O que significa mexer na Previdência?

09.05.2017
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 14.03.17
Por Eric Gil*, Pragmatismo Político

significa mexer previdência temer reforma aposentadoria

Segundo a “historiografia oficial”, a Previdência Social brasileira tem início na promulgação da chamada Lei Eloy Chaves, de 1923, “que cria, em cada uma das empresas de estrada de ferro existentes no país, uma Caixa de Aposentadoria e Pensões para os respectivos empregados”. Mas as primeiras experiências datam de um período anterior, ainda no século XIX, como pode ser visto no livro “(Im) Previdência Social: 60 anos de história”, de Jaime Oliveira e Sonia Teixeira.

Desde então a nossa Previdência resistiu à algumas ondas mundiais de neoliberalismo, que exigia que a previdência mudasse da concepção de seguridade para a de capitalização. Isto torna o nosso sistema previdenciário um dos mais “justos” (apesar dos pesares!) da nossa região.

Mas quando falamos da Previdência Social, qual é a dimensão desta política social?

Segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social de 2015 (a publicação mais recente que temos acesso) eram 32,66 milhões de benefícios ativos em dezembro daquele ano, com um valor médio de R$ 1.101,13 mensais. A clientela urbana é esmagadora maioria, 71,3%, sendo os outros 28,7% no campo.

O que isto significa? Se pensarmos nos efeitos diretos, contabilizando uma família média brasileira, com 4 membros, isto poderia alcançar mais de 130 milhões de pessoas, o que significaria mais de 65% da população brasileira daquele ano. Então estamos falando de uma reforma que atinge muito mais da metade dos que moram em nosso país.

Okay, alguns poderão dizer que aposentados (que é 55,6% dos “beneficiados”) não sustentam outras três pessoas. Mas se ele não sustentar outras três pessoas (apesar de muitos sustentarem sim, filhos e netos com uma mísera aposentadoria), teríamos um outro efeito, que é o de que outras pessoas (filhos, mais provavelmente) teriam que sustentá-lo. Então acho que esta conta é muito plausível quando nos referimos aos efeitos diretos da aposentadoria.

Uma reforma impiedosa

A PEC 287 é, em sua integralidade, maléfica aos brasileiros. Mas destaco três pontos gerais desta reforma que são os piores: (i) a idade mínima de 65 anos e 25 anos de contribuição (mas só com 49 anos pra ter 100% do benefício); (ii) a unificação das idades para homens e mulheres, e também para trabalhadores rurais; e (iii) a desvinculação do salário mínimo para o caso de pensão por morte, o que possibilitará uma pessoa a receber apenas 60% do valor (acrescido de 10% por cada dependente, até chegar os 100%).

Sobre a idade mínima e o tempo de contribuição, muitos críticos à PEC já falaram. A expectativa de vida de algumas regiões mais pobres, mesmo dentro de grandes metrópoles (na periferia) nem sequer chega aos 65 anos, o que fará com que muitos morram sem nem se aposentar. Já o tempo de contribuição de 49 anos para conseguir a integralidade do benefício é ridículo. Para se aposentar aos 65 anos com 100% do benefício teremos que ter alguém que tenha trabalhado desde os 16 anos sem nunca ter deixado de contribuir um dia sequer (ou seja, sem nunca ter sido demitido). Isto é uma realidade para algum dos mais de 200 milhões de brasileiros? Eu chutaria que não, ainda mais numa época de alta rotatividade do trabalho.

Já sobre o segundo ponto, mais especificamente sobre igualar a idade mínima de homens e mulheres, o recente estudo do Ipea já nos mostra que é de uma tremenda injustiça.

A pesquisa do Ipea – a partir de dados da Pnad, do IBGE – demonstrou que as mulheres, por conta da dupla jornada, trabalhavam 7,5h a mais do que os homens por semana. Bem, vamos fazer alguns cálculos simples. Considerando 7,5 h a mais por semana, teríamos que em 11 meses (considerando um mês de férias, que nem sempre é verdade), então um ano de trabalho, as mulheres trabalhariam 359,5h a mais do que os homens. Considerando isto, em 49 anos de contribuição previdenciária (que será o mínimo para ganhar a integralidade), a mulher teria trabalhado 17,6 mil horas a mais do que os homens. Isto equivale a 2.202 dias a mais de jornada de trabalho (de 8 h diárias e de 5 dias por semana), o que quer dizer que a mulher teve 3,06 anos a mais de trabalho do que o homem. Além disto, temos que considerar que o trabalho é mais intenso, pois é feito em um espaço de tempo menor, o que deteriora ainda mais o corpo e a mente de qualquer ser humano. A diferenciação de idade da aposentadoria não é só uma forma de tentar minimizar o mundo machista em que vivemos, onde se joga uma carga de trabalho monstruosa na mulher, mas é uma questão de sobrevivência da própria mulher como trabalhadora.

Leia aqui todos os textos de Eric Gil

Já para o trabalhador rural é algo mais óbvio ainda. Quem consegue trabalhar no campo até, no mínimo, os 65 anos? O efeito de propagação da miséria no campo será devastador, o que fará crescer ainda mais a migração para as grandes cidades, aumentando as favelas, pois quem migra totalmente desassistido tende a reproduzir a pobreza da qual foge.

