Temer resiste; bloco da mídia se divide e Globo fica sozinha na pressão pela renúncia

26.05.2017
Do blog ESCREVINHADOR, 20.05.17
Por Rodrigo Vianna

Temer fez um discurso forte neste sábado, e na avaliação deste blogueiro agiu de maneira certeira dentro das circunstâncias que lhe são bastante desfavoráveis.

O presidente mais impopular da história brasileira atacou Joesley safadão, o dono da JBS, mostrando o absurdo de uma delação que permite ao “criminoso” lançar uma sériede acusações e ir embora do Brasil tranquilamente sem passar 1 dia na cadeia.

Mas o ponto central da defesa foi outro. Temer abriu seu pronunciamento citando reportagem da Folha neste sábado, que apontara fortes indícios de que houve edição no áudio da conversa entre Joesley e o presidente. Temer encaminhou ao STF pedido para se paralise a investigação até que uma perícia oficial explique de que maneira ocorreu essa edição.

Até aqui falei de Temer, e de como sua defesa foi competente, atacando os pontos mais frágeis da acusação: a impunidade de Joesley e os sinais de adulteração no áudio.

Mas o que chama mais atenção é outro ponto. Os grandes grupos de mídia estão absolutamente divididos nesse processo. Desde o início chamou a atenção a forma açodada (beirando o desespero) com que a Globo agiu. O jornalista (?!) Lauro Jardim noticiou a conversa grampeada sem ter ouvido o aúdio! E escreveu que ali haveria clara anuência de Temer à proposta de Joesley de pagar pelo silêncio de Cunha.

Isso, de fato, não aparece na gravação. Lauro Jardim e a Globo embarcaram numa furada! Por que? Qual era a pressa? Havia sim outros trechos graves na fala, que só depois vieram à tona…

Na sexta (dia 19) a Globo divulgou editorial exigindo a renúncia de Temer. Escrevi aqui que esse editorial me pareceu mais um sinal de fraqueza e desespero.

A Folha não embarcou na aventura da Globo. E passou a mostrar as suspeitas de que o áudio tenha sido forjado. O Estadão, por sua vez, noticiou que um ex-braço direito de Janot trabalha no escritório contratado para negociar a delação de Joesley safadão.

Ou seja: Globo de um lado tenta derrubar Temer, associando-se a Janot e aos procuradores. Folha/Estadão de outro fornecem elementos para mostrar que o MPF e a Globo podem estar agindo de forma açodada e irresponsável.

A divisão na mídia reflete uma divisão mais profunda da qual já falamos aqui: Globo/ Partido da Justiça entraram em colisão total com a chamada direita política (Temer/PSDB/Gilmar Mendes). Esta, por sua vez, decidiu resistir. Com apoio de jornais que parecem ter preferido manter distância da operação comandada pela Globo.

Escrevemos esta semana que o objetivo claro da Globo e dos procuradores é “limpar o golpe”. Temer no poder só ajuda Lula a se fortalecer. Globo e o Partido da Justiça precisam enterrar os politicos conservadores e instalar um governo “técnico” que seja capaz de implantar as “reformas” sem que isso signifique do outro lado o fortalecimento de Lula.

No pronunciamento deste sábado, Temer deu a entender que é vitima de uma conspiração e  mostrou que a ideia de gravá-lo no Palácio foi fruto de um “grande planejamento”. Sem dúvida. A pergunta: quem mais participou dessa conspiração? Janot? A Globo?

O objetivo final seria levar Carmen Lúcia ou Henrique Meirelles (que era funcionário da JBS) à presidência, sob eleições indiretas. Esse o objetivo da Globo.

Há sinais claros de que a conspiração para derrubada de ter pode ter contado com a participação/anuência do seu ministro da Fazenda. Ouçam de novo o áudio da conversa e reparem como Joesley safadão tenta transformar Meirelles quase num herói: “o Henrique gosta mais de trabalhar do que ir à praia; o Henrique não atende minhas demandas”. Aham…

Olho nos movimentos de Meirelles. E na forma como ele sairá da crise nos próximos dias.

