NOS EUA, JAIR BOLSONARO OFERECE PROMESSAS VAGAS PARA EMPRESÁRIOS E “CARTA BRANCA PARA A POLÍCIA MATAR”

13.10.2017
Do portal THE INTERCEPT, 10.10.17
Por Andrew Fishman, Cecília Olliveira

Resultado de imagem para NOS EUA, JAIR BOLSONARO OFERECE PROMESSAS VAGAS PARA EMPRESÁRIOS E “CARTA BRANCA PARA A POLÍCIA MATAR”
Bolsonaro, em ato ilegal, prestando continência à bandeira norte-americana

TARDE DE OUTONO em Deerfield Beach, Flórida, temperatura batendo os 30 graus e brasileiros legais e ilegais permaneciam firmes, em fila, para ver e ouvir as propostas de Jair Bolsonaro, caso ele seja eleito o próximo presidente do Brasil. Entre gritos de “mito, mito, mito” e “fila é uma coisa muito brasileira”, centenas de pessoas se amontoavam para esperar o “presidente” chegar.

No evento, realizado neste domingo (8) num bar brasileiro a 45 minutos de carro de Miami, não houve protestos contrários à presença de Bolsonaro. Essa foi só uma das paradas da viagem do deputado pelas terras de Trump. Com a ideia de angariar apoio estrangeiro para sua candidatura presidencial em 2018 e estruturar a imagem de liberal sério, estão previstas visitas – e protestos – em Massachusetts, Nova York e Washington D.C.

Fila de espera para o evento de Jair Bolsonaro em Deerfield Beach, Flórida no dia 8 de outubro de 2017.
Fila de espera para o evento de Jair Bolsonaro em Deerfield Beach, Flórida no dia 8 de outubro de 2017. Foto: Andrew Fishman/The Intercept

Tour Bolsonaro está sendo apoiado por grupos interessados e investidores brasileiros que apostam numa imagem mais sóbria, com foco na economia liberal. E isso foi ao encontro do exposto pelo deputado. Apesar de as pessoas ouvidas por The Intercept Brasil priorizarem o problema da violência como o motivo para migrar para a Flórida, Bolsonaro — entre desvios para reclamar de Marxistas e atacar a imprensa — tentou focar seu discurso na esfera econômica, demonstrando uma visão claramente patronal.

Ele endossou o fim da CLT, a redução de impostos, a desburocratização para empresas, uma resolução para que “a questão indígena” não limite o desenvolvimento do agronegócio, “a tal de parceria público-privada” para abrir mais investimentos dos EUA e uma lei antiterrorista mais dura para “evitar que os marginais, os terroristas do MST continuem barbarizando lá no Brasil”. “Eu não vou fazer uma política de massa, chama ‘o trabalhador, o trabalhador’. Não, tudo bem, o trabalhador tem seu valor, mas o patrão também”, discursou o deputado.

“Eu não vou aqui ser o Jairzinho Paz e Amor”

Mas, no fim, a essência de Jair prevaleceu: “Eu vou dar carta branca para a polícia matar”. E então, a plateia, que já estava animada, foi à loucura: “Mito, mito, mito!”

No evento de mais de duas horas, o que emergiu foi mais do mesmo, a velha visão política: o Estado deve fazer tudo que puder para servir aos interesses financeiros da classe empresarial tradicional e usar os mecanismos de repressão física, política e cultural para combater qualquer ameaça. Essa postura sempre teve um lugar proeminente na governança do Brasil, mas o que o Bolsonaro propõe é tirar as luvas e redobrar o esforço.

Apesar de fazer chacota com o jornal Valor Econômico, que o comparou a Dilma no quesito economia, de fato ele não apresentou novas ideias para alcançar as mudanças econômicas desejadas. E, de fato, ele repetiu as propostas desburocratização”, hidrelétricasPPPs, fortalecimento do agronegócio e investimento em pesquisa científica para fortalecer a indústria. Todas estas opções estavam na cartilha de Dilma Rousseff.

Nas palavras do próprio Jair Bolsonaro: “A imprensa fala que eu não entendo da economia. Olha, pelo que eu sei, o Ronald Reagan também não sabia e ele foi um dos melhores presidentes americanos.” (Mas há controvérsias.)

Outro presidente americano que pouco entende de economia e que o Bolsonaro elogiou foi Donald Trump. “O que eu falo lá é muito parecido com o Trump aqui. … Então, acho que com a questão do Trump, se eu chegar lá, pode ter certeza que ele vai ter um grande aliado no hemisfério sul.”

Os paralelos entre os dois políticos foram evidentes no domingo, e se for para aprender algo da vitoriosa campanha de Trump, é que grande parte do seu apoio não veio porque os eleitores o acharam mais coerente, consistente ou qualificado. Muitas pessoas votaram em Trump porque interpretavam que o país estava no caminho errado, liderado por uma classe política corrupta e desconectada da realidade. Então apostaram nele como a melhor chance para fazer mudanças drásticas em pouco tempo — porque, para elas, isso seria menos assustador do que mais do mesmo.

