‘Dá para ver que os governistas estão com medo’, diz Renato Janine, sobre greve geral

27.04.2017
Do portal da REDE BRASIL ATUAL
Por Redação RBA
 
Para professor e ex-ministro, movimento é importante para protestar contra reformas e até para garantir a realização das eleições de 2018 
greve geral
Ex-ministro diz que reformas pretendidas pelo governo Temer são “letais” e pede união dos brasileiros
São Paulo – A greve geral desta sexta-feira (28) é “fundamental” para protestar contra “maldades” do governo e até para assegurar as eleições no ano que vem, diz o professor e ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro. “Deve mostrar que o combo de maldades desse governo – PEC do fim do mundo, reforma trabalhista e da Previdência – é inaceitável e só está sendo feito porque esse governo não foi eleito. Jamais, numa democracia, o povo aprovaria um governo que propusesse isso”, escreveu ontem em sua conta no Facebook.
“Devemos dar um basta, até para garantir as eleições de 2018. Porque há o risco de que os governistas, vendo que as perderão, as impeçam ou tomem medidas para não significarem nada”, afirmou ainda o professor de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP). “E é dia não só de não trabalhar, mas de não comprar. Parar mesmo o País. Não é fácil, mas dá para ver que os governistas estão com medo. Assim devem ficar.”
Janine observou que seus comentários eram “para todos” inclusive os que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff. “O Brasil tem que se unir contra essas medidas praticamente letais que o governo atual, com seus 4% de aprovação, está adotando.”
Em outra postagem, ele critica um programa da TV Folha sobre a greve geral. “Não acreditei. Zomba o quanto pode, passa por uma pauta de serviços e conclui com uma autopromoção da locutora. Quem vê isso jamais entenderá que pode ser ator de sua vida. Sujeito de sua historia. Pensará apenas que é um consumidor de serviços. Praticamente nada foi dito sobre o que está em jogo”, analisou.
****

 Lista de Fachin confirma golpe dos corruptos contra presidente honesta

12.04.2017
Do portal BRASIL247

*****
Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/poder/289955/Lista-de-Fachin-confirma-golpe-dos-corruptos-contra-presidente-honesta.htm

O sub-subjornalismo com que o MBL desinforma os seus seguidores

30.12.2016
Do blog O CAFEZINHO, 29.12.16
Por Pedro Lorenzi Breier


(Dois dos líderes do MBL, Renan Santos e Kim Kataguiri)

Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho

“Ao custo de 150 milhões, cabelo de Dilma pode ser um dos mais caros do mundo”.

Esta é a bizarra manchete de uma notícia no sitejornalivre”.

Este site confiabilíssimo é, disparadamente, o mais compartilhado pelo Movimento Brasil Livre em sua página no facebook.

A matéria:

Segundo informações divulgadas hoje, no UOL. Folha de S. Paulo e aqui mesmo, na delação de João Santana, poderão ser expostas informações surpreendentes (se é que ainda é possível se surpreender com Dilma) dos gastos da ex-presidente de extrema-esquerda.
A Braskem, subsidiária da Odebrecht, pagou 150 milhões de reais em serviços de cabeleireiro para Dilma. De acordo com a delação, as despesas estéticas de Dilma foram pagas pelo marqueteiro, com intermédio da empresa da Odebrecht. Para se ter uma ideia do dinheiro supostamente gasto com cabelo, veja o custo dos serviços do cabeleireiro Celso Kamura:
Corte de cabelo no salão de Celso Kamura custa algo em torno de R$ 400,00 (isso mesmo, quase metade de um salário mínimo);
Hidratação tem o preço médio de R$ 250,00;
Escova tem o preço máximo fixado em R$ 150,00.
Se somarmos tudo isso, seria um “investimento” de R$ 800,00. Ou seja, com os R$ 150 milhões daria para cortar, hidratar e escovar o cabelo de 180.000 pessoas. Será que valeu a pena?

Dizer que Dilma é de extrema-esquerda já demonstra o grau de precisão e cuidado com a informação do site.

Mas o que impressiona é o valor: R$ 150 milhões em cabeleireiro?

