CONSEQUÊNCIAS DO GOLPE: Super Janot, tem herói no universo de Marvel

16.08.2017
Do portal JORNAL GGN
Por  Luís Nassif 

Paulo Sotero é um ex-jornalista brasileiro que há anos dirige o Brazil Institute do Woodrow Wilson International Center for Scholars, em Washington, um think tank que se tornou um dos principais centros de lobby em relação ao Brasil.

Uma de suas funções é conceder bolsas para alunos interessados em políticas públicas. Outra, preparar estudos sobre diversos aspectos do Brasil atual. Há uma atenção especial a tudo o que se relaciona com o poder judiciário, informações abundantes sobre a Lava Jato, Gilmar Mendes falando de reforma política, Carmen Lúcia, Torquato Jardim e, obviamente, o Procurador Geral da República.

Um dos instrumentos mais eficientes de atuação do Woodrow Wilson é o de conceder atestado de boas maneiras a brasileiros alinhados com seu pensamento. Trata-se de uma versão contemporânea das miçangas com que os descobridores atraíam a simpatia dos indígenas.

Uma das últimas miçangas foi um artigo majestoso de Sotero no Estadão, Brasil ganha respeito com diplomacia judicial com um subtítulo consagrador: “Pais vem assumindo papel de liderança no combate ao crime transnacional”.

Cada país tem suas transnacionais cometendo seus próprios crimes. Há um histórico de atuação das petroleiras norte-americanas na África e de empreiteiras em vários países conflagrados. O diferencial brasileiro é o fato de ter sido o primeiro país que, a pretexto de combater a corrupção,. praticamente destruiu sua engenharia, suas maiores empresas, e está expulsando suas campeãs para os Estados Unidos.

Esse fantástico feito de auto-imolação mereceu elogios evidentemente sinceros dos EUA, na voz autorizada de Sotero. Qualquer cidadão norte-americano ficaria grato do mesmo modo.

Os números são tonitruantes. O Ministério Público Federal brasileiro recebeu mais de cem pedidos de cooperação de países, loucos para morder acordos de leniência de empresas nacionais. Empresas construídas com recursos nacionais, com financiamentos do BNDES, com obras públicas brasioleiras, em vez de pagarem ao Brasil, despejam dólares ao redor do mundo, em contrapartida às revelações de sua corrupção pelo bravo MPF brasileiro – cujos salários e benefícios são garantidos por impostos pagos no Brasil.

Mas como o feito é muito recente, segundo Sotero, não entrou nos cálculos da consultoria britânica Poirtland, que com seu Soft Power 30 analisa a capacidade de 30 países de se influenciarem mutuamente e a agenda internacional. Apesar dos recordes da Lava Jato, o Brasil ficou em penúltimo lugar, adequado, aliás, para um país que não aprendeu a preservar suas empresas e cujas autoridades se comovem com miçangas, como ocorreu com o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot que, nos primeiros resultados da Lava Jato, correu para se exibir a autoridades norte-americanas – e voltou de lá com denúncias prontas contra a Eletronuclear.

Sotero enaltece o espírito de colaboração entre os dois países. Mas não aponta um caso sequer de levantamento de corrupção de empresas norte-americanas.

Menciona evento recente, no qual o Brasil é elogiado pelo secretário adjunto interino da Justiça dos Estados Unidos, Kenneth Blanco, e o ex-procurador federal Patrick Stokes, que atuou no caso da Odebrecht-Braskem como chefe da unidade do Foreign Corrupt Practices Act do Departamento de Justiça. “O Brasil não apenas cresceu em sua capacidade de apresentar seus próprios casos, como, de forma dramática, de trabalhar com autoridades de outros países”, afirmou Stokes. 

O trabalho de quebrar empresas brasileiras e as exaurir financeiramente com multas pagas a terceiros países é denominado por Sotero de “diplomacia judicial”. “A internacionalização das operações do Direito levou à cristalização da diplomacia judicial como um campo específico das relações internacionais, distinto da política externa formulada pelos poderes executivos”, escreveu João Baptista Magalhães que chefiou a assessoria internacional do STF (Supremo Tribunal Federal) no início da década.

Por “diplomacia judicial” entenda-se a apropriação pelo MPF de atribuições exclusivas do Ministério da Justiça, para fechar acordos de cooperação.

Como lembrou Luiz Roberto Ungaretti, chefe do Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça, o MPF não é parte legítima para celebrar esse tipo de acordo. A Constituição prevê que acordos de cooperação só podem ser celebrados pelo Ministério da Justiça. Disse ele à Folha: “Quem representa o país não é o Ministério Público. Queremos celebrar os acordos, mas com o cuidado de preservar provas e medidas. Quando algo assim chega para nós, temos que conversar com a autoridade legítima do outro país”.

Uma certa má consciência faz com que Sotero termine seu artigo com um alerta:

“Elogios como esses, vindos de Washington, alimentam teorias conspiratórias espalhadas por atores, arautos e cúmplices da decrépita ordem da corrupção sistêmica exposta pela Lava Jato. Alegam eles que os promotores e juízes, vários dos quais com cursos no exterior, atuam em detrimento do interesse nacional”.

