Auditores querem de volta dinheiro de palestras que Senac pagou a jornalistas da Globo

10.10.2017
Do blog VI O MUNDO

“Lula tinha toda condição de ser milionário, diante do preço que cobrava pelas palestras que diz ter feito a partir de 2010, mas precisa comprovar que elas existiram e que não eram alguma contrapartida de empreiteiras. A explicação fica complicada porque um dos diretores da Odebrecht afirmou ter sido preparado um esquema, com as palestras, para que o ex-presidente tivesse uma boa aposentadoria”,  escreveu o jornalista Merval Pereira, de O Globo, GloboNews e rádio CBN, sobre as palestras do ex-presidente.

Agora, o nome do global está metido num imbroglio entre a Fecomércio-RJ e a Confederação Nacional do Comércio (CNC), por causa de palestras contratadas sem licitação e fora dos objetivos do Senac.

O caso deriva de uma auditoria na gestão de Orlando Diniz, amigo do ex-governador Sergio Cabral, que dirige o Senac-RJ e o SESC-RJ.

O relatório, publicado pelos repórteres George Marques e Ruben Berta no Intercept, pode levar à intervenção no Senac local se o Conselho Fiscal do Senac nacional considerar que houve irregularidades.

Segundo o Intercept, desde janeiro de 2016 o Senac do Rio já demitiu mais de mil funcionários.

O relatório da auditoria chama a atenção por várias dúvidas levantadas.

Uma das principais diz respeito aos gastos com propaganda.

Segundo os auditores, em 2015 o Senac-RJ gastou R$ 89,9 milhões em sua principal missão institucional, educação profissional, e R$ 74,5 milhões em eventos e publicidade.

Uma empresa de intermediação de publicidade recebeu R$ 91,1 milhões adiantados nos anos de 2015 e 2016.

Seria dinheiro repassado depois a empresas de mídia. A Fecomércio-RJ é uma das patrocinadoras do RJ-TV, o principal telejornal local da Globo.

Outro ponto que chamou a atenção dos auditores foi o gasto com palestras sem a realização de licitação e fora dos objetivos da entidade — sempre de acordo com a auditoria.

O objetivo do Senac: “Promover educação profissional com objetivo de gerar empregabilidade, competitividade e desenvolvimento econômico e social para o setor de comércio de bens, serviços e turismo do Estado do Rio de Janeiro”. Os auditores sugerem que seja devolvido aos cofres do Senac-RJ o dinheiro pago por palestras fora deste âmbito.

Protesto contra Orlando Diniz na orla de Copacabana

A devolução caberia aos responsáveis pela contratação irregular, não àqueles que foram contratados.

Foram R$ 2,979 milhões pagos a jornalistas, comentaristas e analistas, todos ligados à Globo.

“Verificamos que a ligação dos prestadores de serviços com as Organizações Globo é uma das características singulares apresentadas com vistas a justificar a não observância do dever de licitar”, diz o texto da auditoria.

Quem mais recebeu em palestras foi Merval Pereira: R$ 375 mil.

Merval fez “análise prospectiva sobre o que o Governo Dilma pode fazer para evitar o impeachment no Congresso, e avaliação do que seria um novo governo de união nacional com a derrubada da presidente e a chegada de Michel Temer ao governo”.

O governo de “união nacional” é supostamente aquele liderado por Temer em parceria com o PSDB.

No caso de Giuliana Morrone, apresentadora do Bom Dia Brasil em Brasília, os auditores apontaram falta de “eficiência, economicidade e razoabilidade” do Senac-RJ, que aceitou romper contrato firmado e fechar um novo — com aumento de 94% no cachê das palestras.

Os auditores também questionam R$ 330 mil pagos à comentarista Cristiana Lobo, da GloboNews, “sem a comprovação da natureza singular dos serviços prestados”, o que exigiria licitação.

A auditoria também sugere que sejam devolvidos aos cofres da entidade R$ 464 mil referentes à Semana Fecomércio de 2013, realizada no Copacabana Palace, que contou com uma palestra do ex-presidente Lula.