*****
Fonte:https://theintercept.com/2017/10/10/jair-bolsonaro-eua-policia-matar/

Anúncios

BOLSONARO, UM GOLPISTA VIRA-LATAS: A “continência” de Bolsonaro à bandeira americana

13.10.2017
Do blog TIJOLAÇO, 
Por FERNANDO BRITO 

cont1

Num espetáculo de sabujice, o ex-capitão Jair Bolsonaro “bateu continência” à bandeira norte-americana, num comício de restaurante em Deerfield Beach, na Flórida,anteontem.

Foram várias pérolas, registra o The Intercept.

Vai dar “carta branca para o policial matar”.

O trabalhador vei ter de decidir “ou menos direitos e emprego, ou todos os direitos e desemprego”.

“O Trump vai ter um grande aliado no Hemisfério Sul”.

Mas mais chocante foram o “mito” e sua platéia aos gritos, em coro: “USA, USA, USA!”

E depois, de maneira tosca, prestando continência à bandeira norte-americana –  tosca e ilegal, pois só se presta o gesto a bandeira estrangeira em ato oficial.

Quem sabe não vai  ensinar as criancinhas trocarem o verde-amarelo logo pelo branco-azul-vermelho. Afinal, também tem estrelinha, não é?

E estes sujeitos vêm falar em patriotismo.

Se o Brasil fosse mais perto da Coreia do Norte já oferece um enclave para servir de base militar nuclear para o Trump.

*****
Fonte:http://www.tijolaco.com.br/blog/continencia-de-bolsonaro-bandeira-americana/

A reação do mundo ao bombardeio dos EUA na Síria

19.04.2017
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 07.04.17

Respostas da comunidade internacional sobre o bombardeio dos EUA na Síria conduzido por Trump mostram como o planeta está dividido em relação aos rumos dessa guerra

bombardeio dos eua síria

Os Estados Unidos realizaram a sua primeira ofensiva militar contra o exército da Síria na noite desta quinta-feira ao bombardear a base aérea de Al-Shayrat, província de Homs.

O movimento foi uma resposta ao suposto ataque químico conduzido pelo regime de Bashar Al-Assad no início da semana em Khan Sheikhun, em Idlib.

O ataque americano aconteceu na base de onde os aviões em tese responsáveis pelo massacre químico teriam decolado.

Segundo o Pentágono, essa base é, ainda, o local no qual o governo sírio estaria armazenando essas armas. 59 mísseis foram lançados pelos EUA do Mar Mediterrâneo.

Autoridades de Alemanha, França, Espanha, Reino Unido, Canadá e Israel manifestaram nesta sexta-feira (07/04) seu apoio ao bombardeio dos Estados Unidos.

Confira as reações da comunidade internacional:

SÍRIA. O comando do exército da Síria rechaçou a ação militar americana contra a sua base aérea e segue afirmando não ter tido qualquer responsabilidade sobre o uso de armas químicas contra civis. Ao todo, o ataque deixou 9 mortos e dezenas de feridos. Para as autoridades sírias, ao bombardear o regime de Assad, os EUA fortaleceram o grupo extremista Estado Islâmico, que tenta estabelecer um califado na Síria e Iraque, e o Frente de Conquista do Levante (ex-Frente Al-Nusra que já foi ligado à rede Al Qaeda). Agora, o governo promete realizar “a maior ofensiva” contra os rebeldes e disse que os americanos foram convencidos a agir depois de terem sido “inocentemente convencidos por uma campanha falsa de propaganda”.

RÚSSIA E IRÃ. Moscou também condenou o ataque, o classificando como uma agressão a um Estado soberano e violação de direito internacional, e anunciou nesta manhã a suspensão de um acordo firmado com os EUA no qual os países coordenavam suas ações militares na Síria. Acusa, ainda, o governo Trump de usar o episódio para desviar a atenção da situação em Mosul (Iraque), onde o exército americano lidera uma ofensiva contra o EI e tenta retomar o controle da cidade. Aliado de Assad, o país também nega que o regime sírio disponha de armas químicas. O Irã, por sua vez, “condena energicamente” o bombardeio.

BOLÍVIA. O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que o ataque dos Estados Unidos em represália ao suposto bombardeio com armas químicas em uma cidade do interior da Síria, é uma “ameaça à segurança internacional e à paz mundial. “Esta ação ameaça a segurança internacional e a paz mundial. As ações unilaterais são ações imperiais. Aos EUA não interessa o direito internacional, deixa de lado a ONU quando convém. Não partilho de países que dizem defender a democracia, a paz e a institucionalidade e que, agora, apoiam a intervenção militar unilateral. Penso e sinto, espero não estar equivocado, que as armas químicas na Síria são uma desculpa para uma intervenção militar. O ataque dos EUA contra a Síria é uma ação que viola os princípios da Carta das Nações Unidas. Problemas internos de países se resolvem com diálogo, não com bombardeios”, disse.