Mas este episódio mostra ainda duas coisas:

  • a família Marinho encontrou pela frente uma gangue de profissionais da política desesperados e dispostos a resistir;
  • a Globo já não fala sozinha e falhou na tentativa de derrubar o governo rapidamente.

Temer vai resistir: um, dois, três meses?

O mais provável é que caia no TSE. Mas Gilmar Mendes (também alvejado nos grampos da JBS) vai ajudar a fazer o serviço de derrubada de Temer? A ver…

Quanto mais tempo Temer ficar, maior a possibilidade de que as reformas percam força e sejam enterradas. Ao mesmo tempo, o movimento de esquerda ganha força nas ruas para pedir Diretas-já.

A divisão da mídia, o açodamento da Globo, e o desespero de Temer podem ser fatores decisivos no prolongamento de uma crise que já é tão grave como as que levaram à Revolução de 1930 e ao Golpe de 1964.

*****
Fonte:http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/geral/38170/

 

Sim, golpistas impopulares tentarão adiar eleições 2018

05.05.2017
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

eleicoes

Por que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mandaria instalar uma comissão, em regime de urgência, para avaliar uma esquisitíssima proposta de emenda constitucional que tornaria coincidentes as eleições para cargos majoritários?

Note bem, leitor, não é instalar a comissão, é instalar em “regime de urgência”. Por que seria urgente unificar eleições legislativas em um período e eleições para cargos no Poder Executivo em outro período?

A PEC 77/2003, de autoria do deputado Marcelo Castro, pretende instituir, entre outras medidas, a “descoincidência” das eleições a partir de 2022 (em anos separados para executivo e legislativo), fim dos cargos de vice, mandato de dez anos para representantes das Côrtes e adoção do sistema distrital misto nas eleições a partir de 2026.

Ok. Não há uma palavra na Proposta de Emenda Constitucional que fale sobre adiar as eleições do ano que vem, mas não há, tampouco, uma única palavra que impeça o adiamento.

Ou seja: qualquer deputado que participe dessa comissão instalada em “regime de urgência” (por que?) pode propor o adiamento de 2018. Aí, tudo terminará no mesmo plenário que cassou Dilma Rousseff, que aprovou o teto de gastos, que aprovou a terceirização, que aprovou a reforma trabalhista e que vai aprovar a reforma da Previdência.

Eis a questão: à exceção de Lula e de Bolsonaro, essa grande maioria golpista conjuntural que se formou no Congresso, deu um golpe de Estado e, agora, aplica um programa econômico no qual ninguém votou em 2014, está morta na eleição do ano que vem.

As pesquisas mostram que tucanos e peemedebês estarão perdidos se houver eleição no ano que vem. O índice de renovação do Congresso deverá ser colossal, os presidenciáveis tucanos estão mortos e a grande aposta do PSDB é um novato cuja gestão na capital paulista deve naufragar em um par de meses.

Doria chegará arrebentado a 2018. Não terá pernas para disputar coisa alguma.

Enquanto isso, circula boato de que o Datafolha fraudou os números de sua sondagem eleitoral usando a boa e velha margem de erro, já que os números do ex-presidente nessa pesquisa, apesar de excelentes, são mais fracos do que no Vox Populi e no Ibope.

Quanto mais o tempo passar, mais a saudade de Lula (detectada por pesquisa do jornal Valor Econômico) vai apertar. Se as coisas continuarem no rumo atual, Lula poderá chegar às vésperas do pleito do ano que vem com intenções de voto iguais às que tinha quando deixou o poder, em 2010.

Imaginem Lula com 60% dos votos válidos no primeiro turno. E elegendo uma grande bancada progressista.

Imaginem os golpistas… Estarão morrendo de medo de uma vingança terrível de alguém que massacraram tanto – Vingança que eu acho que jamais aconteceria.

