Como manter uma colônia ou eliminar um concorrente em 15 passos

29.01.2018
Do portal REDE BRASIL ATUAL, 21.01.18
Por Mauro Santayana

terraArte RBA | Foto: Fundos Animais terra

Inspirados pelo livro de 1937, de Dale Carnegie, Como fazer amigos e influenciar pessoas, e por personagens recentes de nossa história, subitamente elevados à condição de celebridades, ousamos, como no caso do Pequeno Manual do Grande Manuel, aventurar-nos no atrativo mercado das obras de autoajuda, em 15 passos (dois a mais que os alcoólatras anônimos) com o tema “Como manter uma colônia ou eliminar um concorrente”. Sem mais preâmbulos, vamos à receita:

1. Comece por cortar a sua possibilidade de financiamento, apoiando a criação de leis que impeçam o seu endividamento, mesmo que ele tenha uma das menores dívidas públicas entre as 10 maiores economias do mundo e centenas de bilhões de dólares em reservas internacionais; que você esteja devendo muito mais do que ele com relação ao PIB, e que ele seja o seu quarto maior credor individual externo.

2. Apoie, por meio de uma mídia comprada e cooptada ideologicamente e também de entrevistas de “analistas” do “mercado”, estudos e “relatórios” de “consultorias de investimento” controladas a partir de seu país e da pressão de agências de classificação de risco, às quais você não daria a menor bola, um discurso austericida, privatista e antiestatal para a economia do seu concorrente.

Com isso, você poderá retirar das mãos dele companhias que possam servir de instrumento para o seu desenvolvimento econômico e social; inviabilizar o seu controle sobre o orçamento público e eliminar a sua liberdade de investimento em ações estratégicas que possam assegurar um mínimo de independência e soberania em médio e longo prazo.

3. Empresas estatais são perigosas e devem ser eliminadas, adquiridas ou controladas indiretamente. Elas podem ser usadas por governos nacionalistas e desenvolvimentistas (que você considera naturalmente hostis) para fortalecer seus próprios povos e países contra os seus interesses.

4. Aproveite o discurso austericida do governo fantoche local para destruir o seu maior banco de fomento à exportação e ao desenvolvimento, aumentando suas taxas de juro e obrigando-o a devolver ao Tesouro, antecipadamente, centenas de bilhões em dívidas que poderiam ser pagas, como estava estabelecido antes, em 30 anos, impedindo que ele possa irrigar com crédito a sua economia e apoiar o capital nacional, com a desculpa de diminuir – simbólica e imperceptivelmente – a dívida pública.

5. Estrangule a capacidade de ação internacional de seu adversário, eliminando, pela diminuição da oferta de financiamento, o corte de investimentos e a colocando sob suspeita de ações de desenvolvimento em terceiros países, qualquer veleidade de influência global ou regional.

Com isso, você poderá minar a força e a permanência de seu concorrente em acordos e instituições que possam ameaçar a sua própria hegemonia e posição como potência global, como o é o caso, por exemplo, da Unasul, do Conselho de Defesa da América do Sul, do Brics ou da Organização Mundial do Comércio.

6. Faça com que as forças que lhe são simpáticas paralisem, judicialmente – no lugar de exigir que se finalizem as obras, serviços e produtos em andamento – todos os projetos, ações e programas que puderem ser interrompidos e sucateados, provocando a eliminação de milhões de empregos diretos e indiretos e a quebra de milhares de acionistas, investidores, fornecedores, destruindo a engenharia, a capacidade produtiva, a pesquisa tecnológica, a infraestrutura e a defesa do país que você quer enfraquecer, gerando um prejuízo de dezenas, centenas de bilhões de dólares em navios, refinarias, oleodutos, plataformas de petróleo, sistemas de irrigação, submarinos, mísseis, tanques, aviões, rifles de assalto, cuja produção será interrompida, desacelerada ou inviabilizada, com a limitação, por lei, de recursos para investimentos, além de sucessivos bloqueios e interrupções judiciais.

7. Concomitantemente, faça com que a abjeta turma de sabujos – alguns oriundos de bancos particulares – que está no governo, sabote bancos públicos que não estão dando prejuízo, fechando centenas de agências e demitindo milhares de funcionários, para diminuir a qualidade e a oferta de seus serviços, tornando as empresas nativas e o próprio governo cada vez mais dependentes de instituições bancárias – que objetivam primeiramente o lucro e cobram juros mais altos – privadas e internacionais.