VENEZUELA. O governo da Venezuela, em nota, condenou a ação dos EUA. “Preocupa profundamente que fatores imperiais justifiquem e legitimem intervenções militares ao governo sírio, endossando ações de grupos terroristas e extremistas, mediante falsos positivos. Este ataque permitiu, além do mais, a recomposição logística dos grupos terroristas, que seguidamente atacaram o exército nacional sírio”.

ARGENTINA, CHILE, COLÔMBIA, MÉXICO, PERU E URUGUAI. Os governos de Argentina, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru e Uruguai manifestaram, em comunicado conjunto, sua profunda preocupação com a escalada da violência na Síria, e condenaram energicamente o uso de armas químicas contra a população civil, em particular crianças.

CANADÁ O gabinete do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, se manifestou nessa manhã em apoio ao governo Trump e reforçou a sua posição por “esforços diplomáticos” para resolver a crise no país. “O ataque em Idlib nesta semana e o sofrimento dos sírios são crimes de guerra inaceitáveis”, pontuou sobre o suposto uso de armas químicas pelo regime Assad.

JORDÂNIA E ARÁBIA SAUDITA. No Oriente Médio, Jordânia e Arábia Saudita, aliadas de longa data dos EUA, também apoiaram a ação. A Jordânia classificou a ação do país como “necessária e apropriada”, enquanto os sauditas elogiaram o que chamaram de “decisão corajosa” de Trump.

REINO UNIDO. O governo da conservadora Theresa May apoiou os EUA completamente e classificou o ato como “resposta apropriada ao ataque bárbaro com armas químicas cometido pelo regime sírio”.

ALEMANHA E FRANÇA. Angela Merkel e François Hollande divulgaram um comunicado conjunto no qual atribuíram ao governo Assad “plena responsabilidade” pela resposta americana.

TURQUIA. Aliada dos rebeldes que lutam contra Assad, a Turquia enxergou o ataque como positivo e nota que Assad tem de ser punido “no plano internacional”. Além disso, o país cobrou a criação de uma zona de exclusão aérea na Síria que possa proteger a população de novos bombardeios.

CRUZ VERMELHA. Uma das organizações humanitárias mais ativas na Síria, a Cruz Vermelha classificou o conflito no país como “conflito armado internacional”. Sem se posicionar exatamente sobre a ação militar, a entidade lembrou que, à luz do Direito Humanitário Internacional, todo conflito, interno ou externo, deve observar a proteção de civis e instalações médicas.

LULA. O ex-presidente Lula se pronunciou, nesta sexta-feira (7), sobre a atual situação na Síria. É preciso que a gente apure se a Síria usou armas químicas mesmo. A guerra do Iraque aconteceu porque os americanos afirmaram que o Saddam Hussein tinha armas químicas. Invadiram o Iraque, mataram o Saddam Hussein e até hoje não encontraram armas químicas”. O ex-presidente disse que esperava mais “equilíbrio” por parte dos Estados Unidos. “Não sei a que pretexto os americanos bombardearam a Síria. Parece que esse presidente é meio confuso.”

****
Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/04/a-reacao-do-mundo-ao-bombardeio-dos-eua-na-siria.html

Um golpe que cai

07.12.2016
Do portal da Agência Carta Maior
Por Saul Leblon

Sem a resistência de uma frente ampla, capaz de repactuar a nação e o desenvolvimento, o golpe arrastará a sociedade para uma ressaca histórica desesperadora.

Beto Barata/PR

Por que o golpe se despedaça na sarjeta como um bêbado trôpego, sem que ninguém consiga recolocá-lo de pé e apesar da extrema boa vontade da mídia e do mercado com esse frango desossado que se amarrota sob o próprio peso?
 
Falta ao bêbado golpista algo que não se improvisa quando um ciclo de crescimento de uma nação se esgota e outro pede para ser construído: um projeto pactuado de futuro no qual a maioria da sociedade se enxergue e com o qual se identifique.
 
O oposto ocorre no Brasil agora –na verdade já ocorria desde 2012 quando se esgotou o fôlego contracíclico do Estado brasileiro e a desordem neoliberal no mundo não deu sinais de arrefecimento.
 

Se o PT demorou a perceber o esgotamento de uma era do capitalismo desregulado, e que os bons tempos de comercio mundial crescendo o dobro do PIB não voltariam mais, o golpe foi além.
 
Continuou a apostar  na autossuficiente restauração de um neoliberalismo tardio, enquanto seus fundamentos estrebuchavam no plano mundial, em altos decibéis a partir da vitória de Donald Trump nos EUA
 
A aliança da mídia com a escória, o dinheiro e o judiciário tucanizado foi urdida para derrubar o PT .
 
O grande consenso dos derrotados em 2002, 2006, 2010 e 2014 teve notável eficácia nesse impulso.
 
