Exclusivo: Delegado encontra o elo do esquema de corrupção de Aécio e a Polícia Civil de Minas

23.01.2018
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO, 22.01.18
Por Joaquim de Carvalho 

Márcio Nabak, o primeiro à esquerda

Documentos originais de uma investigação que envolve o delator da lista de Furnas e do mensalão mineiro, Nílton Monteiro, foram encontrados no escritório do advogado Joaquim Engler Filho, personagem do submundo do poder construído durante os anos de Eduardo Azeredo no governo do Estado e, mais tarde, consolidado com Aécio Neves. Os autos da investigação, denominada VPI, estavam desaparecidos havia quatro anos. Foram encontrados no cumprimento de um mandado de busca e apreensão determinado há pouco tempo pela Justiça, em um inquérito que se revela explosivo.

O delegado Rodrigo Bossi de Pinho, chefe do Departamento Estadual de Investigações sobre Fraudes, é quem conduz esse inquérito. Em uma certidão assinada no dia 19 de janeiro (ler ao final da reportagem), em que relata a apreensão dos autos no escritório do advogado, ele diz que esse trabalho tem por objetivo apurar “a existência de uma organização criminosa que se utilizou do sistema judiciário mineiro para encobrir denúncias de corrupção ocorridas no Governo do Estado de Minas Gerais anteriormente”.

O delegado diz que essa organização contava com apoio de policiais civis. “Em tese, (a organização) utilizava-se de ardis, tais quais subtração de autos processuais e de peças processuais, falsas perícias e documentos, além de falsos testemunhos”, escreveu. Para identificar os criminosos, o delegado separou a investigação por temas. Os autos desaparecidos fazem parte do capítulo sobre a chamada Lista de Valério.

 

Essa lista, com assinatura do publicitário Marcos Valério, relaciona políticos e outras autoridades, incluindo juízes (alguns das cortes superiores), que receberam recursos do caixa 2 administrado por ele durante os anos de Eduardo Azeredo no poder (janeiro de 1995 a janeiro de 1999).

Quando veio à tona, a lista foi desmentida, inclusive pelo seu suposto autor, Marcos Valério. Agora as coisas mudaram e, sigilosamente, até Valério, que está preso por conta do mensalão de Brasília (também chamado mensalão do PT), tem colaborado com as investigações.

Rodrigo Bossi de Pinheiro é um policial discreto, que evita dar entrevista, mas, como revela na certidão emitida, já deu alguns passos na direção de desmascarar a quadrilha.

Nílton Monteiro, o delator dos maiores esquemas de corrupção em Minas Gerais, também colabora com a polícia e é peça-chave no inquérito.

Por conta de suas denúncias, ele já foi alvo de atentados, com incêndio do carro na garagem de sua casa, que feriu um parente seu. Ele continua recebendo ameaças, mas não desistiu.

Monteiro era um operador dos esquemas de caixa 2 mantidos por um antigo deputado mineiro, o milionário Sérgio Naya, já falecido.

Monteiro se deu bem no submundo da corrupção até ser passado para trás numa negociação milionária de venda de créditos de ICMS da mineradoras Samarco para a empresa de energia do Espírito Santo, a Escelsa. Quando isso aconteceu, Naya, seu padrinho e chefe, já tinha perdido o poder.

Nílton passou então a denunciar aqueles que o haviam passado para trás — derrubou o esquema de poder no Espírito Santo, tucano, entre o final dos anos 90 e início dos anos 2000. Depois, foi para cima dos mensaleiros do esquema do PSDB em Minas, e implodiu o esquema de Aécio Neves e Dimas Toledo em Furnas.

Nílton sempre apresentou munição pesada enquanto soltava a língua — como recibos de depósitos, contratos de mútuo, notas promissórias, fotografias e as famosas listas.

Por que listas com contabilidade de propina? Porque este é o instrumento mais poderoso de chantagem.

No caso de Dimas Toledo, em Furnas, a lista foi enviada aos recebedores de dinheiro desviado da estatal, desviados e entregues por orientação de Aécio Neves (Bolsonaro está na lista, mas ali é um peixe menor, os graúdos são Serra e Alckmin).