Procurada pelo Intercept, a Fecomércio se disse vítima de perseguição política: “Desde 2011, temos a convicção de que a CNC, que tem como presidente Antonio Oliveira Santos e Gil Siuffo na tesouraria, patrocina uma perseguição política contra a Fecomércio-RJ”.

Depois, disse que já encaminhou um relatório de 238 páginas rebatendo ponto-a-ponto a auditoria.

Abaixo, os documentos da auditoria relevantes ao texto acima (íntegra aqui):

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/auditores-querem-de-volta-dinheiro-de-palestras-que-senac-pagou-a-jornalistas-da-globo.html

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O objetivo por trás das denúncias contra Temer e Aécio

20.05.2017
Do blog PRAGMATISMO  POLÍTICO, 19.05.2017
Por Mauro Santayana, seu blog

As acusações contra Temer e Aécio tiveram como objetivo claro abrir caminho para o alvo final: a condenação de Lula. A percepção da população de que a Justiça estava sendo seletiva só aumentava. A partir de agora, ninguém pode mais dizer que a Operação Lava Jato só atinge o PT

objetivo denúncia temer aécio neves lula ódio
Aécio Neves e Michel Temer (reprodução)

Aqueles que estão soltando foguetes que nos desculpem, mas não nos colocamos entre os que comemoram, efusivamente, as últimas notícias.

Moralmente e por uma questão de princípios em defesa da democracia, quem está contra os casuísmos e arbitrariedades jurídico-investigativas da Operação Lava Jato no caso de Lula, tem que se manter contra esse tipo de coisa também quando o atingido é o campo adversário.

Até mesmo porque parte, e faz parte da estratégia, de quem tem apenas um interesse: o seu próprio lado.

Não vemos como solução para o país um impeachment de Temer a ser conduzido pela figura nefasta da Janaína Paschoal, que já defende essa hipótese para aparecer nos jornais, nem a convocação de eleições indiretas para a Presidência da República para as quais a mídia já especula, significativamente, citando o nome de Sérgio Moro, se “magistrado poderá ser candidato“.

Isso, em um processo a ser conduzido por um congresso majoritariamente golpista, em grande parte também investigado por uma operação cuja autoridade máxima é o próprio “chefe” da República de Curitiba.

A ideia de uma nova campanha pelas Diretas Já é correta, do ponto de vista da lógica democrática.

Mas se formos objetivos e pragmáticos, considerando a atual situação política, retira tempo precioso da oposição, que poderia ser utilizado, caso as eleições se fizessem normalmente em 2018, para que Lula se recuperasse e refizesse – aproveitando a crescente impopularidade do governo Temer e denunciando e esclarecendo as mentiras de que tem sido alvo – sua relação com a opinião pública e seu caminho para a Presidência da República.

Uma eleição agora, mesmo que direta, pode jogar o poder no colo de Jair Bolsonaro, apoiado pela sensação de caos institucional, pela condição de não estar sendo processado pela Lava Jato, e, caso chegue ao segundo turno, como as pesquisas indicam, por uma aliança que abrangeria da extrema-direita a setores mais oportunistas do próprio PMDB e do PSDB, passando pelo “centro” fisiológico dos partidos nanicos conservadores, unida pelo objetivo comum de evitar, a qualquer custo, que o PT e sua “jararaca” voltem à Presidência da República.

Finalmente, a leitura mais correta é de que os principais alvos das mais recentes manobras da “justiça” não sejam nem Temer nem Aécio, por mais implacáveis que sejam, contra ele, os juízes e procuradores.

As acusações contra os dois foram forjadas – já que se tratam claramente de arapucas propositadamente montadas – como forma de abrir caminho, definitivamente, para a condenação de Lula.

A percepção da população de que a Justiça e o Ministério Público estavam sendo totalmente seletivos e parciais no trato dos gregos com relação aos troianos vinha crescendo a olhos vistos nas últimas semanas, e aumentava, na mesma proporção, a popularidade e as intenções de voto do ex-presidente da República, especialmente depois de seu depoimento em Curitiba e da absurda proibição de funcionamento do seu instituto.

Com as acusações contra Temer e Aécio, o anti-petismo entrega duas torres para capturar e eliminar o Rei que odeia e persegue, sem êxito, há tanto tempo.