Imagine, Sotero, se alguém iria cometer tal injustiça contra heróis nacionais norte-americanos.

PS – A Coppe desenvolveu um veículo leve sobre trilhos que levita por magnetismo. Trata-se de inovação pioneira, com avanços que sequer os chineses desenvolveram até agora. Seus parceiros naturais seriam empreiteiras brasileiras. O protótipo está no campus da Coppe esperando que alguma empresa estrangeira se habilite, para viabiliza-lo comercialmente. As nacionais estào quebradas.

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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/super-janot-tem-heroi-no-universo-de-marvel-por-luis-nassif

GOLPISTAS ESPALHAM MENTIRAS SOBRE A VENEZUELA: Assista denúncia de farsas sobre Venezuela no YouTube

16.08.2017
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

O YouTube é, talvez, o maior disseminador de “fake news”. No caso da Venezuela, porém, notícias falsas saem do YouTube e vão parar nos telejornais.

A metralhadora desinformadora sobre a Venezuela foi disparada por um canal do YouTube chamado “Ideias Radicais”. É um dos muitos canais daquela rede que fazem isso.

As versões ideias radicais

As versões sobre a situação na Venezuela que esse  canal está disseminando são facilmente desmontáveis, mas alguém precisa fazer.

Confira desmonte da primeira das centenas de farsas divulgadas diariamente sobre a Venezuela. Desta vez, sobre a afirmação maluca de que 82% do povo daquele país é pobre.

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2017/08/assista-denuncia-de-farsas-sobre-venezuela-no-youtube/

PLANO ATLANTA: O GOLPE JUDICIAL-MIDIÁTICO NA AMÉRICA LATINA

14.07.2017
Do portal BRASIL247

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Fonte:https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/306491/Plano-Atlanta-o-golpe-judicial-midi%C3%A1tico-na-Am%C3%A9rica-Latina.htm

A reação do mundo ao bombardeio dos EUA na Síria

19.04.2017
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 07.04.17

Respostas da comunidade internacional sobre o bombardeio dos EUA na Síria conduzido por Trump mostram como o planeta está dividido em relação aos rumos dessa guerra

bombardeio dos eua síria

Os Estados Unidos realizaram a sua primeira ofensiva militar contra o exército da Síria na noite desta quinta-feira ao bombardear a base aérea de Al-Shayrat, província de Homs.

O movimento foi uma resposta ao suposto ataque químico conduzido pelo regime de Bashar Al-Assad no início da semana em Khan Sheikhun, em Idlib.

O ataque americano aconteceu na base de onde os aviões em tese responsáveis pelo massacre químico teriam decolado.

Segundo o Pentágono, essa base é, ainda, o local no qual o governo sírio estaria armazenando essas armas. 59 mísseis foram lançados pelos EUA do Mar Mediterrâneo.

Autoridades de Alemanha, França, Espanha, Reino Unido, Canadá e Israel manifestaram nesta sexta-feira (07/04) seu apoio ao bombardeio dos Estados Unidos.

Confira as reações da comunidade internacional:

SÍRIA. O comando do exército da Síria rechaçou a ação militar americana contra a sua base aérea e segue afirmando não ter tido qualquer responsabilidade sobre o uso de armas químicas contra civis. Ao todo, o ataque deixou 9 mortos e dezenas de feridos. Para as autoridades sírias, ao bombardear o regime de Assad, os EUA fortaleceram o grupo extremista Estado Islâmico, que tenta estabelecer um califado na Síria e Iraque, e o Frente de Conquista do Levante (ex-Frente Al-Nusra que já foi ligado à rede Al Qaeda). Agora, o governo promete realizar “a maior ofensiva” contra os rebeldes e disse que os americanos foram convencidos a agir depois de terem sido “inocentemente convencidos por uma campanha falsa de propaganda”.

RÚSSIA E IRÃ. Moscou também condenou o ataque, o classificando como uma agressão a um Estado soberano e violação de direito internacional, e anunciou nesta manhã a suspensão de um acordo firmado com os EUA no qual os países coordenavam suas ações militares na Síria. Acusa, ainda, o governo Trump de usar o episódio para desviar a atenção da situação em Mosul (Iraque), onde o exército americano lidera uma ofensiva contra o EI e tenta retomar o controle da cidade. Aliado de Assad, o país também nega que o regime sírio disponha de armas químicas. O Irã, por sua vez, “condena energicamente” o bombardeio.

BOLÍVIA. O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que o ataque dos Estados Unidos em represália ao suposto bombardeio com armas químicas em uma cidade do interior da Síria, é uma “ameaça à segurança internacional e à paz mundial. “Esta ação ameaça a segurança internacional e a paz mundial. As ações unilaterais são ações imperiais. Aos EUA não interessa o direito internacional, deixa de lado a ONU quando convém. Não partilho de países que dizem defender a democracia, a paz e a institucionalidade e que, agora, apoiam a intervenção militar unilateral. Penso e sinto, espero não estar equivocado, que as armas químicas na Síria são uma desculpa para uma intervenção militar. O ataque dos EUA contra a Síria é uma ação que viola os princípios da Carta das Nações Unidas. Problemas internos de países se resolvem com diálogo, não com bombardeios”, disse.

