NOS EUA, JAIR BOLSONARO OFERECE PROMESSAS VAGAS PARA EMPRESÁRIOS E “CARTA BRANCA PARA A POLÍCIA MATAR”

13.10.2017
Do portal THE INTERCEPT, 10.10.17
Por Andrew Fishman, Cecília Olliveira

Resultado de imagem para NOS EUA, JAIR BOLSONARO OFERECE PROMESSAS VAGAS PARA EMPRESÁRIOS E “CARTA BRANCA PARA A POLÍCIA MATAR”
Bolsonaro, em ato ilegal, prestando continência à bandeira norte-americana

TARDE DE OUTONO em Deerfield Beach, Flórida, temperatura batendo os 30 graus e brasileiros legais e ilegais permaneciam firmes, em fila, para ver e ouvir as propostas de Jair Bolsonaro, caso ele seja eleito o próximo presidente do Brasil. Entre gritos de “mito, mito, mito” e “fila é uma coisa muito brasileira”, centenas de pessoas se amontoavam para esperar o “presidente” chegar.

No evento, realizado neste domingo (8) num bar brasileiro a 45 minutos de carro de Miami, não houve protestos contrários à presença de Bolsonaro. Essa foi só uma das paradas da viagem do deputado pelas terras de Trump. Com a ideia de angariar apoio estrangeiro para sua candidatura presidencial em 2018 e estruturar a imagem de liberal sério, estão previstas visitas – e protestos – em Massachusetts, Nova York e Washington D.C.

Fila de espera para o evento de Jair Bolsonaro em Deerfield Beach, Flórida no dia 8 de outubro de 2017.
Fila de espera para o evento de Jair Bolsonaro em Deerfield Beach, Flórida no dia 8 de outubro de 2017. Foto: Andrew Fishman/The Intercept

Tour Bolsonaro está sendo apoiado por grupos interessados e investidores brasileiros que apostam numa imagem mais sóbria, com foco na economia liberal. E isso foi ao encontro do exposto pelo deputado. Apesar de as pessoas ouvidas por The Intercept Brasil priorizarem o problema da violência como o motivo para migrar para a Flórida, Bolsonaro — entre desvios para reclamar de Marxistas e atacar a imprensa — tentou focar seu discurso na esfera econômica, demonstrando uma visão claramente patronal.

Ele endossou o fim da CLT, a redução de impostos, a desburocratização para empresas, uma resolução para que “a questão indígena” não limite o desenvolvimento do agronegócio, “a tal de parceria público-privada” para abrir mais investimentos dos EUA e uma lei antiterrorista mais dura para “evitar que os marginais, os terroristas do MST continuem barbarizando lá no Brasil”. “Eu não vou fazer uma política de massa, chama ‘o trabalhador, o trabalhador’. Não, tudo bem, o trabalhador tem seu valor, mas o patrão também”, discursou o deputado.

“Eu não vou aqui ser o Jairzinho Paz e Amor”

Mas, no fim, a essência de Jair prevaleceu: “Eu vou dar carta branca para a polícia matar”. E então, a plateia, que já estava animada, foi à loucura: “Mito, mito, mito!”

No evento de mais de duas horas, o que emergiu foi mais do mesmo, a velha visão política: o Estado deve fazer tudo que puder para servir aos interesses financeiros da classe empresarial tradicional e usar os mecanismos de repressão física, política e cultural para combater qualquer ameaça. Essa postura sempre teve um lugar proeminente na governança do Brasil, mas o que o Bolsonaro propõe é tirar as luvas e redobrar o esforço.

Apesar de fazer chacota com o jornal Valor Econômico, que o comparou a Dilma no quesito economia, de fato ele não apresentou novas ideias para alcançar as mudanças econômicas desejadas. E, de fato, ele repetiu as propostas desburocratização”, hidrelétricasPPPs, fortalecimento do agronegócio e investimento em pesquisa científica para fortalecer a indústria. Todas estas opções estavam na cartilha de Dilma Rousseff.

Nas palavras do próprio Jair Bolsonaro: “A imprensa fala que eu não entendo da economia. Olha, pelo que eu sei, o Ronald Reagan também não sabia e ele foi um dos melhores presidentes americanos.” (Mas há controvérsias.)

Outro presidente americano que pouco entende de economia e que o Bolsonaro elogiou foi Donald Trump. “O que eu falo lá é muito parecido com o Trump aqui. … Então, acho que com a questão do Trump, se eu chegar lá, pode ter certeza que ele vai ter um grande aliado no hemisfério sul.”

