VÍDEO DE FUNARO COMPROVA DELAÇÃO DE JOESLEY E COMPLICA AINDA MAIS TEMER

16.10.2017
Do portal BRASIL247, 15.10.17

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Fonte:https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/322444/V%C3%ADdeo-de-Funaro-comprova-dela%C3%A7%C3%A3o-de-Joesley-e-complica-ainda-mais-Temer.htm

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Conspiração é o crime maior do Temer, por Jeferson Miola

02.05.2017
Do portal JORNAL GGN

Conspiração é o crime maior do Temer
por Jeferson Miola

A corrupção é um crime gravíssimo, que deve ser severamente punido. Mas é a conspiração, e não a corrupção, o maior e mais relevante crime cometido por Michel Temer. Inclusive porque com a conspirata, Temer montou o “governo de ladrões” [cleptocracia, em grego] para expandir e aprofundar o assalto aos cofres públicos pela oligarquia golpista.

Janot e o STF centram fogo na acusação ao Temer pelos crimes de corrupção, e não pelo crime de conspiração. Isso é entendível: a procuradoria da república e a suprema corte, com suas ações, omissões e silêncios, foram parte ativa e cúmplices do golpe que derrubou a Presidente Dilma.

Ficou claro que Lúcio Funaro não é somente o principal comparsa do Eduardo Cunha na roubalheira praticada pelo PMDB. Na realidade, ele tinha um posto mais elevado. Funaro era o elo operacional da organização criminosa do Temer, Cunha, Geddel, Padilha, Moreira Franco, Henrique Alves, Rocha Loures [e outros] que foi montada para assaltar o Estado brasileiro.

Eles atacavam em todos os ramos, atividades e oportunidades: portos, aeroportos, empréstimos da CEF, financiamentos do BNDES, obras públicas, licitações, medidas provisórias, Petrobrás, Eletrobrás, Furnas etc. Onde havia possibilidade de negócios escusos, lá estava a quadrilha em ação.

A delação premiada do Lúcio Funaro desvendou o modo de funcionamento da quadrilha e as tarefas e atribuições de cada bandido nela. Na delação, Funaro ajudou a esclarecer os nexos entre [i] a mala de R$ 500 mil de propina carregada pelo Rodrigo Rocha Loures, [ii] o recebimento de R$ 1 milhão pelo Padilha no escritório do “mula” José Yunes [amigo de meio século de Temer], e [iii] os R$ 51 milhões armazenados num apartamento na Bahia pelo “amigo fraterno” [tratamento dispensado por Geddel a Temer no pedido de demissão do ministério por tráfico de influência] Geddel Vieira Lima.

A revelação principal e mais comprometedora do Funaro, porém, não é a respeito das dezenas de milhões roubados pela quadrilha, mas o esclarecimento sobre a atuação do Michel Temer na coordenação política e intelectual, junto com Cunha et caterva, da conspiração que derrubou a Presidente Dilma.

O empresário corruptor Joesley Batista, dono do grupo JBS e de uma imensa bancada de deputados e senadores, já havia esclarecido que financiou a compra de vários deputados e a eleição de Cunha à presidência da câmara dos deputados para viabilizar o golpe contra o mandato legítimo de Dilma.

Funaro não só confirma esta declaração de Joesley como esclarece que, “na época do impeachment de Dilma Rousseff, eles [Cunha e Temer] confabulavam diariamente, tramando a aprovação do impeachment e, conseqüentemente, a assunção de Temer como presidente”.

Muito antes do que se imaginava, a verdade veio à tona. Temer tramou com seus comparsas do PMDB, PSDB, DEM, PTB, PPS, PR [e outros] o atentado contra a ordem política e social do país.

Ele armou o golpe de Estado que derrubou uma governante eleita legitimamente por 54.501.318 brasileiros e brasileiras para, desse modo, aplicar a mais antipopular e antinacional agenda de destruição do Brasil e de entrega da soberania nacional.

Corrupção, associação criminosa e formação de quadrilha são crimes menores em comparação ao atentado à democracia e ao Estado de Direito. Temer e sua malta só conseguiram perpetrar o assalto ao erário, a dissolução e a entrega da Nação assumindo ilegitimamente e ilegalmente o comando do país.

