POR QUE A JUSTIÇA BRASILEIRA DORME INERTE? “…COM O STF E COM TUDO…”

02.02.2018https://gustavohorta.wordpress.com/2018/02/01/por-que-a-justica-brasileira-dorme-inerte-com-o-stf-e-com-tudo/
Do blog GUSTAVO HORTA, 01.02.18

uma adaptação; não conheço a autoria para os necessários e merecidos créditos…

*É o Lula???* > NÃO !!!*

👉 VAMOS ÀS RESPOSTAS:

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❌ Lula recebeu 23 milhões na Suíça da Odebrecht❓ *NÃO !!!* Esse foi o Serra. Mais conhecido pelo codinome “Careca”.

❌ Lula foi flagrado exigindo 2 milhões em propina ao Joesley Batista e disse: “Manda pegar a mala um que a gente mata antes dele delatar”❓ *NÃO !!!*    Esse aí é o Aécio, esqueceram? Conhecido como “Mineirinho”.

❌ Lula foi gravado combinando pegar mala de propina com o Joesley Batista❓ *NÃO !!!* Essé o Temer, que ainda disse: _”Tem de manter isso, viu”.

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❌ Lula estava pagando pensão de um filho fora do casamento com dinheiro público❓ *NÃO !!!* Esse é o FHC.

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❌ Lula recebeu um milhão de reais em dinheiro vivo dentro de uma garagem❓ *NÃO !!!*
Esse foi o relator do impeachment (golpeachment), senador Antônio Anastasia do PSDB.

❌ Lula recebeu 10 milhões em dinheiro vivo dentro do escritório de um advogado em SP❓ *NÃO !!!*
Esse foi o Temer no escritório de seu amigão Yunes.

❌ Lula é o cara chato que cobrava propina da UTC❓ *NÃO !!!* Esse era o Aécio.

❌ Lula recebia 1/3 da propina de Furnas❓ *NÃO !!!* Esse é o Aécio também.

❌ Lula recebeu 3% das obras da Cidade Administrativa de MG quando era governador, totalizando mais de 30 milhões em propina❓ *NÃO !!!*   Esse também foi o Aécio Neves.

❌ O helicóptero com meia tonelada de cocaína pura era do Lula❓ *NÃO !!!*   Era do senador Zezé Perrela, que é amigo/sócio do Aécio.

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❌ Lula comandava o Estado que roubou 1 bilhão do Metrô e da CPTM❓ *NÃO !!!* Esses são o Serra e o Alckmin.

❌ Lula tá envolvido no roubo de 2 bilhões da merenda❓ *NÃO !!!*
Foi o Alckmin e Fernando Capez.

❌ Lula desviou milhões do Rodoanel de SP❓ *NÃO !!!*  Esse foi o Serra.

❌ Lula pegou emprestado o jatinho do Youssef❓ *NÃO !!!*
Esse é o senador Álvaro Dias.

❌ Lula foi o cara que montou o esquema Petrobras com Cerveró, Paulo Roberto Costa e Delcídio❓ *NÃO !!!*    Esse foi o presidente FHC e sua turma do PSDB.

❌ Lula nomeou o genro diretor da Petrobras❓ *NÃO !!!* Foi o FHC também.

❌ Lula deu parte da Petrobras para o Grupo Santander❓ *NÃO !!!*
Esse foi o presidente FHC que trocou refinaria da Petrobras de 2,5 Bilhões por uma da Repsol Argentina, de apenas 750 mi.

❌ Lula era presidente quando a Petrobras perdeu uma plataforma de 1 bilhão❓ *NÃO !!!*  Isso foi no governo FHC quando a plataforma P-36 explodiu devido à negligência e sucateamento da gestão tucana na Petrobras visando a privatização.

❌ Lula é o compadre do banqueiro André Esteves do Banco Pactual❓ *NÃO !!!*   Esse é o Aécio, de novo. Aécio recebeu muita propina desse banqueiro que foi preso.

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❌ Lula recebeu 40 milhões de propina em Cingapura❓ *NÃO !!!*
Novamente, esse é o Aécio que foi flagrado com seus amigos, o empresário carioca Alexandre Accioly, além do blogueiro golpista e fugitivo Diogo Mainardi combinando onde seria depositada a propina estrondosa.

❌ Lula foi pego bêbado e doidão dirigindo com carteira vencida no Rio❓ *NÃO !!!* Mais uma vez, esse é o Aécio. Putz!!!

❌ Lula é meio-primo de Gregório Marin Preciado, aquele que levou US$15 milhões na venda de Pasadena❓ *NÃO !!!*
Esse é o Serra (aquele que a Lava a Jato apresenta com tarja preta para a imprensa).

❌ Lula construiu 2 aeroportos em suas fazendas de Cláudio e Montezuma com dinheiro público quando governador de Minas❓ *NÃO !!!*    Esse foi o Aécio Neves, conhecido com o codinome “Mineirinho”.

❌ Lula foi descoberto com uma dezena de contas milionárias no exterior, ameaçou testemunhas, prejudicou alguma investigação❓ *NÃO !!!*   Esse é o Cunha, sócio do Temer.

❌ Lula deixou prescrever o escândalo da corrupção do Banestado❓ *NÃO !!!*
Esse é o juiz Moro, que foi o juiz do maior caso de corrupção do Brasil quando desviaram 124 bilhões de dólares para o exterior. Mas Moro não prendeu diretores das empresas envolvidas: Rede Globo, Editora Abril (Veja), RBS, SBT e o partido politico PSDB com o presidente da época FHC, José Serra, Sérgio Motta e até o jovem Beto Richa (hoje gov. do Paraná). O mesmo doleiro Alberto Youssef. Vale lembrar que o mesmo procurador da Lavajato Carlos Fernando também atuou no Caso Banestado, _mas para protegendo os corruptos!

