Por que é um crime doar a Petrobras à Shell

24.11.2017
Do blog CONVERSA AFIADA, 23.11.17
Por Paulo Henrique Amorim

Ricardo Maranhão: sem controlar a energia não há futuro

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Mishell cumpriu ordens do ministro inglês

Ricardo Maranhão é conselheiro da AEPET – Associação dos Engenheiros da Petrobras.

Engenheiro mecânico, formado pela Escola Nacional de Engenharia da antiga Universidade do Brasil, trabalhou na estatal por mais de 30 anos. Foi também deputado federal e vereador pelo PSB do Rio de Janeiro.

Maranhão foi um dos idealizadores, em 1979, da campanha que resultou no pagamento dos “royalties” da indústria de petróleo – importante fonte de recursos para estados e municípios brasileiros.

No último dia 24/X, o site do Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul publicou um importante artigo de Ricardo Maranhão, de título Petróleo, Petrobras, Tecnologia e Soberania Nacional. Nele, o autor traça a importância geopolítica da indústria do petróleo e a consequência, para o futuro do Brasil, dos ataques do governo do MT e da Lava Jato à Petrobras.

O texto também será publicado em uma revista da Escola Superior de Guerra, com o título Geopolítica e Poder: Brasil, uma Potência Mundial Energética?

A íntegra do artigo está disponível neste link, em formato PDF.

Conversa Afiada reproduz, abaixo, os pontos principais do texto:

– Energia é fundamental para uma civilização. O consumo de energia define o grau de desenvolvimento de um povo!
– A matriz energética brasileira é uma das mais limpas do mundo! Mais de 11% da eletricidade brasileira vem das hidrelétricas, 17% dos derivados da cana de açúcar (biocombustíveis) e 5,3% de outras fontes renováveis (solar, eólica e outros modelos)

– Ainda assim, o petróleo e derivados respondem por 37,3% da matriz brasileira.
– A importância do petróleo decorre não apenas de sua participação na produção de energia, mas por todos os seus produtos derivados: indústria química, fertilizantes, plásticos, etc.
– O petróleo é fundamental para o desenvolvimento e a segurança econômica, energética e militar das nações – é condição essencial para a SOBERANIA NACIONAL.
– Das trinta maiores companhias petroleiras do mundo, 22 são estatais! 
– Se somarmos o faturamento anual dessas empresas, o valor ultrapassa 3,125 trilhões (TRI!) de dólares!

– Mesmo com os avanços do neolibelismo, a participação das estatais continua a aumentar. Em 2010, 90% da produção mundial de petróleo era efetuada pelas empresas nacionais – 82,1 milhões de barris por dia!
– Em comparação, as “majors” – as cinco maiores empresas privadas do setor: Shell, Exxon-Mobil, BP, Total e Chevron – produziam apenas 8,4 milhões de barris/dia.

– A indústria do petróleo emprega tecnologia sofisticada, demanda grande infraestrutura para exploração, produção, refino, logística… É um negócio que só dá retorno a longo prazo.
– Tecnologia é o mais importante fator da cadeia produtiva de petróleo.
– Hélio Beltrão, ex-presidente da Petrobras, costumava afirmar: “a verdadeira independência é a tecnológica. Quem tem tecnologia lidera, é protagonista. Quem não tem é coadjuvante, dominado”.
– Abandonar a política de conteúdo local é abandonar um programa de décadas para valorizar a indústria e os cérebros brasileiros. É deixar de gerar empregos no Brasil para gerar empregos na Coreia ou na China!

– Vargas quis criar a liberdade nacional através da Petrobras. Pagou com a vida.
– A Petrobras foi criada para exercer o MONOPÓLIO ESTATAL do petróleo.
– FHC, em 1995, “flexibilizou” o monopólio com a criação do sistema de concessões, administrado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
– Em 2006, com a descoberta do pré-sal (assista na TV Afiada a entrevista com o geólogo Guilherme Estrella, o herói nacional que descobriu as reservas), foi estabelecido o regime de partilha: a Petrobras era a OPERADORA ÚNICA em todos os consórcios formados para a exploração das jazidas.
– O que isso significa? A OPERADORA ÚNICA controla todas as operações, elabora os projetos, cuida das instalações e opera os fluxos de petróleo e gás. Outras empresas entram com participações nos investimentos e usufruem proporcionalmente dos resultados.
– A Lei 13.365 de 2016, de autoria do careca José Serra, o maior dos ladrões, retirou da Petrobras a condição de operadora única do pré-sal – o que gera enormes prejuízos para a economia brasileira e cede as jazidas às “majors”.
– Serra fez com que o Brasil abrisse mão de explorar 176 bilhões de barris de petróleo, que colocariam o país como detentor da quinta maior reserva mundial!