Por fim, um benefício como a pensão por morte poder ser abaixo do salário mínimo é um enorme retrocesso. Quem consegue viver com 60% do salário mínimo? Segundo o DIEESE, o salário mínimo de verdade deveria ser, hoje, de R$ 3.658,72. Como alguém sobreviveria, então, com 60% de R$ 937, que equivale a R$ 562,20? Creio que os deputados e senadores que votarão isto, não. Muito menos Temer, que se aposentou com mais de 30 mil reais aos 55 anos.

Bem, se esta Reforma passar tenham certeza que a miséria brasileira irá se expandir, e muito.

Leia também:
As escalas da tragédia previdenciária: A PEC-287 e o fim da aposentadoria rural
Dieese: Reforma da Previdência será maior desmonte social da história
Por que sou contra a reforma da Previdência?
Reforma da Previdência de Temer afeta todos os cidadãos com menos de 50 anos
A Ponte para o Passado de Michel Temer

*Eric Gil é economista formado pela Universidade Federal da Paraíba, mestre e doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná; escreve quinzenalmente para Pragmatismo Político

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/03/significa-mexer-previdencia.html

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MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO CONTRA O POVO BRASILEIRO: Por que e como os estados brasileiros faliram?

06.05.2017
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 05.05.17

porque como estados brasileiros falidos dívida pública

O Brasil atravessa a mais grave recessão da história, no contexto da maior crise da história do capitalismo. Nos estados, as dívidas mais elevadas estão em RJ, RS, MG e SP. Confira os principais pontos que ajudam a compreender a falência dos Estados brasileiros

José Álvaro de Lima Cardoso, Outras Palavras

O Brasil atravessa a mais grave recessão da história, no contexto da maior crise da história do capitalismo, e em plena execução de um golpe de Estado. O impacto desta conjuntura sobre a arrecadação pública, em todos os níveis, é dramático e inevitável. O debate é bastante complexo, pois, além da queda da arrecadação, em si, nele está presente com muita força a questão político ideológica, que leva a uma leitura de que o Estado brasileiro estaria quebrado em função dos salários e dos direitos sociais. Assim, além da queda da arrecadação em si, decorrência da mais grave recessão da história do país, temos uma narrativa, dada de barato pelos “formadores de opinião”, de que o déficit público decorre dos direitos trabalhistas e sociais. O desdobramento do raciocínio é automático: a solução do problema passa pela liquidação dos salários, demissões, implosão da Previdência Pública, redução de gastos com saúde e educação, e assim por diante. Essa leitura, equivocada e calcada no senso comum, é hegemônica no interior da sociedade.

A crise fiscal afetou todos os níveis da administração pública. Em vários municípios, que também vivem o drama da queda da arrecadação, os prefeitos vêm tentando resolver a crise com o desmonte de direitos conquistados a duríssimas penas, e ao longo de décadas. Em alguns dos principais municípios catarinenses, não fosse a organização sindical e a disposição de luta dos servidores, os direitos já teriam sido completamente raspados, o que abriria a “temporada de caça aos direitos” nos demais (essa possibilidade não está descartada, aliás, pois o jogo está em andamento).

Em alguns estados a situação beira a insolvência, com salários atrasados e elevadas dívidas, com grave crise política e institucional. Mas há razoável heterogeneidade na situação dos estados, que devem ser consideradas, sob pena de uma “nivelação por baixo” dos salários e direitos existentes. Por exemplo, no referente à dívida pública, o problema é grave em quatro estados: Rio de Janeiro (232% da Receita Corrente Liquida – RCL), Rio Grande do Sul (213%), Minas Gerais (203%) e São Paulo (175%). Nesses casos, os três primeiros já possuem dívidas acima do limite legal de 200% da Receita Corrente Líquida, definido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas esta situação não é a de todos os estados. No ano passado, dos 27 entes federados, 22 encerraram o ano com dívida inferior a 100% da Receita Corrente Líquida, portanto, muito abaixo do limite permitido para endividamento (200% da RCL). Obviamente, é central o fato de que a crise se faz mais grave em estados com grande peso no PIB nacional e na população nacionais, fenômeno que aumenta o impacto sobre o problema, ao nível nacional, tanto econômica quanto politicamente.

Com exceção de alguns estados, pode-se afirmar que o problema das contas públicas estaduais, não é o estoque da dívida. A rigor a questão central é a de que a recessão afetou a arrecadação em geral, e o cobertor ficou curto para muitos estados e municípios. Há um crescimento vegetativo das despesas, inclusive de pessoal, e, num momento de queda significativa na receita as contas se agravam. Um dos efeitos da queda da arrecadação real dos estados, foi a queda nos investimentos, bastante grave. Frente a 2014, ano em que teve início a trajetória de queda da atividade econômica, os estados reduziram os investimentos em R$ 34,8 bilhões em 2016, queda de 53,4% em termos reais. O resultado foi que, em 2016, o investimento médio dos estados chegou ao menor patamar dos últimos nove anos, 5,3% da RCL (dados do estudo da Firjan: Situação Fiscal dos Estados Brasileiros, abril de 2017).