Procurei no UOL/Folha de São Paulo as informações e encontrei uma coluna da Mônica Bergamo sobre o tema:

Delação de João Santana deve detalhar despesas pagas para Dilma Rousseff
A negociação de delação premiada do marqueteiro João Santana com a Operação Lava Jato está em estágio avançado.
COBERTURA
Uma das cerejas do bolo, nas palavras de pessoa familiarizada com as conversas de Santana, seria o detalhamento de despesas da ex-presidente Dilma Rousseff que teriam sido pagas por ele, como os serviços do cabeleireiro Celso Kamura.
RECIBO
A Lava Jato há meses recebeu a informação de que a Odebrecht teria repassado valores ao marqueteiro destinados a cuidados com a imagem de Dilma. Na ocasião, a então presidente afirmou que serviços pessoais de Kamura foram pagos por ela, que teria inclusive comprovantes desses desembolsos.

Os obviamente absurdos R$ 150 milhões em gastos com cabeleireiro não se sabe de onde saíram.

O jornalismo das grandes empresas de mídia já é precário: manipulado grotescamente de acordo com os interesses políticos dos donos dessas empresas e baseado principalmente em vazamentos ilegais e fontes anônimas, como no caso da coluna da Folha acima.

Agora imagine que há um exército de sites que se baseiam neste subjornalismo da mídia corporativa para fazer uma espécie de sub-subjornalismo.

Neste caso, incrementando a notícia-fofoca com números estratosféricos tirados do nada para comover os pobres leitores.

O pior é que acabam alcançando muita gente com a divulgação sistemática do site pela página do MBL.

A mesma indigência intelectual com que são propostas soluções para o país (para Kim Kataguiri e seus amigos basta diminuir a presença do Estado em todas as áreas para que tudo magicamente se resolva) é aplicada na escolha da fonte para “informar” os que seguem o MBL.

Não surpreende que sejam usados pelo oligopólio midiático somente quando convém e ignorados quando não são necessários, como escreveu o Bajonas Teixeira aqui no Cafezinho.

*****
Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/12/29/o-sub-subjornalismo-com-que-o-mbl-desinforma-os-seus-seguidores/#sthash.aBAlohpD.dpuf

Retrospectiva 2016: 12 momentos inesquecíveis em que a mídia garantiu que o impeachment salvaria o Brasil

30.12.2016
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO, 29.12.16
Por 

O ano de 2016 se aproxima do fim e é importante lembrar do papel da imprensa no golpe e na subsequente draga econômica e institucional em que nos metemos.

Cheios de amor e de esperança, querendo agradar seus patrões a todo custo, jornalistas fizeram previsões furadas e propaganda, baseados no mais puro wishful thinking e, eventualmente, canalhice.

A ideia era vender a ideia de o golpe não era golpe e que a destituição de Dilma “ia tirar o Brasil do buraco”, tese consagrada por Eliane Cantanhêde, uma espécie de porta voz terceirizada de Temer.

Em abril, numa entrevista a uma rádio, ela disse seguinte: “Conversei com o Michel Temer nessa semana. Ele está muito seguro e muito sereno. Fala que está pronto para assumir a responsabilidade, que é tirar o país do buraco. O Michel Temer, por ter mais gás, parece ter chances de conseguir”.

Confira uma seleção de 12 promessas que a mídia fez e os midiotas acreditaram.

1. O pior que não ficou no retrovisor

Míriam Leitão publicou em 16 de julho a coluna O pior pelo retrovisor, no Globo. Num tom otimista, traçava um panorama da economia brasileira baseado apenas na valorização dos papéis da Petrobras e na alta das bolsas de valores.

E acrescentava: “O resultado reflete a percepção de algumas melhoras, inclusive regulatórias, na economia e a avaliação de que a recessão está perdendo força, apesar de estar claro que não haverá a volta rápida do crescimento”.

