governo que, segundo os procuradores, era gerido secretamente pelo homem no centro do Power Point?

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/10/19/prisao-de-cunha-e-movimento-calculado-da-lava-jato-aprofundar-estado-de-excecao/

Xadrez do fator Eduardo Cunha

19.10.2016
Do portal JORNAL GGN
Por 

A graça de um cenário é quando consegue identificar fatos pouco conhecidos, montar ilações pouco percebidas, tirar conclusões inesperadas.

Não é o caso da prisão do ex-deputado Eduardo Cunha, respeitosamente detido pela Polícia Federal, com autorização do juiz Sérgio Moro, e com a recomendação de não fazerem espetáculo.

As conclusões unânimes são as seguintes:

1.     Eduardo Cunha era pato manco desde o ano passado. Era um caso de prisão óbvia.

2.     Nunca pertenceu ao establishment político e midiático, como Aécio Neves e José Serra. Portanto, seria mínima a linha de resistência à prisão.

3.     O grupo da Lava Jato, juiz Sérgio Moro à frente, conta que, com a prisão, se consiga demonstrar um mínimo de imparcialidade, ampliando a força para uma futura prisão de Lula.

Essas são as conclusões óbvias. Os desdobramentos, são mais imprevisíveis.

Ninguém minimamente informado tem a menor dúvida sobre a parcialidade da Lava Jato e sobre as estratégias políticas por trás de cada operação. Nas vésperas das eleições municipais, foram mais três operações com estardalhaço sobre alvos petistas.

Agora, uma operação discreta sobre um não-petista.

Há os objetivos óbvios da Lava Jato e os desdobramentos ainda obscuros.

Peça 1 – Prisão e/ou inabilitação de Lula para 2018.

Dias atrás, a Vox Populi soltou uma pesquisa sobre eleições presidenciais. Em todas elas, dava vitória de Lula no primeiro turno. Nenhum veículo de imprensa repercutiu.

Ontem, foi a vez da CNT-IBOPE divulgar outra pesquisa com resultados semelhantes.

Mais ainda. No segundo turno, o único em condições de enfrentar Lula seria Aécio Neves (devido ao recall das últimas eleições) e mesmo assim haveria empate técnico.

Com todos os demais candidatos, haveria vitória de Lula.

Um dado da pesquisa Vox Populi foi pouco notado. Na relação dos brasileiros mais admirados, o primeiro é Sérgio Moro, com 50%. O segundo, Lula, com 33%. O terceiro, Dilma com 23%. Os demais vêm mais abaixo.

Hipoteticamente, a única pessoa capaz de peitar Lula seria Sérgio Moro. E em seu terreno, o Judiciário e no terreno comum da opinião pública.

Peça 2 – Os tucanos blindados

Para analisar os desdobramentos da eventual delação de Eduardo Cunha, o primeiro passo é identificar os que NÃO serão atingidos.

Obviamente, serão as lideranças tucanas, devidamente blindadas pela Lava Jato e pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Aécio Neves

Os jornais soltam fogos de artifício para demonstrar isenção. Foi o caso da denúncia de que Aécio Neves viajou para os Estados Unidos com recursos do fundo partidário, um pecadilho.

A dúvida que ninguém respondeu até agora: porque Dimas Toledo, o caixa político de Furnas, jamais foi incomodado pela Lava Jato ou pela Procuradoria Geral da República (PGR)?

Dimas é a chave de todo esquema de corrupção de Furnas.

Há o caso do helicóptero com 500 quilos de cocaína, que jamais mereceu uma iniciativa sequer do Ministério Público Federal.

Em 2013, o MPF aliou-se à Globo para derrubar a PEC 37, que pretendia restringir seu poder de investigação. A alegação é que o MPF não poderia ficar a reboque da Polícia Federal, quando percebesse pouco empenho nas investigações.

A PF abafou o caso do helicóptero. E o MPF esqueceu.