Em minha humilde avaliação, portanto, a tentativa de adiar o processo eleitoral de 2018 já está em curso e a comissão em tela, supracitada, é um dos vários instrumentos disponíveis para o que está sendo chamado de golpe dentro do golpe.

O Brasil, os movimentos sociais, os sindicatos, os partidos, a sociedade civil em geral vão ter que se mobilizar se quiserem que o país possa escolher o novo governo e o novo Congresso do Brasil ano que vem. Se cochilarmos, este golpe ficará ainda mais parecido com o de 1964

Confira este comentário transposto para o vídeo abaixo.

******
Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2017/05/sim-golpistas-impopulares-tentarao-adiar-eleicoes-2018/

MÍDIA GLOBAL DESTACA GREVE QUE JORNAIS BRASILEIROS ESCONDERAM E ATACARAM

29.04.2017
Do portal BRASIL247

Enquanto a velha imprensa brasileira deliberadamente optou por esconder a amplitude da mobilização dos brasileiros na greve geral desta última sexta (28), a mídia internacional noticiou com o merecido destaque a dimensão dos protestos que sacudiram todos os Estados e o Distrito Federal; O The New York Times, dos Estados Unidos, disse que a greve foi contra o “governo escandaloso de Michel Temer”; na França, o Le Monde classificou a paralisação como “histórica” e publicou um dossiê e filme batizado de “Au Brésil, le grand bond en arrière, que significa: “Brasil: O grande Salto para Trás”

247 – Ao noticiar a greve geral da última sexta-feira, que mobilizou pelo menos 35 milhões de brasileiros, a imprensa internacional mostrou aquilo que a mídia oligárquica brasileira tentou a todo custo esconder: a insatisfação enorme contra as reformas de Michel Temer e o momento histórico representado pela greve geral. 

Um dos mais conceituados jornais do mundo, o New York Times, dos Estados Unidos, disse que a greve foi contra o “governo escandaloso de Michel Temer”.

Na França, o Le Monde classificou a paralisação como “histórica” e publicou um dossiê e filme batizado de “Au Brésil, le grand bond en arrière, que significa: “Brasil: O grande Salto para Trás”.

A BBC, rede britânica de informação, destacou que esta foi a “primeira greve geral duas décadas”.

Enquanto isso, comprometida com o governo que ajudou a colocar no poder, a grande mídia brasileira tentou resumir os movimentos a uma baderna sindical, escondendo a real dimensão da insatisfação com as reformas e com o atual inquilino do Planalto, aprovado por apenas 4% dos brasileiros. 

O contraste é visível:

O Globo: Temer lamenta bloqueios e reafirma que fará as reformas

Estadão: Manifestação contra reformas afeta as grandes cidades e termina em violência

Folha de São Paulo: “Greve atinge transportes e escolas em dia de confronto”

*****
Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/292945/M%C3%ADdia-global-destaca-greve-que-jornais-brasileiros-esconderam-e-atacaram.htm

Greve Geral vence a conspiração da Mídia e do Judiciário

29.04.2017
Do blog O CAFEZINHO
Por Bajonas Teixeira

O primeiro indício do sucesso da greve, é que mesmo silenciando inteiramente na véspera qualquer notícia sobre a Greve Geral, a Globo foi obrigada ontem, 28, a encher suas páginas e portais com notícias da paralisação no país inteiro. A mesma coisa aconteceu com o UOL, e com a sua controladora, a Folha de São Paulo. É que as cidades foram esvaziadas, os transportes ficaram paralisados e a atividade produtiva caiu para próximo de zero. Ficou claro, e esse é o ponto decisivo, a capacidade dos trabalhadores nesse momento de pararem o país.

No Centro de São Paulo, a maior zona comercial do país, a maioria dos comerciantes ouvidos numa reportagem do UOL, repetiu a mesma avaliação: a situação estava pior, bem pior, que nos dias de feriado. Avaliaram ainda, quase todos os ouvidos pela matéria, que os prejuízos não eram pequenos, mais giravam em torno de 70 a 90%.