As contas do governo Temer tiveram um déficit de R$ 38,4 bilhões em novembro, o pior resultado para o mês desde 1997. No mesmo mês do ano passado, com o governo sob Dilma, o saldo negativo foi de R$ 21,2 bilhões. Parece que o pior da economia está longe de sair do retrovisor, seja dos investidores ou dos cidadãos comuns.

2.“Pior que tá, não fica”

Em maio de 2016, quando o impeachment caminhava para minar o poder de Dilma Rousseff, Eliane Cantanhêde publicou várias  colunas no Estadão dizendo que é “pior sem ele”.

No mês de dezembro, o Datafolha divulgou que 58% das pessoas consideram Michel Temer pior do que Dilma. Parece que ficou pior do que estava.

3. Previsão de crescimento de 1% que sumiu

Uma reportagem do site da Exame de setembro apontou que a economia sob Michel Temer poderia crescer 1% em 2016. A previsão foi traçada pela consultoria em negócios internacionais e políticas públicas Prospectiva, levando em conta até mesmo a Lava Jato.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, afirmou em dezembro deste ano que a previsão para 2016 é de recessão de 3%, com queda na oferta de crédito bancário. Parece que as consultorias de estimação estão perdendo crédito em suas análises em menos de seis meses.

4. “Golpe contra o impeachment”

Antes de ficar famoso nacionalmente por perguntar a Temer como ele conheceu a mulher numa farsa no “Roda Viva”, Noblat escreveu um artigo bonito acusando um golpe contra o impeachment”.

O texto faz denúncias de uma compra de votos contra o afastamento de Dilma Rousseff — para variar, sem apresentar provas. Teriam ocorridos pixulecos de R$ 1 milhão por voto “não” e R$ 400 mil pelas ausências.

Parece que o golpe contra o golpe não se concretizou. Noblat nunca explicou como é que essa operação milionária fracassou.

5. “Interrupções presidenciais têm impacto positivo”

Merval Pereira falou no dia 17 de janeiro de um estudo de um economista chamado Reinaldo Gonçalves, da UFRJ. O especialista tentava provar que o impeachment de Dilma poderia ser positivo.

Segundo o texto reforçado por Merval, o impedimento reverteria a recessão em 2017 e impulsionaria a economia em 2018.

Nenhum dos sinais dessas medidas com “impactos positivos” foram vistos com Michel no poder. Merval Pereira aproveitou a coluna para alfinetar advogados que criticaram a Operação Lava Jato. Nunca mais citou o tal Reinaldo.

6. Cunha “não tem nada a ver com o impeachment”

Merval também dá suas cacetadas no Jornal das 10 da GloboNews. No dia 13 de dezembro de 2015, ele soltou no programa que o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não tinha relação com o golpe. Um santo.

“Eduardo Cunha não tem nada a ver com o impeachment. O Eduardo Cunha foi o presidente da Câmara que aceitou, viu que tecnicamente havia condições de aceitar aquele processo, aquele pedido. Então ele não tem nada a ver com isso, quem vai decidir mesmo é o plenário da Câmara”.

Merval jogou a responsabilidade num Congresso que tem maioria com pendências na Justiça só para tentar livrar a cara de um processo conduzido por um notório corrupto. Em 2016, consumado o golpe, Cunha foi preso. Merval Pereira nunca mais tocou no assunto.

7. “Impeachment ou caos”

O economista Rodrigo Constantino, o amigo do Pateta que foi demitido da Veja e do Globo e hoje tem coluna na Istoé, publicou um artigo em abril com o título: impeachment ou caos!”.

Era baseado em teses esplêndidas como a de que o presidente Temer faria um “governo suprapartidário” caso o golpe prosperasse, usando aspas do professor de filosofia Denis Rosenfield.

Para Constantino, o governo Temer seria um sucesso porque não teria vermelho em sua bandeira. O único golpe possível era o que o PT estava fazendo, seja lá o que isso signifique.

8. Golpe “cristalizado”

Quando o impeachment foi consumado, em setembro, Eliane Cantanhêde afirmou em texto que o governo Michel Temer sofre com protestos mas termina em pé. Comparou-o a Itamar Franco.

