BRESSER DIZ QUE MORO ENVERGONHOU A JUSTIÇA AO CONDENAR LULA

15.07.2017
Do portal BRASIL247

“Se havia uma quadrilha, ela estava no PMDB e no Planalto. Ao mesmo tempo, se tornou evidente que Lula não se envolvera pessoalmente na corrupção. Mas Moro não podia ‘trair’ seus companheiros, e condenou Lula. Ao fazê-lo, envergonhou a Justiça brasileira”, diz o professor Luiz Carlos Bresser-Pereira

A condenação de Lula era inevitável

Por Luiz Carlos Bresser-Pereira, em seu facebook

O juiz Sérgio Moro não tinha alternativa senão condenar Lula. O crime não existia, já que o ex-presidente não comprara nem tomara posse do famoso tríplex. Mas, Moro como líder da operação Lava Jato, e os procuradores da força tarefa de Curitiba adotaram conjuntamente uma estratégia política quando iniciaram essa operação.

Para obter o apoio da mídia e das elites econômicas, eles decidiram centrar fogo em Lula e no PT. A estratégia deu certo inicialmente, porque o PT realmente se financiara recebendo propinas.

Mas, passado mais de um ano, a estratégia começou a se desmoralizar, especificamente no momento em que a força tarefa declarou ser Lula o líder de uma quadrilha e usou uma apresentação em Power Point para “comprovar” tal afirmação.

Mais recentemente, a estratégia se esvaziou definitivamente, porque ficou claro que os outros partidos, especialmente o PMDB, e vários dos principais líderes desse partido e do PSDB estavam ainda mais envolvidos na corrupção do que os líderes do PT.

Se havia uma quadrilha, ela estava no PMDB e no Planalto. Ao mesmo tempo, se tornou evidente que Lula não se envolvera pessoalmente na corrupção. Mas Moro não podia “trair” seus companheiros, e condenou Lula. Ao fazê-lo, envergonhou a Justiça brasileira.

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Fonte:https://www.brasil247.com/pt/247/parana247/306533/Bresser-diz-que-Moro-envergonhou-a-Justi%C3%A7a-ao-condenar-Lula.htm

Aécio, o verdadeiro mensaleiro

03.05.2017
Do portal BRASIL247, 12.04.17
Por ESMAEL MORAIS

Pedro França/Agência Senado

Esqueça tudo que você viu, leu ou ouviu nos últimos anos — as fake news da velha mídia — acerca de “mensaleiros”, pois, segundo delações da Odebrecht, o verdadeiro mensaleiro era o senador e presidente nacional do PSDB Aécio Neves (MG).

Os delatores da empreiteira afirmaram que “Mineirinho”, o codinome de Aécio, recebia mesadas que variavam de 1 milhão de reais a 2 milhões de reais. Ou seja, pelo valor poder-se-ia ser classificado de “mensalão”.

Não há a pretensão ou vocação desta página pelo vestalismo. Pelo contrário. Somente o registro do falso moralismo que tomou conta da velha mídia e da velha oligarquia política do país.
Voltemos ao mensalão de Aécio.

Segundo o colaborador Henrique Valladares, o mensaleiro Aécio recebia religiosamente a mesada da Odebrecht. Os executivos da empreiteira apresentaram provas documentais de pagamento de propina ao presidente nacional do PSDB e a seus aliados políticos nos estados.

Não é à toa que o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, autorizou nesta terça (11) a abertura de cinco inquéritos para investigar Aécio.

E não é que Aécio e demais golpistas saíram às ruas para protestar contra a corrupção em passado recente? haja cinismo…

Grosso modo, é o típico filme cujo final o “mocinho” era, na verdade, o “bandido” e o “bandido” era o “mocinho”. É a vida imitando a arte.
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/colunistas/esmaelmorais/290099/A%C3%A9cio-era-o-verdadeiro-mensaleiro.htm

O caso das APAEs e a esposa de Sérgio Moro

01.05.2017
Do BLOG DO MIRO, 30.04.17

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Circula na Internet um vídeo editado de palestra que proferi no mês passado em um evento em São Paulo. O vídeo é fiel ao que eu disse. Mas o título e o texto podem induzir a conclusões taxativas que não fiz ou passar a ideia de que o vídeo faz parte dessas guerrilhas que ocorrem periodicamente em redes sociais. As informações foram divulgadas em 2014 e 2015. Estão sendo agitadas agora.

O trecho em questão faz parte de um seminário no mês passado, do qual participei com a colega Helena Chagas.