Apesar do problema fiscal ser muito grave apenas em alguns estados, como vimos, (ainda que sejam os grandes estados), acabou de ser aprovada na Câmara Federal o PLP 343/2017, que trata da renegociação da dívida dos estados. O PLP 343 foi enviado pelo governo golpista, após ter sido derrotado em diversos pontos do PLP 257/016, em dezembro de 2016. Com o PLP 343/17 os golpistas reintroduziram uma série de condições, que foram retiradas do projeto anterior, para renegociação das dívidas dos estados com a União. Para os estados que renegociarem suas dívidas através desse PLP, haverá uma série de contrapartidas, como:

1) Proibição, por dois anos, de reajustes salariais acima da inflação e de novas contratações;

2) Aumento de 11% para 14% da contribuição previdenciária dos funcionários públicos (com possibilidade de mais 8% e 6% extraordinárias);

3) Possibilidade de redução da jornada dos servidores estaduais, com corte nos salários (medida que depende do aval do STF);

4) Privatização das empresas de saneamento, energia e bancos estaduais.

A lógica do PLP 343 é a mesma do conjunto de ações do governo como um todo: aproveitar para privatizar o filé das estatais, reduzir salários reais e direitos. A ideia embutida nesses projetos é a de que os direitos atuais não cabem no orçamento. Daí os programas de privatizações, concessões e venda de ativos. Está se tentando repassar o ônus da crise para os trabalhadores, empurrando goela abaixo do povo um programa ultraliberal, fundamentalista, que não foi praticado em parte nenhuma do mundo. As medidas têm objetivos bastante ousados e definidos: a) reduzir salários reais nos setores público e privado; b) implodir a Carta Magna de 1988; c) transformar direitos sociais em serviços pagos; d) destruir a CLT (o projeto de reforma trabalhista não deixa dúvidas); e) privatizar o que restou de patrimônio público (CEF, BB, BNDES, Petrobrás); f) reduzir ao mínimo a Seguridade Social (de preferência, acabar); g) entregar o mais importante, a jazida do pré-sal, o passaporte do Brasil para o desenvolvimento.

Atribui-se a crise fiscal à existência dos direitos, e se promove um ataque inédito aos mesmos, sem sequer mencionar o principal problema fiscal do Brasil, que é a dívida pública. É como se o ganho dos rentistas estivesse escrito nas estrelas, e em detrimento dos direitos de toda a população. Para exemplificar, segundo trabalho recente da Subseção do DIEESE no Setor Público, Santa Catarina fez um empréstimo de R$ 5,42 bilhões, pagou até dezembro de 2016 R$ 13,26 bilhões e terminou 2016 com uma dívida de R$ 10,21 bilhões. Essa é a característica geral das dívidas estaduais e da dívida pública brasileira. São impagáveis, servindo apenas de mecanismo de dragagem de dinheiro público, para os bolsos de uma elite rentista. Este é o verdadeiro problema fiscal brasileiro. Se sacrifica toda uma população para pagar serviços de uma dívida que não tem legitimidade, e que não resistiria a uma auditoria.
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/05/como-estados-brasileiros-faliram.html

“Sobre os vagabundos grevistas” — o texto que viralizou nas redes sociais

28.04.2017
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

greve geral 28 de abril 2017
Manifestação operária durante a greve de 1917, no bairro paulistano do Braz: enterro de um grevista morto em choque com a polícia. (Foto sem créditos originais)

Manifestação operária durante a greve de 1917, no bairro paulistano do Braz: enterro de um grevista morto em choque com a polícia. (Foto sem créditos originais)

O texto-símbolo da greve geral desta sexta-feira, 28 de abril de 2017

SOBRE OS VAGABUNDOS

Amanhã, dia 28 de abril, vagabundos de todo o Brasil participarão da greve geral em protesto contra as reformas trabalhista e previdenciária.

Ainda bem que existem vagabundos para defender os seus direitos. E, claro, os meus também. Afinal, os vagabundos tiveram papel importante na construção dos direitos em todo o mundo.

Foram vagabundos que, com as greves do início dos anos 80, forçaram os grandes empresários a apoiar a luta pela volta da democracia, pondo fim a uma ditadura de 20 anos.

Eram também vagabundos aqueles hippies que iniciaram uma revolução cultural nos anos 60 e culminaram na emancipação feminina e no respeito ao direito das minorias.

Naquela época, lá nos Estados Unidos, um pastor vagabundo liderou milhares de outros vagabundos pelo reconhecimento dos direitos dos negros e pelo fim do apartheid naquele país.

Por falar em apartheid, quem não se lembra do vagabundo que ficou preso na África do Sul por quase toda sua vida e que acabou derrubando um regime racista com suas greves e boicotes a produtos produzidos pelos brancos?

Foram também vagabundos que, no início do século XX, iniciaram uma onda de manifestações na Europa e na América pelo reconhecimento dos direitos trabalhistas e pela redução da jornada de trabalho.

Assim como as vagabundas que foram queimadas em uma fábrica norte-americana chamaram a atenção do mundo para a equiparação dos direitos femininos àqueles dos homens. Foi em um 8 de março, mais tarde reconhecido como dia internacional da mulher.

Se eu fosse lembrar de todos os vagabundos que lutaram e perderam a vida para que eu e você tivéssemos uma vida melhor, não bastaria um textão na internet. Eu precisaria escrever uma enciclopédia.