8. Abra no território do seu pseudoconcorrente escritórios de forças “policiais” e de “justiça” do seu país, para oferecer ações conjuntas de “cooperação” com as forças policiais e judiciais locais.

Você pode fazer isso tranquilamente – oferecendo até mesmo financiamento de “programas” conjuntos – passando por cima do Ministério das Relações Exteriores ou do Ministério da Justiça, por exemplo, porque as forças policiais e judiciais do seu concorrente não sabem como funciona o jogo geopolitico nem tem o menor respeito pelo sistema político e as instituições vigentes, que são constantemente erodidas pelo arcabouço midiático e acadêmico – no caso de universidades particulares – já cooptados, ao longo de anos, por você mesmo.

9. Seduza, “treine” e premie, com espelhinhos e miçangas – leia-se homenagens, plaquinhas, diplomas, prêmios em dinheiro e palestras pagas – trazendo para “cursos”, encontros e seminários, em seu território, com a desculpa de “juntar forças” no combate ao crime e ao “terrorismo” e defender e valorizar a “democracia”, jornalistas, juízes, procuradores, membros da Suprema Corte, “economistas”, policiais e potenciais “lideranças” do país-alvo, mesmo que a sua própria nação não seja um exemplo de democracia e esteja no momento sendo governada por um palhaço maluco racista e protofascista com aspirações totalitárias.

10. Arranje uma bandeira hipócrita e “moralmente” inatacável, como a de um suposto e relativo combate à corrupção e à impunidade, e destrua as instituições políticas, a governabilidade e as maiores empresas do seu concorrente, aplicando-lhes multas bilionárias, não para recuperar recursos supostamente desviados, mas da forma mais punitiva e miserável, com base em critérios etéreos, distorcíveis e subjetivos, como o de “danos morais coletivos”, por exemplo.

11. Dificulte, pelo caos instalado nas instituições, que lutam entre si – em uma demoníaca fogueira das vaidades – por mais poder e visibilidade, e a prerrogativa de fechar acordos de leniência, o retorno à operação de empresas afastadas do mercado.

Prenda seus principais técnicos e executivos forçando-os a fazer delações sem provas – incluídos cientistas envolvidos com programas de defesa – destruindo a sua capacidade de negociação, gestão e competição, no âmbito público e no privado.

Levante suspeitas, com a ajuda da imprensa e da mídia local, sobre ações e empresas que atuam na área de defesa, como no caso do enriquecimento de urânio, da construção de submarinos, também nucleares, e do desenvolvimento conjunto com outros países – que não são o seu – de caças-bombardeios para a Aeronáutica.

12. Corte o crédito e arrebente com a credibilidade das empresas locais e o seu valor de mercado, arrastando, com a cumplicidade de uma imprensa irresponsável e apátrida, seus nomes e marcas na lama, tanto no mercado interno quanto no internacional, fazendo com que os jornais, emissoras de TV e de rádio “cubram” implacável e exaustivamente cada etapa de sua agonia, dentro e fora do país, para explorar ao máximo o potencial de destruição de sua reputação junto à opinião pública nacional e estrangeira.

13. Colha o butim resultante de sua bem sucedida estratégia de destruição da economia de seu concorrente, adquirindo, com a cumplicidade do governo local – que jamais teve mandato popular para isso – fabulosas reservas de petróleo e dezenas de empresas, entre elas uma das maiores companhias de energia elétrica do mundo, ou até mesmo a Casa da Moeda, a preço de banana e na bacia das almas.

Faça a sua justiça impor, implacavelmente, indenizações a grandes empresas locais para compensar acionistas residentes em seu território.

Afinal, no trato com suas colônias, o capitalismo de bolsa, tipicamente de risco, não pode assumir nada mais, nada menos, do que risco zero.

Se as ações caírem, quem as comprou deve ser bilionariamente compensado, com base em estórias da carochinha montadas com a cumplicidade de “relatórios” produzidos por empresas de “auditoria” oriundas do seu próprio país-matriz, mesmo aquelas conhecidas por terem estado envolvidas com diferentes escândalos e irregularidades.