VENEZUELA. O governo da Venezuela, em nota, condenou a ação dos EUA. “Preocupa profundamente que fatores imperiais justifiquem e legitimem intervenções militares ao governo sírio, endossando ações de grupos terroristas e extremistas, mediante falsos positivos. Este ataque permitiu, além do mais, a recomposição logística dos grupos terroristas, que seguidamente atacaram o exército nacional sírio”.

ARGENTINA, CHILE, COLÔMBIA, MÉXICO, PERU E URUGUAI. Os governos de Argentina, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru e Uruguai manifestaram, em comunicado conjunto, sua profunda preocupação com a escalada da violência na Síria, e condenaram energicamente o uso de armas químicas contra a população civil, em particular crianças.

CANADÁ O gabinete do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, se manifestou nessa manhã em apoio ao governo Trump e reforçou a sua posição por “esforços diplomáticos” para resolver a crise no país. “O ataque em Idlib nesta semana e o sofrimento dos sírios são crimes de guerra inaceitáveis”, pontuou sobre o suposto uso de armas químicas pelo regime Assad.

JORDÂNIA E ARÁBIA SAUDITA. No Oriente Médio, Jordânia e Arábia Saudita, aliadas de longa data dos EUA, também apoiaram a ação. A Jordânia classificou a ação do país como “necessária e apropriada”, enquanto os sauditas elogiaram o que chamaram de “decisão corajosa” de Trump.

REINO UNIDO. O governo da conservadora Theresa May apoiou os EUA completamente e classificou o ato como “resposta apropriada ao ataque bárbaro com armas químicas cometido pelo regime sírio”.

ALEMANHA E FRANÇA. Angela Merkel e François Hollande divulgaram um comunicado conjunto no qual atribuíram ao governo Assad “plena responsabilidade” pela resposta americana.

TURQUIA. Aliada dos rebeldes que lutam contra Assad, a Turquia enxergou o ataque como positivo e nota que Assad tem de ser punido “no plano internacional”. Além disso, o país cobrou a criação de uma zona de exclusão aérea na Síria que possa proteger a população de novos bombardeios.

CRUZ VERMELHA. Uma das organizações humanitárias mais ativas na Síria, a Cruz Vermelha classificou o conflito no país como “conflito armado internacional”. Sem se posicionar exatamente sobre a ação militar, a entidade lembrou que, à luz do Direito Humanitário Internacional, todo conflito, interno ou externo, deve observar a proteção de civis e instalações médicas.

LULA. O ex-presidente Lula se pronunciou, nesta sexta-feira (7), sobre a atual situação na Síria. É preciso que a gente apure se a Síria usou armas químicas mesmo. A guerra do Iraque aconteceu porque os americanos afirmaram que o Saddam Hussein tinha armas químicas. Invadiram o Iraque, mataram o Saddam Hussein e até hoje não encontraram armas químicas”. O ex-presidente disse que esperava mais “equilíbrio” por parte dos Estados Unidos. “Não sei a que pretexto os americanos bombardearam a Síria. Parece que esse presidente é meio confuso.”

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/04/a-reacao-do-mundo-ao-bombardeio-dos-eua-na-siria.html

Vitória de Bashar al-Assad e Putin em Aleppo pôs o ocidente em surto de pânico

20.12.2016
Do portal ORIENTE MÍDIA, 03.12.16
Por Martin Berger, New Eastern Outlook, NEO

Até o final de novembro, União Europeia e Washington só fizeram tentar convencer a comunidade internacional de que nenhum dos lados no conflito sírio seria suficientemente forte para colher vantagem decisiva no campo de batalha.

syrian-president-says-russias-support-in-civil-war-has-tipped-the-scales-victory-months-away
Ao mesmo tempo, círculos políticos ocidentais tomaram todas as medidas possíveis para impedir que Damasco e Moscou intensificassem a ofensiva contra os terroristas do ‘Estado Islâmico’ na Síria, sobretudo em Aleppo. Para essa finalidade, o secretário de Estado John Kerry aumentou os esforços diplomáticos para obter um acordo com a Rússia, sobre a Síria, antes de o atual governo deixar o posto –, como registra o Washington Post. Segundo o mesmo jornal, a Secretaria de Estado pouco se incomoda com a chamada “crise humanitária” em Aleppo; o que teme é que o governo assine acordo diferente com Moscou, que, na essência, põe os EUA ao lado de Bashar al-Assad.

É curioso que funcionários da União Europeia tenham posto as suas fontes de propaganda a operar em hora extra, forçando aquelas fontes a publicar todos os tipos de acusações mentirosas contra Moscou e Damasco, dizendo que teriam bombardeado especificamente escolas e hospitais. Fato é que há completo blecaute em todos os jornais e televisões sobre centenas de civis em Aleppo massacrados por militantes radicais, que impediram que a população local de deixar, servindo-se dos corredores humanitários abertos pelo governo do presidente Assad, os territórios que os militantes ocupavam. Mas todos fomos induzidos a crer que os extremistas seriam alguma espécie de heróis; e como prisioneiros os que arriscaram a própria vida para expulsar da cidade os extremistas, essa “peste negra”.