A lista de Valério teria tido a mesma finalidade, mas ficou no meio do caminho, e foi desacreditada quando Valério a desmentiu, mas, ao que começa a se revelar agora, a assinatura da lista é autêntica, e Valério já se mostrou disposto a contar como e por que o dinheiro foi entregue.

Nílton Monteiro ficou com boa parte dos documentos que Naya guardava para cobrar os políticos e outras autoridades a quem corrompia. Algumas notas promissórias originais que estavam em poder de Nílton, com débitos milionários de grã-finos que bebiam da fonte de Naya, foram apreendidas pela Polícia Civil no governo de Aécio Neves/Antonio Anastasia, e desapareceram.

 

Esta é a origem da investigação preliminar cujos autos foram encontrados agora no escritório do advogado Joaquim Engler, Nessa investigação, Monteiro tinha denunciado o homem forte da Polícia Civil no governo tucano, Márcio Nabak, pelo sumiço das promissórias.

Engler não é um nome menor no esquema de corrupção. Era amigo de Nabal, detentor de sua confiança. Tanto que levou inquérito original para seu escritório.

Ender também foi advogado de Nílton Monteiro e, ao que tudo indica, operaram juntos. Quando os créditos da Samarco foram vendidos para a empresa de energia capixaba Escelsa, Engler teria se associado a outra quadrilha de golpistas, para ficar com uma comissão de 61 milhões de reais, pagas recentemente mediante autorização de um juiz.

Nílton Monteiro ficou a ver navios.

A Samarco é uma empresa que já teve controle da Vale, que ainda tem participação lá. E a Vale sempre foi um feudo político dos poderosos de Minas Gerais — lembre-se da conversa de Aécio Neves com Joesley Batista, em que ele ofereceu uma diretoria da empresa ao dono da J&F.

Com ajuda do delator Nílton e a colaboração de Marcos Valério, o delegado Rodrigo parece ter puxado o fio do novelo. Se não tirarem sua mão desse inquérito, o delegado pode ir longe e revelar os esquemas de poder efetivo em Minas Gerais, o estado que é a síntese do Brasil.

.x.x.x.

PS: o que os documentos da Polícia Civil estavam fazendo no escritório do advogado? Engler disse que recebeu em confiança, mas não conseguiu devolver, porque nunca encontrou Nabak na delegacia nas vezes em que esteve lá para devolver. Com isso, a denúncia de que Nabak fez desaparecer as promissórias nunca foi investigada a sério.


******
Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/exclusivo-delegadoencontrao-elo-do-esquema-de-corrupcao-de-aecio-e-policia-civil-de-minas-por-joaquim-de-carvalho/

Anúncios

PSDB teve o que mereceu: não há inocentes em um partido golpista

10.11.2017
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
Por Joaquim de Carvalho

O PSDB, quando tinha decência

A série Breaking Bad termina com a música Baby Blue, do Badfinger. A polícia se aproxima e o traficante Walter White caminha pelo laboratório onde se sentia absolutamente à vontade e se ouve a música com o verso: “Acho que eu tive o que mereci”.

Walter White trocou a vida medíocre de professor de Química pela de traficante, onde ganhou muito dinheiro, matou algumas pessoas e se impôs como homem mau.

No início, mentia para si mesmo: dizia que era tudo pela família — tinha câncer e precisava deixar a mulher e os dois filhos com dinheiro —, mas, no final, admite, diante da esposa derrotada:

“Eu fiz isso por mim. Eu gostei e era bom nisso.”

A polícia se aproxima e aponta para o fim trágico de quem escolheu o caminho errado.

A história lembra a agonia do PSDB. Como na ficção, o partido parece viver o drama terminal como o de Walter White, mas não se ouve a trilha “Acho que eu tive o que mereci.”

Pelo contrário.

Pelas declarações de Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati, o problema não são eles, mas outros, dentro do próprio partido.

“Esse PSDB desses caras não é o meu PSDB”, disse Tasso, afastado por Aécio Neves.

”Foi um ato covarde, violento e indigno. Aécio mostrou que não tem limites para alcançar seus objetivos espúrios”, acusou o senador Ricardo Ferraço.

“Já estávamos passando por um desgaste brutal. Agora estamos vendo o PSDB cometer um harakiri”, afirmou.

