Uma questão de soberania nacional

29.05.2018
Do portal da Agência Carta Maior, 
Por Joaquim Ernesto Palhares*

 

Na semana passada, explodiu no país algo inusitado que uns chamam de locaute outros de greve. A Globo está completamente perdida, não sabe se critica ou apoia. Realiza uma crítica constrangida ao governo golpista de Temer e tenta, de todas as formas, proteger o mercado não menos golpista. Leia-se: salvar a cabeça de Pedro Parente.

O PT e as esquerdas se encontram em difícil posição politica, mas sustentam junto com os trabalhadores da Petrobras forte pressão contra a atuação do presidente da Petrobras que vem picotando a estatal, transformando-a em balcão de negócios escusos e alvo fácil para a privatização, sonho de Fernando Henrique Cardoso e cia.

Uma crítica que não está sendo realizada pelos caminhoneiros. Sem sombra de dúvidas, ser caminhoneiro no Brasil não é fácil. Esmagado entre os interesses das grandes transportadoras e a sobrevivência – péssimas estradas, longas distâncias, assaltos e horas intermináveis de serviço ganhando pouco –, a rebelião dos caminhoneiros é heterogênea, sem lideranças e vem ganhando imensa adesão da população.

Somos um país continental, onde o Império Português decidiu não implantar um sistema planejado de ferrovias, cobrindo toda a extensão do pais como aconteceu nos Estados Unidos. Como a elite de hoje, a de outrora concebia o Brasil como um imenso território a ser explorado.

Essa história é contada pelo professor Reginaldo Moraes, em “A Batalha dos Caminhoneiros nos Estados Unidos”, que nos permite compreender as semelhanças do setor no Brasil e nos Estados Unidos. “O setor dos caminhoneiros pode ser um bom laboratório para perceber os efeitos deletérios da desregulamentação, do livre-mercadismo delirante e da “uberificação” das relações de trabalho”, alerta Moraes.

As perdas provocadas pela paralisação certamente ultrapassam – em muito – os danos que o juiz Moro, através da Lava Jato, alega que a corrupção provocou Brasil. O país está parado. Hospitais sem medicação, foram suspensas as cirurgias de rotina, supermercados estão desabastecidos, escolas e universidades fechadas, aeroportos com imensos problemas de cancelamentos de voos e atrasos.

Em suma: um caos promovido pelo golpista Temer e o representante dos interesses norte-americanos no Brasil, para a liquidação da Petrobras, o sr. Pedro Parente.

Carta Maior vem acompanhando de perto a paralisação dos caminhoneiros. Para fomentar o debate e permitir que nossos leitores não caiam em falsas dicotomias, convidamos todos a lerem os artigos reunidos na editoria de Soberania Nacional, porque se trata realmente disso, como demonstra Bruno Lima Rocha em A Petrobrás sob o controle dos especuladores e a greve dos caminhoneiros.

Imperdíveis também os artigos Sem noção de nada e sem medo do ridículo de Eric Nepomuceno, Você realmente se preocupa com os caminhoneiros? de Jorge Luiz Souto Maior e Caminhoneiros e preços dos combustíveis: o mercado que se lixe de Gilberto Maringoni. Não deixem de conferir também as entrevistas da professora Leda Paulani e de Samuel Pinheiro Guimarães sobre o tema e as contundentes denúncias da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET).

Meus car@s, todos sabemos o quão difícil está a situação. O desemprego e o subemprego atingem mais de 30 milhões de brasileiros. Nosso país está sendo destruído. Nossa maior liderança está presa. Vem por aí uma eleição para Assembleias, Câmara e Senado Federal, Governo de Estado e Presidência da República – se é que teremos eleições.

A Mídia Alternativa, como um todo, sofreu um impacto muito violento com a perda da institucionalidade no país. Carta Maior, em especial, foi salva por seus leitores, mesmo assim, não escapamos do fechamento da redação por 77 dias devido ausência de recursos para pagar os técnicos que mantêm a página no ar.

Diante do quadro que se apresenta, nosso trabalho é ainda mais essencial e precisamos nos socorrer dos leitores que hoje representam a nossa única fonte de sustentabilidade. Se você valoriza o conteúdo da Carta Maior, saiba que estamos melhorando ainda mais.

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*Joaquim Ernesto Palhares
Diretor da Carta Maior
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Ditadura do judiciário: O que fazer, agora?

31.01.2018

Do BLOG DE ISMAEL, 27.01.18

Por Roberto Amaral*

O ex-ministro Roberto Amaral descreve a ditadura do judiciário como a mais perversa das ditaduras porque não há a quem recorrer em ultima ratio. Segundo ele, o golpe engendrado pela toga visou derrubar Dilma, impedir Lula e entregar o nosso petróleo e as riquezas nacionais às multinacionais estrangeiras.

O que fazer, agora?

por Roberto Amaral*

Como estava escrito (nem o reino mineral foi surpreendido), o Poder Judiciário, agora por intermédio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, anunciou a sentença de há muito lavrada pelos articuladores, mantenedores e beneficiários do golpe de Estado de 2016.

Distante do modelo anacrônico das quarteladas clássicas, dessas muitas que já povoaram a história das repúblicas e republiquetas latino-americanas, sempre vimos no impeachment de Dilma Rousseff a efetivação de um ‘golpe de Estado permanente’, mantido mediante operações continuadas, ou seja, um golpe em processo, de implantação gradual e sempre inconcluso.

Pelo menos até que outra força possa substituí-lo. E é exatamente isto o que se descortina à nossa frente.

A deposição da presidente Dilma, para a engenharia do golpe, era uma necessidade, e a posse do mamulengo que dorme no Jaburu, uma contingência, necessárias uma e outra para assegurar o grande objetivo de, com aparência de legalidade, interromper de vez com a emergência das massas, síntese ideológica do lulismo, que, sabendo ou não, tem suas raízes no trabalhismo varguista, não sem razão igualmente estigmatizado pelas nossas ‘elites’, conservadoras, incultas e atrasadas.

Nas circunstâncias da crise política, só mesmo a força de um golpe de Estado, e este foi apenas mais um em nossa História, poderia afrontar a manifestação da soberania popular, ao pôr por terra um governo recém-eleito, e, contra a manifesta vontade da sociedade, implantar uma política econômica, neoliberal e antinacional, rejeitada em quatro pleitos presidenciais.

O impeachment era, portanto, insisto na tese, o ponto de partida do golpe, que logo se materializou pela imediata entrega do petróleo do pré-sal às multinacionais concorrentes da Petrobras e adversárias de nossa autonomia energética, pelo desmonte do Estado e pelas ‘reformas’, com destaque para a revogação dos direitos trabalhistas, que remontam ao varguismo.