Nesse ponto, o palco da ONU virou cenário para que os governos de Grã-Bretanha, França e Alemanha se pusessem a ‘exigir’ que Damasco fizesse uma “pausa humanitária” em Aleppo. Mas não para garantir alívio aos habitantes da cidade sitiada, porque o ocidente não mandou um único caminhão de ajuda humanitário para Aleppo. Os representantes dos três países acima, como também os representantes dos EUA, sequer tiveram coragem de escoltar (para evitar que fossem emboscados pelos terroristas) os comboios que a Rússia enviou.

Em vez disso, o ocidente usou aquelas pausas para introduzir mais terroristas em Aleppo e garantir-lhes o fornecimento de equipamento militar. Muitas publicações provam que nesse período os jihadistas de Ansar al-Islam tinham capacidade militar máxima, quando negócios massivos de armas estavam sendo construídos no Leste da Europa e na Ucrânia, para contrabandear para a Síria quantidades massivas de armas fabricadas pelos soviéticos.

Contudo, as tropas sírias estão sendo extraordinariamente bem-sucedidas, até agora, na libertação de Aleppo, sucesso o qual resultou em Washington descobrir-se em posição muito estranha. O Financial Times já noticiou que os líderes da oposição síria já estão mantendo conversações secretas com a Rússia, para pôr fim às hostilidades em Aleppo. Pode acontecer de os EUA serem empurrados para fora da equação em vários conflitos chaves no Oriente Médio, inclusive na Síria. Com o desmascaramento do conceito de “oposição moderada”, EUA vão perdendo espaço para influenciar a Síria, na medida em que se vai comprovando que não há “moderados”, só há radicais da Frente Al-Nusra.

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EUA e UE estão em pânico total por causa dos desenvolvimentos na Síria, porque há possibilidade real de que se venha a expor completamente o verdadeiro papel que EUA e aliados europeus desempenharam na criação do chamado “Estado Islâmico” [ing. ISIS]. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Mark Toner até já ‘exigiu’ que a Rússia fosse impedida de combater contra o terrorismo internacional na Síria. Imediatamente depois dessa declaração, representantes de França, Grã-Bretanha e Alemanha tentaram aumentar a pressão, contra a Rússia, pelo Conselho de Segurança da ONU.

O estado delirante em que se debatem as elites europeias governantes apareceu muito claramente, publicamente, quando o Guardian publicou a sua mais recente demanda:
“Líderes europeus, especialmente o governo francês, estão alertando Vladimir Putin por canais privados de que se ele permitir que o presidente Bashar al-Assad da Síria converta uma já esperada retomada de Aleppo em vitória militar na maior parte do país, a Rússia será obrigada a pagar a conta da reconstrução.”
É como se os governantes em Londres, Paris e Berlin estivessem em situação de morte cerebral. Só a morte cerebral explica que tenham esquecido quem destruiu Iraque, Líbia, Síria, Afeganistão e inúmeros outros países. Os EUA, com o apoio ávido que lhe dá a União Europeia, mataram centenas de milhares de civis, destruíram moradias e a infraestrutura indispensável à sobrevivência dos que não foram mortos, o que resultou num verdadeiro êxodo de migrantes, do Oriente Médio e África, para a Europa. Assim sendo, talvez sejam eles obrigados a conta da reconstrução, em vez de obrigar países europeus menores a receber refugiados que, para começar, eles, sim, geraram. E quanto à responsabilidade de Washington?*****

Até o final de novembro, União Europeia e Washington só fizeram tentar convencer a comunidade internacional de que nenhum dos lados no conflito sírio seria suficientemente forte para colher vantagem decisiva no campo de batalha.

Ao mesmo tempo, círculos políticos ocidentais tomaram todas as medidas possíveis para impedir que Damasco e Moscou intensificassem a ofensiva contra os terroristas do Estado Islâmico na Síria, sobretudo em Aleppo.

Para essa finalidade, o secretário de Estado John Kerry aumentou os esforços diplomáticos para obter um acordo com a Rússia, sobre a Síria, antes de o atual governo deixar o posto –, como registra o Washington Post.

Segundo o mesmo jornal, a Secretaria de Estado pouco se incomoda com a chamada “crise humanitária” em Aleppo; o que teme é que o governo assine acordo diferente com Moscou, que, na essência, põe os EUA ao lado de Bashar al-Assad.

É curioso que funcionários da União Europeia tenham posto as suas fontes de propaganda a operar em hora extra, forçando aquelas fontes a publicar todos os tipos de acusações mentirosas contra Moscou e Damasco, dizendo que teriam bombardeado especificamente escolas e hospitais.

Fato é que há completo blecaute em todos os jornais e televisões sobre centenas de civis em Aleppo massacrados por militantes radicais, que impediram que a população local de deixar, servindo-se dos corredores humanitários abertos pelo governo do presidente Assad, os territórios que os militantes ocupavam.

Mas todos fomos induzidos a crer que os extremistas seriam alguma espécie de heróis; e como prisioneiros os que arriscaram a própria vida para expulsar da cidade os extremistas, essa “peste negra”.

Nesse ponto, o palco da ONU virou cenário para que os governos de Grã-Bretanha, França e Alemanha se pusessem a ‘exigir’ que Damasco fizesse uma “pausa humanitária” em Aleppo. Mas não para garantir alívio aos habitantes da cidade sitiada, porque o ocidente não mandou um único caminhão de ajuda humanitário para Aleppo.