Não há dúvida de que, como mostram os dados qualitativos, essa foi uma greve muito bem sucedida. A paralisação dos transportes, do comércio e das demais atividades, especialmente pela dor que provocam no bolso dos empresários, são os evidentes índices de sucesso da Greve Geral.

A Frente Povo Sem Medo e a Frente Brasil Popular devem comemorar essa grande vitória. É uma grande vitória pelo que anunciam, isto é, pela retomada da capacidade de ação conjunta, em união organizada, da maior parte da população brasileira, os trabalhadores. Parte da sociedade contra a qual, justamente se fez o golpe, e que agora se pretende massacrar através da reforma trabalhista e da reforma da previdência.

Realizar uma Greve Geral em um país tão extenso e diverso, não é fácil. A energia para romper a inércia, num país de baixo nível educacional e ínfimo  envolvimento político, como é o caso do Brasil, tem que ser muito alta e explosiva. O sucesso da Greve Geral mostra a grande elevação da indignação política dos trabalhadores das cidades e do campo. Nas passeatas e concentrações, se viu constantemente ao lado das camisetas e bandeiras da CUT e do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), as camisetas e bandeiras do Movimento Sem Terra (MST).

É importante ainda, para medir o sucesso da Greve Geral, considerar que se fez enfrentando interdições injustificáveis do Judiciário, sabotagens e ódios da grande mídia, e ameaças e chantagens de políticos, como do prefeito João Dória, que ameaçaram com punições e retaliações contra os grevistas. Que foram vencidos, como se vê pelo silêncio absoluto guardado hoje pelo falastrão midiático Doria.

No caso da Justiça em São Paulo, ela concedeu, com velocidade impressionante, liminar contra a paralisação de metrô, dos trens e ônibus, ou seja, tentou bloquear a Greve Geral impedindo a paralisação dos transportes. Era o que já no dia 27 se estampava em matéria da Folha:

“A Justiça de São Paulo concedeu uma liminar (decisão provisória) contra a paralisação de 24 horas programada para esta sexta-feira (28) pelos sindicatos dos metroviários e ferroviários. A decisão é contra greve total ou parcial das categorias e estabelece multa de R$ 937 mil a cada um dos sindicatos envolvidos no caso de descumprimento.”

Observem que a liminar proíbe tanto a “greve total”, quanto a “parcial” dos metroviários e ferroviários e as pune com quase um milhão por dia por sindicato. Se pudesse, nesse paraíso judiciário que é o Brasil, a Justiça proibiria também a “greve mental”, o mero desejo de greve é perigoso para quem ganha mais de R$ 100 mil real por mês.

Pois bem. A conspiração da Mídia com o Judiciário foi vencida. E essa foi a primeira das grandes greves que vão desfazer a pilhagem organizada pelo golpe e por Temer. O avanço começou em época propícia. A perseguição contra Lula, que se intensificou brutalmente desde março de 2016, e que passa por um clímax nesse momento, a campanha eleitoral que se estenderá pelo próximo ano, tudo isso levará pólvora a boca dos canhões. A guerra está só começando.

*****
Fonte:http://www.ocafezinho.com/2017/04/29/greve-geral-vence-conspiracao-da-midia-e-judiciario/

O que Bolsonaro está fazendo na Lista de Furnas

10.04.2017
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
Por Kiko Nogueira

Bolsonaro e Cunha com o Pastor Everaldo: na Lista de FurnasBolsonaro e Cunha (com o Pastor Everaldo ao centro): na Lista de Furnas

Ancelmo Gois, no Globo, lembrou que o processo da Lista de Furnas, dinheiro de caixa 2 que abasteceu 156 campanhas em 2000, foi reaberto.

Estão lá os notórios Aécio, Serra e Alckmin — mas também Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro. Os seguidores do JB estão ouriçados, alegando que se trata de mais uma calúnia contra o incorruptível mito.