– É necessário punir os culpados pelos casos de corrupção na Petrobras – mas não a empresa e seus trabalhadores!
– A atual administração da Petrobras, liderada por Pedro Malan Parente, é composta por executivos neolibelistas que cometem erros e mais erros.
– Não faz sentido reduzir a participação da Petrobras no segmento de gás natural, ou abandonar a área petroquímica. Ou sair do setor de biocombustíveis!
– O programa de “desinvestimentos” – a venda de setores e subsidiárias da Petrobras – é equivocado e entreguista!
– A privatifaria é desnecessária, irregular, ilegal e desnacionalizante! Entrega o patrimônio nacional ao capital estrangeiro!
– E a preço de banana!
– As privatizações debilitam a Petrobras. E debilitar a Petrobras é debilitar o futuro do Brasil. É um ataque à segurança energética e à soberania nacional!
– E prejudicam também o consumidor: o preço do combustível e dos derivados de petróleo sobem!

– Mesmo sob tantos ataques, a Petrobras não está falida: é a maior empresa brasileira e a décima maior petrolífera do mundo!
– Em 2016, superou seu record anual de produção.
– No período 2009/2016, com exceção do ano de 2012, a empresa sempre apresentou um saldo de caixa superior a 15 bilhões de dólares.
– A dívida da Petrobras não significa que ela está quebrada – mas, sim, que ela possui grandes projetos. Projetos que aumentam o caixa, os lucros futuros, geram emprego, renda e desenvolvimento tecnológico.

– O Brasil tem tudo para se tornar uma POTÊNCIA ENERGÉTICA MUNDIAL.
– Entretanto, isso não depende apenas dos recursos abundantes de que dispomos. Passa pela VONTADE NACIONAL de construir um país RICO, JUSTO, DEMOCRÁTICO e SOBERANO.

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Fonte:https://www.conversaafiada.com.br/economia/por-que-e-um-crime-doar-a-petrobras-a-shell

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Imprensa lavajatense reage mal a depoimento de Tacla Duran

03.11.2017
Do blog O CAFEZINHO
Por Miguel do Rosário

Para entender a Lava Jato, é preciso atentar para o fato de que ela nunca foi apenas uma operação policial.

A Lava Jato é uma operação midiática.

Foi concebida para derrubar o governo Dilma, criminalizar o PT e destruir a indústria brasileira de óleo e gás, com objetivo de beneficiar multinacionais do petróleo, em especial as norte-americanas.

A Lava Jato foi concebida para dar o golpe no Brasil e entregar o poder político a bandidos do mercado financeiro e à Globo.

Depois do golpe, ela tenta disfarçar, fingindo que investiga ali, investiga acolá, sabendo que tudo irá resultar em pizza.

Mas o objetivo foi cumprido: houve o golpe e o Brasil foi entregue a bandidos sem nenhum tipo de compromisso com a população e totalmente obedientes às diretrizes do mercado financeiro, lá fora, e à Globo, aqui dentro.

As histórias de que o golpe foi dado com objetivo de “parar a Lava Jato” são ingênuas. O golpe foi dado pela Lava Jato. E agora que não importa mais se a Lava Jato continua ou não, porque o serviço já foi feito.

Depois da Lava Jato, o Brasil suspendeu projetos de construção de refinarias, paralisou as refinarias já construídas, e passou a importar quantidades recordes de derivados de petróleo de refinarias norte-americanas.

Depois da Lava Jato, o Brasil iniciou a entrega do pré-sal, já vendeu partes importantes da Petrobrás, já destruiu ou quase destruiu suas principais indústrias, paralisou o projeto de energia nuclear, e agora se prepara para privatizar a Eletrobrás, entregando ao estrangeiro a matriz energética mais limpa do mundo.