Temer e sua malta golpista não serão julgados neste período sob a vigência do regime de exceção e de golpe de Estado, mas o julgamento desses canalhas é uma demanda prioritária quando o país se reencontrar com a democracia e restaurar o Estado de Direito. Não será aceita uma nova Lei da Anistia que perdoe os conspiradores – como a de 1979, que perdoou os torturadores.

Desta vez, ao contrário do benefício obtido pelos ditadores que ficaram impunes com a anistia, na democracia restaurada estes canalhas implicados no golpe – no judiciário, executivo, legislativo e na mídia – deverão ser julgados e punidos com a máxima severidade, nos termos da lei [a seguir].
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Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940:

TÍTULO XII

DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

CAPÍTULO I

DOS CRIMES CONTRA A SOBERANIA NACIONAL

Golpe de Estado

Art. 366.  Tentar, o funcionário público civil ou militar, depor o governo constituído ou impedir o funcionamento das instituições constitucionais:
Pena – reclusão, de quatro a doze anos.
Conspiração

Art. 367.  Associarem-se, duas ou mais pessoas, para a prática de insurreição ou de golpe de estado:
Pena – reclusão, de um a cinco anos.

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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/conspiracao-e-o-crime-maior-do-temer-por-jeferson-miola

Os verdadeiros motivos que levaram Joesley Batista para a cadeia

11.09.2107
Do portal BRASIL247
Por Esmael Morais

O empresário Joesley Batista se achava tão poderoso a ponto de dizer que nunca iria para a cadeia. A certeza de que não seria punido foi compartilhada com seu comparsa Ricardo Saud: “Nós não ‘vai’ ser preso. Vamos fazer tudo, mas nós não vai ser preso”.

Tudo bem, o dono da JBS errou no cálculo. Mas não percamos de vista os verdadeiros motivos que levaram Joesley e Saud para o xilindró.

Ambos os executivos da JBS foram acusados pelo MPF, isto é, Rodrigo Janot, de forjar provas, combinar depoimento, de omitir informações em delação, etc.

O diabo é que o ex-procurador Marcello Miller, que atuava como braço direito de Janot, se safou da cadeia, embora o moço tenha motivado as duas prisões preventivas.

Pesa sobre Miller a acusação de que fez “jogo duplo” em favor da J&F, enquanto ainda estava no MPF, militando como advogado de Joesley.

Note o caríssimo leitor que Joesley e Saud caíram porque delataram políticos do PSDB e Michel Temer. Não saíram incólumes por que entregaram um Aécio Neves (PSDB-MG) ou um Beto Richa (PSDB-PR), por exemplo, não outros “coitadinhos” quaisquer.

Os áudios gravados em circunstâncias inverossímeis foram apenas pretextos para “limpar” tucanos e o próprio Temer da sujeira delatada. As propinas, os casos de corrupção nas estatais, etc., ficaram em último plano diante das espetaculares prisões dos poderosos executivos da JBS.

As prisões deste domingo (10) — de Joesley e Saud — são mais uma evidência de que as incriminações só valem para um lado da política. Traduzindo: a justiça só tem efeito contra Lula e o PT.

Não estranhe, nobre leitor, que a dupla da JBS seja liberada da cadeia tão logo diga a senha que juízes e procuradores querem tanto ouvir: “LULA”.

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Fonte:https://www.brasil247.com/pt/colunistas/esmaelmorais/316541/Os-verdadeiros-motivos-que-levaram-Joesley-Batista-para-a-cadeia.htm

Funaro delata Temer e diz que ele levava propina dos esquemas de Cunha

08.09.2017
Do portal BRASIL247

247 – Em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal, o corretor financeiro Lúcio Funaro, operador do PMDB, revelou, entre outros crimes, propinas a parlamentares, venda de legislação e grandes esquemas de corrupção.

Funaro acusa Michel Temer de fazer lobby para políticos, cobrando repasses de caixa dois e, também, como destinatário de propina. O doleiro diz que nunca conversou sobre dinheiro diretamente com Temer, “pois essa interface era feita por Eduardo Cunha”, mas declara que era informado por Cunha sobre as divisões da propina.