Portanto, termino com uma pequena frase: Ainda bem que existem os vagabundos!
(autor desconhecido)
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/04/sobre-os-vagabundos-grevistas-o-texto-que-viralizou-nas-redes-sociais.html

A reação do mundo ao bombardeio dos EUA na Síria

19.04.2017
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 07.04.17

Respostas da comunidade internacional sobre o bombardeio dos EUA na Síria conduzido por Trump mostram como o planeta está dividido em relação aos rumos dessa guerra

bombardeio dos eua síria

Os Estados Unidos realizaram a sua primeira ofensiva militar contra o exército da Síria na noite desta quinta-feira ao bombardear a base aérea de Al-Shayrat, província de Homs.

O movimento foi uma resposta ao suposto ataque químico conduzido pelo regime de Bashar Al-Assad no início da semana em Khan Sheikhun, em Idlib.

O ataque americano aconteceu na base de onde os aviões em tese responsáveis pelo massacre químico teriam decolado.

Segundo o Pentágono, essa base é, ainda, o local no qual o governo sírio estaria armazenando essas armas. 59 mísseis foram lançados pelos EUA do Mar Mediterrâneo.

Autoridades de Alemanha, França, Espanha, Reino Unido, Canadá e Israel manifestaram nesta sexta-feira (07/04) seu apoio ao bombardeio dos Estados Unidos.

Confira as reações da comunidade internacional:

SÍRIA. O comando do exército da Síria rechaçou a ação militar americana contra a sua base aérea e segue afirmando não ter tido qualquer responsabilidade sobre o uso de armas químicas contra civis. Ao todo, o ataque deixou 9 mortos e dezenas de feridos. Para as autoridades sírias, ao bombardear o regime de Assad, os EUA fortaleceram o grupo extremista Estado Islâmico, que tenta estabelecer um califado na Síria e Iraque, e o Frente de Conquista do Levante (ex-Frente Al-Nusra que já foi ligado à rede Al Qaeda). Agora, o governo promete realizar “a maior ofensiva” contra os rebeldes e disse que os americanos foram convencidos a agir depois de terem sido “inocentemente convencidos por uma campanha falsa de propaganda”.

RÚSSIA E IRÃ. Moscou também condenou o ataque, o classificando como uma agressão a um Estado soberano e violação de direito internacional, e anunciou nesta manhã a suspensão de um acordo firmado com os EUA no qual os países coordenavam suas ações militares na Síria. Acusa, ainda, o governo Trump de usar o episódio para desviar a atenção da situação em Mosul (Iraque), onde o exército americano lidera uma ofensiva contra o EI e tenta retomar o controle da cidade. Aliado de Assad, o país também nega que o regime sírio disponha de armas químicas. O Irã, por sua vez, “condena energicamente” o bombardeio.

BOLÍVIA. O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que o ataque dos Estados Unidos em represália ao suposto bombardeio com armas químicas em uma cidade do interior da Síria, é uma “ameaça à segurança internacional e à paz mundial. “Esta ação ameaça a segurança internacional e a paz mundial. As ações unilaterais são ações imperiais. Aos EUA não interessa o direito internacional, deixa de lado a ONU quando convém. Não partilho de países que dizem defender a democracia, a paz e a institucionalidade e que, agora, apoiam a intervenção militar unilateral. Penso e sinto, espero não estar equivocado, que as armas químicas na Síria são uma desculpa para uma intervenção militar. O ataque dos EUA contra a Síria é uma ação que viola os princípios da Carta das Nações Unidas. Problemas internos de países se resolvem com diálogo, não com bombardeios”, disse.

VENEZUELA. O governo da Venezuela, em nota, condenou a ação dos EUA. “Preocupa profundamente que fatores imperiais justifiquem e legitimem intervenções militares ao governo sírio, endossando ações de grupos terroristas e extremistas, mediante falsos positivos. Este ataque permitiu, além do mais, a recomposição logística dos grupos terroristas, que seguidamente atacaram o exército nacional sírio”.

ARGENTINA, CHILE, COLÔMBIA, MÉXICO, PERU E URUGUAI. Os governos de Argentina, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru e Uruguai manifestaram, em comunicado conjunto, sua profunda preocupação com a escalada da violência na Síria, e condenaram energicamente o uso de armas químicas contra a população civil, em particular crianças.

CANADÁ O gabinete do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, se manifestou nessa manhã em apoio ao governo Trump e reforçou a sua posição por “esforços diplomáticos” para resolver a crise no país. “O ataque em Idlib nesta semana e o sofrimento dos sírios são crimes de guerra inaceitáveis”, pontuou sobre o suposto uso de armas químicas pelo regime Assad.

JORDÂNIA E ARÁBIA SAUDITA. No Oriente Médio, Jordânia e Arábia Saudita, aliadas de longa data dos EUA, também apoiaram a ação. A Jordânia classificou a ação do país como “necessária e apropriada”, enquanto os sauditas elogiaram o que chamaram de “decisão corajosa” de Trump.

REINO UNIDO. O governo da conservadora Theresa May apoiou os EUA completamente e classificou o ato como “resposta apropriada ao ataque bárbaro com armas químicas cometido pelo regime sírio”.

ALEMANHA E FRANÇA. Angela Merkel e François Hollande divulgaram um comunicado conjunto no qual atribuíram ao governo Assad “plena responsabilidade” pela resposta americana.