❌ Lula ameaçou empresários, exigiu 5 milhões de dólares, só de um deles❓ *NÃO !!!*
Esse também é o Cunha, o homem da farsa do impeachment.

❌ Lula nomeou um Engavetador-Geral da República❓ *NÃO !!!*
Esse foi o ex-presidente FHC do PSDB que impediu investigações e sabotou todas as CPIs durante seus governos contando com a atuação do PGR Geraldo Brindeiro que engavetou e arquivou 459 denúncias e os inquéritos sobre a corrupção no governo.  (Vale lembrar que recentemente o PGR foi Janot com atuação completamente diferente daquela época dos tucanos).

❌ Lula comprou o Congresso Nacional para se reeleger❓ *NÃO !!!*   Esse também foi o FHC do PSDB que fez o maior mensalão, pagou 200 mil por parlamentar para mudar a Constituição e criar a sua reeleição.

❌ Lula é mesmo tão amigo do Bumlai, como diz a mídia ao se referir a esse nome, como: _Bumlai, o amigo de Lula…_❓ *NÃO !!!*   Bumlai na verdade, é sócio do global Galvão Bueno em franquias Burguer King no Brasil e também com o dep.federal da base do Temer, Beto Mansur (ex-PSDB). Bumlai também é sócio do dono da Band, João Carlos Saad. Porém Bumlai é amigo sim, mas de Blairo Maggi e Piscianni.

❌ O filho do Lula aparece na revista de milionários Forbes❓ *NÃO !!!*
É a filha do Serra…

❌ A esposa e a filha do Lula são envolvidas em contrabando❓
*NÃO!!!*   Isso é crime da filha do Serra e da esposa do Alckmin com vestidos europeus de alto luxo trazidos de contrabando pela Daslu.

❌ Lula, quando deputado federal, comprou os parlamentares❓ *NÃO !!!*     Esse foi Aécio (mais uma dele!). Aécio era dep. federal e comprou uns 50 deputados para se eleger Presidente da Câmara dos Deputados em 2001. Recebeu 7 milhões de dinheiro ilícito e ainda embolsou 1 milhão para ele.

❌ Lula foi informante dos EUA❓ *NÃO !!!*    Esse foi o então dep.federal Michel Temer em 2006 que, conforme o Wikileaks (dos ex agentes da CIA e FBI) Temer agiu como informante dos EUA com diversos telegramas trocados com o embaixador norte-americano Christopher J.McMullen, com a Casa Branca e com o Depto de Estado dos EUA dando informações importantes sobre os planos do Brasil para os americanos.

❌ Lula tá na lista de desvio ilícito de grana Panama Pappers❓ *NÃO !!!*    Mas podemos citar alguns: Eduardo Cunha(PMDB), Edson Lobão(PMDB), Newton Cardoso e Newton Cardoso Jr(PMDB). Sérgio Guerra(PSDB), João Lyra(PSD), Vadão(PP). Delfim Netto (ex-ministro da Fazenda da Ditadura).  / Mais: Jésus Murilo Vale Mendes e Ângelo Marcus de Lima Cota (ambos da empreiteira Mendes Jr), Carlos Queiróz Galvão da Queiróz Galvão, Carlos Schahin do Banco Schahin, Gabriel Lacerda (filho do ex-prefeito de BH, Márcio Lacerda -PSB) etc…

👁 *Isso é para você ter certeza de que as instituições brasileiras são praticamente dominadas pela corrupção* e que parcela do Judiciário, como o STF do Gilmar Mendes, a turma da Lavajato e Moro, o TRF4, mais parte da Polícia Federal, e a mídia, como a Rede Globo etc *não querem combater a corrupção*…

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*FONTES:*

STF, Justiça Federal, PGR, MPF, PF, Ministério Público da Suíça, The New York Times, Le Monde,
El País, Financial Times, Folha de São Paulo, Globo, G1, Estadão, O Globo, Carta Capital, Valor Econômico, DCM, UOL, Band News, CBN, GGN, Veja, IstoÉ, Brasil de Fato…

*NÃO !!!*

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Fonte:

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CLASSE MÉDIA FOI ENGANADA PELA MÍDIA QUE FEZ “TRABALHO SUJO” DO GOLPE

20.01.2017
Do portal BRASL247

O golpe a galope no STF

20.10.2016
Do portal da Agência Carta Maior, 19.10.16
Por Jorge Luis Souto Maior, em seu blog

As duas mais recentes decisões do STF sobre direito trabalhista deixaram muito claro que a Constituição não será empecilho para essa escalada.

reprodução

A essa altura ninguém mais tem dúvida – ou ao menos não poderia ter – de que o golpe de Estado em curso no Brasil se deu para levar adiante, de forma mais evidenciada e ilimitada, o movimento de retração de direitos imposto à classe trabalhadora desde o advento de outro golpe, o de 1964, sendo que, na situação presente, a quebra institucional se deu para suplantar o empecilho da Constituição de 1988, que alçou as garantias trabalhistas a direitos fundamentais.
 