Ele garante que Temer “sempre soube” de todos os esquemas tocados pelo ex-deputado. “Temer participava do esquema de arrecadações de valores ilícitos dentro do PMDB. Cunha narrava as tratativas e as divisões (de propina) com Temer”, diz Funaro na delação que a revista Veja teve acesso.

Temer é protagonista de dois repasses de propina na delação de Lúcio Funaro. Um deles, de R$ 1,5 milhão, veio do grupo Bertin. O segundo, em 2014, saiu de um acerto com a JBS. Funaro conta ter intermediado um pagamento de R$ 7 milhões da JBS que tinha como destinatários Temer, Cunha e o ministro da Agricultura na ocasião, Antônio Andrade. O presidente ainda teria intermediado um pagamento de R$ 5 milhões de Henrique Constantino, do Grupo Constantino, à campanha do então deputado Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo, em 2012.
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Fonte:https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/316167/Funaro-delata-Temer-e-diz-que-ele-levava-propina-dos-esquemas-de-Cunha.htm

JUSTIÇA SELETIVA E TENDENCIOSA:Lava Jato rejeitou delação de Tacla Duran por citar Moro

03.09.2017
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

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Desde o início foi muito suspeita a reação furiosa de autoridades da Lava Jato contra delator que fugiu do país apesar de ter recebido da Lava Jato uma belíssima proposta de acordo de delação premiada junto com outros 77 executivos da Odebrecht.

O nome desse indivíduo é Rodrigo Tacla Durán. Ele se transformou em um dos homens mais temidos pelos presidentes e altos funcionários da América Latina.

Aos 44 anos, Tacla Durán conhece bem os segredos da Odebrecht, que abalou as estruturas políticas do continente depois de confirmar o pagamento de subornos milionários a Governos de 12 países.

Esse advogado de nacionalidade hispano-brasileira foi preso em novembro do ano passado por ordem do juiz Sérgio Moro. Depois de passar 72 dias na prisão de Soto del Real, encontra-se em liberdade provisória. Será julgado na Espanha depois que um tribunal superior do país rejeitou o pedido de extradição feito para que voltasse ao Brasil.

O advogado conseguiu nacionalidade espanhola em 1994, porque seu pai e avô eram galegos. Ele argumenta que teme ficar preso no Brasil e não é pelas condições carcerárias, mas por medo da Lava Jato.

A Justiça brasileira pede sua extradição por supostamente lavar mais de 50 milhões de reais a pedido da empresa. A Odebrecht afirma que o contratou para lavar as propinas ilegais, diz que ele “jamais atuou como advogado em qualquer empresa do grupo”.

A fuga de Tacla Duran para o país europeu, porém, é estranha.

Hordas de delatores muito mais envolvidos em crimes beneficiaram-se de delações premiadas. E o acordo proposto ao advogado de dupla nacionalidade era excelente – para ele. Segundo o advogado relatou ao jornal espanhol El País, recebeu da lava Jato a seguinte oferta:

1 – Seis meses de prisão domiciliar com tornozeleira;

2 –  Prestação de serviços comunitários;

3 – Multa de até 44 milhões de reais.

Segundo Tacla Duran relata, a Odebrecht ainda ofereceu lhe pagar 15 anos de folha de pagamento a fim de que pudesse pagar a multa imposta pela Lava Jato, caso aceitasse o acordo. Por que não aceitou? Não faz o menor sentido. Sua situação seria muito melhor, hoje.

Para começar a entender, basta notar reação destemperada de autoridades da Lava Jato a esse episódio. O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, por exemplo, divulgou um ataque virulento ao advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, quem ironizou o episódio por envolver particularmente o juiz Sergio Moro.

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O advogado Rodrigo Tacla Duran, que trabalhou para a Odebrecht de 2011 a 2016, acusa o advogado trabalhista Carlos Zucolotto Junior, amigo e padrinho de casamento do juiz Sergio Moro, de intermediar negociações paralelas dele com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

A mulher de Moro, Rosangela, já foi sócia do escritório de Zucolotto. O advogado é também defensor do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima em ação trabalhista que corre no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

As conversas de Zucolotto com Tacla Duran envolveriam abrandamento de pena e diminuição da multa que o ex-advogado da Odebrecht deveria pagar em um acordo de delação premiada.