Os “prêmios” de Sergio Moro na Globo e nos Estados Unidos tem essa explicação.

A Lava Jato sempre atacou pela mídia, que ela também corrompeu, desde o início.

Ao escolher a dedo para quem irá entregar vazamentos ilegais, a Lava Jato corrompe e controla a mídia, que se deixa corromper e se deixa controlar, até porque entendeu que tinha os mesmos objetivos políticos.

A mídia brasileira, corrupta, plutocrática e antinacional, identificou-se imediatamente com a Lava Jato.

Hoje, a Lava Jato planta uma matéria na Folha, intitulada “Fugas e cidadania estrangeira atrasam processos da Lava Jato com Moro“, que não passa de uma tentativa grosseira de atacar Rodrigo Tacla Duran.

A matéria não traz nenhum fato novo, nenhuma denúncia, nenhum documento, nada.

É apenas uma matéria chapa-branca em relação a Sergio Moro.

Uma matéria, em suma, vendida à Lava Jato.

Ora, Tacla Duran fez denúncias importantes.

Tem documentos.

Tacla Duran não está preso nas masmorras da Globo em Curitiba. Ou seja, não está sob tortura, como ocorre com todos os delatores da Lava Jato.

Não está fazendo “delação premiada”, pelo menos não com o Brasil.

Tacla Duran está simplesmente apresentando a sua versão dos fatos, de maneira livre e espontânea.

O que disse Tacla Duran?

Que a Lava Jato ameaçou sua família.

Que a Lava Jato falsificou documentos, ou aceitou, deliberadamente, documentos falsos.

Ele poderia simplesmente não falar nada. Silenciar-se.

Não.

Recebeu dois deputados brasileiros críticos à Lava Jato e gravou um depoimento franco e corajoso.

Como reage a imprensa brasileira?

Está curiosa para saber o que aconteceu?

Informou seus leitores sobre o teor das denúncias de Tacla Duran?

Não.

A imprensa lavajatense reagiu com silêncio e omissão, num primeiro momento.

E agora, com essa matéria na Folha, com um contra-ataque chapa-branca-policial da… Lava Jato.

Lava Jato e imprensa lavajatense sentiram o golpe.

Daqui a pouco, publicaremos, aqui no Cafezinho, a transcrição completa do áudio de Tacla Durán.

Leia o resumo do áudio escrito por Romulus Maya e publicado aqui no Cafezinho.

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Fonte:https://ocafezinho.com/2017/11/03/imprensa-lavajatense-reage-mal-depoimento-de-tacla-duran/

BOLSONARO, UM GOLPISTA VIRA-LATAS: A “continência” de Bolsonaro à bandeira americana

13.10.2017
Do blog TIJOLAÇO, 
Por FERNANDO BRITO 

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Num espetáculo de sabujice, o ex-capitão Jair Bolsonaro “bateu continência” à bandeira norte-americana, num comício de restaurante em Deerfield Beach, na Flórida,anteontem.

Foram várias pérolas, registra o The Intercept.

Vai dar “carta branca para o policial matar”.

O trabalhador vei ter de decidir “ou menos direitos e emprego, ou todos os direitos e desemprego”.

“O Trump vai ter um grande aliado no Hemisfério Sul”.

Mas mais chocante foram o “mito” e sua platéia aos gritos, em coro: “USA, USA, USA!”

E depois, de maneira tosca, prestando continência à bandeira norte-americana –  tosca e ilegal, pois só se presta o gesto a bandeira estrangeira em ato oficial.

Quem sabe não vai  ensinar as criancinhas trocarem o verde-amarelo logo pelo branco-azul-vermelho. Afinal, também tem estrelinha, não é?

E estes sujeitos vêm falar em patriotismo.

Se o Brasil fosse mais perto da Coreia do Norte já oferece um enclave para servir de base militar nuclear para o Trump.