Ocorre que diante do desgaste para um governo que possui uma rejeição recorde, acabou se conferindo um papel decisivo ao Supremo Tribunal Federal para a execução dessa tarefa, pois, embora seja o órgão responsável pela salvaguarda da Constituição, é, em verdade, um ente político, já que seus membros são livremente escolhidos pelo Poder Executivo, com aval do Congresso Nacional, e, assim, pode se dispor a reformular a Constituição fora de um procedimento efetivamente democrático.
A atuação danosa do STF aos direitos trabalhistas já se expressou em diversos julgamentos, conforme relatado em outro texto. Mas as duas mais recentes decisões do STF deixaram muito claro que a Constituição não será empecilho para essa escalada.

No dia 07 de outubro, na Reclamação 24.597, de autoria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), o Ministro Dias Toffoli, em decisão monocrática, passando por cima do TST, revogou decisão proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, que havia determinado a manutenção de 70% dos serviços do respectivo hospital durante a greve.

Disse o TRT da 15ª Região:

“O direito de greve encontra-se assegurado na Lei 7.783/89 que reconhece ser legítimo e juridicamente válido o exercício de tal direito, desde que, é claro, ele seja utilizado pelos trabalhadores com a finalidade de pressionar o empregador a cumprir, adotar ou rever condições contratuais de trabalho. O empregador, por seu turno, não pode adotar medidas que frustrem o exercício do direito constitucional de greve, haja vista a regra preconizada no § 2º do art. 6º da referida lei. Todavia, no caso, cumpre observar que as atividades executadas pelo suscitante caracterizam-se como essenciais, nos termos do art. 10, II e III, da Lei nº 7.783/89. Assim, deve ser observada a manutenção das atividades indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, haja vista o disposto no art. 11 da Lei nº 7.783/89. Presentes, pois, os requisitos dofumus boni iuris e do periculum in mora, concedo em parte a liminar postulada para determinar a manutenção de 70% (setenta por cento) dos trabalhadores e da prestação dos serviços de todos os setores da suscitada (…), sob pena de incidência de multa diária de R$5.000,00 (cinco mil reais) por trabalhador que não cumprir a ordem.”

A Procuradoria do Estado de São Paulo achou pouco e levou o caso ao Supremo, considerando que no julgamento do MI 712/PA, a Suprema Corte havia consignado que durante a greve deve ser garantida a “continuidade do SERVIÇO INADIÁVEL”.

O que se pretendia na Reclamação, de todo modo, era que se definissem quais seriam as atividades inadiáveis no hospital, para que nestas se fixasse o percentual de 100% dos serviços, mas o Ministro Toffoli, de ofício, alterou o limite do processo dizendo que “o que se defende nesta reclamatória é a possibilidade de que os trabalhadores contratados por entidade autárquica sejam privados do exercício do direito de greve em razão de o serviço de saúde possuir natureza essencial e inadiável para a população atendida pelo Sistema Único de Saúde”.

O Ministro Toffoli, então, apoiando-se em Tomás de Aquino, na Suma Teológica (II Seção da II Parte, Questão 64, Artigo 7), conseguiu formular a seguinte lógica: “Não há dúvida quanto a serem, os servidores públicos, titulares do direito de greve. Porém, tal e qual é lícito matar a outrem em vista do bem comum, não será ilícita a recusa do direito de greve a tais e quais servidores públicos em benefício do bem comum.”

E, assim, concluiu: “Atividades das quais dependam a manutenção da ordem pública e a segurança pública, a administração da Justiça – onde as carreiras de Estado, cujos membros exercem atividades indelegáveis, inclusive as de exação tributária – e a saúde pública não estão inseridos no elenco dos servidores alcançados por esse direito”.

A Constituição, no entanto, garante, expressamente, aos servidores públicos o direito de greve, sem qualquer exclusão (art. 37, VII), podendo-se pensar em limites quanto aos percentuais de continuidade dos serviços, para “atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade” (art. 9º), que, segundo a Lei n. 7.783/89, aplicável aos servidores públicos por decisão do próprio Supremo (MI 712), devem ser definidos por acordo entre o empregador e o sindicato ou a comissão de greve (arts. 9º e 11).

Fato é que sem que a Constituição de 1988 tivesse sido formalmente revisada, o Ministro Dias Toffoli deu a ela um sentido próprio, desconsiderando completamente o contexto histórico em que foi promulgada, para o efeito de fazer retroagir a greve ao período da ditadura militar, negando o direito de greve não apenas aos trabalhadores da saúde, de modo geral, como também aos servidores do Judiciário.

No dia 14 de outubro, o Ministro Gilmar Mendes, na Medida Cautelar para Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 323, em decisão com 57 laudas, a pedido da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino – CONFENEN, também passando por cima do Tribunal Superior do Trabalho, reformulou decisões dos Tribunais Regionais do Trabalho da 1ª e da 2ª Regiões, que se apoiavam no teor da Súmula 277 do TST, a qual estabelece a ultratividade das cláusulas fixadas em acordos e convenções coletivas de trabalho, ou seja, a sua integração aos contratos individuais do trabalho até que nova negociação a elas se referira expressamente.

Lembre-se que a compreensão do TST, firmada na Súmula 277, em 2012, foi um avanço determinado pela EC 45, acolhendo, inclusive, corrente doutrinária respaldada em debate mundial.

No entanto, o Ministro Gilmar Mendes, simplesmente desconsiderando toda a história por trás desse avanço jurisprudencial, que se estabeleceu, inclusive, em perfeita consonância com o teor docaput do art. 7º da Constituição Federal, achou por bem dizer que: “Ao melhor analisar a questão, inclusive após o recebimento de informações dos tribunais trabalhistas, pude ter percepção mais ampla da gravidade do que se está aqui a discutir. Em consulta à jurisprudência atual, verifico que a Justiça Trabalhista segue reiteradamente aplicando a alteração jurisprudencial consolidada na nova redação da Súmula 277, claramente firmada sem base legal ou constitucional que a suporte”.