Em 2015, Bolsonaro acusou na Câmara que “os canalhas ligados ao PT e PSOL” forjaram o documento. É a mesma argumentação de Aécio Neves, que apenas tira o PSOL.

Joaquim de Carvalho, autor de uma série de reportagens sobre o tema no DCM, explicou a questão:

Existe uma só Lista de Furnas, cujo original foi periciado pela Polícia Federal e serviu de base para a denúncia que a procuradora da república Andréia Bayão apresentou no Rio de Janeiro em 2012, depois de inquérito da Polícia Federal que durou seis anos.

Foram onze as pessoas denunciadas por ela, por crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, todas sem foro privilegiado, entre elas Dimas Toledo, o ex-deputado Roberto Jefferson e o próprio Nílton Monteiro.

Aécio e mais de uma centena de políticos só não entraram na denúncia porque têm foro privilegiado e a investigação contra eles estava parada na Procuradoria Geral da República, em Brasília.

Todos os políticos da lista eram da base de Fernando Henrique Cardoso, inclusive Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro. O objetivo da lista era mesmo chantagem, mas de políticos como Aécio Neves, para que negociassem com Lula a permanência de Dimas em Furnas.

Por três anos, deu certo, e há vários testemunhos, entre eles o de Roberto Jefferson e agora o de Delcídio do Amaral, de que Aécio pediu a Lula que mantivesse Dimas em Furnas.

Jair Messias Bolsonaro aparece como destinatário de 50 mil reais, como você pode ver abaixo.

Quem divulgou a versão de que é falsidade foi o PSDB de Minas Gerais, com base em pareces de peritos contratados para isso e num laudo da PF feito em cima de uma das cópias divulgadas por Nilton Monteiro, o homem que confessou atuar em Furnas como operador do caixa 2.

Quando a tese da falsidade prosperava, Monteiro entregou à Polícia Federal a lista original, que foi periciada. A conclusão foi que se tratava de um papel autêntico.

Em março, Roberto Jefferson e mais seis viraram réus no caso.

Bolsonaro age como se fosse uma virgem no bordel.

Ele era do Partido Progressista, o que mais aparecia, proporcionalmente, nas investigações da Lava Jato — mas sua campanha era irrigada com boas vibrações do espírito santo. Na semana passada, a Justiça declarou o bloqueio de meio bilhão de reais do PP.

Acabou migrando para o PSC, ninho de pastores evangélicos. Um deles, Everaldo, o presidente, pediu dinheiro a Cunha, segundo a PF.

Depois de se desentender com a liderança do PSC, JB já avisou que vai sair — juntamente com o amigão Marco Feliciano, que pretende ser vice na chapa para a presidência em 2018.

lista de furnas

*****
Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-que-bolsonaro-esta-fazendo-na-lista-de-furnas-por-kiko-nogueira/

Carmem Lúcia libera propaganda pró-degola dos aposentados

05.04.2017
Do blog TIJOLAÇO
Por FERNANDO BRITO 

A Justiça de 1ª instância vetou; a de 2ª instância confirmou a proibição.

vamp

Mas o Supremo Tribunal amigo liberou a propaganda do governo em favor da retirada de direitos de aposentadoria, por liminar da ministra Cármem Lúcia, sob o argumento de que não poder fazê-la tirava dele “os meios necessários para divulgação da proposta de reforma, sua motivação e repercussões”.

O curioso é que, vivendo no mundo da quinta-essência jurídica, a ministra certamente desconhece que, pela mídia e pelas entidades patronais, com seus recursos abastados, a propaganda em favor das reforma não só existe como já é sufocante.

Não é preciso grande imaginação para que se imagine se o Supremo permitiria que os governos de antes, de Lula ou Dilma, fizessem publicidade sobre a “premente necessidade” de dar aumento ao salário mínimo ou de fazer, pela lei, a obrigatoriedade do controle brasileiro sobre o pré-sal, tema de igual importância.