Por tudo o que óbvio, uma de suas metas mais preciosas, sem dúvida a conditio sine qua non para o que ainda está por vir, era e é e sempre será a destruição política do ex-presidente Lula, pelo que ele é e pelo que simboliza. Portanto, o ataque a Lula tem como alvo o conjunto das esquerdas, como ação e pensamento.

A impossibilidade da eleição de Lula, se possível não concorrendo, foi sempre a condição autorizadora das ameaçadas eleições presidenciais deste ano.

A tarefa inicial coube ao Poder Judiciário (em estreita colaboração com o Ministério Público e a Policia Federal) e por força e consequência dessa tarefa coube-lhe instaurar o estado de insegurança jurídica em que perigosamente vivemos hoje. Esse seu papel não começa nem termina no triste espetáculo do último 24 de janeiro, urdido e maquinado entre Porto Alegre Curitiba e Brasília, afinal vindo a público nos discursos e nos votos, adrede combinados, dos três julgadores que assumiram, sem mandato, o poder de decidir o que se esperava que nosso povo pudesse decidir, as eleições de 2018 e com ela nosso presidente e os destinos do país.

O papel político-partidário do Poder Judiciário começa com o indiciamento do ex-presidente e a transferência do processo para o âmbito da Lava Jato (decisão do ministro Edson Fachin), e tem continuidade na decisão monocrática do lamentável ministro Gilmar Mendes, impedindo a posse de Lula na chefia da Casa Civil da Presidência da República.

E ainda não terminou com a decisão do Tribunal de Porto Alegre, porque, assim como o TFR-4, falarão as instâncias do Poder Judiciário que doravante serão demandadas pela defesa do ex-presidente. Somente um néscio, ou um idiota por indústria, e os há muitos, poderá ignorar os elos que ligam cada uma das ações de cada um dos diversos atores.

Defenestrado do governo o lulismo com o impeachment, as forças que nos governam foram surpreendidas com a reação popular materializada na consagração do ex-presidente, apontado como virtual vencedor nas eleições deste ano.

Para a ordem dominante — Temer, Geddel, Romero Jucá et caterva –, configurava-se no horizonte o repeteco da inaceitável frustração de 1955 com as eleições de Juscelino Kubitschek e João Goulart, representantes, no pleito em que saíram vitoriosos, do trabalhismo, após a deposição de Getúlio Vargas, em 1954.

Daí a decisão de condenar Lula, jogando na inviabilização de sua candidatura e, se possível, conseguindo, de lambuja, sua destruição política. O Tribunal gaúcho simplesmente cumpriu com sua parte, disciplinadamente, como, com igual perícia, ‘tecnicamente’ cumprirão com suas tarefas o TSE, o STJ e o STF. O TFR-4 simplesmente lavrou ‘tecnicamente’ a sentença antes ditada pela decisão política.

Até aqui essas são as táticas e as estratégias da Casa Grande. E as forças progressistas, e as esquerdas de um modo geral?

Paralelamente, e desde principalmente a preparação emocional para o golpe, isto é, de forma mais audaciosa a partir de 2013, vem a Casa Grande, com o auxílio decisivo da mídia, sua mídia, investindo no acirramento – ponto de partida para o conflito anunciado – da luta de classes. Estará ela consciente de suas consequências, ou é mesmo pura irresponsabilidade?

O país, que até há pouco convivia, ou aparentava conviver com suas diferenças, é continuamente chamado a tomar consciências dos diversos andares pelos quais transitam nosso povo, e a ele é sempre lembrado – pelas avenidas Paulista de todo o país que seu lugar, do povo, é o ‘andar de baixo’. O pretexto Lula é o meio de pôr à luz do sol todo o preconceito que está na base ideológica de dominação de nossa burguesia.

É evidente que esta postura terá consequências, pelo menos no médio prazo, e seria razoável supor que uma de suas consequências seja a revisão, pelas esquerdas, de suas táticas e de suas palavras de ordem, e acima de tudo, uma readequação de suas organizações – a começar pelas partidárias — para os novos desafios que a direita, que ainda toma a inciativa, está pondo na liça.

É preciso compreender que as ameaças que se abatem sobre o lulismo são as mesmas que se voltam para o pensamento progressista de um modo geral, em todos os planos ideológicos, prometendo um retrocesso político cujos limites não sabemos prever.

Para compreender as características do novo quadro estabelecido por mais uma iniciativa bem sucedida da direita, é preciso, ainda, entender que os adversários da direita , e por consequência suas vitimas, não se reduzem ao PT, a Lula e ao lulismo.

Suas baterias apontam para a contenção histórica, para o retrocesso político, miram os movimentos sociais e o pensamento progressista, se voltam contra todo projeto de nação que tente conciliar desenvolvimento nacional com soberania e emergência das massas.

Possivelmente ninguém no campo da esquerda chega ao absurdo de duvidar dessa obviedade que é posta de manifesto para apoiar a pergunta que todos, hoje, devem estar nos fazendo: O que fazer, agora? O que fazer no imediato, com ou sem a candidatura Lula?

É preciso pensar no significado, e, principalmente, nas consequências do pleito de 2018, e, com essas condicionantes, pensar no papel do campo progressista, que, se não desejar jogar água no moinho da direita, deverá estar unido, pelo menos, no âmbito programático (na discussão de um programa mínimo de ação e propostas para refazer o país) que unifique as esquerdas em torno e no compromisso de todos, com Lula se possível (e para isso precisamos lutar), sem Lula se necessário, estar unidos no segundo turno.

É preciso, porém, para além de 2018 e para além do processo eleitoral, pensar na recuperação de valores abandonados e de projetos esquecidos como a denúncia da luta de classes e a defesa do socialismo.

Mas, acima de tudo, o quadro histórico de hoje cobra de todos os partidos e de todas as correntes como de todos os lideres uma radical reflexão em torno de nossos governos e de nossas posturas, de nossos projetos e de nossas diferenças.

Essa reflexão poderá ajudar na superação de diferenças não essenciais e unificar na tática a ação permanente de denúncia do esbulho e a elaboração de um Programa de governo comum.

Não se trata se discutir, já agora, candidaturas ou alianças eleitorais, mas sim de, antes delas, e acima delas, eleger os principais objetivos da esquerda brasileira, hoje, no pleito eleitoral – crucial para a vida nacional e nosso futuro imediato – mas discutir nosso papel independentemente do pleito, e fora dele, antes e depois.

Há duas lições a recolher. A Direita, repetindo os episódios consequentes da renúncia de Jânio Quadros (1961), nos entrega a bandeira da legalidade democrática. A segunda lição nos é oferecida pela mobilização popular e seu papel, decisivo, nas batalhas de hoje.

Às ruas, portanto.

*Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia

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RESULTADO DO GOLPE: As privatizações são o fim do Brasil

01.09.2017
Do portal JORNAL GGN
Por Pedro Augusto Pinho

Mais do que patifarias, as privatizações são o fim do Brasil
 
 No Prefácio à segunda edição (1999) do livro de Adrián Salbuchi,  “El Cerebro del Mundo – La cara oculta de la Globalización”, Gerardo Palacios Hardy alerta que, embora mais questionado pelo significado econômico, o processo de globalização debilitaria os Estados Nacionais a ponto de se prognosticar suas extinções no século XXI. Também Octavio Ianni (A Era do Globalismo, 1996) assinala que “um dos signos da globalização do capitalismo é o desenvolvimento do capital, transcendendo mercados e fronteiras, regimes políticos e projetos nacionais, regionalismos e geopolíticas, culturas e civilizações”.
Com o golpe de 2016, o Estado Nacional Brasileiro voltou ao controle integral da banca, quer a entendamos como o sistema financeiro internacional quer designando esta nova ordem mundial (!). E, não por mero acaso, a marca dos períodos presidenciais de Fernando Cardoso – as Privatarias Tucanas – retorna para concluir a alienação de todos os recursos naturais, estratégicos e produtivos do Brasil para os representantes da banca.
A falta de segurança, o colapso da justiça, a ausência de controle social e a proliferação da desordem, a transferência do poder decisório do Estado para grupos privados, o desmantelamento das políticas públicas e a inexistência de objetivos nacionais não ocorrem apenas pela incapacidade dos dirigentes dos três poderes. Esta também existe, mas prevalece o projeto da banca que tem o objetivo de demonstrar que o Estado é dispensável.
 
E para um Estado dispensável qualquer bem é inútil ou supérfluo. Logo venda-se tudo, como no fim da feira.
No entanto, o que mais nos importa é a defesa do Estado Nacional, do interesse nacional e do nosso projeto de nação. E aí que “a coisa pega”. Não aprendemos a ser cidadãos; somos senhores ou escravos, ontem e hoje.
Veja o caro leitor um único exemplo de como funciona a estratégia da banca, com o uso das técnicas econômicas e psicossociais que ela aplica ao redor do mundo.
O exemplo que apresento é da reestruturação organizacional, desfigurando os objetivos institucionais, facilitando a corrupção e a privatização de qualquer  empresa.
Este tema não tem sido aprofundado não só pelas complexidades técnicas e absoluta falta de visibilidade de seus processos, como pelo descaso que os veículos de comunicação de massa o tratam, ou melhor, o escondem.
Ele foi aplicado na Petrobrás, em 2000, no governo de FHC, e se repete agora, com o Banco do Brasil, no governo Temer.
Desculpem-me discorrer, ainda que com brevidade, sobre um tema técnico. As empresas, na imensa maioria, se organizam conforme princípios enunciados há um século pelo francês Henri Fayol e pelo estadunidense Frederick Taylor.
A Petrobrás, estruturada por Hélio Beltrão, em 1954, não fugiu à regra. Este competente brasileiro usou o que se denomina modelo departamental, aplicando-o conforme dois princípios – funcional e regional. Isto quer dizer que a estatal petroleira era gerenciada pelas técnicas empregadas: exploração e produção, refino, transporte, engenharia, pessoal, finanças etc e pelas regiões onde atuava, Refinaria de Mataripe, Região de Produção do Nordeste, Grupo Executivo para Bacia de Campos etc. O mais notável do trabalho de Hélio Beltrão foi associar ao modelo organizacional um modelo gerencial que definia hierarquicamente suas competências e, no topo, estabelecia a decisão colegiada. Com isso, a empresa tinha, simultaneamente, independência e controle das decisões. Os casos de corrupção, existentes até na Igreja Católica, eram mínimos e com frequência identificados e, de algum modo, punidos. O modelo Beltrão triunfara, numa empresa que, pelo próprio negócio, se agigantaria e se expandiria em diversas direções.
O que foi feito sob a direção da banca em 2000? Quebrou-se este modelo, fracionando-o integralmente não mais como um empresa de petróleo, mas como um empreendimento comercial, de qualquer tipo de negócio, que, como um estabelecimento colonial, deve dar o maior lucro no menor tempo possível. A isto se chamou unidades ou centros de negócio, como se houvesse outro além do petróleo. Apenas para que meu caro leitor tenha a noção da monstruosidade, não há, em qualquer outra empresa de petróleo, tal estrutura organizacional. 
Ao contrário, e o digo como participante de Grupo de Trabalho, nos anos 1980, da ONU, sobre a empresa integrada de petróleo, e autor de trabalho, também sobre a empresa integrada de petróleo, para a Escola Superior de Guerra, em 1992.
Mas como foi acontecer isto na Petrobrás?
Logo no início do governo de Fernando Cardoso – num processo semelhante ao  que o Presidente da Associação de Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Felipe Coutinho, tratou com profundidade no artigo “A caixa preta das Consultorias na Petrobrás” (24/08/2017) – foram contratadas duas empresas estrangeiras para reformar a Petrobrás: Booz Allen Hamilton e a SAP, esta na área de sistemas.
Conheci ambas e jamais as contrataria para assessorar minha empresa. E nem por questões éticas ou morais, mas pela capacitação técnica. Durante 16 anos trabalhei com diversos governos estrangeiros em consultoria organizacional, gerencial e de planejamento. Tive contato com estas duas e outras que atuavam nesta área. Elas trazem pacotes prontos, nem sempre discutidos com o cliente, sem atentar para as condições sociais, políticas e econômicas, e nem mesmo trato das possibilidades tecnológicas, dos países ou regiões onde serão implantadas.
Ora, a implementação destes modelos, e aqui apenas suponho, acordados com o governo Cardoso, levou ao desastre administrativo da Petrobrás e possibilitou a exploração política desta competentíssima empresa, ganhadora, por anos, de troféus internacionais por desempenho e capacitação técnica.
Agora, com o furor demolidor de um governo golpista e ilegítimo, a vítima é o Banco do Brasil, que é um símbolo de capacitação e de resultados em favor do Brasil, como a atividade agropastoril indica.
A coluna Fatos & Comentários do jornal Monitor Mercantil, em 30 de agosto de 2017, comenta a contratação da Falconi Consultores de Resultados, que tem,  entre seus dirigentes, um dos donos do Banco Itaú. E numa contratação sem licitação, como as que critica o Engenheiro Felipe Coutinho. Por conseguinte, caros leitores, preparem-se para os “escândalos do Banco do Brasil”, que antecederão sua temerosa privataria.
 
Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado
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CONSEQUÊNCIAS DO GOLPE: Super Janot, tem herói no universo de Marvel

16.08.2017
Do portal JORNAL GGN
Por  Luís Nassif 

Paulo Sotero é um ex-jornalista brasileiro que há anos dirige o Brazil Institute do Woodrow Wilson International Center for Scholars, em Washington, um think tank que se tornou um dos principais centros de lobby em relação ao Brasil.

Uma de suas funções é conceder bolsas para alunos interessados em políticas públicas. Outra, preparar estudos sobre diversos aspectos do Brasil atual. Há uma atenção especial a tudo o que se relaciona com o poder judiciário, informações abundantes sobre a Lava Jato, Gilmar Mendes falando de reforma política, Carmen Lúcia, Torquato Jardim e, obviamente, o Procurador Geral da República.

Um dos instrumentos mais eficientes de atuação do Woodrow Wilson é o de conceder atestado de boas maneiras a brasileiros alinhados com seu pensamento. Trata-se de uma versão contemporânea das miçangas com que os descobridores atraíam a simpatia dos indígenas.

Uma das últimas miçangas foi um artigo majestoso de Sotero no Estadão, Brasil ganha respeito com diplomacia judicial com um subtítulo consagrador: “Pais vem assumindo papel de liderança no combate ao crime transnacional”.

Cada país tem suas transnacionais cometendo seus próprios crimes. Há um histórico de atuação das petroleiras norte-americanas na África e de empreiteiras em vários países conflagrados. O diferencial brasileiro é o fato de ter sido o primeiro país que, a pretexto de combater a corrupção,. praticamente destruiu sua engenharia, suas maiores empresas, e está expulsando suas campeãs para os Estados Unidos.

Esse fantástico feito de auto-imolação mereceu elogios evidentemente sinceros dos EUA, na voz autorizada de Sotero. Qualquer cidadão norte-americano ficaria grato do mesmo modo.

Os números são tonitruantes. O Ministério Público Federal brasileiro recebeu mais de cem pedidos de cooperação de países, loucos para morder acordos de leniência de empresas nacionais. Empresas construídas com recursos nacionais, com financiamentos do BNDES, com obras públicas brasioleiras, em vez de pagarem ao Brasil, despejam dólares ao redor do mundo, em contrapartida às revelações de sua corrupção pelo bravo MPF brasileiro – cujos salários e benefícios são garantidos por impostos pagos no Brasil.

Mas como o feito é muito recente, segundo Sotero, não entrou nos cálculos da consultoria britânica Poirtland, que com seu Soft Power 30 analisa a capacidade de 30 países de se influenciarem mutuamente e a agenda internacional. Apesar dos recordes da Lava Jato, o Brasil ficou em penúltimo lugar, adequado, aliás, para um país que não aprendeu a preservar suas empresas e cujas autoridades se comovem com miçangas, como ocorreu com o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot que, nos primeiros resultados da Lava Jato, correu para se exibir a autoridades norte-americanas – e voltou de lá com denúncias prontas contra a Eletronuclear.

Sotero enaltece o espírito de colaboração entre os dois países. Mas não aponta um caso sequer de levantamento de corrupção de empresas norte-americanas.

Menciona evento recente, no qual o Brasil é elogiado pelo secretário adjunto interino da Justiça dos Estados Unidos, Kenneth Blanco, e o ex-procurador federal Patrick Stokes, que atuou no caso da Odebrecht-Braskem como chefe da unidade do Foreign Corrupt Practices Act do Departamento de Justiça. “O Brasil não apenas cresceu em sua capacidade de apresentar seus próprios casos, como, de forma dramática, de trabalhar com autoridades de outros países”, afirmou Stokes. 

O trabalho de quebrar empresas brasileiras e as exaurir financeiramente com multas pagas a terceiros países é denominado por Sotero de “diplomacia judicial”. “A internacionalização das operações do Direito levou à cristalização da diplomacia judicial como um campo específico das relações internacionais, distinto da política externa formulada pelos poderes executivos”, escreveu João Baptista Magalhães que chefiou a assessoria internacional do STF (Supremo Tribunal Federal) no início da década.

Por “diplomacia judicial” entenda-se a apropriação pelo MPF de atribuições exclusivas do Ministério da Justiça, para fechar acordos de cooperação.

Como lembrou Luiz Roberto Ungaretti, chefe do Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça, o MPF não é parte legítima para celebrar esse tipo de acordo. A Constituição prevê que acordos de cooperação só podem ser celebrados pelo Ministério da Justiça. Disse ele à Folha: “Quem representa o país não é o Ministério Público. Queremos celebrar os acordos, mas com o cuidado de preservar provas e medidas. Quando algo assim chega para nós, temos que conversar com a autoridade legítima do outro país”.

Uma certa má consciência faz com que Sotero termine seu artigo com um alerta:

“Elogios como esses, vindos de Washington, alimentam teorias conspiratórias espalhadas por atores, arautos e cúmplices da decrépita ordem da corrupção sistêmica exposta pela Lava Jato. Alegam eles que os promotores e juízes, vários dos quais com cursos no exterior, atuam em detrimento do interesse nacional”.

Imagine, Sotero, se alguém iria cometer tal injustiça contra heróis nacionais norte-americanos.

PS – A Coppe desenvolveu um veículo leve sobre trilhos que levita por magnetismo. Trata-se de inovação pioneira, com avanços que sequer os chineses desenvolveram até agora. Seus parceiros naturais seriam empreiteiras brasileiras. O protótipo está no campus da Coppe esperando que alguma empresa estrangeira se habilite, para viabiliza-lo comercialmente. As nacionais estào quebradas.

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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/super-janot-tem-heroi-no-universo-de-marvel-por-luis-nassif

Outra bomba! Moro entregou à polícia americana dados sigilosos de cidadão brasileiro

26.06.2017
Do blog O CAFEZINHO
Por Miguel do Rosário

Em qualquer outro país do mundo, um juiz que fizesse o que fez Sergio Moro já teria sido afastado e preso.

No Brasil, ele continua atuando, condenando pessoas (com base em despachos inteiramente absurdos e destituídos de provas) e destruindo empresas.

A impunidade de Sergio Moro é a prova de que precisamos de um severo controle externo para o Judiciário.

O Conselho Nacional de Justiça precisa ser inteiramente renovado. Ele precisa ser uma instituição composta por gente de fora do judiciário, disposta a corrigir, duramente, os erros e traições de magistrados.

Moro usa jurisprudência do STF americano para cometer crimes no Brasil. É inacreditável!

Leia a matéria abaixo.

Mais um furaço dos Jornalistas Livres!

A Globo não vai botar o seu novo “centro de jornalismo” para investigar este assunto?

