Justiça é muita areia pra ‘caçambinha’ de Moraes, critica Aragão

03.05.2017
Do blog do PARTIDO DOS TRABALHADORES, 11.01.17
Por Luana Spinillo*

Para ministro da Justiça do governo Dilma, é ‘vergonhoso’ que um ministro tenha que mentir sobre ter recebido pedido de ajuda para resolver crise penitenciária

Ministro da Justiça do governo eleito de Dilma Rousseff, Eugênio Aragão Foto: Lula Marques/Agência PT

Na avaliação do ministro da Justiça do governo eleito de Dilma Rousseff, Eugênio Aragão, o atual ocupante do Ministério, Alexandre de Moraes, nunca teve condições de ser ministro da Justiça.

Para Aragão, o atual ministro golpista da Justiça tem “histórico de arbitrariedades”, quando esteve à frente da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, e “histórico de conchavos com setores que são de alto risco para a sociedade, como a facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC”.

“Isso já demonstra claramente qual o tipo de ator que esse ‘governo’ do Michel Temer buscou para tratar de assuntos estratégicos do Estado, como são as penitenciárias. O Ministério da Justiça é muita areia pra caçambinha dele”, declarou.

Qual é a legitimidade do senhor Temer, um presidente que caiu de paraquedas, que foi um péssimo acidente para o Brasil, para enfrentar isso?”

Aragão lamentou a postura de Alexandre de Moraes diante das chacinas ocorridas na primeira semana de 2017 em penitenciárias no Amazonas e de Roraima, quando mais de 90 presos foram mortos.

Na ocasião, Moraes chegou a dizer que não recebeu pedido de ajuda de Roraima, mas foi desmentido por um ofício da governadora Suely Campos (PP), pedindo em novembro o envio da Força Nacional para auxiliar na segurança de presídios. A ajuda à governadora, à época, foi negada pelo ministro.

“Nesse episódio trágico, em que em dois dias morreram 90 brasileiros que estavam sob a custódia do Estado, é vergonhoso que um ministro da Justiça tenha que mentir para dizer que ele nunca recebeu qualquer tipo de pedido de ajuda para área penitenciária e depois a governadora ter que vir a público com o ofício que mandou para ele, bem como com a resposta dele”, criticou.

Segundo Aragão, o governo golpista de Temer subestimou o risco eminente nos presídios. E lembrou que o único governo que resolveu enfrentar o problema do sistema penitenciário no Brasil, e o crime organizado que toma conta dele, foi o governo do PT, sob o qual foram construídas as penitenciárias federais de alta segurança.

“Então nós fomos enfrentando isso com o grande esforço de criar regimes diferenciados para as lideranças das organizações criminosas, porque você só combate esse sistema se você isola as lideranças dos demais presos”, apontou.

O Ministério da Justiça é muita areia pra caçambinha dele”

O ministro da presidenta Dilma ainda ressaltou que o governo Temer não tem legitimidade para enfrentar a crise do sistema penitenciário. Isso porque, para resolver essa crise, é preciso também, na sua avaliação, repensar a privação de liberdade como única pena.

“Você não pode sair enchendo o sistema penitenciário com presos, até alguns de baixíssima periculosidade, porque aquilo não é um saco sem fundo e também não é uma lixeira de gente. Então tem que ter mais consciência por parte do sistema judicial como todo que tem que haver algum tipo de seletividade, de alternativa”, apontou.

Mas para fazer isso, explicou Aragão, é preciso discutir com o Judiciário e fazer o debate público sobre o modo como os juízes trabalham.

“Isso mexe com os brios das corporações. Mas qual é a legitimidade do senhor Temer, um presidente que caiu de paraquedas, que foi um péssimo acidente para o Brasil, para enfrentar isso? Como ele vai fazer pressão em cima de alguém se ele não aguenta uma manifestação? Ele tem medo de manifestante, como ele vai assumir uma briga com juízes, com promotores?”, questionou Aragão.

De braços cruzados

O atual subprocurador geral da República e professor Adjunto da Universidade de Brasília (UnB), também criticou a decisão de Alexandre de Moraes de congelar, assim que assumiu o cargo, todos dos dispêndios do Ministério da Justiça por 90 dias.

Prova disso é que, segundo Aragão, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária está parado e não foi convocado uma única vez desde que Moraes se tornou ministro.