Evidente que não, porque Suas Excelências se portam como algozes do povão, como já o fizeram no caso da desaposentação, que daria aos desgraçados que se aposentam e continuam trabalhando alguma melhora nos proventos. Isso é um risco para o país, embora pagar auxílio moradia para dezenas de milhares de juízes e promotores não seja senão a justa paga que merecem.

Todos, como ela o fará e Michel Temer já o fez, levando polpudas pensões para seu descanso, num vampirismo que drena o sangue do país.

A propaganda contrária à reforma, claro, não tem como ser feita, senão na rua, com nossa mobilização.

***
Fonte:http://www.tijolaco.com.br/blog/carmem-lucia-libera-propaganda-pro-degola-dos-aposentados/

MÍDIA GOLPISTA E MANIPULADORA:Mídia pró-governo boicota manifestação do dia 11

16.11.2016
Do portal da CNTSS/CUT
Por Pedro Rafael Vilela, do FNDC

Meios de comunicação adotam estratégia da ocultação e criminalização na cobertura das manifestações do Dia Nacional de Greve, na última sexta-feira

Mídia pró-governo boicota manifestação do dia 11

Não é a primeira vez, nem será a última, mas não deixa de ser simbólica a (não) cobertura da mídia brasileira sobre os protestos e paralisações de diversas categorias profissionais ocorridos em mais de 21 estados e no Distrito Federal, na última sexta-feira (11), no Dia Nacional de Greve. Os atos, organizados por movimentos sociais e pelas principais centrais sindicais do país, contou com a participação de dezenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras, além de estudantes, que interromperam suas atividades em setores como transporte público, limpeza urbana, bancos, escolas e indústria, e foram às ruas das maiores cidades brasileiras para protestar contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 55, em tramitação no Senado. Se aprovada, essa PEC vai impor um congelamento nos gastos públicos, como saúde, educação, cultura e saneamento básico pelos próximos 20 anos, uma tragédia em termos de direitos sociais sem precedentes na história do Brasil.   

Uma mudança constitucional tão drástica, num país que tivesse um sistema de comunicação plural e diverso, deveria gerar, para dizer o mínimo, um intenso debate na sociedade, com participação maciça da própria mídia na visibilidade e no esclarecimento das reais implicações da medida. Não é o que ocorre no Brasil.

A irrealidade da mídia  

Em um de seus ensaios mais célebres, o jornalista e sociólogo Perseu Abramo descreveu com acuidade as múltiplas formas de manipulação da informação por parte da imprensa. Ao distinguir os quatro padrões básicos de distorção da realidade praticados pela mídia, Abramo chama a atenção para o padrão de ocultação, um dos mais recorrentes. Em suas próprias palavras, “é o padrão que se refere à ausência e à presença dos fatos reais na produção da imprensa. Não se trata, evidentemente, de fruto do desconhecimento, e nem mesmo de mera omissão diante do real. É, ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre os fatos da realidade”. 

Um outro padrão concebido por Perseu Abramo, o da fragmentação, tem a ver com a forma como a mídia, ao noticiar um fato, decompõe a totalidade desse fato, operando um processo de seleção de alguns aspectos, em detrimento de outros. É o que ocorre, por exemplo, quando a ênfase das matérias trata apenas das consequências dos bloqueios no trânsito e fechamento de rodovias, como que opondo os objetivos dos manifestantes ao do conjunto da população. Ao mesmo tempo que ressalta esse aspecto, silencia sobre as motivações das paralisações e se recusa até mesmo a dar voz aos envolvidos nas mobilizações para dialogue com a sociedade. Trata-se de uma inversão rasteira dos fatos e da própria realidade, mas que é absolutamente corriqueira na cobertura da mídia. Basicamente, esses dois padrões de manipulação, facilmente verificáveis, deram a tônica do noticiário na (não) repercussão das manifestações e paralisações no Dia Nacional de Greve. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) acompanhou com atenção a cobertura das principais redes de televisão, jornais e portais de notícias ao longo da sexta-feira e no dia seguinte. O resultado? Um tapa na cara da democracia e um descompromisso brutal com o direito à comunicação e informação da população brasileira.