TURQUIA. Aliada dos rebeldes que lutam contra Assad, a Turquia enxergou o ataque como positivo e nota que Assad tem de ser punido “no plano internacional”. Além disso, o país cobrou a criação de uma zona de exclusão aérea na Síria que possa proteger a população de novos bombardeios.

CRUZ VERMELHA. Uma das organizações humanitárias mais ativas na Síria, a Cruz Vermelha classificou o conflito no país como “conflito armado internacional”. Sem se posicionar exatamente sobre a ação militar, a entidade lembrou que, à luz do Direito Humanitário Internacional, todo conflito, interno ou externo, deve observar a proteção de civis e instalações médicas.

LULA. O ex-presidente Lula se pronunciou, nesta sexta-feira (7), sobre a atual situação na Síria. É preciso que a gente apure se a Síria usou armas químicas mesmo. A guerra do Iraque aconteceu porque os americanos afirmaram que o Saddam Hussein tinha armas químicas. Invadiram o Iraque, mataram o Saddam Hussein e até hoje não encontraram armas químicas”. O ex-presidente disse que esperava mais “equilíbrio” por parte dos Estados Unidos. “Não sei a que pretexto os americanos bombardearam a Síria. Parece que esse presidente é meio confuso.”

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/04/a-reacao-do-mundo-ao-bombardeio-dos-eua-na-siria.html

Relator da Reforma da Previdência defende aposentadoria especial ‘só para mulheres casadas’

16.02.2017
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 10.02.17

Só mulheres casadas devem ter aposentadoria antecipada, diz relator da Reforma da Previdência. “A mulher que é solteira, por que ela vai ter uma diferença em relação ao homem?”, questiona o deputado Arthur Maia (PPS)

Reforma da Previdência mulher casada aposentadoria Arthur Maia

Relator da reforma da Previdência, o deputado Arthur Maia (PPS-BA) defende que só haja um regime de contribuição mais brando para as mulheres caso elas sejam casadas ou mães.

Essa questão das mulheres, é um debate que não tem como a gente fugir. Agora, uma coisa que tem de ser ponderada é o que falei do risco. Se você é uma mulher casada, tem filho, cumpre jornada no seu trabalho e chega em casa tem que cuidar de filho, marido etc, é um fato a ser considerado. A mulher que é solteira, que não se casou, não tem filho, por que ela vai ter uma diferença em relação ao homem? — Deputado Arthur Maia

Na avaliação do parlamentar, não pode haver uma regra geral para categorias como mulheres, trabalhadores ruais ou policiais civis. Para esse último grupo, por exemplo, ele defende a aposentadoria mais cedo apenas para profissionais em funções de risco, como investigadores.

A proposta enviada pelo Palácio do Planalto prevê idade mínima de 65 anos para ambos os sexos e 25 anos de contribuição para a Previdência. Hoje não há limite de idade para homens que completam 35 anos de contribuição ao INSS e mulheres que alcançam 30 anos de vida contributiva.

O deputado Paulinho da Força (SD-SP), propõe que que os limites fiquem em 60 para homens e 58 para mulheres. Esse é um dos pontos da emenda que o presidente da Força Sindical pretende apresentar na comissão na próxima semana.

O parlamentar também propõe a redução de 49 para 40 anos na contribuição para receber o benefício integral. O texto foi apresentado para o presidente Michel Temer, mas não conseguiu o apoio do peemedebista. Paulinho coletou cerca de 65% das assinaturas necessárias para a emenda, de acordo com ele.

Pesquisas

Questionado sobre estudos que mostram que as mulheres são sobrecarregadas com o trabalho doméstico, Arthur Maia disse desconhecer os dados.

Os estudos que eu vi não fazem essa diferenciação. O que o IBGE fala é que nesse caso não tem diferenciação. Suponhamos que eu seja solteiro e você solteira, trabalhamos ambos no mesmo jornal. Por que você ter uma aposentadoria diferente da minha? Chego em casa vou ter que cozinhar, lavar prato, arrumar minha cama. Você vai chegar em casa e a mesma coisa. Então por que você trabalha mais do que eu? Eu não vejo lógica nisso. — Deputado Arthur Maia

Segundo a pesquisa Trabalho para o mercado e trabalho para casa: persistentes desigualdades de gênero“, publicada em 2012 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as mulheres gastam, em média, 26,6 horas por semana realizando afazeres domésticos. Para os homens, são 10,5 horas semanais.

Entre as mulheres, aquelas sem filhos gastam cerca de 26 horas semanais com afazeres domésticos. Esse tempo chega a 33,8 horas entre aquelas com 5 ou mais filhos, segundo o estudo. No caso dos homens, os sem filhos gastam mais tempo do que os que são pais.

De acordo com o estudoMulher e trabalho: avanços e continuidades“, publicado em 2010 pelo Ipea, 86,3% das brasileiras com 10 anos ou mais afirmaram realizar afazeres domésticos, contrapostos a 45,3% dos homens.

As leis, as políticas e os serviços públicos organizam-se com base num modelo de família que vem cada vez mais perdendo a importância, o de casal com filhos com um homem como provedor exclusivo e uma mulher unicamente como cuidadora. Desta forma, se reforça e se reproduz a cada dia a naturalização da obrigação feminina pelos afazeres domésticos. — “Mulher e trabalho: avanços e continuidades”, IPEA

De acordo com a pesquisa, “a sobrecarga de trabalho produzida por essa atribuição primordial às mulheres pelo trabalho doméstico, reforçada pelas instituições, influi diretamente na sua inserção no mercado de trabalho“.