“Além de ter desativado todos os programas do Ministério e congelar todos os dispêndios por 90 dias, Alexandre de Moraes resolveu, agora em dezembro, prorrogar por mais 90 dias. Significa que até abril o Ministério da Justiça está de braços cruzados”, destacou.

Para Eugênio Aragão, Michel Temer é a pessoa errada, no local errado e na hora errada.

“Nunca nós tivemos um vice-presidente da República golpista que usou o cargo para derrubar o seu titular. Então uma pessoa com esse perfil governar o País em um momento tão delicado como esse, eu vou dizer com toda sinceridade, é realmente uma desgraça. O senhor Temer, a cada dia mais, mostra que não tem nenhuma habilidade para esse cargo e que não tem nem sequer uma equipe que mereça esse nome”, declarou.

*Luana Spinillo, da Agência PT de Notícias

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Fonte:http://www.pt.org.br/justica-e-muita-areia-pra-cacambinha-de-moraes-critica-aragao/

EM NOVA DISCUSSÃO, MORO GRITA COM ADVOGADO DE LULA

12.12.2016
Do blog PARANÁ247

Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag�ncia BrasilJuiz federal Sérgio Moro voltou a bater boca com a defesa do ex-presidente Lula durante depoimento no caso do triplex do Guarujá; o advogado Juarez Cirino dos Santos protestou contra uma pergunta que estava sendo feita pelo procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho a uma das testemunhas e ouviu do magistrado, aos gritos: “Já foi indeferida sua questão. Já está registrada e o senhor respeite o juízo”; em novembro, Moro também indeferiu o pedido da defesa e disse que os advogados estavam sendo inconvenientes ao levantarem diversas questões de ordem

247 – O juiz federal Sérgio Moro, da Lava Jato, voltou a bater boca com os advogados de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O advogado Juarez Cirino dos Santos protestou contra uma pergunta feita pelo procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho para a testemunha Mariuza Aparecida da Silva Marques, engenheira da OAS que trabalhou no tríplex que o Ministério Público Federal diz ter sido recebido por Lula como pagamento de propina por parte da empreiteira.

Após a contestação, Moro disse ao advogado que ele estava sendo inconveniente e que o procurador podia prosseguir. O procurador perguntava à testemunha se Marisa Letícia, ex-primeira-dama, durante sua visita ao apartamento, foi tratada como uma possível compradora do imóvel ou como alguém a quem a propriedade já era destinada. O advogado disse a Moro que a pergunta já havia sido feita anteriormente e respondida. Mariuza disse que tanto Marisa como o filho, Lulinha, eram vistos como clientes em potencial.

Após Moro rejeitar o protesto e pedir que novas intervenções fossem evitadas, deu-se início ao bate-boca. “Você não pode cassar a palavra da defesa”, disse Cirno ao magistrado. “Posso, porque o senhor está sendo inconveniente”, respondeu Moro.

Cirino insistiu e afirmou que o procurador estava pedindo uma opinião à testemunha, nãos fatos. “Doutor, está sendo inconveniente. Já foi indeferida sua questão. Já está registrada e o senhor respeite o juízo!”, disse Moro aos gritos.

“Eu? Mas, escuta, eu não respeito Vossa Excelência enquanto Vossa Excelência não me respeita enquanto defensor do acusado. Vossa Excelência tem que me respeitar como defensor do acusado, aí então Vossa Excelência terá o respeito que é devido a Vossa Excelência. Mas se Vossa Excelência atua aqui como acusador principal, Vossa Excelência perde todo respeito”, rebateu o defensor de Lula.

“Sua questão já foi indeferida, o senhor não tem a palavra”, disse Moro encerrando a discussão. Respondendo pela segunda vez à pergunta feita pelo procurador, Mariuza disse que Marisa e Lulinha eram tratadas como pessoas a quem o imóvel já estava destinado.

Em novembro, após um outro questionamento da defesa, Moro também indeferiu o pedido da defesa e disse que os advogados estavam sendo inconvenientes ao levantarem diversas questões de ordem.