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Fonte:http://www.tijolaco.com.br/blog/continencia-de-bolsonaro-bandeira-americana/

PLANO ATLANTA: O GOLPE JUDICIAL-MIDIÁTICO NA AMÉRICA LATINA

14.07.2017
Do portal BRASIL247

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Fonte:https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/306491/Plano-Atlanta-o-golpe-judicial-midi%C3%A1tico-na-Am%C3%A9rica-Latina.htm

FHC ENTREGUISTA: PHA explica como FHC ia entregar a Petrobras

24.04.2017
Do blog CONVERSA AFIADA, 28.12.15
 
Os planos do Príncipe(da Privataria Tucana) antes de ser presidente
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Os “boys” da Força Tarefa, orgulhosos de sua sabujice aos EUA

20.01.2017
Do blog O TIJOLAÇO, 18.01.17
Por   

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Texto mais que revelador de Helena Chagas, n’Os Divergentes:

Membros do Ministério Público tupiniquim não cabem em si de tanto orgulho. Afinal, estão trabalhando lado a lado, em intensa colaboração na Lava Jato, com os bambas mundialmente famosos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o famoso DoJ. Cada vírgula de cada relatório do DoJ, o órgão que trata dos acordos de leniência nos EUA, tem repercussão internacional. Hoje, por exemplo, corre o mundo a peça que trata das acusações de pagamento de propina que atingem a Rolls Royce, inclusive no Brasil.

Talvez o orgulho, ou quem sabe o deslumbramento de trabalhar junto a esses americanos da pesada, possa explicar o esquecimento, ou a falta de memória, dos nossos procuradores. Até hoje não contaram que praticamente tudo o que consta do relatório do DoJ sobre a atuação da Odebrecht em 11 países – e que provocou uma série de investigações e punições em cadeia no Peru, Panamá, Colômbia e outros – é fruto… dos acordos de delação dos 77 executivos da própria Odebrecht, em fase de homologação pelo STF. E de investigações feitas no Brasil.

Brasileiros e americanos trocaram informações, mas o que foi daqui para lá é muito mais do que o que veio de lá para cá, até porque sabe-se que foram os executivos que atuaram nesses países que revelaram os pagamentos que fizeram em suas obras lá. Tanto que acordos e providências divulgados nos últimos dias em nossos vizinhos latinoamericanos já estavam engatilhados.

Antigamente, os EUA compravam a cooperação de agentes públicos brasileiros. Agora, tenho de reconhecer, é grátis.

Há muitos que sonham em serem felizes como entregadores lá nos EUA: de pizza, de comida chinesa, de encomendas variadas.

Mas há também a fina flor dos boys, que acha que pode fazer entregas mais qualificadas.

A dos interesses de seu país.

Honestidade? Tente imaginar promotores americanos vindo aqui ao Brasil mostrar que a as empresas de lá roubam, trazendo documentos que sequer foram homologados pela justiça norte-americana.

Conseguiu imaginar? Eu também não.
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Fonte:http://www.tijolaco.com.br/blog/os-boys-da-forca-tarefa-orgulhosos-de-sua-sabujice-aos-eua/

ALÉM DE GOLPISTAS, TRAIDORES DO BRASIL: Departamento de Justiça dos EUA, xerife do Brasil:

15.01.2017
Do PORTAL jornal GGN
Por André Araújo

Dos comentaristas do blog, sou o que menos pode ser acusado de anti-americanismo. Nasci alimentado pelo governo dos EUA, meu pai era funcionário da Rubber Reserve Company em Manaus durante a Segunda Guerra e o supermercado da companhia era abastecido diariamente por hidroaviões que vinham de Miami. Minha mãe passou toda infância e adolescência nos EUA, tenho seis primos irmãos americanos natos, irmã, sobrinhos, cunhado, tios e tias morando lá, a maior parte da minha família tem raízes nos EUA desde o século XIX, comecei minha vida no CitiBank, fui depois executivo principal de filiais brasileiras de multinacionais americanas.

Não tenho portanto viés anti-americano o que me dá legitimidade para enxergar uma situação anômala, absurda, esdrúxula que está ocorrendo em um quadro que significa a colonização do Brasil pelos Estados Unidos em um grau que jamais ocorreu nos quase dois séculos de existência do Estado brasileiro, situação que parece não incomodar minimamente o Governo, a mídia e a sociedade brasileira, pelo menos naquela que deveria ser a consciência de Nação.