Os representantes dos três países acima, como também os representantes dos EUA, sequer tiveram coragem de escoltar (para evitar que fossem emboscados pelos terroristas) os comboios que a Rússia enviou.

Em vez disso, o ocidente usou aquelas pausas para introduzir mais terroristas em Aleppo e garantir-lhes o fornecimento de equipamento militar.

Muitas publicações provam que nesse período os jihadistas de Ansar al-Islam tinham capacidade militar máxima, quando negócios massivos de armas estavam sendo construídos no Leste da Europa e na Ucrânia, para contrabandear para a Síria quantidades massivas de armas fabricadas pelos soviéticos.

Contudo, as tropas sírias estão sendo extraordinariamente bem-sucedidas, até agora, na libertação de Aleppo, sucesso o qual resultou em Washington descobrir-se em posição muito estranha. O Financial Times já noticiou que os líderes da oposição síria já estão mantendo conversações secretas com a Rússia, para pôr fim às hostilidades em Aleppo.

Pode acontecer de os EUA serem empurrados para fora da equação em vários conflitos chaves no Oriente Médio, inclusive na Síria. Com o desmascaramento do conceito de “oposição moderada”, EUA vão perdendo espaço para influenciar a Síria, na medida em que se vai comprovando que não há “moderados”, só há radicais da Frente Al-Nusra.

EUA e UE estão em pânico total por causa dos desenvolvimentos na Síria, porque há possibilidade real de que se venha a expor completamente o verdadeiro papel que EUA e aliados europeus desempenharam na criação do chamado “Estado Islâmico” [ing. ISIS].

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Mark Toner até já ‘exigiu’ que a Rússia fosse impedida de combater contra o terrorismo internacional na Síria. Imediatamente depois dessa declaração, representantes de França, Grã-Bretanha e Alemanha tentaram aumentar a pressão, contra a Rússia, pelo Conselho de Segurança da ONU.

O estado delirante em que se debatem as elites europeias governantes apareceu muito claramente, publicamente, quando o Guardian publicou a sua mais recente demanda: “Líderes europeus, especialmente o governo francês, estão alertando Vladimir Putin por canais privados de que se ele permitir que o presidente Bashar al-Assad da Síria converta uma já esperada retomada de Aleppo em vitória militar na maior parte do país, a Rússia será obrigada a pagar a conta da reconstrução.”

É como se os governantes em Londres, Paris e Berlin estivessem em situação de morte cerebral. Só a morte cerebral explica que tenham esquecido quem destruiu Iraque, Líbia, Síria, Afeganistão e inúmeros outros países.

Os EUA, com o apoio ávido que lhe dá a União Europeia, mataram centenas de milhares de civis, destruíram moradias e a infraestrutura indispensável à sobrevivência dos que não foram mortos, o que resultou num verdadeiro êxodo de migrantes, do Oriente Médio e África, para a Europa.

Assim sendo, talvez sejam eles obrigados a conta da reconstrução, em vez de obrigar países europeus menores a receber refugiados que, para começar, eles, sim, geraram. E quanto à responsabilidade de Washington?

SAIBA MAIS:
EUA financiaram Estado Islâmico e agora querem dizimá-los
A luta dos EUA para exterminar um monstro que eles ajudaram a criar

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Fonte:http://www.orientemidia.org/vitoria-de-bashar-al-assad-e-putin-em-aleppo-pos-o-ocidente-em-surto-de-panico/

Operação Vira Lata: Acordo garante fiscal dos EUA durante 3 anos na Odebrecht e Braskem

25.12.2016
Do portal BRASIL247, 23.12.16

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato, comemorou o acordo de leniência firmado pela Odebrecht e pela Braskem com o Ministério Público Federal, que incluiu uma multa de R$ 8,5 bilhões, dizendo que é possível melhorar o país a despeito do “complexo de vira-lata” de alguns de nós que achamos que “o Brasil não tem jeito”.

Ontem o ex-ministro da Justiça da presidente Dilma Rousseff, Eugênio Aragão, contestou no que chamou de uma “cartinha aberta” ao procurador, dizendo: “E o que vocês conseguiram de útil neste País para acharem que podem inaugurar um ‘outro Brasil’, que seja, quiçá, melhor do que o vivíamos? Vocês conseguiram agradar ao irmão do norte que faturará bilhões de nossa combalida economia e conseguiram tirar do mercado global altamente competitivo da construção civil de grandes obras de infraestrutura as empresas nacionais”.

A prova inconteste de que Aragão tinha razão surge hoje em reportagem do sempre suspeito O Globo.

Para celebrar acordo de leniência a Odebrecht e a Braskem tiveram que aceitar exigências das autoridades dos Estados Unidos, entre elas a de vigilância externa por três anos para poderem operar.

As empresas terão um fiscal escolhido pelas autoridades desses países que terá acesso a todos os dados, documentos, e atividades de funcionários e até diretores das empresas.

O monitoramento foi uma das exigências feitas às empresas pelo do Departamento de Justiça americano (DoJ).