As influências estão nas possibilidades de entrada no mercado de trabalho devido à necessidade de procurar trabalho mais perto de casa, ou de jornada parcial e nas possibilidades de ascensão.

Os estereótipos associados às responsabilidades familiares não as colocam como potenciais candidatas a ocupar cargos mais prestigiados. Isto persiste mesmo num contexto em que as mulheres têm cada vez menos filhos e outras tantas não os têm“, diz o estudo.

Em 2009, as mulheres ocupadas de 16 anos ou mais de idade trabalhavam em média 35,6 horas por semana em atividades consideradas econômicas, enquanto os homens tinham uma jornada de 42,9 horas, de acordo com o IPEA.

Levantamento feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que mulheres gastam uma média de oito horas diárias de trabalho realizada por elas. Para os homens, essa média de tempo é de sete horas e 45 minutos.

Entre 2001 e 2011, os homens aumentaram sua participação nos cuidados domésticos em apenas 8 minutos, de acordo com o relatório State of the World’s Fathers (O Estado dos Pais do Mundo), publicado pela MenCare com dados de quase 700 países.

A pesquisa diz ainda que, no mesmo período, a quantidade de horas trabalhadas em atividades não remuneradas caiu de 24 para 22 horas semanais.

Sondagem do Instituto Promundo revela que 54% concordam com a afirmação “O papel mais importante da mulher é cuidar da casa e cozinhar para a sua família” e 89% consideram “Inaceitável que a mulher não mantenha a casa em ordem“.

Categorias

O relator entende as diferenciações no novo regime previdenciário não devem ser por categorias, como mulheres ou trabalhadores ruais.

Um gari que trabalha atrás do caminhão de lixo não tem uma vida nem um pouco mais fácil do que o trabalhador rural. Tem muitos trabalhos urbanos muito mais árduos do que o do trabalhador rural. — Deputado Arthur Maia

Ele não descarta rever a idade mínima, mas afirmou que “aposentar-se com menos de 65 anos é privilégio de poucos no Brasil, e que ganham mais“.

O deputado admite, contudo, rever a regra de transição proposta pelo governo.Pelo texto original, homens acima de 50 anos e mulheres acima de 45 anos não precisam cumprir a idade mínima de 65 anos, mas pagariam um pedágio de 50% do tempo restante para a aposentadoria.

Questionado sobre ter recebido doações de bancos para a campanha de 2014, Maia afirmou que as transações são legais. “Se tivesse interesse pessoal, ninguém que contribuiu com a Previdência poderia discutir a PEC porque estaria advogando em causa própria“, afirmou.

Leia também:
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Aliado de Michel Temer chama aposentados de ‘vagabundos remunerados’
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Marcella Fernandes, HuffPost Brasil

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/02/reforma-da-previdencia-defende-aposentadoria-mulheres.html

O sadismo dos médicos que tiveram acesso ao diagnóstico de Marisa Letícia

03.02.2017
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 02.02.17

“TEM QUE ROMPER NO PROCEDIMENTO. DAÍ JÁ ABRE PUPILA. E O CAPETA ABRAÇA ELA”. MÉDICA DO SÍRIO LIBANÊS COMPARTILHOU DADOS SIGILOSOS DO DIAGNÓSTICO DE MARISA LETÍCIA. INFORMAÇÃO VIRALIZOU NO WHATSAPP E MOTIVOU MANIFESTAÇÕES DE SADISMO ENTRE MÉDICOS

Médicos que tiveram acesso a diagnóstico de Marisa Letícia a partir de vazamento de médica do Sirio Libanês debocharam do estado de saúde da ex-primeira-dama
Médicos que tiveram acesso a diagnóstico de Marisa Letícia a partir de vazamento de médica do Sirio Libanês debocharam do estado de saúde da ex-primeira-dama
Reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta quinta-feira revela o sadismo de alguns médicos brasileiros que tiveram acesso ao verdadeiro estado de saúde de dona Marisa Letícia.
Segundo a apuração, a médica reumatologista Gabriela Munhoz, de 31 anos, compartilhou informações sigilosas do diagnóstico de dona Marisa, horas depois de sua internação, na semana passada, em um grupo de WhatsApp de antigos colegas de faculdade.
Gabriela disse no grupo “MED IX” — referência à turma de formandos em Medicina de 2009 — que dona Marisa estava no pronto-socorro com diagnóstico de Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico de nível 4 na escala Fisher — considerado um dos mais graves — prestes a ser levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Em reação à informação que acabara de receber, um colega de Gabriela, o médico residente em urologia Michael Hennich, ‘brincou’ quando ela disse que dona Marisa não tinha sido levada, ainda, para a UTI: “Ainda bem!”. Gabriela respondeu com risadas.
Outro médico do grupo, o neurocirurgião Richam Faissal Ellakkis, também comentou o quadro de dona Marisa:
“Esses fdp vão embolizar ainda por cima”, escreveu, em referência ao procedimento de provocar o fechamento de um vaso sanguíneo para diminuir o fluxo de sangue em determinado local.
“Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela”, escreveu Ellakkis, que presta serviços no hospital da Unimed São Roque, no interior de São Paulo, e em outras unidades de saúde da capital paulista.