Os paralelos entre os dois políticos foram evidentes no domingo, e se for para aprender algo da vitoriosa campanha de Trump, é que grande parte do seu apoio não veio porque os eleitores o acharam mais coerente, consistente ou qualificado. Muitas pessoas votaram em Trump porque interpretavam que o país estava no caminho errado, liderado por uma classe política corrupta e desconectada da realidade. Então apostaram nele como a melhor chance para fazer mudanças drásticas em pouco tempo — porque, para elas, isso seria menos assustador do que mais do mesmo.

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Fonte:https://theintercept.com/2017/10/10/jair-bolsonaro-eua-policia-matar/

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Violência do governo Temer é denunciada na ONU

26.05.2017
Do blog O CAFEZINHO
Por 

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom

Da Rede Brasil Atual.

Na tarde desta quinta-feira (25), as deputadas federais Maria do Rosário (PT-RS), Luiza Erundina (PSOL-SP) e o deputado federal Paulão (PT-AL) entregaram ao coordenador residente do Sistema das Nações Unidas (ONU) no Brasil, Niki Fabiancic, documento que relata violações de direitos humanos ocorridas no governo Temer.

A carta-denúncia centra-se nas repressões ocorridas no ato em Brasília, no Decreto autorizando o uso das Forças Armadas – revogado, posteriormente – e na chacina do sul do Pará, ambos os casos ocorridos na última quarta-feira (24). O texto assinado por parlamentares, artistas, entidades e sociedade civil pede que a ONU envie observadores internacionais para averiguação dos fatos.

Deputados encaminharam denúncia à ONU

“O governo Temer utilizou as Forças Armadas e o Estado contra o povo brasileiro, a liberdade de manifestação, de organização e de expressão de um povo”, afirmou Maria do Rosário, deputada federal (PT-RS) e ex-ministra dos Direitos Humanos. Segunda ela, no plano da denúncia internacional este é apenas o primeiro passo.

O coordenador da ONU no Brasil se comprometeu em enviar o documento para o Alto Comissariado das Nações Unidas em Genebra para que sejam investigadas as violações de Direitos Humanos. A carta, endossada por sindicatos, movimentos sociais, artistas e intelectuais, estará disponível na internet para que brasileiros e brasileiras possam assinar. O processo de coleta de assinaturas ainda está em aberto.

Confira íntegra do documento:

Ao Alto Comissariado das Nações Unidas, Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e entidades defensoras de Direitos Humanos do Brasil e do mundo

Considerando que os direitos à vida, à liberdade, à segurança e à integridade física e mental são constitutivos do sistema nacional e internacional de proteção aos Direitos Humanos e se situam em posição hierárquica suprema no rol dos direitos fundamentais, servindo como alicerce a todos os demais direitos;

Considerando o disposto na Declaração Universal dos Direitos Humanos, no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, promulgado no Brasil pelo Decreto nº 594, de 6 de julho de 1992, especificamente em seus Arts. 6º, 7º e 19º, e na Convenção Contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, promulgada pelo Decreto nº 40, de 15 de fevereiro de 1991;

Considerando a Constituição Federal em seu art. 5º, incisos IV, IX, XVI, que asseguram os direitos humanos de reunião e de livre manifestação do pensamento a todas as pessoas pelos órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

Considerando a Resolução 06 de 2013 do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) que dispõe sobre recomendações para garantia de direitos humanos e aplicação do princípio da não violência no contexto de manifestações e eventos públicos, bem como na execução de mandados judiciais de manutenção e reintegração de posse;

Destacando a nota de repúdio emitida em 24 de maio de 2017 pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos do Brasil (em anexo), relatamos o que segue;

Cidadãs e cidadãos brasileiros de várias faixas etárias e de todo o território nacional, integrantes de movimentos sociais e sindicatos de todo Brasil se reuniram durante a manhã de 24 de maio em frente ao estádio Mané Garrincha e seguiram em uma marcha pacífica rumo à Esplanada dos Ministérios, centro do poder político do país. Esta manifestação, convocada contra as reformas previdenciária e trabalhista em curso no Congresso Nacional, e que recentemente inseriu dentre suas reivindicações as eleições diretas para a Presidência da República, foi duramente reprimida como há tempos não se via num Estado que se afirma democrático.