“A palavrinha mágica ‘golpe’ ajudou a cristalizar, talvez em milhões de pessoas, a percepção de que o impeachment de Dilma foi ilegal e ilegítimo, a ‘jornada de 12 horas’ ajuda a oposição a ratificar que Temer vai retroceder nos direitos e abandonar os pobres à própria sorte. Em vez de falar esse absurdo, o governo bem que poderia ter usado e abusado, a seu favor e a favor da verdade, dos resultados do Ideb, que configuram o fracasso da ‘pátria educadora’ de Dilma”, diz Eliane no jornal.

9. A “revolta armada” do PT que não existiu

O ex-presidente Lula publicou uma cartilha criticando os procedimentos da Operação Lava Jato. Na cabeça do colunista Reinaldo Azevedo, a carta afirmava que o PT ia optar por uma “revolta armada”, segundo sua coluna na Folha de S.Paulo em agosto.

Dilma, segundo Reinaldo, era a “Afastada”. “Que bom que a ópera petista chega ao último ato, com o próprio partido chamando os inimigos por seus respectivos nomes. É o PT quem me dá razão, não os que concordavam comigo”, diz ele, sem explicar como se daria a revolução do partido de Lula em curso.

10. O editorial que mais curtiu o impeachment

Impeachment é o melhor caminho é o editorial de apoio ao golpe mais explícito publicado na imprensa. Feito pelo mesmo time  do Estado de S.Paulo que chamou o jornalista Glenn Greenwald de ativista petista e pediu sua expulsão do Brasil, o texto é rico em previsões furadas sobre o governo Temer já em abril de 2016.

As propostas de novas eleições “são fórmulas engenhosas para resolver um problema complicado. Pena que sejam todas, pelas mais variadas razões, impraticáveis”.

Hoje, a notícia é de que a maioria da população apoia eleições diretas segundo absolutamente todos os institutos de pesquisa.

11. “A saída da crise”, segundo Paulo Skaf

Nenhuma lista dessa natureza ficaria completa sem as revistas da Editora Três, aquela que concedeu a Temer o título de Brasileiro do Ano.

Em março, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, estava na capa da IstoÉ Dinheiro com a chamada “A reação dos empresários”.

“O impeachment de Dilma é a saída mais rápida da crise”, falou. A reportagem destacava a atuação dele para conseguir a adesão “de boa parte da classe empresarial, da indústria ao varejo”.

De acordo com Skaf, a “economia está indo mal por causa da crise política. Há confiança no Brasil, mas não há confiança no governo”.

Ah, sim: o industrial sem indústria é um dos citados na delação da Odebrecht.

12. As instituições funcionam 

O Globo, que defendeu o golpe militar de 64 e só se desculpou 50 anos depois, defendeu o impeachment com unhas e dentes em vários editoriais.

Num deles em especial, de 30 de março, a família Marinho mandou ver: “Na estratégia de defesa e nas ações de agitação e propaganda de um PT e de uma presidente acuada no Planalto, a palavra ‘golpe’ ganha grande relevância”.

O impeachment de Dilma, fomos informados, “transita pelas instituições sem atropelos. Em 64 seria diferente”.

E finalizava: “Aceite quem quiser que políticas de supostos benefícios aos pobres podem justificar a roubalheira. Não num país com instituições republicanas sólidas”.

Pois é.

*****
Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/retrospectiva-2016-12-momentos-inesqueciveis-em-que-a-midia-garantiu-que-o-impeachment-salvaria-o-brasil/

Uma reflexão acerca da mediocridade do STF

30.12.2016
Do blog O CAFEZINHO, 21.10.16
Por Brenno Tardelli, no Justificando*

Por conta de Lula e Dilma, STF é um lugar cheio de ministros e ministras medíocres

Os governos Lula e Dilma foram marcados por um profundo endurecimento dos aparelhos de repressão do Estado e de suas instituições jurídicas, medidas que levaram a uma série de ações e reações que resultaram na queda do petismo da Presidência da República. Os ex-presidentes também foram responsáveis por falta de avanços, quando não retrocessos, em áreas que a pauta progressista demorará muitos anos para ter a possibilidade de fazer algo diferente, como, por exemplo, a questão carcerária e a política de drogas.