A bem da verdade, contou com a ajuda de um alvo desgastado mas, sobretudo, mortalmente vulnerável por não ter se organizado para o embate  de vida ou morte que viria, como veio e o derrotou sem resistência.
 
A derrota petista –‘sem um tiro’, como admitiu Lula–  revelou uma outra ilusão não menos desastrosa em seu algoz.
 
A propaganda midiática de que a restauração da confiança dos mercados no governo faria o resto embriagou os golpistas que agora tropeçam e desabam na sarjeta dos bêbados da história.
 

Os que assaltaram o poder num processo iniciado em 2 de dezembro de 2015, quando Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, acolheu o pedido de impeachment contra Dilma Rousseff, não formavam mais que uma turba antipetista, antissocial e antinacional.
 
Não é pouco quando se trata de fazer estrago na democracia e revogar a vontade de 54 milhões de eleitores
 
Mas é insuficiente para compor uma nova espinha dorsal feita de respostas históricas articuladas e fortes o suficiente para estruturar um novo pacto de desenvolvimento.
 
A crença cega nas virtudes autossuficientes dos livres mercados ficou à espera de que os capitais afluíssem em massa e os investidores fizessem filas nas Bolsas e nos ministérios encarregados de concluir o serviço privatizante iniciado pelo PSDB nos anos 90.
 
Não aconteceu e não acontecerá: nenhum governo que rasteja e reprime sua gente com o furor insustentável será reerguido pelas mãos dos mercados.
 
Claramente um condomínio de oportunistas e oportunidades, desprovidos de um projeto de futuro dotado de força e consentimento para reordenar o destino da economia e da sociedade, a aventura golpista tropeça e rodopia como um joão-bobo no meio fio da desordem mundial e ao sabor dela.
 
Os interesses que se acomodavam no grande ônibus do antipetismo, uma vez concluída a fase alegre dos consensos, digladiam-se agora para decidir o rumo seguinte da viagem, quem vai dirigi-la, quem cobrará as passagens e quem sentará na janelinha.
 
Reina o furdunço  enquanto a sociedade e a economia se dissolvem.
 
Em menos de cem dias, a autofagia dos apetites díspares derrubou uma Presidenta da República, um presidente da Câmara e colocou a cabeça do Presidente do Senado na linha da guilhotina. A fila pode andar com a cabeça do seu algoz, o ministro Marco Aurélio, caso prevaleça a vontade de seu companheiro de toga, Gilmar Mendes.
 
É interminável o corredor da morte num projeto que se tornou refém da capacidade de mobilização da extrema direita, dopada pela demência histórica dos justiceiros da Lava Jato.
 
O resto é o horror que se sucede na crônica dos dias que rugem.
 
Num Brasil que enfrenta uma queda de 30% na taxa de investimento, comparado o 3º trimestre de 2013 com o de 2016, há obras paralisadas por conta da Lava Jato que já custaram R$ 55 bilhões –o equivalente a tudo o que o governo conseguiu arrecadar com a anistia aos depósitos no exterior.
É só um dos sumidouros por onde a nação escorre.
 
A industrialização se dissolve, mas os formuladores do vale tudo se preparam para extinguir a exigência de conteúdo nacional na exploração das reservas do pre-sal –talvez o último impulso industrializante capaz de erguer uma ponte entre a defasagem tecnológico nacional e a quarta revolução industrial em curso no mundo…
 
A única forma de deter esse comboio irrefletido é opor ao desvario um projeto de repactuação negociada do desenvolvimento.
 
Em vez da lógica bêbada dos golpistas, uma frente única de sobriedade política e responsabilidade histórica para devolver aos brasileiros a experiência inestimável de reassumir o comando do seu destino e acreditar nele.
 
Sem isso, o golpe que cai arrastará o conjunto da sociedade para uma ressaca histórica desesperadora.

*****
Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editorial/Um-golpe-que-cai/37388

Por que Hillary perdeu a eleição mesmo recebendo mais votos que Trump

11.11.2016
Do portal da BBC BRASIL

Hillary Clinton

Hillary ganhou no voto popular em 20 Estados mais o distrito da capital, Washington; Trump venceu em 29 Estados

Depois de uma longa e agressiva a campanha eleitoral Donald Trump, o magnata sem experiência política que para muitos representa um salto no escuro, ganhou de Hillary Clinton, uma candidata veterana, dona de uma consistente carreira pública.

Um resultado que causou perplexidade em todo o mundo.

A surpresa foi maior após a constatação de que as pesquisas de opinião erraram. E mais: a apuração mostra que Hillary perdeu a Presidência mesmo recebendo 337.636 votos a mais que Trump.

Até a manhã desta sexta-feira, de acordo com a agência de notícias americana AP, a democrata tinha 60.274.974 votos e o republicano, 59.937.338.

A apuração ainda não terminou nos estados de Michigan (com projeção de vitória de Trump) e New Hampshire (projeção para Hillary).