Citando, expressamente, decisões do TST, notadamente, “AIRR-289- 22.2014.5.03.0037, Rel. Min. Cláudio Mascarenhas Brandão, Sétima Turma, julgado em 8.6.2016; ARR-626-22.2012.5.15.0045, Rel. Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, Oitava Turma, julgado em 25.11.2015; RR-1125- 52.2013.5.15.0083 Rel. Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, Oitava Turma, julgado em 07.10.2015”, o Ministro Gilmar Mendes acusou tais decisões de serem casuísticas e de aparentemente favorecerem apenas a um lado da relação trabalhista.

Antes de enfrentar o mérito propriamente dito, na decisão de 57 páginas, o Ministro Gilmar Mendes usa 33 páginas para justificar a legitimidade e a pertinência da medida. Depois, transbordando o limite do processo, discorre sobre a “tendência” do Supremo em “valorizar a autonomia coletiva da vontade e da autocomposição dos conflitos trabalhistas”, fazendo referência ao RE 590.415-RG, Rel. Ministro Roberto Barroso.

Na sequência, refere-se ao precedente do AI 731.954-RG, no qual o Supremo, em decisão da lavra do Ministro Cezar Peluso, considerou que o debate em torno da ultratividade, que antes não estava garantido pela Súmula 277 do TST, era matéria de índole infraconstitucional. Mas, agora, que a Súmula 277 do TST, embora tratando do mesmo tema, a ultratividade, mudou seu teor, o Ministro Gilmar Mendes, porque não concorda com o novo entendimento que fora fixado pelo TST, considerou que a ultratividade passou a ser matéria de índole constitucional.

Em seguida, o Ministro Gilmar Mendes apresenta manifestações de parte da doutrina trabalhista nacional. Desprezando o posicionamento de Augusto César Leite de Carvalho, Kátia Magalhães Arruda, Maurício Godinho Delgado e Rodolfo Pamplona Filho, e apoiando-se em Julio Bernardo do Carmo, Antônio Carlos de Aguiar e Sérgio Pinto Martins, conclui: “É evidente, portanto, em breve análise, que o princípio da ultratividade da norma coletiva apresenta diversos aspectos que precisam ser levados em consideração quando de sua adoção ou não. São questões que já foram apreciadas pelo Poder Legislativo ao menos em duas ocasiões – na elaboração e na revogação da Lei 8.542/1992 – e que deixam claro tratar-se de tema a ser definido por processo legislativo específico.”

No julgamento da questão propriamente dita, o Ministro Gilmar Mendes disse que o TST, na Súmula 277, proferiu uma “jurisprudência sentimental”, em um “ativismo um tanto quantonaif”, ou seja, “ingênuo” ou “popularesco”.

Preconizou que: “Há limites que precisam ser observados no Estado democrático de direito e dos quais não se pode deliberadamente afastar para favorecer grupo específico.”

E disse mais:

“Não cabe ao Tribunal Superior do Trabalho agir excepcionalmente e, para chegar a determinado objetivo, interpretar norma constitucional de forma arbitrária.”

Em suma, o Ministro Gilmar Mendes, seguindo entendimento do Ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, que havia sido vencido no TST, considerou que a questão da ultratividade só poderia ser definida em lei e que a alteração da Constituição, promovida pela EC 45, no sentido de garantir aos trabalhadores que a sentença normativa proferida em Dissídio Coletivo preservasse “as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente” (§ 2º, art. 114), não se estenderia às negociações coletivas.

Assim, determinou “a suspensão de todos os processos em curso e dos efeitos de decisões judiciais proferidas no âmbito da Justiça do Trabalho que versem sobre a aplicação da ultratividade de normas de acordos e de convenções coletivas, sem prejuízo do término de sua fase instrutória, bem como das execuções já iniciadas”.

Claro que a decisão do Ministro Gilmar Mendes cai em contradição, pois ao tentar favorecer a demanda de retirada de direitos trabalhistas por meio da prevalência do negociado sobre o legislado, acaba dizendo que essa prevalência tem prazo limitado.

O mais importante, no entanto, é destacar que o Ministro Gilmar Mendes interpretou a Constituição, a partir de sua exclusiva visão de mundo, e chamou aqueles que não têm a mesma visão de ingênuos.

Até aí tudo bem, pois no peito dos ingênuos também bate um coração.

A grande questão é saber o que o Ministro Gilmar Mendes, já que afirmou que “não cabe ao Tribunal Superior do Trabalho agir excepcionalmente e, para chegar a determinado objetivo, interpretar norma constitucional de forma arbitrária”, teria a dizer sobre a decisão do Ministro Dias Toffoli que, por ativismo judicial, dizimou o direito constitucional de greve dos servidores do Judiciário e da saúde, de modo geral, assim como se não seria ativismo a definição acerca da índole constitucional de uma matéria quando se está de acordo ou não se está de acordo com o posicionamento jurídico adotado nas demais Cortes.