14. Impeça a qualquer preço o retorno ao poder das forças minimamente nacionalistas e desenvolvimentistas que você conseguiu derrubar com um golpe branco, jogando contra elas a opinião pública, depois de sabotar seus governos por meio de simpatizantes, com pautas-bomba no Congresso e manifestações insufladas e financiadas, do tipo que você já utilizou com sucesso em outros lugares, em ações coordenadas de enfraquecimento e destruição da estrutura nacional local, como no caso do famigerado, quase apocalíptico, esquema da “Primavera Árabe” ou a tomada do poder na Ucrânia por governos de inspiração nazista.

15. Finalmente, faça tudo, inclusive no plano jurídico, para que se entregue a sua colônia a um governo que seja implacável contra seus inimigos locais e dócil aos seus desejos e interesses, a ser comandado de preferência por alguém que já tenha batido continência para a sua bandeira e gritado o nome de seu país entusiástica e publicamente.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/136/como-manter-uma-colonia-ou-eliminar-um-concorrente-em-15-passos

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Na íntegra, a PEC da reforma da Previdência

28.12.2016
Do portal CONGRESSO EM FOCO, 06.12.16

 PEC 287 prevê regras iguais para homens e mulheres, tanto para o serviço público quanto para o privado, idade mínima de 65 anos para aposentadoria e exigência de 25 anos de contribuição. Proposta começa a tramitar na Câmara

Regras iguais para homens e mulheres, tanto para o serviço público quanto para o privado, idade mínima de 65 anos para aposentadoria e exigência de 25 anos de contribuição, tempo que pode chegar a 49 anos para acesso ao benefício integral. Esses são apenas alguns dos pontos que devem causar polêmica na votação da proposta de reforma da Previdência, detalhada nesta terça-feira (6) pelo governo federal. As mudanças vão tramitar na forma da PEC 287/2016, entregue às 23h58 dessa segunda-feira (5) à Câmara. Nesta manhã, a Casa Civil pediu a devolução do texto para ajustes. Mas já devolveu a nova versão. Confira a íntegra da proposta:

http://static.congressoemfoco.uol.com.br/2016/12/PEC-287-2016.pdf

Segundo o secretário de Previdência, Marcelo Caetano, a única categoria que não será afetada pela PEC será a dos militares. No caso das Forças Armadas, o assunto será tratado por projeto de lei. Já os bombeiros e os policiais militares terão sua situação definida nos próprios estados. Pela proposta do presidente Michel  Temer, para ter direito a 100% do teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – hoje R$ 5.189,22 –, o trabalhador terá de contribuir por 49 anos para a Previdência. Com as mudanças, o governo federal estima deixar de gastar R$ 740 bilhões entre 2018 e 2017. A PEC, no entanto, deve enfrentar resistência no Congresso.

Mais sobre reforma da Previdência

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Fonte:http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/conheca-na-integra-a-pec-da-reforma-da-previdencia-de-temer/

DILMA: TEMER É TRAIDOR, TRAIU UMA INSTITUIÇÃO, TRAIU UMA CAMPANHA

18.12.2016
Do portal BRASIL247

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/271012/Dilma-Temer-%C3%A9-traidor-traiu-uma-institui%C3%A7%C3%A3o-traiu-uma-campanha.htm

Cientista político chama atenção sobre Moro e Janot

12.12.2016
Do portal da Agência Carta Maior, 10.12.16
Por Mario Augusto Jakobskind (*)

Cientista político alerta os brasileiros sobre o juiz Moro e o Procurador Geral da República, por considerar que eles “atuam com os EUA contra o Brasil” 

Reprodução

Luiz Alberto Moniz Bandeira, autor do importante livro “A Desordem Mundial – o espectro da total dominação”, que apresenta aos leitores informações geralmente omitidas pelos meios de comunicação conservadores, acabou de mais uma vez brindar os brasileiros com revelações sobre a Operação Lava Jato.
 
Moniz Bandeira, cientista político, e analista abalizado do momento atual, tanto nacional como internacional, alerta os brasileiros sobre o juiz Sérgio Moro e o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, por considerá-los que “atuam com os Estados Unidos contra o Brasil”
 
Conhecido também por dissecar o poderio norte-americano na desestabilização de países, Moniz Bandeira garante que Moro e Janot “avançam nos prejuízos provocados ao país e à economia nacional”.
 