Essa disparidade ocorre porque a eleição para presidente dos Estados Unidos é indireta.

Afinal, em quem vota o cidadão comum?

Isso significa que o apoio do cidadão comum na realidade escolhe o voto do Colégio Eleitoral, que é formado por 538 eleitores procedentes de todos os Estados e da capital federal, Washington.

Votação em Los Angeles.
Nos EUA, o voto popular leva à escolha dos integrantes do Colégio Eleitoral, que é o responsável pela eleição do presidente

De acordo com o número de habitantes, cada Estado elege um número determinado de membros do Colégio Eleitoral, que representam proporcionalmente a população dos EUA.

Mas, na maior parte dos Estados, o candidato que consegue a maioria dos votos populares leva todos os votos correspondentes no Colégio Eleitoral.

Com isso, para vencer é preferível ganhar em muitos Estados – mesmo que seja por apenas um voto de vantagem – do que em poucos deles com uma vantagem de milhares de votos. Foi o que aconteceu com Hillary.

Embora tenha recebido mais votos populares que Donald Trump, a democrata só venceu em 20 Estados e na capital federal, o que representa 228 votos correspondentes no Colégio Eleitoral.

Trump, por sua vez, venceu em 29 Estados e somou 290 votos no Colégio Eleitoral: 20 a mais que os 270 necessários para se eleger presidente.

Quinta derrota de um vencedor do voto popular

Donald TrumpTrump conseguiu 279 votos do Colégio Eleitoral e venceu após uma campanha longa, marcada por polêmicas

Para quem está habituado com o sistema de eleição direta, a escolha do presidente de um país por meio do Colégio Eleitoral pode parecer injusta e antidemocrática.

Se a tendência atual for confirmada ao fim da apuração em todos os Estados, esta será a quinta vez que um candidato a presidente ganha no voto popular, mas é derrotado no Colégio Eleitoral.

A última vez em que isso ocorreu foi no ano 2000, quando o democrata Al Gore perdeu a para o republicano George W. Bush, apesar de ter uma vantagem de mais de 500 mil votos.

Os defensores desse sistema indireto afirmam que ele evita que os candidatos ignorem os Estados pequenos e as áreas rurais em detrimento das grandes capitais, além de obrigá-los a buscar apoio em todo o país.

Já os críticos argumentam que na prática os candidatos acabam concentrando suas forças na Flórida e em Ohio, por exemplo, considerados decisivos porque seus eleitores não são fiéis a nenhum dos dois grandes partidos (são parte dos chamados “swing states”).

Embora pesquisas mostrem que a maior parte da população americana é favorável ao sistema de eleição presidencial direta, é pouco provável que haja uma mudança tão cedo.

A última vez que o Congresso dos EUA discutiu o assunto seriamente foi em 1934, quando uma proposta de eliminar o Colégio Eleitoral foi derrotada por apenas dois votos.

*****
Fonte:http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37948302

PSDB, UM PARTIDO GOLPISTA: PSDB ASSUMIU VIÉS ESTRUTURALMENTE GOLPISTA

29.09.2016
Do portal BRASIL247

 Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, a presidente afastada Dilma Roussef disse que o PSDB é uma ameaça ao estado democrático de direito e afirmou que o partido “assumiu uma atitude estruturalmente golpista e de defesa do Estado de Exceção”; segundo a petista, diante da “volúpia de pressionar Temer a fazer o trabalho sujo”, os tucanos se colocaram na contramão da história; ela também criticou o ministro Alexandre Moraes por fazer uso político da Lava Jato e a operação em si pela prisão do ex-ministro Guido Mantega; “estarrecedor”, afirmou

247 – Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, do jornal GGN, a presidente afastada Dilma Rousseff avalia que o PSDB assumiu um viés assumidamente golpista, que coloca em risco o estado de Direito no Brasil.

“Acho que PSDB, na volúpia de pressionar Temer a fazer o trabalho sujo, colocou-se na contramão da história. É o que acho mais forte e ameaçador à democracia, porque representa o que pensa a grande mídia, o que você denomina de empresário rentista e representa uma visão de mundo que nem o FMI tem mais ousadia de propor”, diz ela.

“É estarrecedora a fala recente de Fernando Henrique Cardoso, de como as reformas liberais produzem igualdade. Tudo o que ela não produz é igualdade. A crise política, que gera Donald Trump nos Estados Unidos, Le Pen na França, é fruto do fato de que o neoliberalismo produz uma concentração de renda absurda.”

Ela também criticou o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, por usar politicamente a Polícia Federal. “Essa história do Ministro da Justiça de dizer em ato político que novas prisões iriam ocorrer é algo gravíssimo, sendo tratada como uma mitomania. Não é por aí. É porque isso mostra a utilização de um instrumento como a PF contra adversários políticos. E o uso dessa informação politicamente”, disse ela, que também comentou o caso do ex-ministro Guido Mantega. “Fiquei perplexa com o que aconteceu com Mantega, paradeiro certo e sabido. A troco de quê? Decisão do Supremo de que pessoas só presas quando representam perigo para sociedade. É de estarrecer.”