Aécio Neves é, seguramente, uma das figuras mais detestáveis do Brasil, ao lado de Michel Temer, mas é errado dizer que ele eu um golpe no PSDB.

Ele é o presidente do partido e tem poderes para fazer o que fez: reassumir, afastar Tasso e entregar o comando interino para Alberto Goldman.

Aécio tem também legitimidade para agir dessa forma, porque, nas vezes em que se ensaiou um confronto para tirá-lo da presidência, as vozes dissonantes afinaram, e a vontade dele prevaleceu.

Quem colocou Aécio na presidência do Partido e o acompanhou no movimento — este sim, de caráter golpista — para derrubar Dilma Rousseff?

São os mesmos tucanos que agora se dizem indignados com a decisão dele.

Hipocrisia e mimimi. 

Choro de quem está sem espaço num partido que escolheu o mau caminho, depois de perder quatro eleições presidenciais.

Mas nem sempre foi assim.

Em 1992, o PSDB, convidado, queria entrar no governo de Fernando Collor. Fernando Henrique Cardoso já tinha aceitado convite para ser ministro das Relações Exteriores, mas Mário Covas liderou uma rebelião e inviabilizou o acordo.

Aliado de FHC e de Collor, então governador do Ceará, Ciro Gomes tentou intimidar Covas, numa reunião em um hangar do aeroporto de Brasília.

Covas se manteve firme e o PSDB não aderiu ao governo que, alguns meses depois, acabaria por denúncias de corrupção.

Na época, a jornalista Miriam Dutra, então repórter da TV Globo, namorava Fernando Henrique Cardoso e ela conta que recebeu o então senador em casa, logo depois da reunião com Covas. “Ele (Fernando Henrique) estava furioso, dizia que o Covas tinha destruído a carreira dele”, disse Miriam.

Desde 2014, o PSDB tem se curvado à aventura golpista de Aécio Neves. Nas discussões internas, não houve uma voz que se levantasse contra esse movimento.

Todos caminharam unidos nesta marcha.

São cúmplices.

São todos golpistas.

Ali não há vítima.

Nem golpe.

Fizeram por merecer.

******
Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/psdb-teve-o-que-mereceu-nao-ha-inocentes-em-um-partido-golpista-por-joaquim-de-carvalho/

Dois juízes, manifestações opostas sobre o impeachment: por que um é investigado e o outro não

25.10.2017
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
Por Joaquim de Carvalho

A decisão do Conselho Nacional de Justiça de investigar quatro juízes que se manifestaram contra o impeachment de Dilma Rousseff abre a discussão: e o que aconteceu com os (muitos) juízes que defenderam a retirada da então presidente do Palácio do Planalto?

Um deles, Itagiba Catta Preta, usou as redes sociais para convidar manifestantes a irem para a rua, foi para a rua, postou no facebook e não escondia que tinha sido eleitor de Aécio Neves. Não um simples eleitor, o eleitor que faz campanha, com direito a exibir fotos com adesivo no peito.

Itagiba fez mais do que isso.

Juiz federal em Brasília, ele, como magistrado, agiu como se fosse manifestante: proibiu a posse de Lula no ministério de Dilma Rousseff, no auge da crise política.

Quando se descobriu, na época, que o facebook dele era igual a de qualquer manifestante que seguiam patos amarelos na avenida, retirou a página do ar. Mas os registros foram copiados e divulgados, para desmoralização da Justiça.

Procure-se nos registros do CNJ se houve algum tipo de punição (ou investigação) para ele e nada se encontrará. Outra pesquisa interessante é sobre as manifestações nas redes sociais dos juízes agora investigados.

Na página do juiz André Nicolitt, por exemplo, juiz do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, não há nenhuma manifestação partidárias, não há menção a nome.

PUBLICIDADE
 

O que se vê é a manifestação a favor de teses, idéias, não nomes.

Por isso, é preciso, certeiro, o argumento do advogado Leonardo Isaac Yarochewsky, doutor em Ciências Penais, expressa em artigo no site Justificando, de que a manifestação dos quatro juízes agora investigados pelo CNJ foi em defesa do Estado Democrático de Direito, da Constituição, não de Dilma Rousseff.

Há algo mais nobre do que defender idéias, teses?