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Nos Jornalistas Livres
Moro enviou à polícia americana dados sigilosos de cidadão brasileiro

Juiz usou ordenamento jurídico dos EUA para se justificar, mesmo isso contrariando as leis brasileiras. E o MPF só ficou sabendo de tudo depois de feito

Por Gustavo Aranda, dos Jornalistas Livres
26 junho, 2017

O juiz federal Sergio Moro autorizou em 2007 o envio de dados sigilosos de um cidadão brasileiro a autoridades policiais norte-americanas que o investigavam e estavam preparando um flagrante. As diligências realizadas nos Estados Unidos contaram com a participação de uma delegada federal brasileira, que relatava seus atos ao juiz Moro. Sem informar autoridades do governo federal brasileiro, o juiz paranaense determinou ainda que fossem criados no Brasil um CPF e uma conta bancária falsa para uso da polícia dos Estados Unidos, conforme revelou reportagem dos Jornalistas Livres publicada no último dia 22. Procurado no último dia 20 para falar sobre o assunto, Moro ainda não se manifestou (leia mais abaixo).

Essas informações constam nos autos do processo nº. 2007.70.00.011914-0, que tramitou sigilosamente no Tribunal Federal da 4ª Região até 2008, e ao qual os Jornalistas Livres tiveram acesso. A investigação referida foi feita em conjunto pela Polícia Federal do Brasil e a Polícia do Estado da Geórgia, por solicitação desta última e com autorização do juiz Sergio Moro.

No dia 14 de março de 2007, a Embaixada dos EUA enviou à Superintendência da Polícia Federal no Paraná um pedido de operação conjunta para investigar suposto crime de remessa ilegal de dinheiro de lá para o Brasil. No dia 17 de maio do mesmo ano, a PF no Paraná solicitou autorização judicial para executar no país operação envolvendo agentes estrangeiros infiltrados e possível produção controlada de documentos falsos.

Sempre conforme revelam os autos do processo a que os Jornalistas Livres tiveram acesso, coube ao juiz Moro, então titular da 2ª Vara Federal de Curitiba, apreciar o pedido policial. A solicitação chegou em seu gabinete no dia 18 de maio de 2007, uma sexta-feira. Ele a deferiu integralmente na segunda-feira seguinte, dia 21, sem antes submetê-la à análise do Ministério Público Federal, como manda a lei.

Quer dizer: em uma sexta-feira, o magistrado paranaense tomou conhecimento de toda a conversação e do trabalho de dois meses realizado pelas polícias dos dois países, da investigação em curso e da operação solicitada, e já na segunda seguinte foi capaz de deferir integralmente os pedidos, que incluíam “a abertura de contas correntes no Brasil em nome de agentes disfarçados e de identidades a serem criadas”.

A OPERAÇÃO E A LEI

Reportagem publicada pelos Jornalistas Livres no último dia 22 revelou que, em 2007, Sergio Moro teria viabilizado e tornado lícita uma operação policial que contou com a ação do chamado “agente provocador”, figura prevista e legal segundo a legislação dos EUA, mas completamente afastada do Ordenamento Jurídico brasileiro. Trata-se do policial que instiga um suspeito a cometer um delito, a fim de elucidar ilícitos maiores praticados por quadrilhas ou bandos criminosos. No caso em questão, o agente norte-americano foi munido de uma conta bancária falsa no Banco do Brasil, aberta em nome, CPF e RG fictícios, criados por ordem de Moro apenas para servir aos intuitos das autoridades norte-americanas. Com este ferramental, policiais dos EUA induziram um brasileiro investigado naquele país a cometer uma operação de câmbio irregular (envio de remessa de divisas ao Brasil sem pagamento dos devidos tributos).

Então, no dia 21 de maio de 2007, uma segunda-feira, Moro deferiu todos os pedidos requeridos na sexta anterior pelos policiais. Para justificar o deferimento, o juiz do Paraná fez uso de jurisprudência (decisões judiciais anteriores sobre casos semelhantes) da Justiça dos EUA, uma vez que tais operações não são recepcionadas pela lei brasileira:

 

“(…) Como já decidiu a Suprema Corte norte-americana em casos como Lopez v. USA, 373 US 427, 1963, e Hoffa v. USA, 385 US 293, 1966, o devido processo legal não protege a crença equivocada de um criminoso de que a pessoa para a qual ele voluntariamente revela seus crimes não irá, por sua vez, revelá-los às autoridades públicas. O que não é viável através de diligência da espécie é incentivar a prática de crimes. Agentes disfarçados extravasam os limites de sua atuação legítima quando induzem terceiros à prática de crimes.”

“Não é este, porém, o caso quando o agente disfarçado age apenas para revelar um esquema criminoso pré-existente, ainda que possa, para que o disfarce seja bem sucedido, contribuir para a realização do crime. ‘Entrapment’ ou armadilha só existe e é ilegítima quando inexiste um prévio esquema ou predisposição criminosa (cf. jurisprudência da Suprema Corte norte-americana, v.g. Sorrel v. USA, de 1932, e, a ‘contrario sensu’, da Corte Européia de Direitos Humanos, v.g. Teixeira de Castro v. Portugal, de 1998).”

“Repetindo a Suprema Corte norte-americana no caso Sherman v. USA, de 1958, trata-se de ‘traçar uma linha entre a armadilha para um inocente incauto e a armadilha para um criminoso incauto’”.

Convencido de que a operação que autorizava revestia-se de legalidade no Brasil por estar de acordo com o que preconiza o Direito dos EUA, Moro permitiu a participação de uma delegada federal brasileira nas diligências ocorridas no Estado da Geórgia e sob a jurisdição de autoridades norte-americanas contra o cidadão brasileiro investigado naquele país.

Sempre conforme evidenciam os autos do processo ao qual os Jornalistas Livres tiveram acesso, a referida autoridade brasileira manteve Sérgio Moro informado de suas atividades em território estrangeiro, por meio de ofício enviado ao juiz paranaense, que segue abaixo:

“Senhor Juiz,

Serve o presente para encaminhar o relatório COMPLETO dos últimos três períodos dos monitoramentos levados a cabo, incluindo o resumo das conversas em inglês numa tradução livre feita pela signatária (delegada da PF do Brasil).”

“A signatária foi informada pelo Agente Especial do DHS/ICE/Atlanta que a operação para a prisão do alvo XXXXX ocorrerá no próximo dia XXXX, incluindo busca e bloqueio de contas. Já há autorização para o compartilhamento dos dados com esse Juízo”.

“A signatária esteve na cidade de Atlanta-Geórgia no mês de agosto, por convite do governo americano, e acompanhou várias diligências relacionadas a tal operação conjunta com o DHS/SAC/Atlanta.”