Televisão: a gente não se vê por aqui

As principais emissoras de televisão aberta parecem ter disputado entre si o título de quem mais ignorou as expressivas mobilizações do Dia Nacional de Greve. O Jornal Nacional, da Globo, noticiário de maior audiência na tevê brasileira, decidiu simplesmente não exibir um segundo sequer dos atos que paralisaram algumas das maiores cidades do país, apostando forte na estratégia da ocultação. Na opinião de Perseu Abramo, em seu ensaio sobre manipulação da grande imprensa, a mídia é mais perversa por aquilo que ela não veicula do que por aquilo que leva ao ar. É como se ela definisse os fatos sociais que merecem ser considerados fatos jornalísticos ou não. “Todos os fatos, toda realidade pode ser jornalística, e o que vai tornar jornalístico um fato independe de suas características reais intrínsecas, mas depende, sim, das características do órgão de imprensa, de sua visão de mundo, de sua linha editorial”.  

A Globo News, canal de notícias das Organizações Globo na televisão por assinatura, que, durante as manifestações pró-impeachment de Dilma Rousseff dedicava praticamente a totalidade de sua programação aos protestos, dessa vez apenas cumpriu um lamentável protocolo de cobrir com distanciamento e até desprezo os atos do Dia Nacional de Greve. Exibindo notas curtas e panorâmicas ao longo de sua programação, sem sequer ouvir os porta-vozes dos atos, a emissora deu ênfase justamente às interrupções no trânsito e paralisação dos transportes públicos em cidades como São Paulo e Brasília. No programa Estúdio I, que se define pela característica de noticiário com análise, e vai ao ar de segunda à sexta, às 14h, a cobertura dos protestos seguiu a lógica de relatar superficialmente os acontecimentos. No momento de analisar a notícia, os participantes do programa praticamente ignoraram as causas do protesto e logo mudaram de assunto. Para se ter uma ideia, o programa dedicou mais tempo à matéria sobre o site de dicas econômicas de moda da filha do Donald Trump do que à repercussão da greve nacional, incluindo aí os comentários de estúdio.  

No Jornal da Record, uma nota de 37 segundos, lida pelo apresentador, apenas mencionou protestos de estudantes e servidores do Rio de Janeiro contra atrasos nos salários por parte do governo estadual, com ênfase na repressão da Polícia Militar. O Jornal da Band, levado ao ar na noite da sexta-feira (11), como que reconhecendo a dificuldade em ignorar as manifestações, optou por um caminho misto, entre a ocultação e a distorção com doses generosas de criminalização da manifestação política e do próprio direito de greve. Na matéria de um minuto e 10 segundos, o telejornal enfocou imagens das manifestações pela ótica da paralisação do transporte público e bloqueio de ruas e rodovias, ressaltando a ideia de que os protestos “atrapalharam muita gente”. Os dois únicos entrevistados foram pessoas que criticaram as interrupções no trânsito, e não houve qualquer menção mais clara sobre os motivos do protesto. 

Já o SBT Brasil, dentre os principais telejornais, foi o que exibiu a matéria mais equilibrada. Com 4min27 de duração, a reportagem seguiu a ênfase de relatar criticamente os bloqueios e paralisações de rodovias na primeira parte da matéria, mas foi a única a dar voz para lideranças dos movimentos (Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares e Rodrigo Rodrigues, secretário-geral da CUT Brasília). Destacou passeatas e protestos de estudantes e professores no Rio Grande Sul, que resultaram em forte repressão da Brigada Militar. Bom lembrar que diversas categorias de servidores estaduais do RS sofrem com salários atrasados há meses. A própria Brigada Militar, que reprimiu os protestos, corre o risco de nem sequer receber o 13º salário em decorrência da política de austeridade do governo Ivo Sartori (PMDB-RS), que tem penalizado principalmente os serviços públicos no estado. 