Além disso, importante que esclarecesse, já que também disse que “há limites que precisam ser observados no Estado democrático de direito e dos quais não se pode deliberadamente afastar para favorecer grupo específico”, se o ato do STF de chegar sistematicamente a interpretações contrárias aos interesses dos trabalhadores, conforme verificado nos dois processos acima e nos processos: ADI 3934 (05/09); ADC 16 (11/10); RE 586.453 (02/13); RE 583.050 (02/13); RE 589.998 (03/13); ARE 709.212 (13/11/14); RE AI 664.335 (9/12/14); ADI 5209 (23/12/14); ADI 1923 (15/04/15); RE 590.415 (30/04/15); RE 895.759 (8/09/16); e ADI 4842 (14/0916); sendo que se já deu indicações de que poderá seguir o mesmo direcionamento nos processos: ADI 1625; RE 658.312 e RE 693.456; deixando antever, ainda, que o mesmo pode advir nos processos: (ARE 647.561 – dispensas coletivas); (AI 853.275/RJ – direito de greve); (ARE 713.211 – ampliação da terceirização), não seria, exatamente, um favorecimento de um grupo especifico da sociedade, qual seja, o setor econômico?

. Disponível em: http://www.jorgesoutomaior.com/blog1/o-stf-em-materia-trabalhista-e-o-curioso-caso-de-benjamin-button, acesso em 16/10/16.

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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-golpe-a-galope-no-STF/4/37035

Mesmo para os atuais padrões, a mentira de Temer sobre reunião inexistente com Putin é assombrosa

19.10.2016
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO, 18.10.16
Por 

Segundo Temer, Putin propôs casamento, mas não rolou

Michel Temer merece um lugar especial na vasta galeria de políticos mentirosos. Elevou esse traço ao estado de arte e atualmente excursiona pelo mundo exibindo suas trampolinagens.

O Estadão deu a matéria. Temer foi esnobado por Putin na cúpula dos BRICS em Goa, na Índia, no final de semana. O russo esteve com o líder da China, Xi Jinping, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e com Jacob Zuma, presidente da África do Sul.

O jornalista brasileiro Pepe Escobar, da RT, escreveu que Putin deu um sinal claro ao manter Temer longe da reunião. “Eles conversaram brevemente sobre as ‘reformas’ econômicas do Brasil — sinônimo do choque neoliberal em curso”. Temer deu provas de estar “alinhado com Washington”, afirma Escobar.

O que fez Michel ao encontrar a imprensa na terça? Tentou aplicar um golpe. Simplesmente criou uma fantasia paraguaia com Putin e mandou ver.

Diz o Estadão:

Ao ser questionado sobre como os líderes estrangeiros haviam reagido em relação à aproximação da PEC sobre o limite de gastos do orçamento, Temer afirmou: “Não só o ministro indiano se interessou, como durante um almoço o ministro Putin… o presidente Putin se interessou vivamente, tanto que eu dei explicações as mais variadas sobre o nosso projeto”, disse ele. Instantes depois o presidente brasileiro se referiu ao almoço como “um jantar”. Sem ser questionado, Temer prosseguiu falando de Rússia: “Há uma identidade muito grande de questões econômicas entre a Rússia e o Brasil”.

O brasileiro explicou que a dívida bruta brasileira é quase 70% do PIB, “um índice altíssimo”. “Na Rússia, me disse ele (Putin), igualmente. E o déficit de R$ 170 bilhões representa no nosso caso 1,8% do PIB, e na Rússia representa 2% ou 2,1%. De modo que, como havia essa identidade, nós conversamos muito sobre o teto dos gastos públicos. Percebo que ele se interessou. Agora não sei o que ele fará.”

(…)

Apesar de ter sido preterido pelo presidente russo, Temer disse estar sendo acolhido “com simpatia” nas reuniões no exterior. “Não vou nem dizer simpatia, mas acolhimento e compreensão das palavras que digo”, corrigiu-se a seguir. E então voltou a falar de Putin ao mencionar que propôs a aproximação “dos povos dos Brics”: “O interessante é como isso foi bem acolhido e foi até objeto de manifestação do presidente Putin quando nós fizemos a segunda plenária dos Brics”, contou.

Assombroso é ele achar que ninguém checaria a história. Patologia? Desespero? Desfaçatez? Certamente, se for confrontado, tentará alguma manobra diversionista do tipo “me entenderam mal”.

Em setembro, Michel já tinha dado um vexame na ONU ao falar que o Brasil recebeu “mais de 95 mil refugiados”, inflando o número de 8 800, de acordo com um órgão ligado ao Ministério da Justiça. Ficou por isso mesmo.

Podemos estar diante de um mitômano como Maluf, Nixon ou Dadá Maravilha. A ver. Se ele é capaz de bolar um episódio desses, o que não oferece, por exemplo, a deputados? O que não falou para Shinzo Abe, do Japão? O que não ouve Marcela?

Como somos uma república de bananas, é pouco provável que o embuste repercuta lá fora. De qualquer maneira, seria menos ridículo se ele nos envergonhasse por aqui, mesmo, sem precisar viajar.

Como perguntou aquela velha senhora moscovita num conto de Tchécov que ninguém leu: “Você compraria um carro usado deste homem?”

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Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/mesmo-para-os-atuais-padroes-a-mentira-de-temer-sobre-reuniao-inexistente-com-putin-e-assombrosa-por-kiko-nogueira/

Merval me ataca e sugere que Lula seja preso por se defender

19.10.2016
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

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Mais um que resolveu tirar uma lasquinha do pobre blogueiro por ter divulgado que recebeu informação de que Lula poderia ser preso por estes dias, aproveitando o momento desfavorável para o PT por conta das últimas eleições e no embalo dos indiciamentos sequenciais do ex-presidente na Justiça.