A partir de agora, ninguém pode mais dizer que a Operação Lava Jato só atinge o PT, enquanto afaga seus adversários.

E Lula poderá então, ser condenado “exemplarmente” por Moro, aproveitando-se o caos político que tomará conta do país nas próximas semanas, sendo definitivamente impedido de voltar por via eleitoral ao Palácio do Planalto, tanto agora, em eventuais “Diretas Já”, como em 2018

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/05/objetivo-denuncias-temer-aecio.html

NÃO HÁ CADEIA SUFICIENTE PARA LULA

12.05.2017
Do blog ARAKOIABENSE, 14.03.17
Por Perci Coelho de Souza, Texto do um professor da UNB 

Depoimento de Lula em Curitiba

– Não há cadeia suficiente para Lula, não há construção erigida que suporte tamanha pena, que dê conta de tanto pecado. Haja grades de ferro e de aço que sejam capazes de segurar, de reter e de trancafiar tanta coisa numa só, tanta gente num só homem. Não há cadeia no mundo que seja capaz de prender a esperança, que seja capaz de calar a voz.

Porque, na cadeia de Lula, não cabe a diversidade cultural
Não cabe, na cadeia de Lula, a fome dos 40 milhões
Que antes não tinham o que comer
Não cabe a transposição do São Francisco
Que vai desaguar no sertão, encharcar a caatinga
Levar água, com quinhentos anos de atraso,
Para o povo do nordeste, o mais sofrido da nação.
Pela primeira vez na história desse país.

Pra colocar Lula na cadeia, terão que colocar também
O sorriso do menino pobre
A dignidade do povo pobre e trabalhador
E a esperança da vida que melhorou.

Ainda vai faltar lugar
Para colocar tanta Universidade
E para as centenas de Escolas Federais
Que o ‘analfabeto’ Lula inventou de inventar
Não cabem na cadeia de Lula
Os estudantes pobres das periferias
Que passaram no Enem
Nem o filho de pedreiro que virou doutor.

Não tem lugar, na cadeia de Lula,
Para os milhões de empregos criados,
(e agora sabotados)
Nem para os programas de inclusão social
Atacados por aqueles que falam em Deus
E jogam pedras na cruz.

Não cabe na cadeia de Lula
O preconceito de quem não gosta de pobre
O racismo de quem não gosta de negro
A estupidez de quem odeia gays
Índios, minorias e os movimentos sociais.
Não pode caber numa cela qualquer
A justiça social, a duras penas, conquistada.
E se mesmo assim quiserem prender
– querer é Poder (judiciário?),
Coloquem junto na cadeia:
A falta d’água de São Paulo,
E a lama de Mariana (da Vale privatizada)
O patrimônio dilapidado.
E o estado desmontado de outrora
Os 300 picaretas do Congresso
E os criadores de boatos
Pela falta de decência
E a desfaçatez de caluniar.
Pra prender o Lula tem que voltar a trancafiar o Brasil.
O complexo de vira-latas também não cabe.
Nem as panelas das sacadas de luxo
O descaso com a vida dos outros
A indiferença e falta de compaixão
A mortalidade infantil
Ou ainda (que ficou lá atrás)
Os cadáveres da fome do Brasil.
Haja delação premiada
Pra prender tanta gente de bem.
Que fura fila e transpassa pela direita
(sim, pela direita)
Do patrão da empregada, que não assina a carteira
Do que reclama do imposto que sonega
Ou que bate o ponto e vai embora.
Como poderá caber Lula na cadeia,
Se pobre não cabe em avião?
Quem só devia comer feijão
Em vez de carne, arroz, requeijão
Muito menos comprar carro,
Geladeira, fogão – Quem diz?
Que não pode andar de cabeça erguida
Depois de séculos de vida sofrida?
O prestígio mundial e o reconhecimento
Teriam que ir junto pra prisão
Afinal, (Ele é o cara!)
Os avanços conquistados não cabem também.
Querem por Lula na cadeia infecta, escura
A mesma que prendeu escravos,
‘Mulheres negras, magras crianças’
E miseráveis homens – fortes e bravos
O povo d’África arrastado
E que hoje faz a riqueza do Brasil.
Lula já foi preso, ele sabe o que é prisão.
Trancafiado nos porões da ditadura
Aquela que matou tanta gente,
Que tirou nossa liberdade
A mesma ditadura que prendeu, torturou.
Quem hoje grita nas ruas
Não gritaria nos anos de chumbo
Na democracia são valentes
Mas cordatos, calados, covardes
Quando o estado mata, bate e deforma.
Luis Inácio já foi preso,
Também Pepe Mujica e Nelson Mandela.
Quem hoje bate palmas, chora e homenageia,
Já foi omisso, saiu de lado e fez que não viu.
Não vão prender Lula de novo
Porque na cadeia não cabe
Podem odiar o operário
O pobre coitado iletrado
Que saiu de Pernambuco
Fugiu da seca e da fome
Pra conquistar o Brasil
E melhorar a vida da gente
Mas não há
Nesse mundão de meu Deus
Uma viva alma que diga
Que alguém tenha feito mais pelo povo
Do que Lula fez no Brasil.
“Não dá pra parar um rio
quando ele corre pro mar.
Não dá pra calar um Brasil,
quando ele quer cantar.”
Lula lá!