Sírio Libanês

O Hospital Sírio Libanês afirmou que tomou ‘medidas disciplinares’ contra a médica Gabriela Munhoz pelo vazamento do diagnóstico de Marisa Letícia.
“Por não permitir esse tipo de atitude entre seus colaboradores, a instituição tomou as medidas disciplinares cabíveis em relação à médica, assim que teve conhecimento da troca de mensagens”, informou a assessoria do hospital.
O hospital informou ainda ter “uma política rígida relacionada à privacidade de pacientes” e repudiou a quebra do sigilo de pacientes por profissionais de saúde.
De acordo com o Código de Ética Médica, profissionais de saúde não podem permitir o acesso de terceiros a prontuários de pacientes.

‘Dignidade Médica’

Mais cedo, antes mesmo da publicação da reportagem de O GloboPragmatismo Político revelou que médicos da comunidade ‘Dignidade Médica’ — grupo fechado reservado a médicos no Facebook — celebraram a notícia da morte cerebral de Marisa Letícia (veja aqui).
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UMA HISTÓRIA TRISTE, MAS COM UM FINAL FELIZ: Jovem que levou 32 facadas do noivo vai se casar com o homem que salvou sua vida

19.01.2017
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

Jovem que levou mais de 30 facadas do ex-noivo foi abandonada para morrer, mas sobreviveu contra todos os prognósticos. Depois da cruel experiência, Melissa achava que jamais teria outro relacionamento. No entanto, ela encontrou o amor em um lugar inesperado. Confira o seu relato

Melissa Dohme facada noivo namorado
Melissa Dohme levou muito tempo para se recuperar

por Melissa Dohme

Eu era estudante e trabalhava na recepção de um hospital. Meu sonho era ser enfermeira.

Estava namorando Robert Vurton. Nós tínhamos nos conhecido no colégio. A gente ficava muito juntos, se falava por mensagem e pelo telefone o tempo todo. Ele era encantador e muito engraçado, era um ‘gigante gentil’.

Mas notei que seu comportamento mudou quando comecei a me candidatar para universidades. Ele ficou muito ciumento.

Ele me diminuía e não queria que eu tivesse sucesso. Ele mentia sobre as coisas e, quando eu o confrontava, ele explodia.

Tentei terminar, mas ele disse que, como sua namorada, eu deveria ajudá-lo, não abandoná-lo. Ele dizia que se mataria se eu o deixasse.

O situação se agravou quando ele começou a me agredir. Em um dia de outubro de 2011, eu levei a gente para casa de carro, porque ele tinha bebido. Ele disse que eu fechei a porta antes de ele terminar de falar, ficou furioso e começou a me bater.

Consegui me desvencilhar e fugir para chamar a polícia, que o prendeu. Ele foi acusado de violência doméstica e sentenciado a 10 horas na prisão. Pensei que finalmente estava livre dele.

Nos meses seguintes, ele não me incomodou. Vi pelas redes sociais que tinha arranjado uma outra namorada, então, realmente pensei que havia me esquecido.

Mas, em 24 de janeiro de 2012, ele me ligou às 2h da manhã. Ele tinha ido ao tribunal naquela manhã por conta da acusação de violência doméstica e disse que precisava dar um desfecho àquela relação terrível, que só precisava de um abraço, que, se eu o visse mais uma vez, ele me deixaria em paz para sempre.

Não dei ouvidos à minha intuição, que dizia que aquilo era errado, e esse foi o maior erro que já cometi. Levei meu spray de pimenta e o celular, pensando que seria capaz de me proteger se fosse necessário.

Assim que cheguei, ele estendeu os braços para me dar um abraço, mas tinha um canivete na mão. Ele começou a me esfaquear várias vezes.

Lembro da dor dos primeiros golpes, mas, depois, tentei reagir e mordi sua mão. Estava dando socos nele, gritando e fazendo todo o possível, mas sempre acabava perdendo o equilíbrio e caindo no chão, porque estava perdendo muito sangue.

Um garoto e uma menina que estavam próximos correram até nós ao me ouvirem gritar, e a garota chamou a polícia. Depois de ver eles, Robert pegou uma faca maior, com uma lâmica de serra, e me atacou. Ele queria me matar. Ele sabia que policiais estavam a caminho e queria terminar o serviço.

Ele me deixou caída na estrada, pensando que eu ia morrer. Apenas rezei a Deus e pedi uma nova chance.

Estava quase ficando inconsciente quando um policial lançou uma luz sobre mim. Senti a vida voltar e consegui dizer meu nome e quem havia me atacado. Minha fala estava muito arrastada, porque eu tinha sofrido um AVC por conta da perda de sangue.

As últimas lembranças que tenho daquele dia são de mim na ambulância. Tudo estava muito iluminado, e as pessoas gritavam e tentavam estabilizar minha situação. Eu sabia que isso era um sinal muito ruim. ‘Ok, eles acham que estou prestes a morrer. Disseram que precisam me levar de helicóptero.’ Depois, soube que eu havia sido ressucitada várias vezes na mesa de operação.

Meus ferimentos eram graves. Eu tinha fraturas no crânio, na mandíbula e no nariz. Um nervo facial tinha se rompido, e meu rosto estava paralisado do lado direito. Eles usaram 12 bolsas de sangue em transfusões – normalmente, o corpo humano comporta sete. Foi um milagre eu ter sobrevivido.