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/parana247/270086/Em-nova-discuss%C3%A3o-Moro-grita-com-advogado-de-Lula.htm

E AGORA POVO BRASILEIRO? Condições para uma intervenção militar estão desenhadas

07.12.2016
Do portal BRASIL247, 22.11.16
Por Felipe Miguel*

O Supremo decide afastar da linha sucessória da presidência políticos que sejam réus na justiça, uma medida autoritária que reflete bem o espírito do tempo no Brasil. Dias Toffoli, contrário à decisão, resolve interromper a votação quando ela já estava definida, com um pedido de vistas maroto, chicana que aprendeu com seu mestre Gilmar Mendes. Então, depois de altercações públicas sobre accountability do Judiciário entre ministros do STF e o presidente do Senado e de faixas pedindo “fora Renan” nas manifestações do MBL, Marco Aurélio Mello manda afastá-lo do cargo em decisão monocrática. Renan Calheiros se esconde do oficial de justiça para não receber a notificação – ou melhor, não se esconde, desfila na frente dele enquanto manda a secretária dizer que não está. Ao mesmo tempo, a mesa do Senado comunica que não vai obedecer à liminar emanada do Supremo, manobra que conta com a participação ativa de Jorge Viana, petista que seria alçado à presidência da casa com o afastamento de Renan, mas que morre de medo de ter que exercer, na prática, seu oposicionismo verbal ao governo golpista.

Que lições extraímos disso tudo, afora a confirmação da propensão nacional para a chanchada e da máxima segundo a qual, no Brasil, ninguém morre de tédio?

A principal é que, com o golpe que destituiu uma presidente eleita, o arcabouço institucional da Constituição de 1988 foi oficialmente para o saco e entramos na lei da selva. Quem gritar mais alto, ganha. Com um executivo frágil, sem liderança e sem legitimidade, e com um legislativo que não vê além da própria venalidade, o judiciário entendeu que está em condições de impor sua supremacia. Mas Renan, que pode ser muitas coisas, mas para tolo não serve, entendeu que devia gritar também, gerando o impasse em que nos encontramos.

Ao mesmo tempo, a crise econômica, que em certo momento parecia sob medida para alimentar a campanha contra Dilma, saiu do controle e o cenário se projeta sombrio para o futuro. Para completar o quadro, o governo Temer anunciou uma reforma da Previdência perfeita para gerar convulsão social, rompendo expectativas até de quem já estava a um passo da aposentadoria e impondo ônus desmedidos sobre a classe trabalhadora.

São circunstâncias que ajudam a construir um discurso de justificação de uma intervenção excepcional e salvadora: instituições falidas, incapacidade da classe política para conduzir o país, risco de caos. Quem viu os cartazes e slogans das manifestações de domingo passado sabe que o fechamento do Congresso e a suspensão das eleições teriam o aplauso de uma fatia grande da classe média. Como sempre, quando a situação é de ganha quem pode mais, aqueles que controlam as armas estão em situação de vantagem. Pela primeira vez desde que o golpe começou, as condições para uma intervenção militar estão sendo desenhadas. Resta saber qual é a disposição predominante no generalato.

Em 1964 ocorreu algo similar. O golpe foi militar, mas muitas das vivandeiras dos quartéis queriam apenas brincar de destituir presidente, esmagar uma corrente política e depois voltar à “normalidade” da competição eleitoral.

*Luis Felipe Miguel é professor de ciência política da Universidade de Brasília

(originalmente postado em seu Facebook)

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/colunistas/luisfelipemiguel/269363/Condi%C3%A7%C3%B5es-para-uma-interven%C3%A7%C3%A3o-militar-est%C3%A3o-desenhadas.htm

O plano de fuga de Serra

08.11.2016
Do blog O CAFEZINHO, 07.11.16
Por Miguel do Rosário

O plano de fuga de José Serra

De Estocolmo – Wellington Calasans, colunista do Cafezinho

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A parcialidade da velha imprensa familiar brasileira, sem precedentes no mundo, constrói um universo paralelo, decorrente da ausência de uma comunicação social plural, e consegue impor como verdadeira aos olhos da sociedade a estratégia de imagem de pessoas que seriam – para não dizer muito – motivo de piada em qualquer país minimamente sério. A blindagem de figuras como José Serra, por exemplo, tem como consequência natural os sérios danos que a sua prática política e pensamento tosco produzem contra o Brasil e os seus cidadãos.

Com um histórico extenso de impunidade, Serra continua a alimentar as suspeitas de que pratica crimes diversos de enriquecimento ilícito e contra o patrimônio público. Em uma ordem decrescente, mas não totalmente detalhada, as suspeitas iniciam nos recentemente revelados 23 milhões recebidos, na Suíça, em forma de propina, segundo as delações premiadas de quadros da Odebrecht, e culminam na origem do seu único projeto político, a privatização.