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Fonte:http://arakoiabense.blogspot.com.br/2016/03/nao-ha-cadeia-suficiente-para-lula.html

Disparada de Lula nas pesquisas põe direita em pânico

17.02.2017
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

direita capa

Xico Graziano, o eterno assessor de FHC, entrou em pânico ao ler a 133ª pesquisa CNT-MDA simplesmente porque a CNT é controlada pelo tucanérrimo Clésio Andrade. Ou seja, é um dos institutos de pesquisa mais insuspeitos de ser petistas.

Graziano é uma figura bastante conhecida no meio político por sua verborragia e pelas demonstrações desabridas de vassalagem para com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Nos últimos anos, Graziano têm se metido em várias polêmicas.

Em 2014, seu filho Daniel Graziano, então coordenador do departamento Administrativo, Financeiro e de Recursos Humanos do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), foi convocado a depor em uma delegacia de São Paulo em inquérito sobre informações falsas publicadas na Internet contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Lula.

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-04-24/filho-de-assessor-de-fhc-e-convocado-para-explicar-boatos-contra-lulinha.html

O caso terminou em acordo, mas o pai de Daniel continuaria dando demonstrações públicas de “lealdade” ao ex-chefe. Porém, só o desespero pode levar esse sujeito a propor a volta de um político que apareceu com 13% dos votos em pesquisa recente do Datafolha sobre quem foi o melhor presidente que o Brasil já teve.

Detalhe, Lula apareceu com 40%.

Ano passado, em novembro, Xico Graziano faz publicar na Folha de São Paulo um artigo propondo, entrelinhas, a pura e simples nomeação de FHC como presidente da República.

Naquele artigo, o ex-chefe de Gabinete da Presidência no governo FHC aproveitou a onda que pregava eleição indireta de um presidente da República substituto caso Michel Temer fosse derrubado pelo TSE, e “sugeriu” que o tucano fosse nomeado presidente pelo Congresso, como se estivéssemos na ditadura militar.

Outro que “pirou” com a disparada de Lula nas pesquisas foi Reinaldo Azevedo, colunista da Folha de São Paulo, conhecido por seu antipetismo amalucado. Apesar de ter afirmado que Lula estaria “morto”, agora está dizendo que ele não só está vivo como pode se reeleger presidente.

Aliás, o jornal onde Reinaldo escreve não está menos desorientado com a disparada de Lula. A pesquisa CNT/MDA foi divulgada na tarde de quarta-feira, mas só foi aparecer na Folha nesta sexta-feira simplesmente porque Reinaldo Azevedo divulgou em sua coluna que comunica ao distinto público que, declarado morto por si, anteriormente, Lula “ressuscitou”.

O que espanta é o espanto dessa gente. Há quase três anos que a mídia, a Lava Jato, os partidos de direita, os movimentos antipetistas e uma militância histérica e canalha praticam toda sorte de atrocidades com o ex-presidente.