Essa introdução-conclusão é necessária para entender o fato de todos os dias termos que lidar com ministros do Supremo Tribunal Federal medíocres. São reprodutores do senso comum reacionário e estão sendo responsáveis por um dos maiores rompimentos formais das instituições com a Constituição Federal. Ultimamente, vale tudo.

Por isso que o caro amigo Professor da PUC/MG, Leonardo Yarochewski, acertou em cheio quando pediu Merval Pereira, comentarista político da Globo News, para uma das cadeiras do Supremo. Já que é para esculhambar e jogar para a galera, que pelo menos seja sem cinismo.

Indicada por Lula, Cármen Lúcia está cumprindo essa tarefa de forma visceral. Em uma semana, adiantou voto e campanha pela PEC 241, além de montar um gabinete com forças armadas, polícias, Ministério Público Federal e OAB para discutir segurança pública – tenho medo das conclusões que sairão de uma reunião com tanta gente surfando a onda do populismo reunida. Para se ter uma ideia da gravidade de uma ministra do STF encampar a liderança por segurança pública, Cármen foi corrigida pelo ministro da defesa, Raul Jungmann, sobre a inconstitucionalidade do exército em fazer a segurança nas ruas. Ministra do Supremo corrigida pelo Ministro da Defesa. Que tempos vivemos…

Cármen é uma indicação semelhante à desastrosa de Joaquim Barbosa, primeiro negro a ser ministro da Corte que se tornou “heroi” da grande imprensa e agora encara o ostracismo por falar o que ela não quer ouvir. Ambos são a escolha branca acrítica da representatividade apenas pela representatividade, já que os escolhidos não possuem qualquer compromisso com as minorias. A diferença é que a atual presidente – como gosta de ser chamada – foi endossada por juristas de respeito, os quais hoje dizem abertamente como se arrependeram da escolha.

Fenômeno semelhante aconteceu com o Fachin, talvez o caso mais estranho a ser estudado. O ministro mais recente no Supremo teve o mérito de fazer uma campanha aberta, longe dos articulações sussurradas que ascendem juristas (?) políticos, como o caso de Tóffoli, o qual, se quiser, passará, no mínimo, 32 anos como ministro da Corte. São três décadas de uma pessoa evidentemente despreparada para o cargo. O resultado está aí, um ministro cada vez mais parecido com Gilmar Mendes – esse, menos cínico que os demais por assumir abertamente seu partidarismo, foi um presente de Fernando Henrique Cardoso para a posteridade.

Tóffoli terá três décadas sem compromisso com a Constituição. Percebam como a escolha de um ministro da corte é um erro duro demais, com consequências que continuam a reverberar por muitos anos. Indicação pessoal de Lula, posteriormente, no processo de destituição de Dilma, foi um dos que encabeçou entrevistas em jornais dizendo que“impeachment não é golpe, pois está previsto na Constituição”, afirmação cínica do ponto de vista da ciência política e do direito.

Mas voltemos a Fachin, o ministro que fez campanha junto a movimentos sociais e se tornou um dos mais medíocres da Corte, dada a profundidade de um pires de café nas suas decisões. O que leva alguém a andar junto com movimentos sociais para chegar lá e ser só mais um? O que servem no lanche do Supremo Tribunal Federal que torna a grande maioria dos ministros tão parecidos?

É uma questão também a ser feita a Barroso, justamente em tempos em que vive um processo de Gilmarmendização. O ministro descolado, de frases bonitas e dono de sustentação oral brilhante pelos direitos LGBT enquanto advogado, atualmente, como ministro, é autor de entendimentos dignos de fazer Bolsonaro morrer de inveja edesrespeita a advocacia.

A questão também deve ser uma autocrítica necessária a progressistas e liberais compromissados com os direitos humanos, coletivos e individuais, que apostam em mentes supostamente arejadas para amenizar o vazio daquela corte. As recentes apostas revelaram-se um enorme tiro no pé, mais frustrantes que Rosa Weber e Teori Zavascki. Esses, pelo menos cumpriram a expectativa de quem não tinha nenhuma expectativa. Não desapontaram.