Limitei-me a apontar indícios, indícios fortes, sem dúvida, que merecem ser investigados, mas não acusações frontais.

Aqui, o que falei sobre o tema, não editado.

A história é a seguinte.

Historicamente, as APAEs (Associações de País e Amigos de Excepcionais) fizeram-se contando, na ponta, com cidadãos bem intencionados, mas passando a trabalhar com recursos públicos, sem prestar contas para os órgãos formais de controle.

Essas liberalidades abriram espaço para desvios e uma utilização política da estrutura das APAEs, através da Confederação e das Federações estaduais de APAEs, incluindo a do Paraná.

Na sua gestão, o ex-Ministro da Educação Fernando Haddad decidiu assumir a tese da educação inclusiva – segundo a qual, o melhor local para desenvolvimento de crianças com necessidades especiais seria as escolas convencionais, convivendo com crianças sem problemas.

Sabendo da resistência que seria feita pelas APAEs – já que a segregação de crianças com deficiência, apesar de tão anacrônica quanto os antigos asilos para tuberculoses, é o seu negócio – Haddad pensou em um modelo de dupla matrícula: a escola pública que acolhesse um aluno com deficiência receberia 1,3 vezes o valor original da matrícula; e uma segunda matrícula de 1,3 se houvesse um projeto pedagógico específico para aquela criança. Imaginava-se que essa parcela seria destinada à APAE de cada cidade, atraindo-a para os esforços de educação inclusiva.

As APAEs mais sérias, como a de São Paulo, aderiram rapidamente ao projeto, sabendo que a educação inclusiva é pedagogicamente muito superior ao confinamento das pessoas, tratadas como animais.

O jogo das Federações de APAES foi escandaloso. Trataram de pressionar o Congresso para elas próprias ficarem com as duas matrículas, preservando o modelo original.

O ápice desse jogo é a proposta do inacreditável senador Romário, nesses tempos de leilão escancarado de recursos públicos, visando canalizar para as APAEs e Institutos Pestalozzi todos os recursos da educação inclusiva.

É um jogo tão pesado que, na época da votação do Plano Nacional da Educação, a própria Dilma Rousseff pressionou senadores a abrandar a Meta 4, que tratava justamente da educação inclusiva, com receio de que as APAEs do Paraná boicotassem a candidatura da então Ministra-Chefe da Casa Civil Gleise Hoffmann.

O caso do Paraná

Comecei a acompanhar o tema através da procuradora da República Eugênia Gonzaga, uma das pioneiras da luta pela educação inclusiva.

Em 2002, Eugenia levantou princípios constitucionais – do direito à educação – para forçar o poder público a preparar a rede para crianças com deficiência. Na ocasião, foi alvo de 3.500 ações judiciais de APAEs de todo o país.

No auge da pressão política das APAEs, ainda no governo Dilma, decidi investigar o tema.

As APAEs tem dois lobistas temíveis. A face “boa” é a do ex-senador Flávio Arns, do Paraná; a agressiva de Eduardo Barbosa, mineiro, ex-presidente da Federação das APAEs, que pavimentou sua carreira política com recursos das APAEs.

Uma consulta ao site da Secretaria da Educação do Paraná confirmou o extraordinário poder de lobby das APAEs. O então Secretário de Educação Flávio Arns direcionou R$ 450 milhões do estado para as APAEs, com o objetivo de enfrentar a melhoria do ensino inclusivo da rede federal.

No próprio site havia uma relação de APAEs. Escolhi aleatoriamente uma delas, Nova California.

Indo ao seu site constatei que tinha um clube social, com capacidade para 2.500 ou 4.500 pessoas; uma escola particular. Tudo em cima das isenções fiscais e dos repasses públicos dos governos federal e estadual.

O argumento era o de que o clube era local para os professores poderem confraternizar com a comunidade; e a escola privada para permitir aos alunos com necessidades especiais conviverem com os demais.

Telefonei para a escola. Não havia ninguém da direção. Atendeu uma senhora da cozinha. Indaguei como era o contato dos alunos com deficiência e os da escola convencional. Respondeu-me que havia um encontro entre eles, uma vez por ano.

A república dos Arns

As matérias sobre as APAEs, especialmente sobre o caso Paraná, tiveram desdobramentos. Um dos comentários postados mencionava o controle das ações das APAEs do estado pelo escritório de um sobrinho de Flávio, Marlus Arns.

Entrei no site do Tribunal de Justiça. Praticamente toda a ação envolvendo as APAEs tinha na defesa o escritório de Marlus.