Para o cientista político, “os prejuízos que causaram e estão a causar à economia brasileira, paralisando a Petrobras, as empresas construtoras nacionais e toda a cadeia produtiva, ultrapassam, em uma escala imensurável, todos os prejuízos da corrupção que eles alegam combater. O que estão a fazer é desestruturar, paralisar e descapitalizar as empresas brasileiras, estatais e privadas, como a Odebrecht, que competem no mercado internacional, América do Sul e África”.


 
Numa longa entrevista, Moniz Bandeira adverte que “a delação premiada é similar a um método fascista e Isso faz lembrar a Gestapo ou os processos de Moscou, ao tempo de Stálin, com acusações fabricadas pela GPU (serviço secreto)”.
 
Moniz Bandeira também não poupa o golpista usurpador Michel Temer, por entender que ele “não governa”, mas segue apenas as coordenadas do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, “representante do sistema financeiro internacional”.
 
E, segundo ainda Moniz Bandeira, não há dúvidas quanto ao propósito do golpista Temer de “jogar o peso da crise sobre os assalariados, para atender à soi-disant, ‘confiança do mercado’, isto é, favorecer os rendimentos do capital financeiro, especulativo, investido no Brasil, e de uma ínfima camada da população – cerca de 46 bilionários e 10.300 multimilionários”.

Os alertas de Moniz Bandeira são importantes de serem conhecidos pelo povo brasileiro, que só tem tido informações através da cobertura midiática conservadora e reflexões dos tais colunistas de sempre. Assim sendo, leitores dos jornalões e telespectadores dos telejornalões só estão formando opinião com base em um noticiário de uma fonte, o tal “samba de uma nota só”.

Com isso, movimentos que se apresentam como apologistas da luta contra a corrupção, de linha ideológica nitidamente de direita, conseguem manipular setores da opinião pública que passaram pela lavagem cerebral e saem às ruas estimulados pelos meios de comunicação eletrônicos que destacam as mobilizações, inflando-as de forma a repercutir nacionalmente e com o objetivo claro de criar um fato político.

Foi o que aconteceu no último domingo (4), quando os telejornalões noticiaram com alarde, não escondendo o estímulo dos telespectadores a participar das manifestações em defesa da Operação Lava Jato que é apresentada como a única forma de combater a corrupção, omitindo informações apresentadas pelo cientista político Moniz Bandeira.

O Senador Roberto Requião, inclusive em tom irreverente, considerou os manifestantes que imaginam estar combatendo a corrupção como “mentecaptos manipuláveis”, exatamente pelo fato de estarem se guiando por informações da mídia conservadora que omite advertências com as apresentadas pelo cientista político Moniz Bandeira.

(*) Publicado originalmente no Brasil de Fato

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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Cientista-politico-chama-atencao-sobre-Moro-e-Janot/4/37418

Temer e a indignidade de renegar a campanha que lhe deu o poder

28.11.2016
Do blog TIJOLAÇO
Por  FERNANDO BRITO 

A manchete da Folha de S. Paulo, hoje, revelando que o pagamento dos auxiliares de Michel Temer na campanha vinha do comitê financeiro da chapa que formou com Dilma Rousseff na eleições de 2014 só acrescenta mais um pouco de sordidez à tentativa do atual presidente de provocar a separação das contas eleitorais de modo que o TSE “casse” (estranho, porque caçada já está) a ex-presidenta e deixe incólume o vice usurpador.

Não foram auxiliares eventuais, que tenha sido colocados pelo comando da campanha para dar suporte ao então vice. Trata-se de pessoas do círculo de intimidades de Temer, que estão hoje em postos importantes no seu governo. Um deles, até, seu ex-advogado junto ao próprio TSE, como revela o texto da repórter Cátia Seabra.

Depois do cheque que “era propina” quando dito que iria para campanha e virou“contribuição espontânea quando se provou que fora pago a Temer, é mais um fato a provar a pequenez moral do ex-vice e, sobretudo, o escandaloso – e cada vez mais difícil – casuísmo de pretender separar as contas de campanha.

E a comprovar, – se ainda fosse preciso, depois das traições, das conspirações, dos geddéis – que a estatura moral de Michel Temer habita um escuro subsolo.

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Fonte:http://www.tijolaco.com.br/blog/temer-e-indignidade-de-renegar-campanha-que-lhe-deu-o-poder/

Globo ameaça próximos presidentes no seu editorial pós-golpe

01.09.2016
Do blog O CAFEZINHO
Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho

No dia 31 de agosto de 2013, exatos 3 anos antes do golpe midiático/judicial/parlamentar de 2016, foi publicado um editorial no Globo afirmando que o apoio do jornal ao golpe de 64 foi um erro.