Como é possível que o Departamento de Justiça dos EUA tenha jurisdição inexplicável sobre empresas e cidadãos brasileiros sobre fatos ocorridos no Brasil entre brasileiros ou ocorrida em terceiros países entre brasileiros e governos daqueles países? Onde entra os EUA aí? Quem conferiu ao Governo dos EUA autoridade sobre empresas e cidadãos brasileiros que praticaram delitos de corrupção no Brasil ou na América do Sul? Com base em que tratado o Departamento de Justiça pode processar e aplicar penas e multas a pessoas físicas e jurídicas brasileiras, cobrando valores bilionários que ficam como lucro para o Tesouro dos EUA? Tomam esse dinheiro a título do que? Prejuízos aos EUA? Que prejuízo os EUA tiveram com corrupção no Brasil ou no Peru ou no Equador?

São delitos que não foram cometidos nos Estados Unidos e que não prejudicaram nem o Governo americano e nem seus cidadãos, nem suas empresas, então estão querendo dinheiro em função do que? O Brasil está indenizando qual dano aos EUA?

A Lei Foreing Corrupt Practices Act de 1973 é uma lei americana e não uma lei universal, não pode ser exportada para outros sistemas jurídicos. Há ordenamentos jurídicos internacionais visando combater corrupção, terrorismo, tráfico de drogas, tráfico de armas, de pessoas, de animais, mas esses ordenamentos são de entidades supranacionais e não de um País e, mesmo assim, não se auto-aplicam, é preciso que cada sistema jurídico de cada país recepcione esse ordenamento internacional.

A Lei FCPA não é um ordenamento internacional, é uma lei americana e só vale para empresas americanas ou lá sediadas, não se aplica ao mundo e a países que tem legislação própria. Mas os EUA estão entendendo que sua lei vale para o mundo inteiro, o pior é que tem países, poucos aliás, que aceitam esse delírio, e o Brasil é um deles.

Não vi outros países entrando nessa conversa. Não é o caso de empresas estrangeiras que tem extensas operações nos EUA, como Volkswagen, Alstom e Siemens, nesse caso a lei americana se volta a quem tem subsidiárias importantes nos EUA e, a partir dessa base, a lei se aplica, porque fatos e delitos ocorreram dentro dos EUA ou a partir dos EUA.

Ao que tudo indica, no Brasil, porque ninguém conta a história toda, não se sabe como se formou o processo na Divisão Criminal do Departamento de Justiça, não se sabe bem por quem ou porque esse caso foi parar em Washington, ou porque as empresas brasileiras estatais e privadas viraram caça livre dos procuradores americanos, quando não se vê empresas mexicanas, argentinas, peruanas ou muito menos africanas, árabes e asiáticas sendo alvos do citado Departamento.

Porque só as empresas brasileiras seriam pecadoras? A Odebrecht sequer é empresa com ações em bolsas americanas, tem obras nos EUA mas essas obras não tem relação com seus negócios em outros países ou no Brasil, e portanto não há razão alguma para ser processada pelo Governo americano.

A Odebrecht não subornou funcionários americanos, não cometeu delitos em obras públicas dos EUA, o que tem a ver o Departamento de Justiça com a Odebrecht no Peru?

Essa intromissão do Departamento de Justiça está baseada em que princípio legal se a empresa, os executivos, os fatos não aconteceram nos EUA? Refiro-me aqui EXCLUSIVAMENTE sobre os processos do Departamento de Justiça por infração a Lei Foreing Corrupt Practices Act de 1973, não me refiro a processos civis de acionistas e nem a processos por jurisdição eleita da Securities and Exchange Commission (SEC), em casos em que as empresas aceitam previamente o julgamento de tribunal americano.

Pessoas leigas, mesmo jornalistas, não entendem essas diferenças e misturam os contextos, são casos completamente diferentes, por causa da listagem em bolsa americana de suas ações, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) tem jurisdição válida sobre empresas brasileiras que tem ações na bolsa de Nova York e pela mesma razão acionistas minoritários americanos podem recorrer a tribunais americanos contra essas companhias.