A marcha transcorria pacificamente, com bandeiras multicoloridas, músicas e expressões criativas da cultura brasileira, até que policiais do Governo do Distrito Federal e da Força Nacional, com um aparato gigantesco e jamais visto no período pós-ditadura, impediram a instalação do ato.

As agressões indiscriminadas aos manifestantes, inclusive contra mulheres, crianças e idosos se deram de diversas formas, desde cassetetes, uso da cavalaria, spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral, balas de borracha, helicópteros e até mesmo o emprego de armas de fogo.
Atitude criminosa que resultou em 49 feridos notificados em atendimento hospitalar. Ao agirem indiscriminadamente e sem controle, as forças de segurança feriram pessoas que exerciam seu direito de expressão e manifestação, ou trabalhavam na cobertura dos atos, como jornalistas e cinegrafistas.

Deputadas (os) federais e senadoras (es) que participaram do ato também foram alvo da repressão e tiveram obstruída sua atribuição constitucional, não sendo ouvidos pelo comando das forças repressivas no local para que cessassem a violência.

Após a lamentável atuação dos agentes do Estado, o presidente Michel Temer editou o Decreto de 24 de maio de 2017, que instituiu a GLO (Garantia da Lei e da Ordem), autorizando às Forças Armadas atuarem na repressão à liberdade de manifestação em Brasília.

Além disso, a decisão é arbitrária por não observar pressupostos legais para uso da medida, como a necessária comprovação do esgotamento de todos os instrumentos destinados à preservação da ordem pública, e não informou ao governador do Distrito Federal sua decisão, estabelecendo que durante oito dias, ficaria à cargo do Ministério da Defesa definir a área de atuação das Forças Armadas.

Os relatos de violações de Direitos Humanos se multiplicam no Brasil. No mesmo dia em que a barbárie foi praticada por agentes do Estado em Brasília, dez trabalhadores rurais foram mortos no município de Redenção, no Pará, também em uma ação da Polícia Militar, totalizando 36 pessoas assassinadas em conflitos fundiários no campo apenas em 2017.

Em paralelo, observamos um desmonte progressivo das estruturas do Estado responsáveis pela mediação de conflitos no campo e de apoio aos trabalhadores rurais e minorias, como por exemplo, na extinção da Ouvidoria Agrária, recriada posteriormente com estrutura precarizada.

Este cenário de intensificação nas violações de Direitos Humanos no Brasil é de conhecimento da comunidade internacional. Em maio deste ano, durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, na apresentação do relatório do governo brasileiro para a Revisão Periódica Universal, 119 países fizeram mais de 200 recomendações sobre temas relacionados aos Direitos Humanos no Brasil.

Desta maneira, apresentamos esta denúncia e conclamamos a Organização das Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos e a comunidade internacional a repudiar a postura autoritária e desmedida do Governo Brasileiro, encaminhando ao país os Relatores Especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU nos temas relacionados ao objeto dessa denúncia.

Solicitamos ao Alto Comissariado da ONU, uma visita in loco para análise das graves violações dos direitos humanos.