Nas últimas semanas, fascistas chegaram a organizar manifestações para comemorar a agonia da falecida esposa de Lula em seu leito de morte e, pelo lado da Justiça, Sergio Moro chegou a intimar dona Marisa Letícia a depor na Lava jato no dia de sua missa de sétimo dia. E ainda estão espantados por a população estar enxergando essa campanha infame contra aquele que pesquisas mostram que o Brasil considera o melhor presidente da história.

A Lava Jato, a mídia, os partidos de direita, os movimentos antipetistas e essa militância doentia que ataca Lula sem piedade, sem parar, a toque de golpes baixos vai acabar elegendo-o presidente no primeiro turno, em 2018.

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2017/02/disparada-de-lula-nas-pesquisas-poe-direita-em-panico/

PEC do gasto público e o debate macroeconômico: ciência e ideologia

19.12.2016
Do portal da Agência Carta Maior, 15.12.16
Por Rodrigo Alves Teixeira

A repressão policial às manifestações contrárias à PEC reforça a cada dia que vivemos um estado de exceção que, como disse Walter Benjamin, é a regra.

Lula Marques

Acaba de ser aprovada pelo poder legislativo a PEC do teto para o gasto público, em meio a muitas discussões, alta impopularidade da medida e intensa mobilização social contrária à sua aprovação, seguida por violenta repressão do Estado.
 
A concepção desta PEC é fruto de um debate macroeconômico aparentemente técnico entre keynesianos e ortodoxos sobre se os gastos públicos devem ser elevados ou reduzidos na crise. Para Keynes, que escreveu sua obra magna tratando da Grande Depressão de 1929, uma vez que a crise econômica se manifesta como uma escassez de demanda agregada, e não há mecanismos endógenos ao sistema econômico que incentivem a elevação da demanda privada por consumo ou investimento, apenas um impulso exógeno na demanda, dado pelo gasto do governo, poderia iniciar a recuperação.
 
Já para os economistas ortodoxos, o aumento do gasto tem um efeito danoso ao crescimento, na medida em que produz déficits fiscais que afetam negativamente as expectativas dos agentes do setor privado, que passam a antecipar que no futuro o governo vai precisar elevar os impostos para equilibrar suas contas. Este efeito sobre as expectativas levaria no presente à redução do consumo das famílias e do investimento das empresas, bem como à elevação das taxas de juros pela pressão do governo pelos empréstimos obtidos no mercado financeiro para financiar o déficit.
 
Em suma, o debate em questão é se o efeito nas expectativas, alegado pelos economistas ortodoxos, que é o fundamento da chamada tese da “contração fiscal expansionista” (segundo a qual a redução de gastos incentiva o crescimento econômico), supera ou não o efeito do multiplicador keynesiano dos gastos públicos (segundo o qual a redução do gasto aprofunda a crise econômica).

Um desavisado poderia acreditar que na ciência econômica as controvérsias teóricas como esta são resolvidas de acordo com os cânones popperianos. Karl Popper foi um conhecido filósofo da ciência que defendeu que as teorias, para serem científicas, devem ser suscetíveis de serem falseáveis, refutadas diante das evidências empíricas. Ou seja, a teoria deve poder gerar enunciados universais, como por exemplo, o enunciado de que aumentar o gasto público leva ao crescimento (ou redução) da atividade econômica. E estes enunciados seriam então confrontados com a experiência empírica para testar sua validade.
 
Ocorre que vemos hoje no Brasil um “consenso” teórico que se formou de que a saída para a crise é a de se reduzir os gastos públicos, e que o crescimento virá como um passe de mágica da “fadinha da confiança”, que vai melhorar as expectativas dos agentes que assim passarão a voltar a elevar o consumo e o investimento.
 
Entretanto, não há qualquer consenso acadêmico sobre o efeito da chamada austeridade fiscal em elevar a taxa de crescimento pelo canal da chamada “confiança”. Por outro lado, estudos recentes, inclusive para o Brasil, mostram que os efeitos keynesianos são significativos, principalmente para os gastos sociais e investimentos, e ainda mais nos momentos recessivos (ver um dos vencedores do prêmio do Tesouro Nacional neste ano, Política Fiscal e Ciclo Econômico: uma análise baseada em multiplicadores do gasto público” , artigo de técnicos do Ipea, disponível em http://www.tesouro.fazenda.gov.br/-/xxi-premio-tesouro-nacional-2016).
 