Não é o caso do Departamento de Justiça, que estou a tratar aqui por considerar inexistente jurisdição extraterritorial americana sobre casos ocorridos fora dos EUA.

O fato é que não há base legal alguma a não ser a vontade desse Governo em controlar atividades de grandes empresas estratégicas não americanas mesmo que não tenham raízes nos EUA.

Não há base no Direito Internacional, não há base em Tratados, o chamado Acordo de Cooperação Judiciária Brasil EUA de 2001 não dá nenhum amparo para extensão de jurisdição extraterritorial e, mesmo que fosse possível, há uma cláusula de imunidade que pode ser invocada pelo Estado brasileiro para temas de “interesse essencial” de cada Estado.

O Acordo é para um Estado pedir colaboração a outro, não é para um invadir território jurisdicional do outro contra a vontade deste. Essa extensão jurisdicional sobre empresas e pessoas estrangeiras pode ser tentada pelo Governo dos EUA, mas não há porque ser obedecida, a tentativa teria que ser in limine rejeitada pelo Governo do Brasil inclusive com apelo à Corte Internacional de Haia para firmar limites. A própria tentativa de processar pode não ser aceita por ser ilegal e deve ser resistida.

No caso da Petrobras, Embraer e Odebrecht o processamento e aplicação de multa não tem base legal e deveria ter sido rejeitada porque os fatos se passaram fora dos EUA e este País não tem jurisdição sobre esses fatos. Como é possível o Departamento de Justiça cobrar indenização sobre delitos praticados em terceiros países pela Embraer e Odebrecht e ficar com essas multas ao invés de repassá-las para esses países prejudicados?

A que título o Governo americano cobra e retém esses valores, se o Governo americano não foi atingido ou prejudicado por essa corrupção? Trata-se então de polícia do mundo? Também é polícia da China, da Rússia? Ah, aí não, porque eles não deixam.

É possível a criatividade do Departamento de Justiça inventar jurisdição a partir de qualquer liame arbitrário, porque usou dólar, porque usou banco americano, porque usou a internet, porque o executivo tomou Coca-Cola, eles são criativos para jogar sua malha pelo mundo.

E não me venham com tecnicalidades. Amigos e parentes que são sócios de escritórios de advocacia “globalizados” me retrucam: “Ah mas lá a lei se aplica a tais casos”. E daí? Conteste-se, sempre contestar, não precisa abaixar a cabeça, cada lei tem mil interpretações, os procuradores americanos podem achar qualquer coisa, mas a parte contrária tem que contestar sempre, especialmente contestar a jurisdição da lei americana sobre casos ocorridos no exterior.

Já contei aqui o caso da subsidiária francesa da Dresser Industries, uma multinacional americana que foi impedida por Washington de fornecer compressores para gasodutos russos que tinham como destino a Alemanha. O Governo francês nacionalizou a filial francesa da Dresser para manter o contrato com a Rússia. A postura do Governo do Brasil nessa questão parece partir do princípio que é uma questão privada das empresas e que não diz respeito ao governo brasileiro, por essa razão sequer o Itamaraty tomou defesa das empresas brasileiras, como faria qualquer chancelaria do mundo.

Quando o Presidente Temer esteve no Japão, em Setembro, a primeira manifestação viva voz do Primeiro Ministro japonês foi a de protestar pelo envolvimento de empresas japonesas na Lava Jato. O dirigente nipônico estava visivelmente contrariado e fez a mais enfática defesa das empresas de seu País.

A postura do governo do Brasil, não só o presente governo mas também o governo passado, de não se envolver, é incompreensível. Não é uma questão privada, é uma questão de Estado. Parece que o governo do Brasil não tem noção clara do que é um Estado nacional.

Ainda que se pudesse defender que é um problema privado no caso das empreiteiras, no caso da Petrobras o interesse do Estado brasileiro é direto, é o seu patrimônio, reputação e futuro em jogo, é um confronto de jurisdições e isso diz respeito ao Estado.

Quando eu era CEO de uma subsidiária de multinacional americana no Brasil, recebia declarações para assinar obrigando a cumprir o embargo a Cuba e cumprir a FCPA, quer dizer, um brasileiro ser obrigado a cumprir a lei americana no Brasil, se não assinasse estava fora.