A Globo reconhece o erro mas ao mesmo tempo tenta justificá-lo: outros grandes jornais também apoiaram, havia o temor de que Jango instaurasse uma ‘república sindical’, ‘a intervenção fora imprescindível para a manutenção da democracia’, etc.

Em um trecho o editorial afirma o seguinte:

A História não é apenas uma descrição de fatos, que se sucedem uns aos outros. Ela é o mais poderoso instrumento de que o homem dispõe para seguir com segurança rumo ao futuro: aprende-se com os erros cometidos e se enriquece ao reconhecê-los.

A Globo, no entanto, não aprendeu com os próprios erros.

Podemos dizer com segurança que a empresa da família Marinho é a grande protagonista do golpe de 2016.

Afinal, sem o seu jornalismo furiosamente antipetista e macartista (não só o jornalismo, mas também através de mensagens subliminares nos seus programas de entretenimento: na minissérie ‘Felizes Para Sempre?’, de 2015, por exemplo. há uma cena em que aparece um quadro de Che Guevara na casa luxuosa de um empreiteiro corrupto, numa clara tentativa de ligar a corrupção à esquerda, quando o perfil de empreiteiros corruptos na realidade está muito mais para eleitor de Aécio Neves); sem a sua parceria com a Lava Jato, utilizando vazamentos seletivos para manipular a opinião pública, tentar interferir na eleição de 2014 e depois derrubar o governo; sem o seu poder de assassinar reputações que intimida deputados, senadores e ministros dos tribunais superiores; e sem a convocação do exército coxinha com cobertura em tempo real das manifestações da direita o golpe não seria possível.

O editorial do Globo de hoje, o dia seguinte ao golpe de 2016, é um festival de cinismo, soberba e ameaças.

Não vem com a mentira do editorial do dia seguinte ao golpe de 1964 – Ressurge a Democracia -, mas começa ameaçando os próximos presidentes: o título é ‘Para que jamais haja outro impeachment’ e o subtítulo ‘A partir de agora, governante que desejar tomar atalhos, e não apenas no manejo do orçamento, para contornar a Carta, sabe o risco que corre’.

No final do editorial fica claro que na verdade não são os governantes que ‘contornam a Carta’ que correm o risco de serem apeados do poder:

A partir de agora, qualquer governante que pense em atalhos à margem da lei, no manejo orçamentário, precisará refletir sobre as implicações de seus atos. O mesmo vale para delírios no campo político-institucional. O fortalecimento não é apenas das cláusulas da responsabilidade fiscal, mas da Constituição como um todo, para desaconselhar de vez projetos bolivarianos como o do lulopetismo. Serve de aviso geral à nação.

O impeachment de Dilma serve para “desaconselhar de vez projetos bolivarianos como o do lulopetismo”.

Não é ‘só um aviso geral à nação’, mas uma ameaça aos eleitores e próximos presidentes, feita pela auto-proclamada suprema comandante do país, a Globo: ou o governo se alinha ideologicamente aos Marinho ou cedo ou tarde será derrubado.

Neste trecho, todo o cinismo da Globo:

São um feito os dois impeachments (Collor e Dilma), sem rupturas, num continente cuja trajetória é pontilhada de acidentes institucionais e autoritários, à direita e à esquerda, tendo como ligação, entre esses dois campos que se opõem, o nacionalismo, muitas vezes turbinado pelo populismo, como tem sido na tragédia do chavismo e foi na debacle do lulopetismo, com a mais grave desestabilização da economia brasileira na República.
É de notável ineditismo, na América Latina, o fato de esses incidentes institucionais no país serem contornados sem as rupturas clássicas na região.

Uma empresa que apoiou a ditadura militar chamar os governos ‘lulopetistas’ e o chavismo de autoritários é positivamente ridículo.

E afirmar que o impeachment de Dilma se deu ‘sem ruptura’ é um escárnio.

Mas, como diz Jânio de Freitas em sua coluna de hoje na Folha, ‘nenhum golpista já admitiu ser golpista’.