Equívocos na economia

Na entrevista, Dilma também admitiu ter pecado na condução da economia, ao conceder desonerações ficais em excesso. “Cometi equívoco, sim Erramos ao julgando que as isenções para as contribuições à Previdência, de quase R$ 30 bi, mais as do IPI poderiam resultar em aumento do investimento. Fizemos várias reuniões para discutir se as medidas contracíclicas ampliariam a demanda, neutralizaria o movimento de redução da atividade econômica”, diz ela. “A prática comprovou que serviu apenas para recomposição de margem. Fragilizou a gente, quando era mais necessário enfrentar a crise econômica. Perdemos R$ 40 bilhões de receita básica. A vida mostrou que foi uma avaliação errada. Foi uma quantidade enorme de isenções fiscais.”

“O segundo equívoco foi achar que daria para fazer ajuste apenas cortando as despesas. Todos os países que saíram da recessão tiveram que aumentar a receita. Só com cortes de despesas, apenas se aprofunda ainda mais a crise. Os cortes fiscais que fizemos significaram uma recomposição da receita perdida com as isenções. Nossa força seria a CPMF, que poderia arrecadar R$ 38 bilhões.”

******
Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/257668/Dilma-PSDB-assumiu-vi%C3%A9s-estruturalmente-golpista.htm

A desintegração do mundo neoliberal: o piloto do golpe sumiu

30.06.2016
Do portal da Agência Carta Maior, 28.06.16
Por Saul Leblon

reprodução

A demanda por recheios distintos da rendição aos mercados vai acabar produzindo a sua oferta, mas o tempo para as respostas democráticas encurtou

É o segundo espasmo de morte do neoliberalismo; o primeiro atingiu sua jugular econômica com a crise financeira sistêmica de 2008, da qual o organismo nunca mais se recuperou.

Agora foi a carótida política.

O sangue venoso e o arterial se misturaram espalhando a morte para dentro e para fora dos trilhos do livre mercado até descarrilar seu trem político.

É esse o filme que estreou em circuito mundial neste fim de semana.

Nas telas, o comboio bufa, estrebucha e arrebenta o que encontra pela frente, atrás e dos lados.

Tudo o que era sólido se desmancha no ar.

Mas ficha resiste em cair nos rincões mais aguerridos. Faz parte do desastre negá-lo.

O jornal Valor desta 2ª feira é um exemplo pungente.

Garrafais no alto da página proclamam em meio à montanha desordenada de ruínas a que foram reduzidos os pilares do golpe: ‘Brexit deve ter impacto limitado para o Brasil’

Sim, tanto quanto um frango desossado da Sadia consegue fazer uma pirueta e parar de pé na Praça dos Três Poderes.

O frango desossado tipo Serra, por exemplo.

A charanga estratégica do golpe desafina mas ele anuncia solene: ‘Distinto público, vamos redefinir a política externa ideológica em direção à maior liberalização dos mercados’.

Dá uma pirueta e se espatifa no picadeiro.

A cerca-lo, leões famintos rugem intenções opostas.

De um lado, a segunda maior economia da Europa troveja seu não a uniões enlaçadas pelo julgo ortodoxo, na sexta-feira; de outro, instintos protecionistas dos americanos cospem fogo pelas ventas de Donald Trump; mais próximo do seu pescoço, a política espanhola reafirma a impotência das soluções convencionais para tirar a economia do atoleiro neoliberal em que se encontra…

Etc.

Estivessem algo menos perplexos, os jornalistas embarcados talvez fizessem uma primeira autocrítica dos muitos anos de certezas graníticas.

Admitir que o único chão firme nesse momento são as reservas de US$ 370 bilhões que o ‘lulopetistmo’ acumulou, sob o bombardeio da crônica neoliberal, seria um bom começo.

Mas os tempos são turvos demais para a clareza dos espíritos.

Na Inglaterra, 52% dos eleitores resolveram dar um passo à frente caminhando dois para trás: por uma diferença de 1.269.000 votos, a consulta popular da última sexta-feira decidiu a saída do país da União Europeia.

Dois dias depois, a Espanha foi às urnas pela segunda vez desde dezembro: do Podemos, que decepcionou, ao conservador PP, que venceu, sem liderar, nenhuma força saiu daí mandatada para dar um rumo novo ao ocaso econômico e social em que se encontra o país, após oito anos de terapêutica neoliberal.

Nos EUA, o bafo morno das tempestades traz uivantes advertências de um conservadorismo que já não controla mais a criatura, com jeito de ‘anos 30’, como diz a Economist, que germina em seu ventre.

O desmonte que se aplica a contrapelo das urnas no Brasil deveria ser analisado à luz da gravidade pedagógica do curso tomado pela história nas últimas horas.