Ao longo de dois meses de investigações contados a partir do dia 21 de maio de 2007, Moro deferiu cinco solicitações conjuntas da PF do Paraná e das autoridades norte-americanas para atividades inseridas na ação controlada em execução. Entre elas estavam a criação de CPF e RG falsos, a abertura de conta fictícia no Banco do Brasil, a remessa irregular controlada de US$ 100 mil dos EUA ao Brasil e a quebra de sigilo bancário e fiscal de pessoas e empresas brasileiras, além do envio para os Estados Unidos de todas as informações obtidas por meio dessas diligências.

Foi só depois de deferir de ofício todas essas solicitações que Sérgio Moro informou os fatos ao Ministério Público Federal, titular legal de todo e qualquer processo penal instaurado no Brasil e que tem, entre outras funções institucionais, a de promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei e exercer o controle externo da atividade policial.

OUTRO LADO
Os Jornalistas Livres enviaram na manhã do último dia 20 à assessoria de imprensa da Justiça Federal no Paraná, onde atua o juiz Sergio Moro, as seguintes questões a serem encaminhadas ao magistrado:

“Perguntas referentes ao processo nº. 2007.70.00.011914-0

– Qual a sustentação legal para a solicitação do juiz Sérgio Moro para que a Receita Federal criasse CPF e identidade falsa para um agente policial dos Estados Unidos abrir uma conta bancária no Brasil em nome de pessoa física inexistente?

– Por que o juiz Moro atendeu ao pleito citado acima, originário da Polícia Federal, sem submetê-lo, primeiramente, à apreciação do Ministério Público Federal, conforme determina o ordenamento em vigor no país?

– Por que o juiz Moro não levou ao conhecimento do Ministério da Justiça os procedimentos que autorizou, conforme também prevê a legislação vigente?”

A assessoria do órgão não chegou a submeter os questionamentos ao juiz. Disse, por e-mail, que não teria tempo hábil para buscar as informações em arquivos da Justiça:

“Esse processo foi baixado. Portanto, para que consiga informações sobre ele precisamos buscar a informação no arquivo.

Outra coisa, precisa ver o que realmente ocorreu e entender pq o processo foi desmembrado para o Rio de Janeiro. Não tenho um prazo definido pra conseguir levantar o processo. Também preciso entender como proceder para localizar o processo aqui. Infelizmente essa não é minha política, mas não consigo te dar um prazo para resposta neste momento. Fizemos pedidos para o juiz e para o TRF-4.

Sugiro que vc (sic) tente com a Justiça Federal do Rio de Janeiro também.

Espero que compreendas.

Assim que tiver alguma posição, te aviso.”

Jornalistas Livres seguem aguardando o envio das respostas às perguntas endereçadas à assessoria de imprensa do TRF4.

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2017/06/26/outra-bomba-moro-entregou-policia-americana-dados-sigilosos-de-cidadao-brasileiro/

FHC ENTREGUISTA: PHA explica como FHC ia entregar a Petrobras

24.04.2017
Do blog CONVERSA AFIADA, 28.12.15
 
Os planos do Príncipe(da Privataria Tucana) antes de ser presidente
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STF é frouxo, não anula o golpe e não subordina Moro e MPF à legalidade — Lula, diretas e entreguismo

20.12.2016
Do blog PALAVRA LIVRE, 12.12.16
Por Davis Sena Filho

“Se o golpe terceiro-mundista foi apoiado pelo Judiciário, então está permitido roubar o Brasil e seu povo”. (DSF)

alula

A delação da Odebrecht é a gota d’água que inunda a alma da Nação, apesar de que quase todos os brasileiros, que tenham algum discernimento e sensatez para estabelecer ou formular seus juízos de valores, compreendem, sem sombra de dúvida, que o Brasil mais uma vez foi vítima de um golpe de estado em 2016, sendo que este, ao invés de ter sido realizado por uma quartelada à moda “gorilagem”, foi idealizado e efetivado pelo golpismo via Congresso, Judiciário e imprensa de mercado, que, associados a um consórcio de direita, resolveram derrubar uma presidente constitucional e legítima, porque reeleita legalmente, não canso de ressaltar e lembrar, com 54,5 milhões de votos.

Inaceitável o golpe. E explico: toda sociedade ou nação, e estou a comentar apenas sobre os países democráticos, elegem suas lideranças, sendo que todo país tem seu cargo público principal, que geralmente é o de presidente da República ou do primeiro-ministro etc. Porém, no mundo são os dois mais importantes cargos, bem como os mais comuns, além dos monarcas e ditadores.

Entretanto, a dar sequência ao raciocínio, as sociedades são como colmeias de abelhas ou alcateias de leões, porque quando os “reis” ou as “rainhas” são derrubados por invasores ou até mesmo por indivíduos que frequentam ou são partes de “suas” cortes, quase que instantaneamente as comunidades violadas pela derrubada ou morte de suas lideranças máximas entram em um processo de desconstrução e de autodestruição quase impossível de controlar ou se reorganizar.

É o que acontece com o Brasil. E não é pela primeira vez que ocorre um golpe de estado de terceiro mundo, bem como todos eles promovidos pela direita brasileira, uma das mais poderosas e cruéis deste planeta, que em hipótese alguma teve e tem a responsabilidade de pensar o Brasil, porque apenas se preocupa em manter seus benefícios e privilégios, além de cuidar de seus interesses patrimoniais e financeiros, a ter o Estado nacional como o instrumento que viabiliza a transferência das riquezas do País para uma casta irresponsável, incompetente e que jamais em sua história indigna e violenta se compromissou com a independência do Brasil e a emancipação de seu povo.

Agora estamos a atingir os estertores da Lava Jato. Para quem pensa que tal força-tarefa vai sair incólume de seus crimes, abusos e covardias está redondamente enganado. Após Lula não ser citado em quaisquer listas de pessoas que se beneficiaram com propinas e corrupções de toda monta, a Lava Jato chegou a uma encruzilhada: ou prende Lula pela força do arbítrio ou reconhece que Lula não cometeu crimes ou quaisquer malfeitos que possam macular sua imagem de político e cidadão. Estamos a falar de um político que lidera todas as pesquisas eleitorais sobre candidatos a presidente, depois de ser linchado moralmente em público, diuturnamente, por dois anos.

Após ser perseguido por toda sua vida política, ou seja, por cerca de 40 anos, Lula se reergue para levantar voo igual à Fênix, pois, nos últimos dois anos foi perseguido ferozmente e covardemente pela imprensa mais corrupta e golpista do mundo ocidental e especialmente pelas Organizações(?) Globo, além de ser vítima de lawfare, o que significa que o ex-presidente Lula, como se tem comprovado por meio das acusações e denúncias seletivas e vazias, é alvo de uma guerra travada por meio da manipulação das leis perpetrada, incrivelmente, por togados.