Em troca, segundo Duran, Zucolotto seria pago por meio de caixa dois. O dinheiro serviria para “cuidar” das pessoas que o ajudariam na negociação, segundo correspondência entre os dois que o ex-advogado da Odebrecht diz ter em seus arquivos.

Diante disso, o advogado Kakay afirmou publicamente que o fato de Carlos Zucolloto Jr. ser padrinho de casamento de Moro, somado ao fato Juiz federal imediatamente ter contatado Zucolloto a fim de uma retratação pública, certamente seria visto pelo mesmo Moro como “obstrução da Justiça” e motivo para “prisão preventiva”.

Eis que surge uma resposta surpreendente por parte do procurador da força-tarefa da Operação Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima.

Em tréplica, o advogado Kakay afirmou que o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima “desonra o Ministério Público Federal ao usar as redes sociais para tentar intimidá-lo, de forma ridícula’’.

O juiz Sergio Moro, por sua vez, abusou do nonsense ao colocar o amigo advogado Zucolotto acima de questionamentos por ser “seu amigo” e por estar sendo acusado por alguém envolvido em corrupção assim como centenas de delatores que foram premiados pela Lava Jato justamente por acusarem autoridades.

Nada disso é novidade, porém. A novidade reside em informação que o Blog recebeu e que não pode endossar, mas que precisa ser investigada. Esse imbróglio chegou a esse ponto simplesmente porque Tacla Durán teria achado que a Lava Jato era séria em seu alardeado proposito de combater “toda corrupção”.

Na verdade, “toda” corrupção é forçar a barra. Os amigos do rei da República de Curitiba não estariam sujeitos a investigações contra mortais comuns.

O que teria melado a delação premiada e ultra confortável de Tacla Duran e obrigado o sujeito a se mandar do Brasil foi a fúria que despertou na Lava Jato ao citar o caso envolvendo Sergio Moro, sua mulher e seu amigo advogado.

A partir daí tudo teria ficado difícil. Teriam surgido “novas acusações” contra Tacla Duran e ele percebeu que se ficasse no Brasil seria colocado em uma cela e a chave seria jogada fora. Por isso teria fugido do Brasil.

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2017/09/lava-jato-rejeitou-delacao-de-tacla-duran-por-citar-moro/

Escuta clandestina pegou conversa de Moro com o amigo advogado, mas diálogo nunca foi divulgado

31.08.2017
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
Por Joaquim de Carvalho

Zucolotto, Moro e a ficha do réu que denunciou o amigo do juiz: com a denúncia, vem à tona passado incômodo para Moro

Esta reportagem é fruto de projeto de crowdfunding do DCM.

A denúncia do advogado Rodrigo Tacla Durán, antigo prestador de serviços da Odebrecht, de que um amigo de Moro tentou lhe vender facilidades na Lava Jato desenterrou um passado incômodo para o juiz federal de Curitiba.

O passado incômodo foi revelado em dois CDs entregues à jornalista Denise Mello, então na rádio Bandnews de Curitiba. Ali estavam as transcrições das conversas de Moro. Bertholdo divulgou os registros da interceptação clandestina para se defender de um processo em que se encontrava preso, acusado de lavagem de dinheiro e tráfico de influência.
Na entrevista que concedeu à rádio, de dentro da cadeia, ele contou que o doleiro Alberto Youssef, solto por Moro num acordo de delação premiada em 2004, estava operando intensamente no mercado paralelo e, com a delação dele, outros doleiros haviam sido presos ou saíram do mercado. Youssef ficou praticamente sozinho no comando do submundo da lavagem de dinheiro.
Segundo Bertholdo, “a delação premiada concedida pela 2.ª Vara Criminal Federal de Curitiba ao doleiro Alberto Youssef tem feito com que ele estabeleça um monopólio do câmbio no Brasil”, conforme registro da entrevista, feito pelo jornal O Estado do Paraná.

A Bandnews, propriedade do grupo J Malucelli, cujo dono é hoje muito amigo de Moro, publicou a entrevista, mas não levou ao ar o conteúdo da interceptação telefônica.