Várias escolhas de ministros são inacreditáveis, mas tem uma que causa espanto e horror. O que Luiz Fux está fazendo lá? O ministro fez campanha nos corredores do Congresso de que mataria o mensalão no peito e absolveria geral, motivação torpe abraçada por Dilma. Mais tarde, Fux ficaria conhecido do grande público ao fazer lobby e pressionar para que sua filha fosse desembargadora no Rio de Janeiro com apenas 33 anos e nenhuma prática de advocacia. Conseguiu o que queria, atualmente inúmeras pessoas são julgadas por ela, por ele e pelos demais ministros.

Desse veneno, provou Dilma, cujo governo sofreu o golpe dado com protagonismo pelo Supremo. Seu governo foi julgado por pessoas sem a menor aptidão para fazê-lo. Lula, também responsável pela atual composição terá de tirar leite de pedra, em sede recursal, para conseguir alguma decisão próxima do justo na corte que formou.

Serão julgados por Cármen Lúcia, Zavascki, Rosa Weber, Tóffoli, Fux e outros comprovantes da tese de que brancos tendem a estarem onde estão mesmo sendo medíocres, consequência de uma sociedade racista e que foge do debate. O Supremo Tribunal Federal é uma grande amostra disso.

*Brenno Tardelli é Diretor de Redação do Justificando

*****
Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/10/21/uma-reflexao-acerca-da-mediocridade-do-stf/

Desmontando o “lawfare”! Quem é o corruptor?

26.12.2016
Do blog O CAFEZINHO, 18.12.16

fab

 

Wellington Calasans, colunista internacional do Cafezinho, em Estocolmo – Suécia

A caçada insana contra Lula tem mais um capítulo de bizarrice. Desta vez a acusação é de tráfico de influência para tirar vantagens com a empresa sueca SAAB.

A denúncia é tão vazia e irresponsável que acusam Lula, mais uma vez sem provas, de ter feito algo quando ele sequer estava no governo na época em que a decisão de comprar os caças suecos foi tomada.

Era pública, na época, a preferência dos militares brasileiros pelos caças suecos da SAAB, Gripen NG. Acompanhei, daqui da Suécia, todas as etapas que culminaram com a aquisição dos caças. Entrevistei de Celso Amorim a Aldo Rebelo. Entrevistei duas ministras suecas envolvidas na negociação. Fui à cerimônia de posse do Adido Militar e acompanhei a visita de Dilma Rousseff quando o acordo foi assinado.

Toda a transação, como tudo aqui na Suécia, está disponível publicamente. É preocupante que a justiça brasileira se preste a este papel. Se houvesse corrupção seria de quem queria vender, nesse caso a SAAB.

Entrei em contato imediatamente com a assessoria de imprensa da fabricante dos caças e recebi a seguinte resposta:

“Olá Wellington,

Segue abaixo o posicionamento da Saab sobre o assunto:

A Saab tem uma política rigorosa para regular seus negócios e relacionamentos.

Nossas operações ocorrem num ambiente de forte concorrência e, por isso, devem ser obrigatoriamente conduzidas de forma correta e com o mais alto padrão de qualidade.

Sempre cooperamos com autoridades investigativas para garantir um negócio honesto e correto, decidido com base em qualidade e preço.

Ressaltamos que não há denúncias contra a Saab ou contra qualquer um de nossos colaboradores.

Um abraço…”

Em recente entrevista que fiz com o cientista político Moniz Bandeira, ele reforçou a tese da defesa de que Lula é vítima da estratégia de guerra “lawfare”. Alguém ainda tem dúvida disso?

É preciso ser, no mínimo, ingênuo para acreditar que Lula fora do governo iria influenciar no maior investimento já realizado pela Defesa Nacional e pediria os valores irrisórios citados na acusação.

A ala progressista brasileira precisa reagir a mais uma tentativa de criminalizar Lula. Depois de tirarem Dilma sem crime o alvo agora é Lula. Os próximos serão os partidos de esquerda. Reajam!