Uma pesquisa pelo Google mostrou um advogado polêmico, envolvido em rolos políticos com a Copel e outras estatais paranaenses, obviamente graças à influência política do seu tio Flávio Arns.

Quando a Lava Jato ganha corpo, as notícias da época falavam da esposa de Sérgio Moro. E foi divulgada a informação de que pertencia ao jurídico da Federação das APAEs do estado.

Por si, não significava nada.

No entanto, logo depois veio a dica de um curso de direito à distância, de propriedade de outro sobrinho de Flávio Arns, irmão de Marlus, o Cursos Online Luiz Carlos (http://www.cursoluizcarlos.com.br). No corpo docente do cursinho, pelo menos um da força tarefa da Lava Jato.

Finalmente, quando Beatriz Catta Preta desistiu de participar dos acordos de delação, um novo elo apareceu. Até hoje não se sabe o que levou Catta Preta a ser tão bem sucedida nesse mercado milionário. Nem o que a levou a sair do Brasil. Mas, saindo, seu lugar passou a ser ocupado justamente por Marlus Arns que, pouco tempo antes, escrevera artigos condenando o instituto da delação premiada.

São esses os elementos de que disponho.

Recentemente, fui convidado pela Polícia Federal para um depoimento em um inquérito que apura um suposto dossiê criado pela inteligência da PF supostamente para detonar com a Lava Jato – conforme acusações veiculadas pela Veja.

Fui informado sobre o dossiê na hora do depoimento. Indagaram se eu tinha tomado conhecimento das informações.

Informei que o dossiê tinha se limitado a reproduzir os artigos que escrevi acerca da República dos Arns.

http://jornalggn.com.br/noticia/a-historia-do-novo-campeao-das-delacoes-premiadas 10/8/2015

http://jornalggn.com.br/noticia/a-lava-jato-e-a-influente-republica-dos-arns de 1/10/2015

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2017/04/o-caso-das-apaes-e-esposa-de-sergio-moro.html

O caixa 2 de Serra: precisava de tudo isso para descobrir?

18.06.2016
Do blog O CAFEZINHO, 07.08.16
Por Miguel do Rosário

Na Folha de hoje, mais uma delação futurística da Lava Jato.

Segundo a reportagem, os executivos da Odebrecht disseram aos procuradores que José Serra recebeu R$ 23 milhões de caixa 2.

A delação ainda não foi assinada, mas já foi devidamente vazada à imprensa, como de praxe.

Há tempos que a Lava Jato vaza as delações antes mesmo delas existirem oficialmente.

Pela lei da delação premiada, tanto aqui como nos Estados Unidos, o vazamento deveria ser suficiente para anulá-la, até porque permite que o réu destrua provas, mas isso não vem ao caso, pois o objetivo principal é o tribunal da mídia.

José Serra é um tucano velho e decadente: um cordeiro gordo perfeito para um sacrificiozinho político temporário.

A matéria vem com infográficos, coisa rara em se tratando de material negativo aos tucanos.

Os executivos prometeram entregar recibos dos depósitos feitos em bancos no exterior. A ver.

Quando disputou as eleições em 2010, o Congresso em Foco apurou que o tucano era o recordista, entre os candidatos, de processos na justiça: tinha 17 processos, todos por improbidade administrativa. Mais um menos um. Que diferença faz?

O que me deixa intrigado, com a Lava Jato e com a mídia, porém, é o seguinte.

Precisava quase destruir a Odebrecht e todas as grandes da engenharia nacional, prender o Marcelo por mais de um ano (e condená-lo a 19 anos de regime fechado), provocar demissão de centenas de milhares de famílias, criar um clima de golpe de estado, para descobrir que José Serra fez caixa 2 em 2010?

O Amaury Ribeiro escreveu um livro, Privataria Tucana, onde não quebrou sigilo de ninguém, não torturou ninguém com prisão preventiva, não destruiu nenhuma empresa, nem prejudicou um único trabalhador, não gastou um centavo de verba pública, e, no entanto, descobriu muito mais podres sobre Serra do que a Lava Jato!

A Folha e a grande mídia em geral desprezaram o conteúdo apresentado no livro do Amaury, apesar dele trazer provas abundantes de tudo que dizia, e agora dão destaque, com direito a infográfico, a uma delação ainda não assinada, que não traz, por enquanto, prova nenhuma?

A reportagem mostra os métodos da Lava Jato:

ScreenHunter_259 Aug. 07 04.12

Casos que interessam aos procuradores…

A Lava Jato está na fase “pega tucano”, ou seja, naquele momento em que disfarça suas intenções.