Segundo Denise contou em depoimento à Justiça, a razão foi a origem clandestina das gravações. O depoimento dela foi relatado num processo que tramitou no Tribunal Regional Federal da 4a. Região:

“Denise arrematou, ainda, que, uma vez terminada a entrevista, relatou o ocorrido ao seu coordenador, Gladimir Nascimento. Após deliberarem em conjunto sobre o assunto, levando em conta que os áudios tinham sido obtidos de forma clandestina, resolveram não divulgá-los (sic), motivo pelo qual a entrevista em questão foi ao ar no dia seguinte, 15/03/2006, sem que fosse divulgado ao público o conteúdo das gravações ilícitas.”

Denise Mello já não trabalha mais na Bandnews. Eu a localizei na Banda B, outra emissora de Curitiba.

Pouco antes de entrar no ar, ela falou comigo por telefone. “Lembro vagamente desta história”, contou. Você prestou depoimento à Justiça? “Não lembro, posso ter prestado”. Quando eu li o que a Justiça relatou sobre seu depoimento, ela disse que ocorreu, sim, o depoimento, mas que não havia registrado na memória em razão da falta de notoriedade do Moro à época.

“O Moro não era ainda o MORO, entende?”, afirmou. Houve alguma pressão do Malucelli para que as gravações da escuta não fossem divulgadas? “Não, de jeito nenhum. Foi uma decisão minha e do meu chefe na época, Gladimir”, respondeu, e em seguida disse que entraria no ar e que não poderia mais falar.

Em outra ação, apresentada como recurso perante o Superior Tribunal de Justiça, existe o registro de um depoimento de Moro prestado à forca-tarefa do Ministério Público Federal na época, da qual fazia parte o procurador da república Carlos Fernando dos Santos Lima. É relatado que, no grampo clandestino, há a gravação de uma conversa entre Moro e o advogado e amigo Zucolotto.

” (…) foram ouvidas as conversas referentes às fitas apreendidas e que constam nos autos, podendo o depoente reconhecer sua própria voz e diálogos mantidos com o Delegado de Polícia Federal Paulo Roberto Falcão, com o Procurador da República Vladimir Aras, com a Desembargadora Maria de Fátima Labarrère, com o Promotor de Justiça do Estado do Paraná Cruz (de Maringá), com um amigo de nome Carlos Zucolotto, com familiares (filha e esposa) e, segundo lhe parece, também uma conversa com o DPF Luiz Pontel “(fls. 11/12 do Apenso I, volume I).

Apenas a partir desse instante (da obtenção dessa prova) é que o Magistrado pôde ser considerado vítima do delito estando, assim, impedido para o julgamento do feito. O MP, na mesma data da oitiva do Julgador, ingressou com a respectiva Exceção (fls. 281/284, do apenso V, volume II). Em 29.08.05, Sérgio Moro acolheu o pleito, dando-se como impedido (fl. 285 do apenso V, volume II).”

O juiz Sérgio Moro se mobilizou para que Roberto Bertholdo fosse condenado por crimes contra a honra. Sua mulher e o amigo Zucolotto atuaram no processo em que o advogado e lobista pretendia que fosse aceita exceção da verdade — isto é, quando a alegada injúria ou difamação são decorrentes de fatos ocorridos efetivamente.

O expediente da exceção da verdade não foi aceito, e as fitas foram colocadas sob segredo de justiça e jamais divulgadas, o que é correto.

Grampos ilegais atentam contra o direito à intimidade e à privacidade,  princípio que o juiz Moro, onze anos depois, não respeitaria, ao divulgar conversas privadas e de autoridades com foro por prerrogativa de função ao Jornal Nacional, da TV Globo.

O que faria Moro de 2006 se julgasse Moro de 2016, quando as conversas da presidente Dilma, de ministros e dona Marisa Letícia foram expostas como gasolina atirada a uma fogueira que ardia em praça pública?