Assinam:
Maria do Rosário, deputada federal (PT-RS) e ex-Ministra Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
Luiza Erundina de Sousa – deputada federal (PSOL-SP)
Paulão, deputado federal (PT-AL)
Aly Muritiba – cineasta
Ana Júlia Ribeiro – estudante secundarista
Ana Moser – empreendedora social
Ana Petta- Atriz
Ana Paula Siqueira – RP e social media 
Andréa Castello Branco – jornalista 
Andrea Nathan – jornalista
Bernardo Cotrin – Fórum 21
Bianca Comparato – atriz
Breno Bergson – advogado
Bruno Garcia – ator
Bruno Monteiro – jornalista, produtor e ativista de Direitos Humanos
Bruno Trezena – jornalista 
Carlos Zarattini, líder da bancada de deputados federais do PT (PT-SP)
Carolina Kasting – atriz
Central de Movimentos Populares (CMP)
Central dos Trabalhadores do Brasil 
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil 
Central Única dos Trabalhadores
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
Chico Alencar, deputado federal (PSOL-RJ)
Coletivo Juntos
Dandara Tonantzin – Enegrecer
Danielle Freitas Kattah – produtora
Daniel Filho – produtor e diretor de cinema
Danilo Moreira – Gestor Público
David Miranda- Jornalista Vereador
Débora Lamm – atriz
Edmilson Rodrigues, deputado federal (PSOL-PA)
Efraim Neto – Jornalista
Fabio Malini – professor Labic/Ufes
Fátima Bezerra, senadora (PT-RN)
Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)
Fernanda Takai – cantora
Fernando Sato – ativista e jornalista
Flávia Lacerda – direção audiovisual
Flávia Gianini – jornalista 
Flávio Renegado – Músico
Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
Fora do Eixo
Gabriella Gualberto – jornalista 
Glauber Braga, deputado federal (PSOL-RJ)
Glória Médici – professora Ifes
Guta Nascimento – jornalista
Helena Petta – médica
Henrique Fontana – Deputado Federal 
Herson Capri – ator
Hugo Cesar – Ativista
Iriny Lopes, ex-Ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da Presidência da República
Ivan Valente, deputado federal (PSOL-SP)
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
Jandira Feghali, deputada federal (PCdoB-RJ)
Jean Wyllys, deputado federal (PSOL-RJ)
Joanna Maranhão (atleta)
Kátia A.S.Brenicci – advogada
Laís Bodanzky – cineasta
Léo Casalinho – ativista
Leoni – músico
Leonardo Boff – teólogo
Levante Popular da Juventude
Lucia Helena – psicóloga
Luiz Couto – deputado federal (PT-PB)
Macaé Evaristo – professora
Maeve Jinkings – atriz
Manno Góes – músico
Manuela Davila – jornalista, Deputada Estadual
Marcia Miranda – professora e fundadora do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis
Márcio Jerry – Jornalista, presidente PCdoB MA, Secretário Estado Comunicação/Maranhão
Margarida Barbosa – professora
Margarida Salomão – deputada federal (PT-MG)
Maria de Fátima Mendonça- Enfermeira
Maria do Pilar Lacerda – educadora
Marilena Garcia- educadora
Marcia Tiburi – professora de filosofia
Maximiliano Nagl Garcez – advogado sindical 
Mônica Martelli – atriz
Monique Prada – trabalhadora sexual, escritora, CUTS
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST)
Movimento Quero Prévias
Naná Rizinni – musicista e produtora musical
Olivia Byington – cantora
Orã Figueiredo – ator
Padre João, deputado federal (PT-MG)
Patricia Pillar – Atriz
Paulo Paim – senador (PT-RS)
Paulo Pimenta – jornalista e deputado federal
Pedro Henrique França – jornalista e roteirista
Pedro Tourinho – médico, vereador em Campinas
Pepe Vargas – deputado federal (PT-RS) e ex-Ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
Rafael Dragaud – Diretor
Renan Quinalha – advogado
Roberta Calza – atriz
Rodrigo Cebrian – diretor
Rosana Maris- Atriz e Produtora Cultural
Sâmia Bonfim – vereadora em São Paulo 
Sérgio Mamberti, ator
Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais
Tamara Naiz – Pesquisadora e Presidente da ANPG
Thadeu de Mello e Silva – advogado
Thássia Alves – jornalista
Tico Santa Cruz – artivista
União da Juventude Socialista (UJS)
União Nacional dos Estudantes (UNE)
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES)
Vanessa Grazziotin, senadora (PCdoB-AM)
Vinicius Cascone – Advogado
Wadih Damous, deputado federal (PT-RJ)
Wallace Ruy – Atriz
Wagner Moura – ator 
Warley Alves – ativista e produtor cultural
Wolney Queiroz – Deputado Federal PDT-PE
Zé Geraldo, deputado federal (PT-PA)
Zélia Duncan – cantora

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2017/05/26/violencia-do-governo-temer-e-denunciada-na-onu/

A hipocrisia de Globo, Folha e Aécio Neves na questão dos presídios

10.01.2017
Do blog O CAFEZINHO 
Por Pedro Lorenzi Breier

(A troça com os direitos humanos de repente perdeu a graça)

Por Pedro Breier, colunista político do Cafezinho

A onda de chacinas nos presídios brasileiros que abriu tragicamente 2017 transformou, não mais que de repente, os maiores representantes da direita brasileira em defensores dos direitos humanos.

Globo e Folha, em editoriais (aqui e aqui), e Aécio Neves, em sua coluna na Folha (aqui), deram um espetáculo de hipocrisia ao proporem soluções para que os massacres de presos não se repitam.