Merval  Pereira é um velho conhecido dos blogueiros de esquerda. Em 2014, por exemplo, em programa na rádio CBN, ao lado de Carlos Alberto Sardemberg, acusou blogueiros que entrevistaram Lula de ser “pagos pelo governo” para dizer o que dizem.

Os blogueiros atingidos cogitaram processar Merval em grupo pela calúnia, mas não chegaram a um acordo sobre os custos da ação e acabou ficando tudo por isso mesmo.

Poucos dias depois, o jornal O Globo publica uma incrível matéria sobre quem eram os jornalistas que haviam entrevistado Lula. Publicou matéria de página inteira no primeiro caderno do jornal e uma matéria ainda mais ampla em um encarte especial (vide foto no alto da página).

E o tom que seria impresso à matéria se revelava na pergunta da repórter do Globo que me entrevistou: quis saber se eu não achava que os blogueiros haviam sido muito brandos com Lula e se não deveriam ter sido mais imparciais fazendo perguntas incômodas a ele, o que já é uma contradição porque fustigar um entrevistado é uma decisão pra lá de parcial.

Nesta quarta-feira 19, Merval volta à carga, agora contra este blogueiro. O que mais me chamou atenção na matéria foi ataque do colunista ao direito de defesa de Lula – ele diz que o ex-presidente se defender e criticar os processos contra si é tentativa de “desacreditar a Justiça”.

merval-2Claro que Lula poderia ser mais colaborativo com os anseios políticos do colunista “imparcial” de O Globo. Não precisava ficar se defendendo com tanto empenho. Afinal, a Globo quer a prisão do Lula, o PSDB quer, a Fiesp quer, de modo que é “absurdo” Lula ficar lutando para não perder a liberdade e morrer na cadeia, pois está com quase 70 anos.

O mais engraçado, porém, é o ataque que Merval me faz. Como evidência de que dei “notícia falsa”, ele cita que tive 1300 votos na eleição deste ano. Ou seja, se eu tivesse tido uma votação 10 vezes maior, por exemplo, na avaliação do colunista estaria comprovada a minha “notícia”.

Desde o primeiro momento eu disse que não tinha como comprovar o que estava dizendo, mas que acreditei em uma notícia que ouvi de uma fonte confiável.  Pareceu-me lícito acreditar que havia a possibilidade de Lula ser preso sob alguma desculpa em um país em que um juiz de primeira instância grampeia a presidente da República e depois pede desculpas ao STF.

Cada um pode julgar o que quiser sobre a informação que divulguei. É uma questão de fé ou falta de fé. A pessoa acredita se quiser. Como todos sabem, oito meses atrás eu acertei. Agora, não se sabe. Posso ter errado ou pode ser que minha denúncia tenha atrapalhado os planos da Lava Jato de prender Lula de surpresa sob uma desculpa qualquer e criar um fato consumado.

Dizem que não há elementos para prender Lula. Eu concordo. Ele tem bons antecedentes, residência fixa etc. Porém, estamos em um país em que há dúzias de pessoas cumprindo pena de prisão há muito tempo sem que sequer tenham sido julgadas.

É nesse país que vou duvidar de que podem inventar uma desculpa para prender Lula?

Por fim, Merval Pereira mostrou, mais uma vez, a má qualidade do seu jornalismo. No post anterior, reproduzi comentário da jornalista Monica Bergamo na Band News no qual ela contextualiza a razão pela qual o mordomo de tucanos comentou meu trabalho – Monica lembra que como acertei em fevereiro/março sobre a condução coercitiva do Lula, isso me deu credibilidade para fazer as pessoas coçarem a cabeça desta vez.

Merval não achou importante informar aos seus leitores que quem ele desmerecia tinha um histórico de acertos. Preferiu dizer que não merecia a credibilidade que conquistei porque só tive 1300 votos na eleição deste ano.

Se eu tivesse tido muitos votos, então ele acreditaria na minha denúncia ou me enxergaria como alguém confiável?

Você, leitor, acha que ter 1300 ou 13.000 ou 130.000 votos desmerece ou enaltece alguém? Quantos votos teve Eduardo Cunha? Ele se tornou um homem decente por conta da sua votação? E Bolsonaro? Campeão de votos no Rio e campeão de falta de caráter e humanidade.

Eu digo que os votos que recebi são de qualidade, porque quem votou em mim sabia em quem estava votando e por que estava votando, o que é muito mais do que se pode dizer da maioria dos eleitores de candidatos que foram eleitos. Além disso, só fiz campanha na internet. Nem entreguei o monte de panfletos que o meu partido me doou e não fiz um único evento de campanha.

Com minha candidatura, quis aprender como funciona o sistema e fazer um ato simbólico de resistência.

Mas o que revolta mesmo é a conclusão da arenga de Merval. Ele insinua que Lula pode pedir asilo político a outro país e, por isso, estaria tentando desacreditar a Justiça. Fica mais do que claro, no artigo de Merval, que ele tenta voltar a reação de Lula contra ele mesmo, sugerindo que ele seja preso por estar se defendendo acusando a Lava Jato de parcialidade.

Bem, Lula não está sozinho. O jornalista italiano Gianni Barbacetto (dir.), autor do livro “Operação Mãos Limpas”, que inspirou Sergio Moro, pensa a mesma coisa que o presidente.

Na Foto abaixo, reunião recente dele com o juiz antipetista.

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Em entrevista concedida há poucos dias ao jornal brasileiro Zero Hora, Barbacetto fez fortes críticas ao seu admirador; disse que Moro age com “seletividade” só contra o PT.