Os fatos que se sucederam (e estão em curso) mostram que a tese que esses quatro juízes abraçaram estava certa.

O Brasil viveu em 2016 uma violência institucional — o ministro Ricardo Lewandwiki, que presidiu a sessão do Senado que cassou Dilma, chamou de “tropeço da democracia” —, e o mínimo que um cidadão consciente (juiz ou não) pode fazer é denunciar.

Não é uma manifestação política no sentido partidário.

É a defesa de algo muito maior – a democracia – e, em certos momentos, na defesa desse bem intangível, silenciar é que seria uma falha grave.

.x.x.x.x.

PS:

Acima, a foto do juiz que se manifestou contra o golpe, André Nicolitt; ao lado, a foto do juiz que se manifestou (e agiu) a favor, Itagiba Catta Preta. Um está sendo investigado e pode ser punido, o outro não. Notou a diferença? Se você não soubesse, precisaria dizer quem é quem?

****
Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/dois-juizes-manifestacoes-opostas-sobre-o-impeachment-por-que-um-e-investigado-e-o-outro-nao-por-joaquim-de-carvalho/

Exclusivo: a empresa fantasma de Perrella que lavava dinheiro sujo de Aécio, segundo a PGR

30.05.2017
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
Por  Joaquim de Carvalho

No pedido para que o ministro Edson Fachin, do STF, reconsidere sua decisão e mande prender o senador afastado Aécio Neves, a Procuradoria Geral da República diz que uma das empresas da família de Zezé Perrella era usada com frequência para lavar dinheiro do presidente licenciado do PSDB.

O procurador geral Rodrigo Janot escreveu em seu recurso:

“Há fortes indícios de que a empresa ENM AUDITORIA E CONSULTORIA e a empresa TAPERA PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS AGROPECUÁRIOS LTDA fazem parte do esquema para lavar recursos recebidos ilicitamente pelo Senador AÉCIO NEVES.” (as maiúsculas estão no original).

A Procuradoria refez o caminho de uma parcela de 500 mil reais da propina de 2 milhões paga por Joesley Batista. Ela saiu da JBS em dinheiro vivo através de Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, foi para as mãos de Mendherson Souza Lima, assessor de Zezé Perrella no Senado Federal, passeou por uma conta da ENM Auditoria e Consultoria e foi parar na conta da Tapera Participações e Empreendimentos Ltda, empresa da família de Zezé Perrella, que tem como acionista o filho, Gustavo Perrella.

A ENM, de Euler Nogueira Mendes, é uma empresa de contabilidade que presta serviços também para Federico Pacheco de Medeiros, administrador da Fazenda das Lajes Agroflorestal Ltda.

Frederico, Mendherson, Euler, Gustavo, Zezé têm em comum não apenas a liderança de Aécio Neves, mas também o Cruzeiro Esporte Clube. Os seis, incluindo Aécio, são conselheiros do clube.

O papel da Tapera na lavagem de dinheiro sujo recebido por Aécio trouxe à tona uma antiga investigação, também por lavagem de dinheiro, que envolveu o Cruzeiro na gestão de Zezé Perrella como presidente.

A suspeita do Ministério Público é que houve lavagem de dinheiro na negociação da venda do zagueiro Luisão, do Cruzeiro, para o Benfica, de Portugal.

O caso está parado no Supremo Tribunal Federal, para onde o inquérito criminal foi levado quando Zezé tomou posse como senador e ganhou foro privilegiado.

Mas um desdobramento dessa investigação criminal deu origem a um inquérito civil, em Minas Gerais, o de número 0024.11.003.118-4, que apura ilícitos cometidos na gestão de entidades ligadas ao futebol no Estado de Minas Gerais.

É nesse inquérito civil que apareceu o nome da Tapera como suspeita de ser usada para encobrir dinheiro recebido por fora na venda do jogador Luisão.

Em 2012, nove anos depois da venda do atleta, Gustavo Perrella foi chamado para depor e disse que a Tapera, já naquela época, era uma empresa sem atividade, uma fachada, empresa de papel.