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Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/escuta-clandestina-pegou-conversa-de-moro-com-o-amigo-advogado-mas-dialogo-nunca-foi-divulgado-por-joaquim-de-carvalho/

Delação que atinge Sergio Moro e procuradores da Lava Jato é uma lição de moral

28.08.2017
Do blog CAFEZINHO
Por Miguel do Rosário

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(Imagem montada pelo blog Tijolaço, do Fernando Brito, que escreveu uma excelente crônica sobre a delação contra Moro)

Com essa delação contra si, Sergio Moro sentiu apenas o cheiro, e de longe, do próprio veneno e já ficou histérico.

Imagina se ele fosse obrigado a beber o copo inteiro de arbítrios e execração pública que ele mesmo, associado à mídia, obrigou todos os réus, junto com seus amigos, parentes, advogados, conhecidos, jornalistas, a beberem até a boca?

Mais do que uma acusação contra Sergio Moro e procuradores da Lava Jato, a denúncia do advogado da Odebrecht atinge em cheio a teoria furada de que se pode combater a corrupção com arbítrios e violência judicial.

O arbítrio gera mais corrupção, porque a corrupção procura o poder.

Se o Judiciário criminaliza a política, prende a política em prisão cautelar, tortura a política com ameaças de condenações eternas em regime fechado, obriga-a a delatar o que interessa ao procurador e ao juiz, então o que acontece?

A corrupção, farejando o poder, migra para o judiciário e para o ministério público!

A quantidade de procuradores corruptos está crescendo proporcionalmente à transferência de poder para a instituição.

Veja o caso de Dallagnol, ganhando dinheiro com palestras pagas por especuladores internacionais, que lucram com a destruição da indústria nacional, do emprego e da economia brasileira de forma geral, provocada pela Lava Jato. Ele finge esconder disso de si mesmo, mas isso também é corrupção, e das mais sórdidas!

O dinheiro da corrupção nem sempre vem com um carimbo “Corrupção”. A propina é como o diabo: assume diversas formas. Ela pode ser paga na forma de prêmios da Globo, da Time, cachê de palestras no Brasil e nos EUA, e todo tipo de adulação vinda de diferentes instâncias do poder.

Corrupção, por isso mesmo, não se combate com arbítrio, violência judicial, supressão de garantias.

Corrupção não se combate com estado de exceção!

Corrupção se combate com transparência, democracia, bom senso e garantias individuais.

Diante da violência histórica do Estado, garantias individuais nunca são excessivas!

Para o cidadão perseguido pelo Estado, as garantias individuais, que garantem sua liberdade e dignidade, são sempre menores do que o necessário!

Padre Antonio Vieira, no famoso Sermão aos Peixes, proferido no Convento das Mercês, em São Luis do Maranhão, no dia 13 de junho de 1654, já denunciava a odiosa perseguição judicial que condena a pessoa antes mesmo da sentença!

Vede um homem desses que andam perseguidos de pleitos ou acusados de crimes, e olhai quantos o estão comendo. Come-o o meirinho, come-o o carcereiro, come-o o escrivão, come-o o solicitador, come-o o advogado, come-o o inquiridor, come-o a testemunha, come-o o julgador, e ainda não está sentenciado, já está comido. São piores os homens que os corvos. O triste que foi à forca, não o comem os corvos senão depois de executado e morto; e o que anda em juízo, ainda não está executado nem sentenciado, e já está comido.

E olha que, no tempo do Padre Vieira, ainda não tínhamos a mídia de hoje, a qual, dentre tantos usos positivos, também se tornou um terrível instrumento de opressão, tortura e condenação!

Corrupção, sobretudo, se combate dentro da lei.

Giorgio Agamben, em seu clássico Stato di Eccezione, recorda que Dante Alighieri, no século XIII, já avisava num de seus livros, De Monarchia:

quicunque finem iuris intendit cum iure graditur

Quem se propõe a fazer valer o Direito, deve proceder segundo o Direito.

Ah, esqueci. A filosofia de Sergio Moro não apenas é anterior a Cesare Beccaria, cuja obra-prima Dei delitti e delle pene, denunciando os juízes da Idade Média, foi escrita ao final do século XVIII.

É anterior a Dante!

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2017/08/28/delacao-que-atinge-sergio-moro-e-procuradores-da-lava-jato-e-uma-licao-de-moral/