Sobretudo os senadores que em breve decidirão um processo ilegítimo de impeachment deveriam se perguntar: ‘Esgarçada a democracia, o que restará à nação?’

Não é precisa ser de esquerda para sopesar e refletir a gravidade do que se divisa do mirante da convulsão global: basta ser lúcido, contemporâneo e consciente das responsabilidades públicas com o futuro brasileiro.

Quantos desses há no Senado brasileiro?

O neoliberalismo revivificado aqui como diretriz ‘legitimadora’ do golpe , esfumou-se como alternativa de organização social e econômica na segunda principal economia da Europa.
Ao mesmo tempo e com igual intensidade, reafirmou o dano colateral da fragmentação política que se instala em sociedades submetidas a sua dieta, como mostra o caso do ‘ajuste espanhol’.
Receitas de supressão de direitos, empregos e gastos públicos, em nome de uma ‘contração expansiva’ a cargo do capital privada que nunca acontece, fazem água em todas as latitudes.

Será o Brasil a exceção?

A experiência do mundo lança alertas à direita e à esquerda.

O desacorçoo, desprovido de um contraponto político alternativo à rendição neoliberal, levou o ambiente partidário espanhol à um círculo de ferro de indiferenciação e descrédito.

A indignação difusa da Praça do Sol ainda não foi suficiente para rompe-lo.

Como um touro ferido, a democracia espanhola vagueia à procura de um projeto de futuro.

A incapacidade da política de dizer não ao mercado mantém a sociedade na UTI há oito anos, onde acumula 21% de desemprego (44% entre os jovens), um PIB quase 6% inferior ao de antes da crise e a mumificação progressiva do tecido social, sob a ação medicamentosa que ora se anuncia aqui como a salvação da lavoura.

A dinâmica global colide de maneira ostensiva com o que diz a manchete do jornal Valor desta 2ª feira, cujo maior pecado não é barrigada jornalística.

O que de pior a mídia inocula no discernimento brasileiro é a interdição ao debate ecumênico do desenvolvimento, em nome de uma certeza ortodoxa desprovida de laços com a realidade.

O vigamento ideológico da pauta neoliberal, a crença de que o Estado menor fará a sociedade melhor, não entregou o que prometeu.

Após quatro décadas de supremacia quase absoluta do seu credo, as grandes multidões cansaram de esperar pelos milagres do Messias Mercado.

A desilusão jorra pela sarjeta dos bairros pobres e remediados nos quatro cantos do mundo, que sempre estiveram ali e dali não mudaram para melhor.

Regurgita igualmente seu explosivo descrédito nos novos aglomerados decadentes, como o cinturão da ferrugem nos EUA.

Ferrugem industrial e mal-estar social.

Protótipo de cemitério fabril, em seu pórtico reluz o vaticínio a outros milhões de distritos operários do planeta, encarcerados na mesma lógica da liberdade para as coisas mortas e servidão para as vivas.

O paradoxo segue uma receita universal.

Desguarnecer a manufatura local, baratear importações dos clusters asiáticos, desencadear sucessivas contrapartidas de arrocho mitigatório e supressão de direitos, enxertar o vírus da pobreza e do desemprego nas famílias assalariadas, sepultar seu destino e o do país no definhamento tecnológico estrutural, consagrado como fatalidade diante da intocável liberdade para os capitais.

‘Nós que aqui estamos por vós esperamos’, dizem seis de cada sete norte-americanos, que ademais de não terem curso universitário, também não tem emprego nos dias que correm.

Formam eles a base do eleitorado que desistiu de esperar por uma solução ‘de mercado’.

Passaram a enxerga-la, perversamente, na mais arrematada personificação do seu algoz: o protecionismo regressivo, xenófobo, fascista, racista, preconceituoso e excludente.

Ou apenas, Donald Trump.

Seu sucesso reafirma, por caminhos contrapostos, a indissociável importância para a democracia da inserção produtiva sólida das famílias assalariadas, da sua identidade histórica e da correspondente organização de classe em torno de valores e direitos sociais compartilhados.

A mesma pobreza desgarrada que enxerga luz na escuridão vendida por Trump, optou pelo Brexit na Inglaterra e se rendeu ao desalento do ‘tanto faz isso ou aquilo’ na Espanha, neste domingo.

O cheiro de morte que empesteia o mundo desde a crise de 2008 se espessa na putrefação da pele política.

Vive-se a experiência de uma crise capitalista sistêmica que não gerou as forças de ruptura para a sua superação.

O resultado é a treva.

Essa que ‘ilumina’ as escolhas observadas nas últimas 72 horas e cujo poder contagioso equivale ao da peste negra –dos camisas negras— em outro divisor histórico.

A trinca aberta entre a base da sociedade e aqueles que deveriam vocalizar o conflito, mas, sobretudo, a negligência deliberada com a organização e o esclarecimento adequado dessa base, redundou no paradoxo infernal.
Não é um alerta difuso.