Além disso, diversos estudos recentes, inclusive publicados pelo Fundo Monetário Internacional (insuspeito por ser conhecido pelas suas históricas posições ortodoxas a respeito do controle dos gastos públicos) mostram que após a crise de 2008 a confiança na teoria da contração fiscal expansionista ficou severamente abalada. A austeridade fiscal não produziu a volta do crescimento, e ao contrário, países como os EUA que utilizaram aumento de gastos para estimular a economia tiveram mais sucesso em se recuperar que outros que seguiram pelo caminho da austeridade fiscal (caso mais ilustre o da Grécia). No Brasil, que tem adotado medidas de austeridade desde Joaquim Levy, a economia só afunda, e a mídia continua aplaudindo cortes de gasto e pedindo mais, como uma crença cega.
 
O gráfico abaixo mostra que, após recuperar-se nos meses que se sucederam ao golpe parlamentar, principalmente por conta da condescendência midiática com o governo golpista, a realidade voltou a se impor e a confiança dos empresários industriais está em queda livre, apesar das medidas de austeridade fiscal (ou melhor, austericídio).


Toda a evidência empírica contrária parece ser ignorada pelos economistas ortodoxos que tomaram as rédeas da política econômica após o golpe parlamentar contra a presidente Dilma, bem como pela grande mídia que repete diariamente a ladainha da necessidade de cortar gastos para sair da crise. Os “jornalistas econômicos” da grande mídia, que fazem apologia destas ideias e ridicularizam os que a elas se opõem, falam com tanta convicção como se embasassem suas posições em um saber científico consolidado com fortes evidências factuais e estudos de casos bem sucedidos de aplicação destas políticas.
 
A explicação para o consenso a respeito da necessidade de redução dos gastos não pode ser encontrada na filosofia da ciência, ou seja, na desinteressada busca pela verdade que deveria mover os economistas acadêmicos. A explicação deve ser buscada na sociologia do conhecimento, que relaciona as teorias às ideologias e interesses dos agentes. Não se trata aqui da sociologia do conhecimento enquanto fundamento para entender a origem das teorias ou do conhecimento (epistemologia). Estas, especialmente na ciência econômica, são abundantes em número e as diferentes correntes teóricas convivem simultaneamente.
 
O fundamental é entender porque, dentre as diversas teorias existentes, uma delas se torna hegemônica num certo momento histórico, especialmente com apoio dos grandes meios de comunicação, passando a orientar a ação do Estado, a despeito da falta de evidências de sua validade. E é exatamente isso o que está ocorrendo no Brasil hoje.  
 
Em todas as crises do capitalismo os representantes do capital usam sua influência política sobre o Estado para avançar sobre as conquistas que os mais pobres obtiveram no momento de prosperidade anterior à crise. E então o golpe contra Dilma, a aprovação da PEC do teto de gastos, a reforma da previdência, bem como a violência do Estado contra os que a elas se opõem, mostram o desespero da burguesia em manter seus privilégios e sua participação na nossa distribuição extremamente desigual de renda e riqueza, e estancar o processo, ainda que tímido, de melhoria da distribuição de renda empreendido pelos governos Lula e Dilma.
 
A forma mais direta de se fazer isso é reduzindo os gastos sociais, que foram o maior mecanismo distributivo dos últimos anos. A elevação da taxa de juros também tem um importante papel neste processo redistributivo, ao elevar os ganhos do capital e a parcela do gasto público com o pagamento dos juros da dívida pública, em detrimento dos gastos sociais e dos investimentos. Mas a redução dos gastos sociais e dos investimentos públicos tem também um impacto indireto, pelo seu efeito na redução da atividade econômica e no aumento do desemprego, pela via do multiplicador keynesiano, que estudos empíricos mostram que é mais elevado nos períodos recessivos (ao passo que não há nenhum estudo no Brasil para estimar o efeito das expectativas, alegado pelos defensores da redução do gasto).
 