Melissa na UTI após levar 32 facadas

O tempo em que fiquei internada na UTI parecia ser um dia muito longo, mas, na verdade, foram vários dias. Em certo momento, pedi uma caneta para minha família. Tinha de saber o que tinha acontecido com meu agressor.

Não conseguia usar minha mão direita, porque ela tinha levado muitos golpes. Então, usei a esquerda para escrever: ‘Morto, vivo ou preso?’. Minha família disse para eu não me preocupar, porque haviam pego o Robert, e ele não me machucaria mais. Fiquei aliviada.

Ele havia tentando se matar tomando remédios para dormir e colidindo seu carro contra uma parede, mas não conseguiu. Ele acordou preso a uma cama, com policiais ao seu lado.

Minha recuperação foi longa. Das 32 facadas, 19 haviam sido na minha cabeça, pescoço ou rosto, então, eu não me parecia com quem era antes. Tinha perdido um dente. Meu cabelo estava raspado, porque eles tiveram de dar pontos na minha cabeça. Metade do meu rosto estava paralisado.

Quando me olhei no espelho pela primeira vez, eu só chorava. Tinha 20 anos, e foi devastador. No entanto, minha fé era tão forte que eu sabia que eu não estava ainda aqui na Terra para ficar brava com minha aparência. Eu só sentia que havia sido abençoada por estar viva.

Recebi implantes nos dentes, e minhas cicatrizes suavizaram com o tempo. Fiz uma cirurgia nos nervos e músculos, o que ajudou a regenerar meu rosto e me devolveu meu sorriso. Estava ansiosa para voltar à escola e ao trabalho assim que possível.

Pensava que ficaria solteira para o resto da minha vida. Nunca imaginei que alguém fosse querer namorar comigo. Mas acreditava que poderia usar minha experiência para ajudar os outros. Queria falar com pessoas envolvidas em relações abusivas para que soubessem que elas mereciam ser amadas, respeitadas e valorizadas.

Em uma de minhas palestras, em outubro de 2012, fiquei feliz ao conhecer a equipe de emergência que salvou minha vida. Um dos bombeiros, Cameron, convidou minha mãe e a mim para ir jantar no seu quartel na semana seguinte. Fiquei muito animada com isso.

Depois, não conseguia parar de pensar em Cameron. Sabia que gostava dele, mas tentava ignorar isso. Pensava: ‘Estou me sentindo assim por que ele foi um dos bombeiros que me ajudou?’. Mas, quanto mais a gente conversava, mais eu percebia que a gente tinha coisas em comum.

Ele me deu seu telefone e disse: ‘Você sabe que pode contar comigo’. Pensei que ele apenas estava sendo legal. Ainda assim, sabia que tinha de vê-lo de novo, então, liguei e disse que tinha um cartão de agradecimento para dar para toda a equipe.

Ele falou para eu aparecer no quartel. Entreguei o cartão a eles e pensei que iria embora em seguida, mas eu e Cameron acabamos conversando por seis horas seguidas. Sentia como se pudesse conversar com ele para sempre, e foi então que ficou claro que havia algo especial ali.

Tivemos alguns encontros. Um deles foi em uma escola de tiro, onde Cameron me mostrou como melhorar minha pontaria – hoje, tenho porte de arma. Isso faz eu me sentir melhor, por poder me proteger.

Cameron estava ao meu lado em agosto de 2013 quando fui ao tribunal e fiquei frente a frente com o homem que tentou me matar.

Melissa encara seu agressor no Tribunal

Quando chegou minha vez de testemunhar, Robert olhava fixamente para mim, tentando me intimidar, mas me recusei a desviar o olhar dele.

No fim do julgamento, quando todas as evidências já haviam sido apresentadas, ele deixou a cabeça cair sobre a mesa. Ele finalmente teve de lidar com o que havia feito e percebeu que não tinha mais qualquer poder.

Ele foi setenciado à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional. Fiquei muito aliviada e agradecida. Saí de lá sentindo como se tivessem me devolvido minha vida.

Cameron e eu continuamos a namorar. Entrei para a faculdade, mas decidi que não estudaria Enfermagem – queria dedicar minha vida à falar contra a violência doméstica, então, cursei Administração de Empresas e Liderança Organizacional.

Alguns anos depois, fui convidada para fazer o primeiro arremesso de um jogo de beisebol, em reconhecimento a meu trabalho com palestras em escolas sobre relacionamentos violentos.

Estava a postos quando percebi que não tinha nenhuma bola para arremessar. Foi quando Cameron entrou em campo para me entregar uma. Nela, estava escrito: ‘Casa comigo?’.

Melissa e Cameron, seu novo companheiro

Foi a maior surpresa da minha vida. Não pude falar por um momento, não encontrava palavras. Foi incrível saber que ele havia se esforçado tanto para me surpreender de uma forma tão especial. Claro que disse sim.

Vamos nos casar daqui a algumas semanas. Convidamos todas as pessoas que me salvaram, do primeiro policial a chegar ao cirurgião.

Hoje, sinto-me muito abençoada por estar aqui. Sei que o ataque foi só um dia da minha vida, e isso nunca vai definir quem eu sou.”

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/01/jovem-levou-32-facadas-do-noivo-vai-se-casar.html