Em caso de qualquer irregularidade identificadas pelo fiscal, as empresas estão sujeitas ao rompimento do acordo e a serem processadas na Justiça americana.

Nessa hipótese, segundo o sempre suspeito O Globo, as companhias ficariam sujeitas ao pagamento de multas pelo menos 10 vezes maiores do que já foram acertadas.

Evidente que o tal fiscal só estará ali para verificar se as empresas são corruptas. Ele não fornecerá outras informações de projetos estratégicos aos americanos e a quem mais o Departamento de Justiça de lá achar conveniente.

E é óbvio que ao quebrar o mundo, em 2008, no maior esquema de corrupção da história, que ficou conhecido como “crise do subprime”, os EUA permitiram ao Brasil e a outros países que passassem a fiscalizar o seu sistema financeiro. Claro, claro, claríssimo….

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/colunistas/renatorovai/271914/Opera%C3%A7%C3%A3o-Vira-Lata-Acordo-garante-fiscal-dos-EUA-durante-3-anos-na-Odebrecht-e-Braskem.htm

Aleppo: questione antes de compartilhar

18.12.2016
Do portal da REDE BRASIL ATUAL
Por Marina Terra

Em outros conflitos nos quais os EUA e outras potências estão envolvidas, notícias falsas proliferaram; quando há tanta inconsistência e nuances, o melhor é duvidar e buscar fontes alternativas

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Interesses políticos e econômicos podem estar por trás das notícias sobre conflitos na Síria. Estratégia de espalhar notícias falsas podem privilegiar a ‘verdade’ de um só lado

Opera Mundi – O fenômeno da proliferação das notícias falsas alcançou um novo pico na semana passada, com a retomada da metade leste de Aleppo pelo exército sírio, quatro anos após ser ocupada por grupos opositores. Dias antes, mas, sobretudo, após o anúncio do controle total da cidade pelo governo, uma avalanche de notícias dramáticas ganhou com força as redes.A maioria dava conta de que os soldados leais ao líder sírio, Bashar Al-Assad, estariam assassinando civis a esmo e exercendo tamanho pavor entre as mulheres que algumas escolheram se matar em vez de serem capturadas.

Crianças em orfanatos imploravam por ajuda, enquanto habitantes de Aleppo emitiam suas “últimas”mensagens antes da morte certa.O que seria um cenário de extremo terror foi rapidamente desenhado pelos principais centros de informação hegemônicos e disseminado nas redes sociais. Títulos horripilantes, fotos de crianças apavoradas e depoimentos “finais” dos que supostamente estavam em Aleppo ocuparam, em poucas horas, as contas pessoais de milhões de pessoas ao redor do mundo.Frente ao que parecia ser uma tragédia, noticiada exaustivamente pelos principais veículos de comunicação, era preciso se manifestar. Com isso, um número impressionante de notícias não verificadas e tendenciosas se espalhou e uma narrativa binária e superficial ganhou destaque. Com fontes bastante questionáveis.

Uma das notícias mais compartilhadas informava que mulheres estariam escolhendo entre ser estupradas ou se suicidar. Apesar de a maioria dos títulos de jornais cravar o fato como certo, não havia qualquer depoimento ou prova, mesmo que circunstancial. A fonte real, Abdullah Othman, pertence à Frente da Conquista do Levante, um antigo braço sírio da Al Qaeda – grupo terrorista responsável pelo 11 de Setembro de 2001 e outras dezenas de atentados ao redor do mundo. Não é difícil imaginar que é de total interesse dele semear informações falsas sobre o governo sírio – seu inimigo direto.Outro grupo terrorista atuante na Síria é o Estado Islâmico, que tinha presença em Alepo e a mantém em outras regiões do país.

O Daesh, como é chamado no mundo árabe, pretende estabelecer um califado nas regiões de maioria sunita.O uso de notícias falsas para pautar o sentimento global sobre um fato não é novo. Sobre a Líbia, em 2011, a própria representante dos EUA na ONU, Susan Rice, disse que o líder Muamar Kadafi distribuía Viagra entre suas tropas para promover estupros em massa. Os recentes vazamentos de e-mails da ex-chefe do Departamento de Estado Hillary Clinton mostraram que se tratava de um rumor alimentado por um assessor seu, Sidney Blumenthal.

As armas de destruição em massa que Saddam Hussein foi acusado de ter no Iraque justificaram a invasão do país por George W. Bush – elas, porém, jamais foram encontradas. Anos antes, uma garota do Kuwait deu um tocante depoimento em que acusou o exército iraquiano de, durante a invasão ao país em 1990, tirar centenas de bebês de incubadoras e deixá-los à morte. Novamente, se descobriu depois que se tratava de uma mentira.

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Crianças em Jibreen, leste de Alepo, recebendo comida e abrigo após a tomada da cidade pelo exército sírio. Fotos e vídeos que ajudam a refletir com mais amplitude sobre o que está acontecendo na Síria

Apesar de o uso de notícias falsas para criar tendências e justificar ações não ser recente, foi com o crescimento das redes sociais que esse recurso ganhou novos contornos e mais volume. Um rumor qualquer, que antes demoraria meses para ser absorvido pelo público, hoje se transforma em verdade em apenas algumas horas. Como quando lançamos uma pequena pedra num lago, as ondas formadas continuam se multiplicando, ganhando força e tamanho.