Exatamente, Lula está a ser tratado por procuradores e juízes como inimigo político a ser derrotado e, com efeito, o Direito e as leis passam a ser usados de forma abusiva, como arma de guerra para se obter sucesso político, partidário, jurídico e judicial. Ou alguém tem dúvida de que Moro, Gilmar, Dallagnol et caterva atuam mais como políticos do que servidores do Judiciário? Se tiver dúvida, por favor, vá procurar um analista ou alguém que possa explicar melhor a história dos golpes que aconteceram no Brasil. Porque, definitivamente, não é possível tolerar tanta alienação e burrice…

Trata-se, na verdade, de estratégia coordenada e organizada pelo Judiciário, a exemplo da Vara do juiz Sérgio Moro e pelo MPF de Curitiba dos procuradores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Silva, com a aquiescência e a cumplicidade dos juízes do STF, à frente da conspiração o Juiz Gilmar Mendes e cia., que permitiram que um bandido desse sequência ao processo de impeachment (golpe) contra Dilma Rousseff, sendo que somente tal sujeito foi preso depois de quase um ano, porque esperaram que ele terminasse o trabalho sujo da sedição desavergonhada.

A patifaria evidenciada por bandoleiros da pior espécie e laia em tamanho macro, que tirou da cadeira da Presidência da República uma mandatária honesta e que não cometeu crime de responsabilidade. Inaceitável! Os golpistas deveriam estar presos por traição à Pátria, a colocar em risco o Estado de Direito, a democracia e os direitos civis, trabalhistas e previdenciários do povo trabalhador brasileiro, a desmontar, irresponsavelmente e criminosamente, o Estado nacional como ocorre, agora, com a venda do Pré-sal às corporações estrangeiras e aos plutocratas sempre de plantão, que se comportam como as aves de rapinas à espera da morte do animal ferido ou doente.

O ex-deputado e agora o preso, Eduardo Cunha, fez o que fez porque teve a permissão para dar o pontapé inicial do golpe cucaracha, mas violento, por parte do STF, que poderia, se também não estivesse envolvido com o golpe bananeiro, ter impedido tal desditosa aventura orquestrada por aventureiros da pior espécie, pois comprometidos com seus inconfessáveis interesses, bem como determinados a destruir ou desmontar, sem quaisquer hesitações, o estado de bem-estar social que estava a ser edificado por intermédio dos governos trabalhistas, que, a despeito de suas falhas e erros, acertaram muito mais do que erraram, porque, efetivamente, a história registrará os grandes avanços sociais, econômicos e diplomáticos conquistados nos governos essencialmente democráticos e plurais dos presidentes Lula e Dilma.

A verdade é que está a acontecer a desmoralização dos ataques, dos atos e ações inconsequentes contra Lula por parte de servidores públicos do Judiciário, que resolveram participar da luta política. Estão tão envolvidos que chega a ser uma afronta à Constituição e ao Direito, além de serem contestados por grande parcela da sociedade, que percebe as más ações de procuradores, delegados e juízes, que desde as eleições de 2014 e as manifestações de junho de 2013 estão claramente a demonstrar que têm lado, partido, ideologia e preferência ao escolher seus parceiros e correligionários, que geralmente são os políticos do PSDB, do DEM e PPS, que são protegidos e blindados de tal forma que só resta à população mais politizada sentir imensa vergonha e revolta de ver um Judiciário capcioso, sectário, seletivo e injusto como o que atua no Brasil.

Trata-se da Justiça burguesa, que se transformou, inapelavelmente, em capitão do mato ou feitor da casa grande de índole e caráter escravocrata. É o Judiciário que vê o Brasil ser entregue, os investimentos serem congelados por 20 anos e não faz nada, porque é cúmplice do desmonte do estado de bem-estar social. Lamentável para muitos brasileiros ter de conviver com uma classe, sem generalizar, como essa. É por demais insuportável, pois quem tem um mínimo de discernimento do que é justo e injusto, defensável e indefensável, factível e infactível sabe muito bem que a razão para o Brasil estar numa situação de País pária e bananeiro é porque a direita tupiniquim, a burguesia colonizada quer governar para se beneficiar mesmo se for pela força de um golpe terceiro-mundista e digno de canalhas.

A verdade é que os procuradores, os delegados e os juízes se prenderem Lula, que não roubou, que até hoje mora em seu apartamento de classe média em São Bernardo, assim como não tem dinheiro no exterior estão desesperados e, como não são idiotas, sabem que prender o maior líder da América Latina e um dos maiores do mundo vai ter uma enorme consequência em âmbitos mundiais e domésticos. Não se destrói uma liderança eminentemente popular e que não roubou sem pagar um preço muito alto, tanto no aspecto histórico quanto na vida real, agora e neste momento — já!

A verdade é que Lula lidera todos os cenários de primeiro turno pela disputa da cadeira presidencial — o Palácio do Planalto. E o consórcio de direita, formado por togados, donos da imprensa de negócios privados e seus jornalistas inconsequentes, além de, obviamente, a direita partidária, à frente os partidos golpistas que estão a esculhambar com o Brasil sem ter vencido as eleições, estão, volto a ressaltar, completamente de-ses-pe-ra-dos!

Luiz Inácio Lula da Silva no poder é sinônimo de luta pela independência do Brasil e a abertura do acesso ao consumo, à educação, à saúde, ao emprego e ao estudo por parte do povo brasileiro. Aquele mesmo que a burguesia estúpida e malandra, além de violenta quer ver na condição eterna de mão de obra barata, escrava, bem como não ser dono de seu próprio nariz — de seu destino. Lula no poder significa o Brasil diplomaticamente democrático ao tempo que independente e autônomo, que luta para ser desenvolvido, porque exige que seus tratados diplomáticos, científicos e tecnológicos sejam definidos por uma política de conteúdo. É a exigência, a contrapartida para que os estrangeiros mais desenvolvidos se estabeleçam no Brasil ou vendam seus produtos, de forma que repassem o conhecimento.

É o que a direita não faz, a burguesia não faz, a casa grande não faz e ainda tem coxinha a apoiar tal selvageria, traição, idiotice e burrice. A estupidez proposital para que não se exija contrapartida, porque a direita brasileira entrega o País sem o gringo pedir ou pressionar. Surreal! Coisa de vermes! Coisa de subalternos e provincianos, que se consideram chiques porque têm dinheiro e fazem viagens para o exterior há décadas sem compreender o porquê de os países ricos serem desenvolvidos.

Que miudeza. Que gente diminuta, que dá um golpe de estado travestido de legal e legítimo e começa a tirar, a toque de caixa, com a fome dos lobos, os benefícios, os direitos e os avanços dos pobres. Deram um golpe para roubar o pobre e as riquezas do País. Inacreditável! São uns animais! Eternamente subdesenvolvidos e por isso desrespeitados e desconsiderados pelas autoridades e a imprensa estrangeira. *mi-shell temer e sua camarilha são adeptos da patuscada.