Ocultação nos jornais

Os três maiores jornais impressos do país, em suas edições publicadas no sábado (12), decidiram deliberadamente ignorar os atos ocorridos no dia anterior. Até mesmo a Folha de S. Paulo, que se vende como veículo aberto ao debate e que busca exibir diversos pontos de vista políticos diferentes, não dedicou uma linha sequer ao assunto. No jornal O Globo, da família Marinho, idem. O Estadão, tido como o mais conservador entre os três, publicou uma nota pequena, na página interna B3, de economia, com cerca de 10 linhas, praticamente um registro dos protestos, e não uma cobertura. Nos portais de notícias UOL e G1, foram publicadas matérias sobre os protestos, repetindo a fórmula panorâmica de descrição dos atos a partir do ângulo das interrupções no transporte e paralisação das rodovias. Nenhuma dessas matérias ganhou destaque na página principal desses portais. Para encontra-las, os interessados teriam que buscar principalmente na página de últimas notícias ou no buscador do próprio site, o que diminui muito o potencial de audiência dessas notícias.  

Censura privada na TV pública

Se o comportamento dos veículos privados de comunicação não chega a surpreender, foi lamentável constatar que as mesmas fórmulas de ocultação e cobertura superficial se aplicaram também à matéria exibida pela TV Brasil, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), no seu principal telejornal, o Repórter Brasil, na noite de sexta-feira. Em menos de dois minutos, a “reportagem” exibiu trechos dos protestos e paralisações em diversos estados. Novamente, destaque para os bloqueios de rodovias e paralisações no transporte público e nas escolas. Nenhum porta-voz dos trabalhadores foi ouvido para contextualizar o significado daqueles atos. Oferecer mecanismos para debate público acerca de temas de relevância nacional, como preconiza a lei de criação da EBC, mandou lembranças dessa vez. Esse episódio não parece estar desconectado da grave intervenção promovida por Michel Temer sobre a EBC, que praticamente eliminou as garantias de autonomia e independência de sua programação frente ao governo, ao extinguir principalmente o Conselho Curador e os mandatos do diretor-presidente e do diretor-geral.  

O contraponto     

Coube aos meios de comunicação alternativos oferecer uma cobertura decente e proporcional ao tamanho das paralisações e mobilizações da última sexta-feira. Apenas para ficar em um dos exemplos mais expressivos, a Mídia Ninja utilizou seus canais nas redes sociais para distribuir, ao longo de toda a sexta-feira, um rico conteúdo das manifestações, que incluía, principalmente, vídeos e fotos, com registro de paralisações em mais de 20 cidades, incluindo diferentes categorias: metroviários, rodoviários, professores, estudantes, trabalhadores da limpeza urbana, e muito mais. Vale destacar que, ao contrário da cobertura televisiva, onde as filmagens se deram com distanciamento, partir do topo de edifícios ou do alto dos helicópteros, a cobertura da Mídia Ninja se dá diretamente das manifestações, abrindo espaço para falas dos trabalhadores e capturando uma dimensão mais orgânica do significado desses atos. O portal Brasil de Fato também publicou dezenas de matérias e postagens destacando a abrangência das paralisações em todo o país. 

Esse contraponto só reforça uma conclusão inevitável: a grande imprensa só não cobriu o Dia Nacional de Greve porque não quis. Ou melhor, porque tratou-se de uma deliberada decisão editorial de ignorá-lo e, com isso, alienar ainda mais o conjunto da sociedade sobre o debate do presente e do futuro do país. Não há democracia sem mídia democrática. E, sem democracia, não se constrói um país justo. Re-existir sempre, calar jamais!

*****
Fonte:http://www.cntsscut.org.br/destaques-nac/27747/midia-pro-governo-boicota-manifestacao-do-dia-11