Não é preciso muita ginástica para afirmar que somente no Brasil, graças ao trabalho de blindagem da mídia e justiça, as revelações feitas pelo WikiLeaks – de que Serra prometera a entrega do Pré-sal a uma empresa estrangeira – não mereceram a devida atenção. O livro “A Privataria Tucana”, que todo brasileiro deveria usar como livro de consulta, é, mais que uma publicação, uma prova incontestável de que José Serra merece uma investigação isenta. Provavelmente, por saber que enquanto houver no STF personagens cômicos como o amigo Gilmar Mendes, a sua cara de pau estará devidamente impermeabilizada.

Por ser um político asqueroso, tipicamente canalha e que não resistiria a um único processo imparcial, José Serra segue na sua estratégia de viver uma realidade paralela, construída através da imprensa. Seja pela omissão dos escândalos nos quais está supostamente envolvido ou através da publicidade de uma imagem totalmente incompatível com a realidade, Serra continua a praticar absurdos e bancar o estadista, mas sabe que tem ido muito longe e, por conta disso, mesmo ao seguir incólume neste caminho incerto, começa a dar sinais de que as pernas das mentiras não aguentam mais alongar. E, muito provavelmente por isso, deu início aos preparativos para o seu plano de fuga.

A propósito da expressão “plano de fuga”, uma recente publicação da Veja (toc toc toc), afirma que Serra teria avaliado que “ao recorrer à ONU, Lula estaria criando as condições para pedir asilo a algum país amigo”. Serra segue a fingir ser um estadista ao avaliar que “Lula pode criar grave problema internacional para o Brasil, se assumir o papel de asilado político”. Tudo isso foi dito quando a justiça e a velha mídia ignoram a presença do tucano em mais uma investigação da Lava a Jato.

Ouso discordar de um dos melhores jornalistas brasileiros, Luis Nassif, que tem analisado com alguma preocupação o comportamento confuso de José Serra. Se, para Nassif, Serra dá sinais de “senilidade”, confesso que a minha desconfiança é outra. Longe de ser decrépito, Serra começa a construir nas entrevistas arrumadas, onde a Argentina é citada como país-membro dos BRICS, o próprio “plano de fuga”. Algum amigo jurista deve ter dito a ele que a demência senil permite a interdição civil e é realizada nos casos em que o interditando se encontra impossibilitado de realizar os atos da vida civil. O caráter de Serra não nos permite descartar a possibilidade do uso desse recurso quando, por algum motivo, a blindagem for rompida. A riqueza inexplicável da filha dele me conduz a este pensamento, mas isso merece um novo texto. Vou analisar melhor o assunto com a ajuda do livro do Amaury Ribeiro Jr.

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/11/07/o-plano-de-fuga-de-serra/

Bob Fernandes: o que acontece com denúncias contra políticos do PSDB?

01.11.2016
Do blog O CAFEZINHO
Por Bob Fernandes, no Jornal da Gazeta

Bob Fernandes: Magnificar ou ocultar “Fator Moral” define presente e futuro

Derrota devastadora do PT nas eleições municipais. É sempre a Economia, mas decisivo também o chamado “Fator Moral”

Vitorioso o PSDB. E Alckmin, que das urnas sai fortalecido. Assim como, do Rio, alça voo a Política Neopentecostal.

São fatos. Análises profundas sobre 2018 antes de expostos os novos esgotos da Lava Jato seriam exercícios de ficção.

O “Fator Moral” é um dado real na sociedade. Muito maior ou menor utilização como instrumento para fazer Política definem sua dimensão e importância.

A Folha noticiou na sexta, 28: Odebrecht afirma ter depositado R$ 23 milhões em conta Suíça para campanha de Serra em 2010.

Quarenta e oito horas depois tal informação havia desparecido das poucas manchetes que mereceu…

Assim se infla ou se desidrata o “Fator Moral”.

Novas delações da Camargo Correa, Andrade Gutierrez e OAS podem se somar às da Odebrecht.

É ficção analisar chances de Aécio ou Alckmin sem saber até onde chegarão delações, investigações e degolas.

Como é ficção analisar 2018 antes de a Justiça confirmar o destino de Lula.