Se o juiz brasileiro não engoliu uma coluna de jornal, não é difícil imaginar como deve estar encarando as observações do autor de uma obra para a qual ele, Moro, contribuiu com um texto.

Reproduzo um trecho da fala de Barbacetto ao jornal Zero Hora:

“(…) Na Itália, após a Mãos Limpas, desapareceram cinco partidos do governo, e um partido de oposição mudou de nome e de programa. Isso aconteceu porque os cidadãos, depois que souberam da corrupção através das investigações conduzidas pelos magistrados, não quiseram mais votar nesses partidos. Isso levou ao surgimento de novos partidos e mudou todo o sistema político, nasceu naquele momento na Itália o que se denomina a “Segunda República”. Na realidade, em seguida, descobrimos que os novos partidos nada mais eram do que os velhos reciclados. Apesar de saber pouco sobre a situação brasileira, estou surpreso que apareçam acusações só contra o PT e seu líder Lula, porque parece-me que todo o sistema está envolvido pela corrupção (…)”

Pois é, Merval. Pelo visto, Lula tem boas razões para dizer o que está dizendo sobre a Justiça brasileira. E eu tive boas razões para acreditar na hipótese de que venham a inventar alguma razão para encarcerá-lo no momento que todos reconhecem ser favorável ao antipetismo.

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PS: essa prisão de Eduardo Cunha veio cheia de simbolismo, não?

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2016/10/merval-me-ataca-e-sugere-que-lula-seja-preso-por-se-defender/

Direita unida na ditadura PMDB-PSDB

12.10.2016
Do portal BRASIL247
Por  ALEX SOLNIK*

A direita – PMDB, PSDB, DEM e partidos satélites – descobriu que, unida, tem 2/3 da Câmara e do Senado. Graças a Eduardo Cunha, que a arregimentou por ocasião do impeachment. E que não se dissolveu mesmo com a sua cassação.

Essa maioria absoluta pode 1) fazer a presidência da Câmara e do Senado; 2) derrubar presidente da República; 3) aprovar qualquer lei que o governo demandar e 4) mudar a constituição.

A direita descobriu que, unida, tem chance de eleger os próximos presidentes da República.

Não importa que o PMDB sozinho não tenha votos para tanto; unido ao PSDB, poderá ter.

Depois de Temer, tudo indica, será a vez de Aécio, com PMDB na vice.

De nada vai adiantar o Alckmin alegar que elegeu Doria em São Paulo para se qualificar. Daqui a dois anos essa vitória será passado e política não vive de passado, mas de futuro.

Os números ajudam Aécio. Ele perdeu por pouco em 2014, mas não tinha o PMDB, que apoiou Dilma.

Sua perspectiva para 2018 é das mais promissoras: além de ser aliado do PMDB, o PT, desgastado, não terá candidato forte. Mesmo se Lula conseguir se candidatar – o que Sergio Moro tratará de evitar – não tem mais a mesma aura de antes da Lava Jato. Se não for ele, fica pior ainda para o PT. Ninguém tem seu potencial, apesar de tudo.

Depois de Aécio, o presidenciável será do PMDB. Mais adiante ainda, poderá ser do PSDB de novo, com Dória. E assim sucessivamente. Se Temer não afundar ainda mais a economia.

No Congresso Nacional, PSDB e PMDB também poderão fazer dobradinha. Na próxima eleição, em 2017, presidentes da Câmara e do Senado tucanos com apoio do PMDB; em 2019, presidentes peemedebistas com apoio do PSDB. E, claro, o DEM contemplado com vários ótimos cargos.

Se eles conseguirem seguir unidos, se conseguirem se entender quanto ao que cabe a cada um nesse latifúndio, podem deixar o PT na seca pelo mesmo período – vinte anos – em que vai vigorar a PEC 241, que muitos já começam a chamar de AI-6: o pontapé inicial da ditadura PMDB-PSDB.

Claro, para o plano dar certo é preciso “combinar com os russos”. Ou seja, com os brasileiros.

*Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais “Porque não deu certo”, “O Cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão”, “O domador de sonhos” e “Dragonfly” (lançamento setembro 2016).

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/blog/alex_solnik/260010/Direita-unida-na-ditadura-PMDB-PSDB.htm

Xadrez da próxima prisão de Lula

07.10.2016
Do portal JORNAL GGN
Por 

Peça 1 – a instituição da prisão perpétua 


Sinal 1 – a prisão temporária de Guido Mantega e Antônio Palocci, depois convertida em prisão preventiva. Na prática, o juiz Sérgio Moro instituiu a prisão perpétua no país, com penas que começam a ser cumpridas mesmo antes da condenação.

José Dirceu, com mais de 70 anos, Palocci, com mais de 60, passaram pela prisão provisória, entraram na prisão preventiva e emendarão com a condenação final, com penas de 100 anos em um país em que parricídio e matricídio condenam a 15 anos de prisão.

Sinal 2 – O TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4a região) legitimando o Estado de Exceção na operação Lava Jato. 


Sinal 3 – o desmembramento da Lava Jato, com a aceitação da denúncia de Lula por corrupção e organização criminosa.


Sinal 4 – A aceitação do início do cumprimento da pena após sentença em 2a instância.

Tudo isso leva à Peça 2 do nosso xadrez.


Peça 2 – a prisão de Lula

Por todos esses indícios, paira sobre Lula a ameaça de prisão imediata.

Até algum tempo atrás julgava-se que o clamor popular seria tão intenso que ninguém ousaria testar.