A Globo informa que “Dos mais de 600 mil condôminos das penitenciárias, 40% deles são presos provisórios, pessoas que, antes mesmo de serem julgadas, já amargam o cumprimento de penas que sequer se sabe se serão confirmadas em juízo.”

Só depois de tragédias horríveis como essas os Marinho perceberam o quão absurdo é o número de presos provisórios no país?

Na hora de fazer populismo penal para destruir os adversários políticos, como acontece desde 2014 na Lava Jato, as prisões provisórias são justas?

Sérgio Moro, provavelmente o juiz que mais manda prender provisoriamente no país, foi transformado em herói exatamente pela Globo, auxiliada, é claro, pelos demais integrantes do cartel midiático nacional, entre eles a Folha.

O jornal dos Frias citou relatórios que apontaram a precariedade das instalações, as péssimas condições para ressocialização e a falta de assistência jurídica e de saúde aos detentos no presídio de Manaus onde ocorreram 56 mortes. E defendeu penas alternativas e mudanças no enfoque prisional:

Esta Folha há mais de 15 anos defende a segunda via. Entende que a lei deveria evoluir no sentido de reservar a prisão a criminosos que recorrem a violência ou grave ameaça; os demais, cuja liberdade não representa perigo à sociedade, poderiam cumprir pena alternativa, desde que suficientemente dura e proporcional ao delito.

É uma ironia macabra.

Para derrubar o governo escolhido pelas urnas em 2014, o oligopólio midiático alimentou como nunca o pensamento de extrema direita da população.

As sugestões da Folha para evitar novos massacres, se propostas no meio de uma das micaretas coxinhas que foram convocadas pela mídia familiar e usadas para justificar o golpe, certamente provocariam reações iradas e violentas. Afinal, penas alternativas e condições dignas para presos é coisa de “defensor de bandido” para a esmagadora maioria do exército de zumbis midiáticos.

Aécio Neves, que já foi acusado de provocar a prisão arbitrária de jornalistas desafetos, também cita, em seu artigo, a proporção de presos provisórios e diz que “prisão deve ser lugar de justiça, não de vingança da sociedade”.

Aécio nem precisou defender isso para ser escorraçado da última marcha coxinha da qual tentou participar.

O sensacionalismo penal, as prisões midiáticas, a transformação de justiceiros em heróis, a ridicularização dos ativistas dos direitos humanos, a farsa do “país da impunidade”, a ausência de debate e reportagens sobre as condições desumanas das prisões e até mesmo a falta de moderação dos comentários abertamente fascistas nos portais geraram uma horda de defensores do “bandido bom é bandido morto” (dependendo do bandido, é claro).

Chamar de hipócrita quem vira defensor dos direitos humanos só depois do desastre consumado é pegar leve demais. É canalhice mesmo.

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2017/01/10/hipocrisia-de-globo-folha-e-aecio-neves-na-questao-dos-presidios/

Discurso de Ana Júlia Ribeiro vira notícia internacional

30.10.2016
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 28.10.16
Por Daniel Buarque, Brasilianismo

Discurso tocante da estudante Ana Júlia Ribeiro, 16 anos, ganhou destaque até na revista internacional Forbes. “Nas últimas 24 horas, o Brasil foi apresentado ao que muitos brasileiros acreditam que é a mais promissora voz ouvida em muitos anos”, diz a reportagem

discurso forbes ana julia ribeiro estudante ocupação

O discurso da estudante secundarista Ana Júlia Ribeiro, de 16 anos, a deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Paraná se tornou notícia internacional. E notícia boa, segundo a revista de economiaForbes”.

Nas últimas 24 horas, o Brasil foi apresentado ao que muitos brasileiros acreditam que é a mais promissora voz ouvida em muitos anos”, diz reportagem publicada no site da revista.

Em texto que apresenta a movimentação de estudantes secundaristas em centenas de escolas do Paraná, a revista diz que o discurso surpreendeu o país.

Ela proclama, ‘nossa bandeira é a educação, nossa única bandeira é a educação’, e defende que o controverso programa ‘escolas sem partido, que proíbe discurso político partidário na sala de aula, insulta os estudantes ao dizer a eles que eles não têm capacidade de pensar”, diz a reportagem.

A publicação narra a reação agressiva dos parlamentares paranaenses e defende a coragem da jovem estudante.