Esses “sistemas” de extrapolação de jurisdição é portanto coisa antiga e só tem aumentado, mas o governo de um grande País pode brecar essa tentativa por ser ilegítima, mas, para isso é preciso querer e é coisa de governo, empresa e indivíduos isolados não tem meios de enfrentar, é uma questão de governo.

Ao final da Segunda Guerra havia 1.200.000 soldados americanos na Inglaterra, à espera da invasão do continente europeu. O Exército americano queria aplicar a lei americana de segregação racial que impedia que soldados negros (a maioria dos soldados eram negros) frequentassem bares onde estavam soldados americanos brancos, a PE americana entrava no bar e arrastava para fora os soldados negros.

Isso gerou enorme conflito com o sistema judicial britânico que disse ser inaplicável no Reino Unido uma lei americana mesmo entre americanos, os juízes ingleses baterem de frente e impediram essa aberração, o fato é muito conhecido e mostrou como os americanos querem exportar suas leis para o mundo inteiro.

Ao fim houve um protesto duríssimo do Rei Jorge VI que disse não admitir segregação racial no território inglês com guerra ou na paz.

As tentativas de extensão de leis americanas para o resto do mundo podem ser resistidas e os próprios americanos esperam contestações a esses avanços, parece que o Brasil tem vergonha de contestar, talvez porque ache deselegante ou antipático, afinal se cumprirem direitinho as leis americanas serão elogiados e convidados para drinks no happy hour.

O Governo do Brasil errou profundamente quando não reagiu liminarmente à prisão de Jose Maria Marin na Suíça. Mesmo com sua péssima folha corrida, Marin representava naquele evento e momento o país Brasil. Não poderia ser preso pelo FBI da forma que foi, sem qualquer protesto do Governo do Brasil, preso sem processo, sem condenação, sem acusação formal, com qual autoridade foi preso? Detentor de passaporte brasileiro, alguma proteção esse passaporte deveria oferecer-lhe.

Foi esse o primeiro ato de extrapolação jurisdicional do Departamento de Justiça, que passou batido e os estimulou a maior ativismo ainda. Lembro como a mídia brasileira soltou rojões com a prisão de Marin, sem perceber o princípio em jogo e não a pessoa de Marin.

Quando se rompem princípios, os danos vem depois e é o que está acontecendo, agora os brasileiros tem que trabalhar, exportar muita carne para os EUA para gerar dólares para pagar multas indevidas ao Tesouro americano.

O caso FIFA é emblemático. Os EUA não tem nenhum envolvimento com o futebol, mas percebendo que é o esporte de maior número de torcedores no mundo, sonham em controlar o “negócio” do futebol através de uma corporação com ações listada na Bolsa de Nova York.

Como disse o cientista político Paul Boniface, presidente do Instituto Francês de Relações Internacionais, o que eles querem é o “negócio” da FIFA, todas as ações americanas tem no final um objetivo de “business”, é da História americana, como disse o Presidente dos EUA na década de 20, Calvin Coolidge, o negócio dos EUA é “fazer negócio”, está na alma do País para o bem ou para o mal, atrás de todo movimento há um objetivo econômico.

Essa intromissão descarada e aberta do Governo americano nos interesses brasileiros nunca houve antes nessa forma tão esdrúxula.Faz lembrar o passado colonial dos juízes de capitulações em Shangai e em Alexandria, quando a China e o Egito, subjugados à potencias imperialistas, aceitavam juízes estrangeiros em seu território com jurisdição sobre causas onde estivessem envolvidos seus nacionais.

No caso da Odebrecht e Embraer é ainda pior, não há americanos envolvidos nos casos de corrupção, como então admitir procuradores americanos processando causas onde não estão em jogo interesses dos EUA? Quem os chamou e porquê? Como é possível o Brasil, suas classes dirigentes, sociedade, forças aramadas, aceitarem essa jurisdição sobre interesses brasileiros, sem protestar ou, pior ainda, aceitando e gostando?
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Fonte:http://jornalggn.com.br/fora-pauta/departamento-de-justica-dos-eua-xerife-do-brasil-por-andre-araujo