No momento, o que mais a aliança midia-Lava Jato-Temer pretende são agitações populares, que possam justificar o aprofundamento do regime de exceção, desviando o foco dos fracassos políticos da junta golpista.


Haverá dois caminhos para Lula.


Um deles será buscar o asilo político em alguma embaixada e, fora do país, ter liberdade de ação para denunciar o regime de exceção instaurado.


O segundo caminho seria aceitar a prisão e transformar-se na reedição de Mandela. Pesa contra essa possibilidade a própria idade de Lula. Até que a democracia seja restabelecida, provavelmente não voltaria a ver a luz do dia.
Com as reações internas débeis à escalada do estado policial, o único obstáculo  às arbitrariedades serão as reações internacionais.


Peça 3 – os trânsfugas do lulismo


Uma das questões mais intrigantes desse jogo politico  tem sido a ira que Lula passou a despertar em personagens que são criaturas óbvias do lulismo, mesmo jamais tendo militância partidária.


É o caso do Procurador Geral da República Rodrigo Janot.

Antes da chegada de Lula, pertencia ao grupo dos Tuiuiús, de procuradores escanteados no Ministério Público Federal na era Geraldo Brindeiro. Reuniam-se toda sexta-feira em torno de uma mesa, com bons vinhos, tendo uma estátua de tuiuiú no meio, para lamentar a sorte.

Faziam parte Cláudio Fontelles, Antonio Fernando de Souza e Roberto Gurgel, futuros PGRs, mais Wagner Gonçalves, e o próprio Janot e o anfitrião Carlos Frederico Santos.
 Nenhum deles jamais teria ascendido ao poder se não fosse o lulismo.
 Sem espaço no MPF, outros grandes procuradores, como Eugënio Aragão e Joaquim Barbosa, recorriam a cursos no exterior.

O mesmo ocorreu com os Ministros Ayres Brito e Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal. Suas indicações geraram críticas no meio jurídico, de quem não os via preparados para o cargo.


Ascendendo na hierarquia do MPF e do STF, pelas mãos do PT, aparentemente essas pessoas julgavam-se  autoridades de segunda classe, posto que da cota de um partido visto pelo establishment como de segunda classe.

Daí a enorme gana de abjurarem essa ligação incômoda, para passar da cozinha para a sala de estar da casa grande, limpando-se do pecado original.

É sintomático que, quando o grampo sobre Lula captou uma frase sua, lamentando a ingratidão de Janot, este tenha se apressado em declarar que devia seu cargo a ele próprio, ao concurso, não ao Lula. Conversa! Sem Lula, jamais teria chegado a PGR.
 Tornou-se PGR não por concurso público, mas por trabalho político junto aos líderes do PT, José Dirceu e José Genoino entre outros.

O mesmo novo-richismo acometeu  Ayres Brito. De juiz humilde do Sergipe tornou-se uma estrela, após presidir a AP 470 com a gana de um inquisidor. Em um encontro de uma seccional da OAB, sua esposa recusou o carro enviado para transporta-los, alegando não estar a altura de um Ministro do STF.


Peça 4 – o subdesenvolvimento institucional 
 

São mais que episódios reveladores de carácteres individuais. Não é norma prudencial tratar as pessoas como se a maioria fosse dotada de firmeza de caráter. Egoísmos, ambições pessoais, desejo de prosperidade são motores muito mais influenciadores de decisões pessoais do que apelos de ordem moral. E salve Fontelles, Aragão, Wagner Gonçalves e outros que não abjuraram mesmo quando o galo cantou pela terceira vez.

Mas quando ocorre a generalização das pequenas e grandes deslealdades, é porque o ambiente externo não mais atua como agente coordenador de decisões. E, decididamente, há um caráter nacional impregnando a política, através da mídia, no qual valores civilizatórios, como a democracia, o voto, os direitos individuais, não são  considerados. Somos decididamente um país atrasado.

Os erros do PT e a despolitização da disputa política ajudaram nessa dissolução das lealdades. Forneceu a muitos beneficiados o álibi para se afastar indignados dessa malta que manchou minha imagem. E toca a pular para o outro barco.

Mas só os erros não justificam. Dia desses conversava com um bravo cientista político que discorda do poder absoluto creditado à mídia. Esse poder decorre dos erros do governo, dizia ele, com toda razão. Mídia, Ministério Público, Judiciário ganham protagonismo quando a política falha. E exercem um papel claramente desestabilizador.

Analise-se o papel do TCU (Tribunal de Contas da União). Ganhou um protagonismo absurdo graças à reação de Dilma Rousseff no caso de Pasadena. O Ministro José Jorge forçava de todas as maneiras os técnicos do TCU a encontrar irregularidades na operação, em vão. De repente, cai no seu colo uma vendeta de Dilma contra o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrieli, tratando como suspeitos intens convencionais de um acordo de acionistas. Não apenas criminalizou uma operação legítima, como conferiu ao TCU um poder absurdo que acabou se voltando contra ela.

Mesmo assim,  há algo de profundamente errado no modelo, quando exige, para seu funcionamento, governantes com dimensão de estadista. Um modelo que não é à prova de governantes frágeis, tem algo de errado. Tão errado que periodicamente corporações, mídia, grupos de influência testam crises políticas agudas, ao menor sinal de fraqueza do Executivo.

Depois da Constituição de 1988 ter sido estuprada, não se conseguirá sair dessas armadilhas institucionais sem uma nova constituição em um ponto qualquer do futuro. E não haverá como fugir de temas como o do enquadramento do MPF e das corporações públicas e formas de controles da mídia.

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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-da-proxima-prisao-de-lula