A Globo ainda lembra várias vezes, no editorial, a ligação de Dilma com Brizola, tripudiando, após essa vitória suja, em cima de seu mais feroz combatente. Outro trecho:

No processo contra Dilma, não há acusações de corrupção, mas crimes que têm a ver com a visão ideológica lulopetista, com o tempero brizolista da ex-presidente. Não passou despercebido que, ao se defender no Senado, Dilma Rousseff usou tática do guia Leonel Brizola: nunca responder as perguntas e falar o que quiser.

Mais uma vez fica claro que o crime de Dilma, para a Globo, foi ter uma visão ideológica ‘lulopetista com tempero brizolista’, portanto desalinhada com o que os Marinho querem para o país: neoliberalismo selvagem e a conta da crise paga pelo povo, para que sua fortuna e seus privilégios permaneçam intocados.

O cientista político Moniz Bandeira afirmou, quando recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia, que ‘uma potência é muito mais perigosa quando está em decadência do que quando conquista o seu império’.

Com audiências minguando ano a ano – a internet e o Netflix vão acabar com a televisão como a conhecemos – e a narrativa política sendo disputada por sites progressistas, a Globo é uma potência em decadência.

E provou estar correta a frase de Moniz Bandeira, atuando decisivamente para que estejamos vivendo mais um golpe em nosso país.

Apenas 3 anos depois de afirmar que foi um erro o apoio ao golpe de 64.

Mas em algum momento a decadência será irreversível, e aí uma eventual admissão de culpa por mais um crime contra a democracia será muito pouco.

O fim do monopólio inconstitucional da Globo nas telecomunicações virá, de um jeito ou de outro.

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/09/01/globo-ameaca-proximos-presidentes-no-seu-editorial-pos-golpe/

Brasil regride 52 anos em 5 minutos – O que nos aguarda?

31.08.2016
Do blog O CAFEZINHO
Por Bajonas Teixeira

54 MILHÕES DE VOTOS ROUBADOS(Charge: Lorenzo)

Por Bajonas Teixeira de Brito Junior, colunista do Cafezinho

Decorridos 52 anos e alguns meses após o golpe de 31 de março de 1964, o Brasil assiste à finalização de outro golpe, novamente no dia 31, dessa vez de agosto. Agosto, mês nefasto, em que coincidiram algumas tragédias políticas no país, agora é potencializado pela data também politicamente maldita, o 31.

Como tudo correu muito bem para os golpistas, e a sorte lhes sorriu com todas as cumplicidades da mídia, dos empresários e do judiciário, e lhes deu a vitória, uma vitória expressiva, acima das expectativas – reeditando o que ocorreu na Câmara –, o caminho está traçado não para uma simples mudança, mas para reinaugurar um novo velho Brasil.

Como disse uma vez Millor, “o Brasil tem um longo passado pela frente”.

Esse Brasil velho, arcaico, volta feroz, disfarçado de pós-moderno, com as redes sociais e as piadas racistas de Danilo Gentili. Com a pirâmide da FIESP iluminada de verde e amarelo, e o pato roubado do artista holandês Florentijn Hofman.

Esse será o novo cripto-pós-moderno maravilhoso mundo de Danilo Gentili, que como diz em seu site é “um publicitário, humorista, escritor, cartunista, repórter brasileiro e empresário. Faz parte da nova geração de humor, a da stand-up comedy.” Um homem universal, como se dizia no renascimento, uma espécie de Leonardo Da Vinci, só que da escória, que agora estará no país dos seus sonhos, feliz como pinto no lixo.

Mas por falar em pós-moderno, um dos seus índices mais ostensivos é a proliferação das redes sociais que, em especial no Brasil, ganha a forma da esmagadora presença do Facebook. Gentili tem 12.619.753 curtidas no seu site.

Outro que já mostra números astronômicos no Facebook, é Jair Bolsonaro, que tinha 2.492.562 curtidas em 13 de março e hoje já conta com 3.321.738. Nada mau, não?

Embora estejamos esquecendo um tema que já esteve mais presente, o fato é que o golpe tem como um dos seus vértices a bancada BBB, da bíblia, do boi e da bala. Serão essas forças que passarão a dominar (em nome da FIESP, dos bancos, do agronegócio) no caso do êxito do golpe hoje. Uma vasta cultura do extermínio haverá que tomar conta do país.