É um jogo de força que faria muitos se encolherem, e é neste momento que a estrela de Ana Júlia brilha. a adolescente não tenta gritar mais alto do que o presidente da sessão. Ela não o desrespeita nem discute. Ao contrário, ela se mantém calma e lança a crítica mais forte. ‘Eu peço desculpa, mas o ECA nos diz que a responsabilidade pelos nossos adolescentes, dos nossos estudantes, é da sociedade, da família e do Estado‘”.

Ao contextualizar a situação da educação no Brasil e no Paraná, a revista também lembra que um ano antes a polícia do Estado agiu com violência contra professores que realizavam protestos.

Cenas de professores sendo espancados pela polícia criou ondas de choque pelo país e formou a base para o discurso de Ana Júlia”, explica.

Leia também:
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Brasil já tem 1.100 escolas ocupadas contra a reforma de Temer e a PEC 241
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Na época da repressão violenta contra professores, vários veículos de comunicação internacional noticiaram o caso, criticando a polícia e chamando a ação de truculenta e se referindo ao episódio como ”batalha campal”.

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/10/discurso-ana-julia-ribeiro-noticia-internacional.html

“Meus filhos vão ser mortos a qualquer momento. Socorro!”

22.09.2016
Do portal PRAGMATISMO POLÍTICO, 06.09.16
Por Patricia Faermann, GGN

advogado Mauro Rogério Silva dos Santos

Ameaçado junto com sua família, o advogado Mauro Rogério dos Santos pede socorro. Tudo começou quando ele foi buscar seu filho numa manifestação em defesa da democracia e tentou ajudar jovens que eram reprimidos pela PM. Acabou espancado e preso. Publicamos os rostos dos que o ameaçam de morte

A noite do impeachment estava sendo como qualquer outra para o advogado Mauro Rogério Silva dos Santos, que foi buscar seu filho por volta das 22 horas na praça central, onde ocorria uma manifestação pacífica em Caxias do Sul (RS).

Chegando ao local, alguns jovens estavam sendo detidos. Mauro se prontificou a tentar ajudá-los e aproximou-se dos policiais militares com a carteira da profissão.

“Você é advogado?”, perguntou um deles, “Sim”, respondeu Mauro. “Aqui, você não é advogado. Se quiser vai ser advogado na delegacia”, foram as palavras antes da sequência de agressões físicas ao profissional do direito.

Mas não foram apenas os machucados que marcaram Mauro Rogério dos Santos, modificando completamente a sua vida. Aquela noite do dia 31 de agosto foi apenas o início dos extremismos sofridos pelo advogado e sua família, que passaram a ser ameaçados de morte.

Um dos manifestantes que estavam no local gravou a cena:

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FAdvogadosSemFronteiras%2Fvideos%2F1109902422390708%2F&show_text=0&width=400

“Os fatos são simples, singelos, eu cheguei no local, fui buscar meu filho, ele estava com outros jovens. E me pediram ajuda para verificar a condição de alguns jovens, que estavam sendo abordados e aquilo que o vídeo mostra. Não há muito mais antes disso, não consegui dialogar. A minha intenção era apenas saber o nome dos jovens e até para poder prestar um atendimento depois, mas não foi possível”, disse.

“Eu tirei a carteira do bolso, acho que até por conta dessa situação política que está aí, todo mundo muito tenso, temos que tomar algumas cautelas. Quando eu tirei a minha carteira, talvez eles tenham entendido como uma afronta mas foi exatamente no sentido de criar um canal de confiabilidade, é um advogado”, disse, relatando que as agressões foram ainda piores quando a gravação terminou. “O que não foi gravado é dez vezes pior”, completou.

Seu filho, inspirado pelo pai, ia às classes de Direito à noite e pela manhã, trabalhava no escritório do pai. Ao ver seu pai sendo espancado por vários policiais militares, deu um chute em um deles, o que foi motivo para o prenderem por “tentativa de homicídio”.

Os dois foram levados a uma delegacia, onde permaneceram cerca de cinco horas algemados. Após ser solto, o filho foi levado à Penitenciária de Caxias pelo suposto “crime” cometido, liberado apenas no dia seguinte com um alvará de soltura. Após sair daquela situação, Mauro Rogério tomou algumas providências.