Ignorar ou minorar que acordos de delação apontam também para presidenciáveis tucanos, Temer e governo, é parte desse jogo: o de magnificar ou encolher o “Fator Moral”.

O PT dançou porque, para além da Economia, escancarou telhados e cofres para bombardeio pelo “Fator Moral”.

Não se espere mesma intensidade nas investigações, vazamentos e manchetes em relação a certos futuros delatados.

O DNA do Sistema de corrupção na política esteve o tempo todo nos computadores e dados dos empreiteiros presos.

Escolher por onde e quem começar, ou retardar investigações, obedeceu a uma logica. Logica defensável por seus autores.

Assim como é lógico, basta conectar vazamentos e seus tempos: investigadores pilotaram os efeitos midiáticos, sociais e políticos das suas escolhas.

No Congresso se trama anistia ao Caixa 2. Em altas e médias rodas porta-vozes espalham o “Chega, é hora de parar..”.

Abstenção, votos brancos e nulos em altíssima. Desmoralizar de novo o “Fator Moral” é de novo apostar na escuridão.

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/11/01/bob-fernandes-o-que-acontece-com-denuncias-contra-politicos-do-psdb/

Hora de colocar os pingos nos ‘is’ do termo ‘militonto’

27.10.2016
Do blog TIJOLAÇO
Por Luciana Oliveira, em seu blog

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Acho que é a primeira vez que recorro a esse termo pejorativo num texto, o recusei pela superficialidade e claro, porque só repito apelos que vão parar na boca de multidões que interessem a todos.

O colunista Reinaldo Azevedo enquadrou como “militontos disfarçados de pensadores” todos que denunciaram ilegalidades e perseguições judiciais seletivas e viram o processo de impeachment como golpe.

Quem não comprou sequer um adesivo do pixuleco foi rotulado como ‘petralha’, mesmo que não tenha roubado nada na vida.

Desde a eleição de Dilma Rousseff sou considerada ‘petralha’, afinal, de acordo com os pingos dos ‘is’ de Azevedo, não havia militonto na direita.

Passados cinco meses do governo golpista, chegou a hora de estufar o peito e perguntar quem realmente está com as faculdades intelectuais enfraquecidas e não se importa com a corrupção e a desordem.

Os golpistas, termo que faço questão de repercutir, transformaram os poderes em bordéis e a vida do brasileiro num inferno.

Nada melhorou, piorou e muito.

O mínimo em simplificação, basta.

O desemprego chegou a 11% em setembro, a inflação acumula alta de 8,48% nos últimos 12 meses, muito acima do teto da meta estipulada pelo governo que era de 6,5%, 21 estados e o DF têm escolas ocupadas por estudantes que protestam contra Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241 que institui um teto de gastos para a União por 20 anos e o Senado está em pé de guerra com o Supremo Tribunal Federal.

De tudo que vai mal o que mais preocupa é a ruptura da “tranquilidade institucional extraordinária” que Temer teve a cara de pau de apontar como parte do cenário do país.

Sinceramente, gostaria de rir e torcer para que a briga de egos entre os poderes chegasse ao extremo, mas não consigo, afinal, sou ‘militonta’ que defende cegamente a Constituição Federal e a democracia.

Diz o ditado que “quando o mar briga com a praia, quem leva porrada é caranguejo”, por isso sigo pensando no país e no povo, independentemente de quem está no poder.

O governo golpista aprovou o congelamento de gastos em áreas essenciais, como a saúde e educação com a desculpa de que em tempo de crise não resta outra alternativa senão cortar ou frear gastos.

E o que foi esse aumento de até 47% para cinco categorias de servidores, um impacto de mais de R$ 2 bilhões em 2017, R$ 548 milhões em 2018 e R$ 574 milhões em 2019?

O que são os que apoiaram o golpe e se mantém invisíveis e silenciosos com o que acontece, senão militontos?

Chegou a hora de botar os pingos nos ‘is’ do termo dedicado generalizadamente à esquerda.

Estão com a cuca fraca ou vergonha?

As duas coisas.

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/10/27/hora-de-colocar-os-pingos-nos-is-do-termo-militonto/

BRESSER CRITICA CAÇADA A LULA E QUESTIONA: ONDE ESTÃO OS DEMOCRATAS?