*****
Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/12/18/desmontando-o-lawfare-quem-e-o-corruptor/#sthash.wS9ay9Ci.dpbs

A degradação do Judiciário

25.12.2016
Do portal BRASIL247,20.12.16
Por Emir Sader

É certo que, ao compactuar com o golpe de 1964 e, assim, com a ditadura militar que durante mais de duas décadas assolou o Brasil, o Judiciário perdeu a identificação que parecia ter com o Estado de direito. Mas, ainda assim, especialmente depois do fim da ditadura, permanecia uma aura de respeitabilidade com o Judiciário brasileiro, uma expectativa de que fosse o guardião da Constituição democrática, dos direitos das pessoas, da democracia.

Junto com a perda da continuidade do processo democrático, o Brasil perdeu também, com o golpe de 2016, o respeito pelo Judiciário, a começar pela sua instância máxima, o STF. O mínimo que se pode dizer é que, diante da mais grave decisão tomada pelo Congresso brasileiro, a do impeachment, com versões polêmicas sobre os seus fundamentos, o STF assistiu tudo como se não tivesse nada a ver com ele. Como se não tivesse a responsabilidade de zelar pela Constituição, decidindo sobre se houve ou não crime de responsabilidade. Se não serve para isso, para que serve o STF?

Pior ainda. O silêncio foi acompanhado da vergonhosa negociação do aumento de 41% para o Judiciário. A FSP noticiou que, nos intervalos das gravíssimas sessões do Senado, que tomava a mais grave decisão da sua história, a do impeachment, o então presidente do STF fazia lobby a favor daquele aumento com os senadores, sem pudor, num troca-troca explícito. Buscava aumentar ainda mais os salários inconstitucionais de marajás que eles tinham recebido das mãos de Eduardo Cunha, em pleno processo de impeachment na Câmara de Deputados. Personagem poupado pelo STF até que ele tivesse feito o trabalho sujo de promover o impeachment da Dilma na Câmara.

Depois, uma vez aprovada a infundada decisão do impeachment pelo Congresso, o STF não se pronunciou sobre a sua constitucionalidade, questionada por tantos advogados. Seu papel, minimamente, de zelador da Constituição, seria o de abrir esse texto e definir se houver ou não crime de responsabilidade. Poderia até concordar com a decisão do Congresso, mas o que não poderia fazer, era ficar calado, deixando, com o seu silêncio cúmplice, que se terminasse com o mandato de uma presidente recém reeleita pelo voto popular, sem nenhum fundamento que justificasse esse ato de violência contra a democracia.

Mas fez e, com seu silêncio, sacramentou sua responsabilidade com a ruptura da democracia no Brasil, da qual deveria ser o zelador. Porém, mais do que isso, demonstrando que não se trata de um episódio fortuito, o STF participa ativamente do projeto do golpe. Impediu que o Lula, sem ser réu de qualquer processo, assumisse um cargo no governo da Dilma, mas permite que 15 ministros do governo Temer façam isso.

Aceita que a escandalosa parcialidade do Moro e dos seus comparsas, na ação unilateral contra o Lula, seja considerada “imparcial”, permitindo que ele monte os processos contra o Lula, façam as acusações, julgue e provavelmente condene o ex-presidente. O STF aceita silenciosamente as monstruosidades cometidas contra o Lula, o único líder popular no Brasil, demonstrando que deseja romper qualquer traço de legitimidade do sistema político brasileiro, compactuando com sua exclusão.

Um STF como esse tornou-se uma vergonha para a democracia brasileira. Desonra a função que deveria ter de guardião da Constituição, violada semanalmente pelo governo golpista e por seu Congresso corrupto. Degrada a função do Judiciário. Provoca a necessidade de que a restauração democrática promova a reforma profunda do Judiciário brasileiro, sob o risco de impedir que a democracia volte a reinar no Brasil, através da decisão soberana do povo.
*****
Fonte:http://www.brasil247.com/pt/blog/emirsader/272205/A-degrada%C3%A7%C3%A3o-do-Judici%C3%A1rio.htm