Em outras palavras, a redução dos gastos públicos, em particular dos gastos sociais e a tentativa de limitar o crescimento do salário mínimo (e desvincular benefícios desta variável), é parte do processo de redução dos custos diretos e indiretos da força de trabalho, sempre levado a cabo durante as crises do capitalismo. E tal redução tende a levar ao retrocesso na distribuição da renda, com a redução da participação dos salários diante dos rendimentos de capital, para o que também a manutenção da elevada taxa de juros contribui consideravelmente, aumentando a transferência de renda para os rentistas detentores de títulos da dívida pública.  
 
A PEC do teto para os gastos públicos não tem, portanto, fundamento científico, como querem fazer crer aqueles que a defendem cegamente. Apenas expressa a hegemonia política de certas classes e grupos sociais que buscam jogar o ônus da crise sobre as classes mais desfavorecidas.
 
Recentemente, o consagrado economista Paul Romer publicou em seu site um artigo polêmico chamado “The trouble with macroeconomics” (“O problema com a teoria macroeconômica”, disponível em https://paulromer.net/the-trouble-with-macro/  ) em que, resumidamente, diz que nos últimos 30 anos a teoria macroeconômica não avançou e que os macroeconomistas se perdem em suas teorias abstratas e se preocupam pouco com os fatos. E, numa espécie de desabafo, criticando a forma como os consensos são formados na teoria macroeconômica, acrescenta ainda que os economistas se preocupam mais com manter amigos que com os fatos.
 
Ainda que seja louvável um economista porte de Romer reconhecer publicamente as limitações e insuficiências de seus pares e da forma de se fazer ciência em seu campo de pesquisa, é preciso ressaltar a ingenuidade desta “descoberta”, que na verdade é apenas um reconhecimento que, como ele próprio escreve, já é sabido por diversos de seus pares, mas que publicamente não gostariam de revelar.
 
Ingenuidade porque o artigo termina quase que como conclamando os seus pares a darem mais importância aos fatos que aos amigos, ou seja, Romer parece recorrer a uma espécie de sociologia do conhecimento cujo fundamento é a amizade, como se esta fosse o elemento subjetivo a desviar os cientistas da busca do conhecimento objetivo e isento, e não os interesses dos agentes que se beneficiarão com as medidas econômicas que derivam das teorias que se tornam hegemônicas.
 
Uma combinação de sociologia do conhecimento com as abordagens teóricas que buscam entender as hegemonias políticas de certas classes e grupos e sua influência ideológica (bem como o poder da mídia) explicam mais a hegemonia de certos modelos econômicos e as medidas que deles derivam que a realização de testes empíricos ou qualquer filosofia da ciência, e mais ainda que a “sociologia do amiguinho” de Romer. Mais Karl Mannheim e menos Karl Popper.
 
É muito bom contar com estudos científicos que mostrem como a redução do gasto público pode estar aprofundando a crise ao invés de ajudar a superá-la. Mas é importante ter claro que o que está por trás das políticas econômicas adotadas não é o debate científico de sujeitos do conhecimento isentos e bem-intencionados, mas sim a luta política entre sujeitos históricos que são velhos inimigos, desde o início do capitalismo: a velha e “antiquada” luta de classes.
 
A violenta repressão policial às manifestações contrárias à PEC reforça a cada dia que vivemos um estado de exceção que, como disse Walter Benjamin em uma de suas teses sobre a História, é a regra. Em particular quando os interesses dos poderosos são questionados, todos os direitos e conquistas que até então pareciam sólidos, desmancham no ar. A mobilização social é imprescindível para impedir a investida contra as conquistas sociais da Constituição de 88 e dos governos Lula e Dilma.