Cai como uma luva no Brasil.

Uma crise capitalista sistêmica que não gera forças de ruptura para supera-la encontra seu condottiere nas expressões mórbidas do próprio capitalismo.

O resultado é a virulência do que se busca despejar nos ombros das famílias assalariadas de todo o planeta.

E desde 12 de maio também nas do Brasil.

O país que em 1988 promulgou uma Constituição garantidora de direitos sociais e trabalhistas, a contrapelo da voragem neoliberal então avassaladora no planeta, engata mais uma viagem na contramão do tráfego histórico.

A diferença agora é que isso se faz em frontal contradição com os interesses da maioria da população.

E no lugar de uma repactuação constituinte, a bordo de um golpe de Estado.
A legitimidade para isso? As contas viciadas de uma plutocracia sonegadora para a qual a Carta Cidadã não cabe no orçamento da nação.

O pulo do gato do esbulho – aquilo que o diferencia de uma ditadura clássica– é usar o combate seletivo à corrupção como biombo para a repressão política inerente à regressão social.

É disso que cuida o califado de Curitiba.

Não fosse por esse achado –para o qual contribuiu o mergulho petista no universo do caixa 2 eleitoral—seria preciso chamar de volta a OBAN para dobrar a resistência à usurpação.

Basta Moro, por enquanto.

A corrupção endógena a um sistema político fragmentado para dar ao dinheiro o comando do todo, não é o único fator de desmoralização da democracia.

A subordinação do Estado ao mercado avulta como a principal fonte da descrença do nosso tempo na política, nos partidos e no voto.

É isso que estão dizendo os ingleses cuspidos do paraíso dos livres mercados prometido por Thatcher em 1979, no qual nunca couberam.

A exclusão é um requisito à estabilidade da geringonça.
Será mesmo?

Quatro décadas de neoliberalismo esfarelaram a classe média dos EUA e desmontaram o estado do Bem-Estar europeu.

A renda real da outrora afluente classe média gringa encontra-se estagnada no nível de 1977, tendo o PIB crescido 50% no período.

Nunca a desigualdade foi tão extremada como agora na sociedade mais rica da terra.
A tese neoliberal de que a concentração em cima, vazaria a riqueza por gravidade para baixo, chocou uma falácia.

A fatia da renda nas mãos dos 20% mais ricos nos EUA chega hoje a 55% do total; evoluiu na razão inversa na base da pirâmide.

Não é menos regressivo o quadro europeu.

Pesquisas mostram que a diferença entre um rico e um pobre na sociedade europeia era de 1 para 12, em 1945; passou de 1 para 82, em 1980; é de 1 para 530 atualmente.

Em toda a UE, apenas os dilacerados mercados de trabalho de Portugal e Grécia pagam salários médios mais baixos que aqueles recebidos pelos trabalhadores ingleses, que votaram maciçamente no Brexit, na última sexta-feira.

São ingleses, também, os experimentos mais radicais de desregulação do mercado de trabalho em curso na UE.

A mão de obra ‘just in time’, como já observou Carta Maior neste espaço, é uma dessas modalidades ultraflex, acalentadas aqui pelos paladinos da terceirização total.
A nova tecnologia trabalhista reduz o empregado a um insumo requisitado da rua apenas quando a demanda imediata o exige.

Somente o tempo de uso estrito pela engrenagem produtiva será remunerado.
É melhor que a senzala.

Há 700 mil ‘insumos humanos’ desse tipo no capitalismo britânico, sendo a modalidade de ‘emprego’ que mais cresce na terra de Shakespeare, onde a decadência laboral e o fastígio da riqueza financeira pareciam conviver funcionalmente, até a abertura das urnas no dia 24.

O que esse conjunto de martírios e recusa nos diz é que um ciclo está se fechando na sociedade capitalista no século XXI.

A supremacia financeira insaciável perdeu a capacidade de girar a roda da história na direção das necessidades objetivas e psicológicas da humanidade.

Engasgado na própria saliva, o neoliberalismo regurgitar a autodissolução em manifestações de extremismo conservador.

O desenlace permanece em aberto em todo o mundo, a evidenciar uma mudança de época que não encontrou ainda um protagonista capaz de virar a página do calendário.

Não há escolha fácil nesse ambiente difícil, assoalhado de chão mole por todos os lados.

O terremoto deve sacudir o sonambulismo da esquerda mundial a partir de agora.

A demanda por recheios distintos da rendição aos mercados vai acabar produzindo a sua oferta.

Mas o tempo para a resposta democrática encurtou.

Uma heroica renovação da esquerda, ou a sua não menos trágica extinção em benefício de manifestações totalitárias emergentes, é o que pulsa no monitor da história.

O anacronismo temerário da agenda golpista no Brasil estreitou adicionalmente o tempo dessa escolha entre nós.
*****
Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editorial/A-desintegracao-do-mundo-neoliberal-o-piloto-do-golpe-sumiu/36353