José Serra

A recente decisão da Justiça, de anular a condenação dos réus do chamado “buraco do Metrô”, escondeu um escândalo ainda maior. Os réus eram funcionários menores das três empreiteiras envolvidas – Odebrecht, Camargo Correia e OAS.

Fontes que acompanharam as investigações, na época, contam que a intenção inicial do Ministério Público Estadual era indiciar os presidentes das companhias. Houve uma árdua negociação política, conduzida por instâncias superiores do Estado, que acabou permitindo que as empreiteiras indicassem funcionários de escalão inferior. O custo da operação teria sido de R$ 15 milhões, divididos irmãmente entre as três empreiteiras.

O governador da época era José Serra.

Na Operação Castelo de Areia (que envolveu a Camargo Correia, e que foi anulada graças a um trabalho político do advogado Márcio Thomas Bastos) havia indícios veementes do pagamento de R$ 5 milhões pela empreiteira. Agora, a delação da Odebrecht menciona quantia similar. Interromperam a delação do presidente da OAS, mas não seria difícil que revelasse os detalhes.

São bolas quicando na área do PSDB e que dificilmente serão aproveitadas pela Lava Jato ou pelo PGR.

Peça 3 – os desdobramentos da delação de Cunha

Desdobramento 1 – Temer

Eduardo Cunha é obcecado, mas não rasga dinheiro. Tem noção clara de seus limites. Sabe que uma delação só aliviará suas penas se aceitas pela Lava Jato ou pelo PGR.

Como existe o privilégio de foro para políticos com mandato ou cargos, o árbitro para as delações envolvendo o andar de cima é o PGR Rodrigo Janot.

Portanto, todos os desdobramentos da prisão de Cunha se darão nas relações entre PSDB-mídia-Judiciário e a camarilha dos 6 (Temer, Cunha, Jucá, Geddel, Padilha, Moreira Franco) que assumiu o controle do país.

Poderá haver acertos de conta pessoais de Cunha com um Moreira Franco, por exemplo, que poderá ser defenestrado sem danos maiores ao grupo de Temer.

Mas qualquer ofensiva mais drástica sobre o grupo teria que ser amarrada, antes, com a mídia (especialmente Globo), com o PSDB e sentir os ventos do STF (Supremo Tribunal Federal).

Temer tem se revelado um presidente abaixo da crítica. Mas ainda é funcional, especialmente se entregar a PEC 241. A cada dia, no entanto, amplia seu nível de desgaste. Em um ponto qualquer do futuro se tornará disfuncional. E aí a arma Eduardo Cunha poderá ser sacada pelo PGR.

Desdobramento 2 – Lava Jato

A Lava Jato vive seus últimos momentos de glória. Seu reinado termina no exato momento em que pegar Lula. Justamente por isso, é possível que queira tirar alguns fogos de artifício da gaveta para o pós-Lula.

À medida em que se esgote, os tribunais superiores passarão a rever suas ilegalidades, a fim de poupar os políticos até agora não atingidos por ela.

Mas ainda é uma caixa de Pandora.

Desdobramento 3 – as novas lideranças

A prioridade total é a inabilitação e/ou prisão de Lula.

Só depois disso é que haverá o novo realinhamento político, e aí com novo atores.

Do lado do PSDB:

1.     Geraldo Alckmin subindo, depois da vitória de João Dória Jr.

2.     Aécio em queda, pelos indícios de crime, mesmo não levando a consequências legais.

3.     Serra fora do jogo, tentando decorar siglas de organizações multilaterais, sem apoio no PSDB e no DEM.

Do lado das oposições:

1.     Já está em formação um núcleo de governadores progressistas, visando costurar estratégias e alianças acima das executivas dos partidos. Anote que daqui para a frente tenderão a ter um protagonismo cada vez maior na cena política, substituindo as estruturas partidárias, imobilizadas em lutas internas.

2.     Ciro Gomes é o opositor de maior visibilidade, até agora, mas mantendo o mesmo estilo carbonário da juventude. Suas verrinas contra Temer fazem bem ao fígado, mas preocupa as mentes mais responsáveis.