Hoje, mesmo que se descubra que a notícia que iniciou esse movimento é falsa, se torna praticamente impossível acessar todos aqueles impactados e reverter a primeira impressão.Confiando justamente nesta dinâmica, os interesses que controlam grupos terroristas na Síria – cuja missão é a de derrubar Assad – orquestraram um conjunto de boatos e depoimentos duvidosos, prontamente disseminado pelos maiores emissores de informação mundiais.

Esse trabalho também é facilitado pelos cinco anos de propaganda negativa direcionada unicamente contra o líder sírio, acusado de violações aos direitos humanos antes e depois do início da guerra.No entanto, o DNA das forças opositoras, seus atos e seus financiadores pouco aparecem nas televisões, jornais e sites, gerando um quadro de “bons combatentes opositores” versus os “malvados soldados governistas”.

Um outro lado

Em julho deste ano, a Anistia Internacional (AI) divulgou um relatório onde alertava para “abduções, torturas e assassinatos sumários” de civis sírios por grupos armados no leste de Aleppo e Idleb. No documento, a organização de direitos humanos demonstra preocupação com o grau de violência exercido nessas áreas controladas pelos opositores, que, “aparentemente, são apoiados por governos como o do Catar, Arábia Saudita, Turquia e EUA”.Em depoimento à Anistia Internacional, um garoto de 17 anos capturado pelo grupo terrorista Jabhat al-Nusra conta que conheceu cinco mulheres que estariam sendo acusadas de adultério e seriam “somente perdoadas por meio da morte”. Ele depois assistiu um vídeo mostrando combatentes assassinando uma delas em público. Outro entrevistado conta que havia ficado feliz por não estar mais sob controle de Assad, mas que “agora a situação é pior”.

Assim como este levantamento feito pela AI, outras organizações e jornalistas alertaram durante anos para o que estava acontecendo nas áreas controladas pelos terroristas. Histórias, inclusive, muito parecidas com as que atualmente estão sendo compartilhadas como sendo protagonizadas por soldados leais a Assad.

De acordo com o Acnur, a agência da ONU para refugiados, ao redor de 40 mil sírios chegaram à parte oeste de Aleppo nos últimos dias com relatos de fome, violência e terror. “Estávamos famintos, precisávamos fugir”, contou um menino aos voluntários. A situação teria se agravado muito nos últimos cinco meses, pois os grupos opositores impediram a chegada de ajuda humanitária ao leste.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, admitiu em 10 de dezembro que a oposição síria ameaçou pessoas e bloquearam ajuda humanitária.Jornalistas independentes, como a norte-americana Vanessa Beeley, reportaram os momentos anteriores e posteriores à retomada total de Aleppo e suas informações também contrastavam com aquelas propagadas pela cobertura hegemônica ocidental. Em sua conta no Facebook, ela publicou vídeos e fotos da assistência dada aos que escaparam das áreas controladas por terroristas. O que vemos são crianças recebendo comida e bebidas quentes, em filas organizadas.

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Outra voz dissonante foi a do experiente repórter britânico Robert Fisk, especialista em Oriente Médio, que publicou há três dias um artigo intitulado “Há mais de uma verdade para contar a dramática história de Aleppo”. Nele, o jornalista do The Independent explicita como os mesmos grupos que são alvo da “Guerra ao Terror”, capitaneada por Washington, controlavam o leste de Aleppo.Também colaborador do Independent, Patrick Cockburn, veterano correspondente no Oriente Médio, ressaltou a profunda diferença de tratamento midiático entre os acontecimentos no Leste de Aleppo e em Mosul, Iraque – cidades que compartilham praticamente a mesma realidade. Enquanto que, na primeira, os grupos opositores estariam protegendo seus cidadãos da ameaça de Assad e de Moscou, na segunda o Estado Islâmico estaria usando iraquianos como escudo humano e evitando fugas.

Financiamento e interesses

Utilizando-se dessa lógica binária, na qual o mundo é pintado em preto ou branco, a propaganda das forças hegemônicas ganha corações e, consequentemente, apoio em massa. Com a opinião pública indignada e exigindo justiça, se torna mais fácil aprovar resoluções para mais ataques militares – mesmo que a intenção não seja a de trazer paz à Síria.Por que então o Congresso dos EUA aprovou neste mês uma emenda dentro do Ato de Autorização da Defesa Nacional (orçamento para a Defesa) que deixa aberta a possibilidade de a oposição síria ter acesso a mísseis capazes de derrubar aviões civis (os chamados “MANPADS”)? Dar armas de alta potência a reconhecidos terroristas, colocando a segurança de toda a população mundial em risco, não parece ser um ato pacifista.Ao se investigar quem financia esses grupos, os interesses em torno da queda de Assad começam a ficar mais claros. Como até mesmo a Anistia Internacional reportou em julho, EUA, Catar, Arábia Saudita e Turquia são quem mais injetam dinheiro e armas na insurgência. E não se trata de um segredo.