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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/PEC-do-gasto-publico-e-o-debate-macroeconomico-ciencia-e-ideologia/7/37465

PSDB GOLPISTA: Líder do PT denuncia golpe dentro do golpe e diz que PSDB quer o poder

14.12.2016
Do portal BRASIL247

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A crise institucional, política e econômica pelas quais o país passa, que cresce de forma explosiva desde o início da gestão Michel Temer (PMDB) há sete meses, levou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), a dizer que o PSDB quer aplicar um “golpe dentro do golpe”, articulando agora a queda de Temer do poder depois do “trabalho sujo” feito pelo PMDB; “Nós, do PT, não queremos derrubar A, B ou C. O governo já morreu e não sabe ainda. Agora, aqueles que querem derrubar o presidente ilegítimo Michel Temer para aplicar um golpe dentro do golpe. A única saída para essa crise que vivemos é pela democracia, por meio de uma eleição direta presidencial”, afirmou

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/pernambuco247/270442/Líder-do-PT-denuncia-golpe-dentro-do-golpe-e-diz-que-PSDB-quer-o-poder.htm

Quem pagou o pato de Paulo Skaf foi a Odebrecht

14.12.2016
Do blog DIÁRIO DE CENTRO DO MUNDO03.11.16
Por Mauro Donato

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E então a campanha daquele engravatado senhor, deus do templo piramidal da avenida Paulista, foi paga com caixa 2. Surpreso, meu caro? Só se o leitor for alguém que toma sorvete com a testa, não é mesmo?

O marqueteiro Duda Mendonça tomou conhecimento de que seu nome está entre os citados na delação que a Odebrecht vem tratando na Operação Lava Jato. Decidiu então procurar a PGR (Procuradoria-Geral da República) para negociar a sua delação.

Como responsável pela campanha de Paulo Skaf (PMDB) para governador de São Paulo em 2014, a empresa de Duda Mendonça (Votemim Escritório de Consultoria Ltda), teria recebido R$ 4,1 milhões ‘por dentro’. A campanha custou bem mais que isso e o restante, o ‘por fora’, foi pago pela Odebrecht via caixa 2. Que coisa, não?

Duda Mendonça foi o marketeiro de Lula em 2002. Envolto no imbróglio do mensalão, esteve em risco de ficar preso. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, concluiu que ele não teria como saber a origem dos recursos com os quais seu trabalho na campanha de marketing foi quitada e ele acabou absolvido das acusações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Não havia o espetáculo das delações à época e tudo o que Duda disse foi que parte de seus pagamentos era efetuada através de Marcos Valério.

Por que Duda Mendonça faria de novo, agora para o deus-pato? Porque é o modus operandi histórico na política brasileira. Algo que sempre existiu, com participação de todos, e que os golpistas fizeram o possível para colar apenas na imagem do PT. Ou era assim ou não se fazia campanha para partidos. Alguém ainda não entendeu isso?

O mais doloroso nos dias atuais é constatar que todas as previsões, todos os alertas feitos a respeito das reais intenções do que estava em curso travestido de combate à corrupção para extirpar Dilma Rousseff e o PT se confirmam candidamente.

Todo aquele carnaval era na verdade para brecar a Lava Jato? Claro. Está funcionando? Sem dúvida. Toda aquela indignação em verde e amarelo tinha como finalidade impor mais sacrifícios ao povo enquanto o poder e a elite permanecerão gozando de privilégios? Sim, sim, isso mesmo.

Veja com que idade se aposentaram e quais os vencimentos de Michel Temer, Geddel Vieira Lima, Eliseu Padilha, toda aquela turma que deseja que o povo agora se esfalfe e trabalhe por mais tempo. Somando aposentaria e salários de seus cargos, ganham muito acima do teto do funcionalismo público. Mas teto para despesas voltadas ao amparo social serão respeitadas, certo?

Todo esse movimento queria mesmo é aprovar uma anistia ampla, geral e irrestrita de todas as ilicitudes cometidas até então e tocar a vida em paz? Obvio. Está dando certo? Estão a caminho. “Ah, mas veja, o Skaf está exposto agora.” É ruim, hein? Em breve desaparecerá das notícias. Com essa turma não pega nada. Aécio Neves vem à baila e some. José Serra esteve nas manchetes por um dia e depois desaparece. Geraldo Alckmin deita e rola e, impeachment que é bom, nem pensar.

Paulo Skaf apregoava que você não deveria pagar o pato, era preciso mudança, e bla bla bla. Está aí o resultado. Tomou?

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Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/quem-pagou-o-pato-de-paulo-skaf-foi-a-odebrecht-por-mauro-donato/