3.     Há uma tendência de crescimento de Fernando Haddad, prefeito derrotado nas últimas eleições. Na expressão do governador baiano Rui Costa, Haddad caiu para cima. Sua avaliação, no MEC e na prefeitura de São Paulo, crescerá com o tempo.

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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-do-fator-eduardo-cunha

Jean Wyllys: “como fica um processo de impeachment conduzido por um corrupto que agora é preso?”

19.10.2016
Do blog O CAFEZINHO
Por Jean Wyllys, em seu Facebook

Brasília- DF 14-07-2016   Sessão da CCJ que não aceitou os recursos do deputado Eduardo Cunha. Foto Lula Marques/Agência PT

CUNHA PRESO

Finalmente, muito tarde, muito tarde mesmo, o ex-deputado Eduardo Cunha foi preso em Brasília pela Polícia Federal nesta quarta-feira e sua casa, na Barra da Tijuca, foi alvo de operação de busca e apreensão ordenada pelo juiz Sérgio Moro. A ordem do juiz é de prisão “preventiva”.

Cunha, articulador político da bancada fundamentalista no Congresso Nacional, é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e foi o principal organizador do golpe parlamentar contra a presidenta eleita Dilma Rousseff. Desde muito antes da votação do impeachment, havia provas mais do que suficientes (coletadas tanto pelo Ministério Público brasileiro quanto pelo Ministério Público da Suíça) para que Cunha fosse afastado do cargo, perdesse o mandato, virasse réu e fosse julgado e condenado. As provas eram fartas e incontestáveis!

Foi por tudo isso que o PSOL, apoiado pela REDE, entrou com a representação no Conselho de Ética que permitiu, depois de um processo absurdamente demorado, sua cassação. Foi por isso que eu denunciei quem era Cunha antes mesmo de ele ser eleito presidente da Câmara!

Porém, enquanto Cunha era “necessário” para a derrubada ilegítima do governo constitucional, nada foi feito. As provas foram ignoradas e ele continuou livre e presidindo a Câmara dos Deputados. Nós, parlamentares que defendemos a democracia e a ética na política, sabemos o quanto a presença de Cunha e sua atuação no cargo, boicotando o governo, atropelando a Constituição, as leis e o regimento da Casa, foi prejudicial para o país.

Agora é tarde. Mas eu pergunto ao Ministério Público e ao STF: como fica um processo de impeachment conduzido por um corrupto que agora é preso?

A prisão de Cunha não deixa de ser uma boa notícia para quem defende a honestidade, a transparência, a ética e a democracia. Eu confesso que fico muito feliz. Contudo, não posso deixar de advertir que a decisão, além de tardia, é questionável: se ele podia destruir provas (o que justificaria a prisão preventiva), já destruiu há tempos. A prisão preventiva fazia sentido quando poderia ter sido eficaz para a sua finalidade. Hoje, não passa de fogo de artifício.

Então, cuidado: que esta prisão não seja mais uma manobra para justificar posteriores arbitrariedades em outros processos, chutando em cachorro morto para distrair a atenção dos verdadeiros objetivos.

Que Cunha seja investigado, julgado e condenado – e ele merece, porque é um corrupto -, mas que isso seja feito respeitando seus direitos constitucionais, como deve ser em todos os casos. E que o povo brasileiro não seja tratado como otário. Essa jogada me lembra o que, no xadrez, é chamado de “sacrifício da rainha”, onde o jogador sacrifica a própria rainha para dar o xeque-mate no adversário. Qual é a prisão arbitrária que vem depois?

Eu quero Cunha preso, mas não irei aplaudir demais o estado penal arbitrário e sem limites, porque ele é um inimigo maior, mais perigoso e mais poderoso que o próprio Eduardo Cunha.

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/10/19/jean-wyllys-como-fica-um-processo-de-impeachment-conduzido-por-um-corrupto-que-agora-e-preso/