Em depoimentos ao Financial Times, líderes “rebeldes” relataram receber salários para lutar na Síria. No total, diz a matéria de 2013, mais de 3 bilhões de dólares teriam saído de cofres cataris diretamente para grupos opositores sírios. Foi em 2013 também quando o presidente dos EUA, Barack Obama, começou a secretamente armar a dissidência síria e a financiá-la, contando com dinheiro saudita, conforme detalha esta reportagem de janeiro de 2016 do The New York Times.

Também se investiu intensamente na construção de instituições dedicadas a pautar a imprensa com informações simpáticas aos opositores. Uma delas é a Revolutionary Forces of Syria, mantida pelo governo britânico e sediada na Turquia. Em matéria publicada pela jornalista norte-americana Rania Khalek, ela revela uma troca de e-mails de um repórter sondado pela RFS, que chegou a lhe oferecer um salário de 17 mil dólares. “Eu conversaria com pessoas da oposição na Síria e escreveria matérias baseadas nas declarações de ativistas a filiados aos grupos armados em lugares como Aleppo”, relatou o profissional, que pediu anonimato.

De acordo com Khalek, campanhas midiáticas promovidas pelo RFS têm grande impacto ao redor do mundo. Seus vídeos e hashtags, a maioria com um apelo moderno, são rapidamente disseminados no Ocidente, como a #AvengersInAleppo (Avengers em Aleppo), que publicou fotos de crianças pedindo para que super-heróis os salvassem.É também de responsabilidade do RFS propagandear ações dos “Capacetes Brancos”, grupo de voluntários que promove salvamentos na Síria e que chegou a ganhar uma série exclusiva no Netflix.

No entanto, conforme detalha nesta reportagem o jornalista Max Blumenthal, ao contrário de heróis anônimos, esses indivíduos pertencem a grupos terroristas e são financiados para pressionar pela agenda de “mudança de regime” na Síria. Eles teriam chegado a receber 23 milhões de dólares da Usaid, agência norte-americana para o desenvolvimento internacional.Se pelo lado dos EUA e seus aliados a justificativa para a guerra na Síria é a de libertar esse povo de Assad, outras vozes apontam interesses geopolíticos e econômicos (sobretudo energéticos). O que teria sido um levante popular espontâneo pedindo reformas e liberdade em 2011 logo se transformou em um conflito entre as forças do Estado sírio e a dissidência, desde o começo abastecida com armamento e apoio logístico.

Telegramas vazados pelo Wikileaks detalham como Washington forçou agressivamente a agenda de mudança de governo desde 2006.Apesar de apoiar o governo de Assad desde o começo da guerra, a Rússia só passou a atuar com envolvimento militar direto no segundo semestre de 2015 – fato que transformou radicalmente o cenário e permitiu avanços das tropas sírias. Ao mesmo tempo, esquentava a disputa entre Washington e Moscou, no que atualmente analistas afirmam ser uma “segunda Guerra Fria”.

Fake News 

No caso sírio, apesar de se observar um panorama em que a verdade parece ser o que menos importa, a ainda relativa credibilidade e a extensa malha de alcance de grandes conglomerados midiáticos contribuem para que o consumidor de notícias comum compartilhe em suas redes a informação disseminada por eles. Mas, conforme as eleições norte-americanas revelaram, a proliferação de notícias falsas muitas vezes tem como emissor páginas fantasmas ou claramente tendenciosas.

Assim que a história cai nas redes, é freneticamente distribuída. E o dano já está feito.Mês passado, diretores de Facebook e Google anunciaram que irão banir sites que compartilhem notícias falsas. Em entrevista recente desde Moscou, onde está exilado, Edward Snowden problematizou o tema das notícias falsas, mas ressaltou que a solução não passa pela eleição de um juiz, mas a participação ativa dos cidadãos. A resposta a esse discurso, segundo o ex-funcionário da NSA, não é a censura: “Temos de exercitar e espalhar a ideia de que o pensamento crítico hoje importa mais do que nunca, frente ao fato de que as mentiras parecem estar ficando muito populares”.

Na resposta de Snowden também está incluído um alerta sobre como o combate às notícias falsas pode esconder uma caça aos meios que não compartilham da ideologia mundial dominante. A acusação de que meios russos influenciaram o resultado das eleições nos EUA a partir da disseminação de notícias falsas vem ganhando cada vez mais força. Em novembro, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução contra as notícias falsas, mencionando, em particular, o canal RT, a agência Sputnik, a fundação Russky Mir e a agência federal Rossotrudnichestvo.

Todos russos.Como diversos jornalistas e organizações demonstraram no caso sírio, a grande maioria das notícias falsas ou tendenciosas não foi publicada por blogs obscuros, mas pelos principais veículos de informação ocidentais, com apoio de agências e logística oficiais. O Google derrubaria o site do NYT caso fosse verificada a publicação de uma mentira? Diria que não.Mais do que um momento de necessária autocrítica da classe jornalística e da responsabilidade em torno do nosso trabalho, está a necessidade de que os receptores dessas informações, a população que habita o ambiente virtual, questione os conteúdos, busque vozes dissonantes e pense duas vezes antes de clicar em “compartilhar”. Ali pode existir uma propaganda, não um fato.

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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/mundo/2016/12/aleppo-questione-antes-de-compartilhar-5452.html