E, para isso, a destruição do estado de direito, da cultura jurídica e da Constituição – assuntos que ganharam o primeiro plano em março, com a condução forçada de Lula, mas que foram passando para o segundo plano nos meses seguintes – será fundamental. Como mostramos, e muitos outros o fizeram também, a gestão de Alexandre de Moraes à frente do ministério da Justiça representa a entronização do estado policial.

Como esse estado reagirá no caso de protestos de rua com grandes massas pedindo o fim do governo Temer? Do mesmo modo, violento e bárbaro, que o estado de São Paulo reagiu contra os estudantes nas ocupações, sob o comando do mesmo Alexandre de Moraes. Só que com uma diferença de escala e, portanto, também uma diferença do número de vítimas.

Estas ações, contudo, dificilmente encontrarão, depois de todos esses meses em que o STF jogou em consonância com os interesses do golpe – por exemplo, dando a Cunha meses e meses antes de afastá-lo da  direção da Câmara, possibilitando que fosse ele o arquiteto do impeachment –, um Judiciário capaz de fazer frente ao arbítrio e à truculência. Ao contrário, terá nele o seu maior aliado.

Tendo sido desmontadas as estruturas do estado que pudessem, minimamente, invocar os direitos humanos, desfeito o estado de direito, garantida a cumplicidade do Judiciário, com um Ministério Público alinhado, ficará aberta a porta para as repressões em grande escala. Por quê, por exemplo, não fazer como se fez com os ‘terroristas’ presos por ‘planejarem um ataque’ quando estudantes organizarem protestos contra o governo Temer? Por quê não levar os líderes, mantendo-os incomunicáveis, para penitenciárias no interior do país, onde até o acesso dos advogados se veja bastante dificultado?

E os movimentos sociais? A reversão das políticas sociais previsivelmente abrirá confrontos severos com a repressão, armada até os dentes,  e manifestantes, devendo ultrapassar em violência o que vimos na desocupação de Pinheirinho, em 2012, e na repressão aos professores pela polícia do governador Beto Richa, em 2015.

Será preciso ampliar o já existente e ‘eficaz’ cinturão de aço e chumbo, em que o chicote da repressão ricocheteia 24 horas por dias contra as periferias, para disciplinar os potenciais rebeldes pelo pavor. “O Brasil”, se dirá, “precisa de tranquilidade e de paz para trabalhar e crescer”. De fato.

Ontem uma matéria do UOL, com dados levantados pela revista “Forbes Brasil”, noticiava o aumento do número de bilionários no Brasil:

Mesmo com a crise econômica, o número de brasileiros com mais de R$ 1 bilhão subiu de 160, em 2015, para 165 neste ano, de acordo com o ranking de bilionários da revista “Forbes Brasil”

A matéria recebeu o título Apesar da crise, aumenta o número de brasileiros em ranking de bilionários. Esse título é incorreto porque muito provavelmente não foi “apesar” da crise, mas “por causa” da crise, que o processo de concentração de renda avançou vorazmente no país.

Em todas as análises dignas de crédito, se reafirma a convicção de que o sucesso do golpe, o fato de ter soldado tão firmemente as elites econômicas do país, à despeito dos interesses conflitantes que normalmente as separam, deve ser posto na conta de um desejo de reinserir o país dentro da globalização, processo que foi em parte sustado com o advento do primeiro governo Lula.

O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos tem sido a voz mais lúcida e constante nesse diagnóstico.

Mas o que significará o recrudescimento da concentração selvagem de renda em um país em que a favelização, a miséria, a violência, avançam aceleradamente, ao ponto de hoje o homicídio por motivos banais já ser uma febre na própria classe média? Significaria que chegaremos ao paroxismo de insegurança nas grandes cidades, que levará à saída de sempre, o reforço do combate à violência com o uso da violência policial.

Mas, se todas as estatísticas apontam que a nossa violência policial já ocupa os primeiros lugares no ranking mundial, onde vamos chegar?

A convergência da violência repressiva política com a violência policial contra as periferias, será a parteira do Brasil do futuro, do maravilhoso mundo dos Gentilis e Bolsonaros. Esse é o verdadeiro conjunto da obra que devemos vislumbrar desde agora.

Bajonas Teixeira de Brito Júnior – doutor em filosofia, UFRJ, autor dos livros “Lógica do disparate”, “Método e delírio” e “Lógica dos fantasmas”. É professor do departamento de comunicação social da UFES

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/08/31/brasil-regride-52-anos-em-5-minutos-o-que-nos-aguarda/