São uns golpistas miseráveis e endinheirados, que não sabem nem por que estão vivos, porque não servem a ninguém e muito menos ao Brasil. São uns pulhas, além de covardes, porque destruíram a economia e a estabilidade política do Brasil para impedir que o projeto de País social-democrata do PT fosse adiante. O golpe, antes de tudo e qualquer coisa, foi para recolocar o Brasil no círculo de influência dos Estados Unidos, ou seja, trazer de volta a grande Nação brasileira para a órbita da globalização, que, na verdade, trata-se do neoliberalismo mais sofisticado, além do Consenso de Washington de 1989.

O Brasil está a retroceder ao neoliberalismo da década de 1980 e até mesmo de 1970, quando os chicago-boys do general Augusto Pinochet arrebentaram com a economia e a previdência social do Chile. Agora querem arrebentar com a previdência brasileira para entregá-la aos bancos, que controlam as previdências privadas. São bilhões e bilhões, bem como a “quebra” da Previdência Social é mentira, covardia e entreguismo aplicado diretamente nas veias do povo trabalhador brasileiro. Não há essa… Trata-se de roubo perpetrado por bandidos que tomaram o poder de assalto.

Então que se faça uma auditoria ampla e total na Previdência Social. O País exige saber qual é a verdadeira situação da Previdência. Chega de conversa fiada, de papo borracha, de disse me disse. Degradaram o País propositalmente para derrubar a presidenta Dilma Rousseff. Só que tem o Lula. O Lula, segundo a Datafarsa, tem 25% da intenções de voto; o Aécio Neves tem 11%. O tucano é o principal político do golpe, pois o maior responsável pela sabotagem ao Governo Trabalhista de Dilma, a partir do primeiro dia após as eleições de outubro de 2014. Marina Silva, oportunista como sempre, calou-se após perceber que o golpe de terceiro mundo é uma furada, mas tem 15% das intenções. Seu papel aventureiro e sua imensa incoerência vão ficar registrados na história.

Contra Geraldo Alckmin, Lula tem 26%. O político trabalhista vence também o tucano José Serra, o sujeito sem eira nem beira que está a vender a Petrobras às transnacionais estrangeiras do petróleo. A exceção é Marina Silva. Segundo o Datafarsa, ela teria 43% contra 34% de Lula, no segundo turno. Contudo, e todo mundo sabe que a banda não toca assim e que Lula com espaço no horário eleitoral e na mídia, a debater o País e a brigar e discutir com seus adversários é difícil de segurar.

E por quê? Porque, além de ser um homem corajoso ele governou oito anos o Brasil e saiu do poder com 87% de aprovação. Seu legado é mais do que imenso, é histórico. Lula tem o que mostrar e lembrar. E a Marina? Vai mostrar o quê? Que ela é golpista? Que ela ficou do lado dos ricos? Que ela é omissa e negligente? Que ela se calou quando aconteceu o golpe cucaracha? Que ela não tem compromisso com ninguém, a não ser com ela? Marina é do partido da Marina, e nada mais… Lula a derrota porque se trata de um político que é parte indissociável do roteiro da história do Brasil. Não tem jeito. A casa grande golpista e usurpadora terá de engolir… Ou prender o Lula. Ou o Lula morrer. O Datafarsa não importa. Ponto.

O STF tem de avaliar todos essas questões que são colocadas neste texto e em inúmeros artigos escritos por colunistas e comentaristas da blogosfera progressista. Do contrário, se avaliarem a conjuntura política a ler apenas jornalistas conservadores, cúmplices e protagonistas do golpe das bananas vão se dar mal, porque tem de ouvir os dois lados, coisa que a imprensa burguesa e empresarial não faz e não fará enquanto o PT e os políticos de esquerda tiverem chances de vencer eleições presidenciais.

Os juízes do STF, na verdade, deveriam urgentemente acabar com o golpe, colocar os golpistas no lugar que merecem: a lixeira da história. O STF ainda tem tempo para salvar sua credibilidade, ao apoiar as diretas já e fazer com que o Brasil retome seu crescimento econômico e social e recupere sua autoestima sequestrada por vagabundos da pior espécie, que rasgaram 54,5 milhões de votos sem terem moral para isso e muito menos direito. O consórcio golpista e de direita está no limbo da história, a chafurdar na lama fétida da traição.

O STF não puniu o juiz que vazou o áudio de Lula e Dilma, liberou o Eduardo Cunha para dar início ao golpe, apoiou os crimes de Sérgio Moro, a seletividade daninha de Rodrigo Janot, submeteu-se às negociações debaixo do pano com Renan Calheiros, permitiu que Lula fosse até agora linchado e perseguido sem os togados comprovarem dolos por parte do líder trabalhista e, não satisfeito, seus membros não conhecem as realidades brasileira e cruzam os braços enquanto o Brasil é vendido como se fosse um reles produto das Casas Bahia.

A verdade é que o jogo de xadrez político e jurídico está a chegar ao seu fim. E o fim se dará com a prisão ou não de Lula — o presidente que não roubou e nada se comprovou contra ele, a não ser que o político de esquerda é perseguido caninamente e linchado publicamente. O Brasil paga para ver! É isso aí.

*mi-shell temer – o nome de tal peçonha é sempre escrito em minúsculo, por se tratar de um pigmeu moral, político, citadino e golpista.

*mi-shell temer, além de ter seu nome sempre escrito em minúsculo, a partir de agora terá seu primeiro nome escrito com as letras m-i-s-h-e-l-l. Portanto, o nome de tal desditosa peçonha passa a ser escrito no Palavra Livre como *mi-shell temer. PS: sempre em minúsculo.

*mi-shell é também conhecido pelo vulgo Amigo da Onça — o Usurpador Traidor.

*Golpista é palavra sinônima de *mi-shell temer.

*mefistófeles é *mi-shell temer.

*mi-shell temer é *mefistófeles.

*mefistófeles é sempre escrito em minúsculo.

*FHC é o Neoliberal Golpista I, aquele tucano que governou para os ricos, foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado e com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes. 

*FHC, o grão-tucano de direita e defensor da plutocracia, jogou o que restava de sua biografia na lixeira da história, porque se tornou cúmplice e protagonista do golpe de estado terceiro-mundista de 2016, que derrubou do poder a mandatária trabalhista Dilma Rousseff — a presidente legítima e constitucional.

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Fonte:https://davissenafilho.blogspot.com.br/2016/12/stf-e-frouxo-nao-anula-o-golpe-e-nao.html