“Eu procurei ser sistemático: sair da delegacia, tentar soltar o meu filho, procurar atendimento médico e, posterior, comunicar o órgão de classe. O que foi feito, tive a grande satisfação de contar com o apoio da OAB local e nacional, devido à repercussão do caso. Foi-me oferecido entrar no programa de proteção a vítimas e testemunhas ameaçadas. No momento eu abri mão, até porque eu imagino que não seja esta a saída. Imagina, se nós advogados formos ameaçados e tivermos que nos esconder, acabou o direito”, relatou.

Após receber o apoio da OAB Nacional, em uma reunião que contou com a presença do presidente do Conselho Federal da entidade, Cláudio Lamachia, a secretária-geral adjunta da OAB/RS, Maria Cristina Carrion Vidal de Oliveira, a coordenadora geral da Comissão de Direitos Humanos, Neusa Rolim Bastos, e outros membros da OAB, Mauro pensava que tudo se resolveria.

Lamachia se reuniria momentos depois com o comando da Brigada Militar local, onde colocou a necessidade de uma agilidade e esclarecimento para apurar os fatos e as condutas dos envolvidos. Mas junto com a repercussão de apoio de entidades e movimentos, chegaram as ameaças.

E não apenas a Mauro e seu filho que estiveram envolvidos nos fatos daquela noite, como também o seu filho mais novo, que vive em outra cidade, passou a ser alvo constante de ameaças de morte.

“Posterior a isso avolumaram-se muito as ameaças aos meus filhos. Recebi muitas ameaças, eu não gostaria de detalhar por motivo lógico, mas eu garanto que foram ameaças consistentes”, disse.

Mauro contou que terá que tomar medidas radicais, em nome da segurança de seus filhos. “Eu levei uma vida para colocar um filho na faculdade de Física, o outro na de Direito. Agora, eles tem que sair. Tanto um, quanto outro”, contou.

“Por mais que eu esteja ainda muito chocado, algumas vezes acabo chorando, mas a minha preocupação não é esta, o que me preocupa é que o advogado não é melhor que um médico, melhor que um jornalista, melhor do que ninguém. Mas a profissão do advogado é essencial à justiça. Ele deve ser respeitado, até para poder avalizar os trabalhos dos policiais que está sendo feito”, manifestou.

“Agora, se o advogado não é respeitado, quem avaliza esses procedimentos? Quem busca os direitos constitucionais de todos os cidadãos brasileiros são os advogados. Não é o policial, não é o promotor, não é o juiz. Se passamos a desrespeitar o trabalho dos advogados, daquela forma e de outras, no dia-a-dia, a cidadania perde, porque não tem o seu direito de defesa. Hoje, mais do que nunca, a situação é muito sensível”, concluiu.

Em seu perfil no Facebook, o advogado Mauro Rogério dos Santos publicou o seguinte depoimento:

“Meus filhos vão ser mortos a qualquer instante. Vejam as provas (abaixo). Além destas há outras provas cabais que envolvem diretamente a Secretaria de Segurança do Estado do Rio Grande do Sul nas Ações que vão levar à minha morte e a de meus filhos.

A responsabilidade é do governador José Ivo Sartori, que em última instância é o responsável pela cúpula da segurança que está planejando nossa morte.

Abraços. Talvez adeus!”

As ameaças online:

1
2

Cassio Murilo ameaçou o advogado via Facebook.

3
4

Rafael Farias “avisa” para o advogado tomar cuidado com as motos

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/09/meus-filhos-vao-ser-mortos-a-qualquer-momento-socorro.html

DILMA ALERTA: PRIMEIRO CEGAM UMA MENINA, DEPOIS MATAM ALGUÉM

03.09.2016
Do portal BRASIL247

:

“As pessoas vão para as ruas e vem a repressão. Cegam uma menina. Depois, matam alguém, como foi com o estudante Edson Luís (1968). Então dizem que a culpa é do manifestante, pois a violência partiu deles. Isso que ninguém da minha geração pode compactuar. O terrorismo do Estado é gravíssimo. O poder dele para reprimir é muito forte. Assim começam as ditaduras. Não precisam ser militares, podem ser civis disfarçadas”, afirmou a presidente afastada Dilma Rousseff, fazendo referência à jovem Deborah Fabri, que perdeu a visão do olho esquerdo ao ser atingida por uma bala de borracha

Da Rede Brasil Atual – “É a segunda vez que votam meus direitos políticos. Fui condenada três vezes na ditadura (1964-1985). Ontem, como hoje, ilegítimo”, definiu a ex-presidenta Dilma Rousseff, em entrevista concedida ontem (2) para a imprensa internacional. Ao traçar paralelos entre os golpes, mostrou preocupação sobre o futuro: “Prefiro a voz surda das ruas do que os silêncio das ditaduras (…) sei como começa e como termina a história”.