Algumas reportagens-denúncias sobre o PSDB, nada que provoque grandes reviravoltas…

Afinal, algum tesoureiro tucano foi preso? A sede do PSDB foi invadida pela Polícia Federal?

Esse dinheiro de campanha era para pagar marketeiros: algum foi preso?

A filha de Serra também será perseguida pela Lava Jato?

Voltando ao livro do Amaury, o leitor, a mídia e os procuradores descobrirão que a fortuna da família Serra não é feita de canoas de alumínio num sítio de amigo.

A minha teoria sobre o golpe, é bom lembrar, para eu mesmo não me perder nessa rede de intrigas e conspirações, é que ele foi costurado pelas castas burocráticas e mídia. Os políticos aproveitaram o vácuo criado e o ocuparam. Mas o golpe foi feito para isso mesmo, para que exatamente esses mesmos políticos ocupassem o vácuo.

O MPF e as castas em geral, fazem questão de manter os políticos bem conscientes de que eles, mesmo tendo ocupado o vácuo, são apenas representantes dos interesses das castas, da mídia e dos patrocinadores da mídia.

O poder real está em mãos das castas judiciais e da mídia, cuja arma principal agora é a Lava Jato, que é uma espécie de ensaio de Estado de Exceção, uma “pausa democrática”, um cão raivoso vigiado de perto por seus donos.

Há um embate surdo dentro do golpe. As gravações de Sergio Machado revelaram isso muito bem. Os políticos que assumiram o Planalto conspiram agora para ampliarem sua autonomia.

O “barbarismo”, o radicalismo neoliberal, que vemos no governo Temer, é tão grande porque são as únicas ações que agradam à grande mídia e aos representantes do setor privado que também conspiraram pelo golpe. Os interinos tentam, desesperadamente, agradar aos patrocinadores do golpe visando ganhar um pouco de crédito e autonomia para brincarem de governo.

Aparentemente, a Lava Jato finge seguir o moralismo fanático descrito na máxima latinafiat iustitia pereat mundus. Faça-se justiça ainda que o mundo pereça.

Mas é mentira. Quer dizer, no que toca à economia brasileira e à democracia, é verdade, e com apoio da mídia. Miriam Leitão escrevia nas suas colunas: não importa o prejuízo a ser provocado na economia, a Lava Jato tinha de seguir em frente.

Claro, havia um cálculo: uma economia em dificuldades era condição fundamental para se criar a atmosfera de golpe.

O fanatismo moral da Lava Jato, porém, sempre foi uma máscara.

Quando, numa das fases da Lava Jato, as investigações se aproximaram de uma offshore usada pela Globo e outros grupos para fazerem seus negócios no Brasil, Sergio Moro e a força tarefa recuaram imediatamente, soltaram os detidos e voltaram aos pedalinhos de Lula.

O jogo é simples. Vou repetir alguns argumentos do post anterior. A votação final do impeachment se aproxima. Caso a insatisfação social com Temer e a rejeição ao impeachment cresçam além do controle, a Lava Jato precisará lançar alguns factoides especialmente fortes nas duas próximas semanas.

Ou seja, a Lava Jato terá que prender, naquele método da prisão preventiva perpétua, às vésperas da votação, alguns petistas graúdos: um Edinho Silva, por exemplo, seria uma vítima perfeita, porque geraria a manchete: tesoureiro da campanha de Dilma é preso.

Pronto: clima de intimidação, perplexidade, golpe. Os senadores indecisos ficam assustados, porque farejam no ar o clima de linchamento midiático ao PT e intuem que, senão aderirem à onda, serão eles mesmos agredidos.

A prisão de Lula pode ficar para depois do golpe consumado, caso haja clima… Agora já se criou duas frentes promissoras de ataque: a própria Lava Jato e o MPF do Distrito Federal.

A Lava Jato precisa, contudo, fazer um movimento calculado. Antes de encetar novo violento ataque ao PT, é de bom tom distribuir uma denúncia forte contra um tucano. É como comprar créditos.

Denuncia-se um tucano, nada mortal, como movimento preparatório para mais um grande ataque judicial-midiático ao PT.

A Globo, vê-se logo, por seu tamanho, riqueza e arrogância, tem enorme dificuldade para entender e seguir as sutilezas desse jogo, mas vem aprendendo rápido e, sobretudo, é a proprietária da conta bancária de longe a mais polpuda dentre os barões de mídia e pode comprar, portanto, através de consultorias, a inteligência que seus diretores e donos não possuem.

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/08/07/o-caixa-2-de-serra-precisava-de-tudo-isso-para-descobrir/