24.10.2016
Do portal BRASIL247
Por Luiz Carlos Bresser-Pereira

Ex-ministro e um dos fundadores do PSDB, Luiz Carlos Bresser-Pereira critica a perseguição judiciária em curso contra o ex-presidente Lula; “Essa perseguição é evidente para quem quiser ver”, diz; “Não sou do PT, entendo que esse partido cometeu um grande erro ao se envolver institucionalmente na corrupção, mas entendo que é inadmissível que membros do Estado, como são juízes e promotores, se deixem levar pelo moralismo e usem do poder do Estado contra membros do partido contra os quais não há qualquer evidência que tenham participado do esquema corrupto, como é o caso do ex-presidente Lula”, critica Bresser

Onde estão os democratas?

Faço essa pergunta diante da perseguição judicial de que está sendo vítima o ex-presidente Lula. Uma perseguição que tem como protagonistas o juiz Sérgio Moro e os procuradores do Ministério Público Federal organizados sob a forma de “força tarefa”. Essa perseguição é evidente para quem quiser ver. Eu a vi no dia em que, por ordem de Moro, Lula foi conduzido coercitivamente para depor e, ao mesmo tempo, a Força Tarefa enviava um press release no qual afirmava que o ex-presidente era “o principal beneficiário” do escândalo da Petrobras, e apresentava como “evidência” o apartamento que Lula não comprou e sítio emprestado pelos amigos que foi imprudente em usar. Como seria possível ser ele o principal beneficiário de um imenso sistema de corrupção com “propinas” tão ridículas?

Há um mês Lula foi indiciado, ao mesmo tempo que o Procurador Deltan Dallagnol, em uma patética apresentação de slides, reiterava que Lula é “comandante máximo do esquema de corrupção” sem nada acrescentar às ridículas acusações.

Nesta semana Lula reagiu. Na última quinta-feira, a Folha publicou seu artigo, “Por que querem me condenar”. É o documento de um estadista, indignado e sereno.

Está na hora de os verdadeiros democratas – daqueles para quem a garantia dos direitos civis é mais importante do que seus interesses de classe ou seus interesses corporativos – juntarem-se aos protestos dos seus correligionários e dos seus advogados. Não sou do PT, entendo que esse partido cometeu um grande erro ao se envolver institucionalmente na corrupção, mas entendo que é inadmissível que membros do Estado, como são juízes e promotores, se deixem levar pelo moralismo e usem do poder do Estado contra membros do partido contra os quais não há qualquer evidência que tenham participado do esquema corrupto, como é o caso do ex-presidente Lula.

Por que querem me condenar

Luiz Inácio Lula da Silva 
Folha de S.Paulo, 18/10/2016 

Em mais de 40 anos de atuação pública, minha vida pessoal foi permanentemente vasculhada -pelos órgãos de segurança, pelos adversários políticos, pela imprensa. Por lutar pela liberdade de organização dos trabalhadores, cheguei a ser preso, condenado como subversivo pela infame Lei de Segurança Nacional da ditadura. Mas jamais encontraram um ato desonesto de minha parte. 

Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história. Governei o Brasil com seriedade e dedicação, porque sabia que um trabalhador não podia falhar na Presidência. As falsas acusações que me lançaram não visavam exatamente a minha pessoa, mas o projeto político que sempre representei: de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos. 

Às vésperas de completar 71 anos, vejo meu nome no centro de uma verdadeira caçada judicial. Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar. 

Desde que essa caçada começou, na campanha presidencial de 2014, percorro os caminhos da Justiça sem abrir mão de minha agenda. Continuo viajando pelo país, ao encontro dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos, para debater e defender o projeto de transformação do Brasil. Não parei para me lamentar e nem desisti da luta por igualdade e justiça social. 

Nestes encontros renovo minha fé no povo brasileiro e no futuro do país. Constato que está viva na memória de nossa gente cada conquista alcançada nos governos do PT: o Bolsa Família, o Luz Para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o novo Pronaf (Programa Nacional de

Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Programa de Aquisição de Alimentos, a valorização dos salários -em conjunto, proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos. 

Nossa gente não esquecerá dos milhões de jovens pobres e negros que tiveram acesso ao ensino superior. Vai resistir aos retrocessos porque o Brasil quer mais, e não menos direitos. 

Não posso me calar, porém, diante dos abusos cometidos por agentes do Estado que usam a lei como instrumento de perseguição política. Basta observar a reta final das eleições municipais para constatar a caçada ao PT: a aceitação de uma denúncia contra mim, cinco dias depois de apresentada, e a prisão de dois ex-ministros de meu governo foram episódios espetaculosos que certamente interferiram no resultado do pleito. 