Segue um trecho do depoimento, obtido com exclusividade pelo DCM:

Que a empresa Tapera, atualmente, não está em atividade; que a empresa Tapera detinha cotas da empresa Limeira Agropecuária; que, no ano de 2008, o declarante e sua irmã Carolina Perrella Amaral Costa adquiriram, através da Tapera, as cotas da empresa Limeira Agropecuária Ltda., ficando 47,5% de participação para cada um; que a Tapera, embora continue existindo, encontra-se praticante inoperante.

Eles

Se estava inoperante já em 2012, como explicar depósitos e saques elevados recentemente?

É Rodrigo Janot quem responde, no recurso apresentado ao ministro Fachin: lavar dinheiro de Aécio.

Janot relaciona várias operações suspeitas da Tapera entre 2014 e 2017:

Ainda sobre o envolvimento da empresa TAPERA como possível instrumento de lavagem de dinheiro dos recursos destinados ao Senador AÉCIO NEVES, no Relatório de Inteligência Financeira (RIF) 26521 do COAF há informação de que, no dia 12.04.2017, ou seja, no mesmo dia da entrega da segunda parcela de R$ 500.000,00 em São Paulo, MENDHERSON provisionou junto ao Banco BRADESCO um saque de R$ 103.000,00 da conta da empresa TAPERA para o dia seguinte. O referido saque fora feito no valor provisionado por GUSTAVO HENRIQUE PERRELLA AMARAL DA COSTA no dia 13.04.2017. Consta ainda no mencionado RIF que, no dia 22.04.2017, poucos dias após a entrega da terceira parcela de R$500.000,00 referente à propina de R$ 2.000.000,00, GUSTAVO HENRIQUE PERRELLA AMARAL COSTA depositou R$ 220.000,00 em espécie na conta da empresa TAPERA.

Além dessas movimentações, no RIF há menção a diversas outras operações suspeitas em anos anteriores, vejamos. Em 2014, MENDHERSON, na qualidade de procurador da empresa TAPERA junto ao Banco BRADESCO provisionou um saque de R$ 910.000,00, no mês de maio; vários outros saques que totalizaram R$ 1.020.000,00 no mês de julho (sacou efetivamente R$ 400.000,00),e outros, em agosto, que totalizaram R$ 680.000,00 (sacou efetivamente R$ 520.000,00); depositou R$ 100.000 neste mesmo em julho. Cumpre ressaltar que, no ano de 2014, o Senador AÉCIO NEVES recebeu muitos recursos da empresa J&F (controladora da JBS) a titulo de propina. Em 2015, MENDHERSON, na qualidade de procurador da empresa TAPERA, provisionou junto ao Banco BRADESCO R$ 300.000,00 em julho; R$ 500.000,00 em agosto; e R$ 340.000,00 em setembro. Em 2016, consta que a empresa FREDERICO PACHECO EMPREENDIMENTOS, empresa de FREDERICO PACHECO DE MEDEIROS, recebeu R$ 165.000.00 da empresa TAPERA.

Édson Fachin registrou na decisão em que afastou Aécio do Senado, mas negou a prisão:

O conjunto cognitivo, sob outra ótica, mostra-se mais amplo e permite depreender, em tese, a percepção dos 2 milhões de reais não como um fato único, em tese, criminoso, mas sim, inserido numa cadeia delitiva maior e que já se prolongaria no tempo.

Se a propina da JBS não é um fato isolado, mas parte de uma sequência de crimes e Aécio tem desrespeitado a determinação de se manter afastado de outros investigados pelo crime de corrupção, o que falta para o Supremo Tribunal Federal mandá-lo para a cadeia?

Hoje à tarde, Fachin decidiu desmembrar o inquérito resultante da delação de Joesley Batista. Temer será investigado em um inquérito e Aécio em outro. O inquérito sobre Aécio foi encaminhado para a presidente do Supremo, ministra Carmen Lúcia.

O pedido da prisão do senador afastado será decidido por outro ministro, relator do inquérito, a ser escolhido mediante sorteio.

Por enquanto, é esperar.

Para Aécio, o melhor dos mundos seria ter seu amigo Gilmar Mendes na relatoria desse inquérito.

*****
Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/exclusivo-a-empresa-fantasma-de-perrella-que-lavava-dinheiro-sujo-de-aecio-segundo-a-pgr-por-joaquim-de-carvalho/