Jamais pratiquei, autorizei ou me beneficiei de atos ilícitos na Petrobras ou em qualquer outro setor do governo. Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma “organização criminosa”, e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que “não há fatos, mas convicções”. 

Não descarto que meus acusadores acreditem nessa tese maliciosa, talvez julgando os demais por seu próprio código moral. Mas salta aos olhos até mesmo a desproporção entre os bilionários desvios investigados e o que apontam como suposto butim do “chefe”, evidenciando a falácia do enredo. 

Percebo, também, uma perigosa ignorância de agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e das instituições. Cheguei a essa conclusão nos depoimentos que prestei a delegados e promotores que não sabiam como funciona um governo de coalizão, como tramita uma medida provisória, como se procede numa licitação, como se dá a análise e aprovação, colegiada e técnica, de financiamentos em um banco público, como o BNDES. 

De resto, nesses depoimentos, nada se perguntou de objetivo sobre as hipóteses da acusação. Tenho mesmo a impressão de que não passaram de ritos burocráticos vazios, para cumprir etapas e atender às formalidades do processo. Definitivamente, não serviram ao exercício concreto do direito de defesa. 

Passados dois anos de operações, sempre vazadas com estardalhaço, não conseguiram encontrar nada capaz de vincular meu nome aos desvios investigados. Nenhum centavo não declarado em minhas contas, nenhuma empresa de fachada, nenhuma conta secreta. 

Há 20 anos moro no mesmo apartamento em São Bernardo. Entre as dezenas de réus delatores, nenhum disse que tratou de algo ilegal ou desonesto comigo, a despeito da insistência dos agentes públicos para que o façam, até mesmo como condição para obter benefícios. 

A leviandade, a desproporção e a falta de base legal das denúncias surpreendem e causam indignação, bem como a sofreguidão com que são processadas em juízo. Não mais se importam com fatos, provas, normas do processo. Denunciam e processam por mera convicção -é grave que as instâncias superiores e os órgãos de controle funcional não tomem providências contra os abusos. 

Acusam-me, por exemplo, de ter ganho ilicitamente um apartamento que nunca me pertenceu -e não pertenceu pela simples razão de que não quis comprá-lo quando me foi oferecida a oportunidade, nem mesmo depois das reformas que, obviamente, seriam acrescentadas ao preço. Como é impossível demonstrar que a propriedade seria minha, pois nunca foi, acusam-me então de ocultá-la, num enredo surreal. 

Acusam-me de corrupção por ter proferido palestras para empresas investigadas na Operação Lava Jato. Como posso ser acusado de corrupção, se não sou mais agente público desde 2011, quando comecei a dar palestras? E que relação pode haver entre os desvios da Petrobras e as apresentações, todas documentadas, que fiz para 42 empresas e organizações de diversos setores, não apenas as cinco investigadas, cobrando preço fixo e recolhendo impostos? 

Meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido nem tentei obstruir a Justiça, mas não podem admitir. Não podem recuar depois do massacre que promoveram na mídia. Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública. 

Tento compreender esta caçada como parte da disputa política, muito embora seja um método repugnante de luta. Não é o Lula que pretendem condenar: é o projeto político que represento junto com milhões de brasileiros. Na tentativa de destruir uma corrente de pensamento, estão destruindo os fundamentos da democracia no Brasil. 

É necessário frisar que nós, do PT, sempre apoiamos a investigação, o julgamento e a punição de quem desvia dinheiro do povo. Não é uma afirmação retórica: nós combatemos a corrupção na prática. 

Ninguém atuou tanto para criar mecanismos de transparência e controle de verbas públicas, para fortalecer a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público, para aprovar no Congresso leis mais eficazes contra a corrupção e o crime organizado. Isso é reconhecido até mesmo pelos procuradores que nos acusam. 

Tenho a consciência tranquila e o reconhecimento do povo. Confio que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos livros de história. O que me preocupa, e a todos os democratas, são as contínuas violações ao Estado de Direito. É a sombra do estado de exceção que vem se erguendo sobre o país.”

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/261881/Bresser-critica-ca%C3%A7ada-a-Lula-e-questiona-onde-est%C3%A3o-os-democratas.htm