“As pessoas vão para as ruas e vem a repressão. Cegam uma menina. Depois, matam alguém, como foi com o estudante Edson Luís (1968). Então dizem que a culpa é do manifestante, pois a violência partiu deles. Isso que ninguém da minha geração pode compactuar. O terrorismo do Estado é gravíssimo. O poder dele para reprimir é muito forte. Assim começam as ditaduras. Não precisam ser militares, podem ser civis disfarçadas”, afirmou em referência às recentes ações violentas da Polícia Militar contra atos contrários ao governo de Michel Temer (PMDB).

Ao lado de seu advogado e ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, Dilma respondeu aos jornalistas de forma descontraída, sem deixar de lado a seriedade do momento. “Temos que debater. Não é possível o tipo de repressão que estamos vendo. Não é possível que não se possa falar o que quiser, como ‘Fora, Temer’. Quando começamos a ter medo das palavras, começa a arbitrariedade. Temer as palavras leva a isso. Veja, jamais tivemos medo das palavras, conheço uma ditadura na pele”, disse.

Em relação ao processo de impeachment, Dilma lamentou que, junto com ela, “foi julgada a democracia”. “Acho gravíssimo que um programa não eleito nas urnas seja executado. Parte da sociedade vai entender isso progressivamente. Infelizmente perdemos e espero que saibamos como reconstruir a democracia. Também espero que sejamos capazes de ter a clareza de que isso nunca mais pode acontecer”, disse. “O golpe parlamentar atua como um parasita que corrói a democracia”, completou.

Dilma argumentou que, com alterações na economia mundial, o Congresso arquitetou formas de desestabilizar seu governo. Além do impeachment, as ações do Legislativo aprofundaram a crise. “A crise econômica começa no final de 2014 nos países emergentes (…) No Brasil, o maior componente foi a crise política. Ela impede sistematicamente a retomada do crescimento econômico. Ao longo de 2015, tivemos todos os projetos negados pela Câmara ou aceitos com alterações. Também tivemos as pautas-bomba”.

“O segundo ponto importante foi a ação do ex-presidente da Casa e deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele é o grande articulador do golpe. Houve uma deliberada tentativa de desestabilizar o meu governo. Além de não aprovar o que mandávamos, eles ampliaram os gastos. Chegamos ao ponto de R$ 130 bilhões em estoque de pautas-bomba no Congresso. Em 2016 piorou: o Legislativo não funcionou. Do dia da abertura, até cinco dias antes de meu afastamento, nenhuma comissão funcionou na Casa”, disse a petista.

Dilma criticou o argumento para sua deposição e ressaltou pontos positivos das gestões petistas nos últimos 13 anos. “Senadores do PSDB e do DEM dizem que os motivos pelo impeachment e as causas da crise são o Plano Safra e os decretos de crédito suplementar. Isso é ridículo, é subestimar a inteligência das pessoas (…) Hoje, o Brasil tem fundamentos sólidos: US$ 378 bilhões em reservas, quando o FHC deixou o governo tinha US$ 34 bilhões. Nossa dívida não é mais denominada em dólares, e sim em reais. Isso significa que controlamos nossa economia, diferente nos tempos anteriores, onde qualquer crise no exterior causava uma corrida contra o real”, argumentou.

Mudanças

Dilma reafirmou seu apoio à convocação de eleições diretas e afirmou que mudanças são necessárias no modelo político brasileiro. “Não existe uma ação homogênea de partidos no Brasil. Por isso, quando propusemos um plebiscito para chamar eleições, falamos de reforma política. Precisamos criar governabilidade. Veja, o FHC precisou de três partidos para obter maioria simples no Congresso e quatro para a composta. Lula precisou de oito e 11. Eu precisei de 14 e 20. Isso, além de que os partidos não tem unidade, na hora de votação, atuam por interesses”, disse.

“Temos que trabalhar para aprofundar o caráter programático dos partidos. Ninguém terá uma governabilidade que não seja ‘toma lá, dá cá’. É difícil conviver neste sistema se você tiver convicções. Por isso me chamam de dura, porque recuso e recusei (negociatas). Ora, Cunha queria que três deputados do PT votassem contra sua cassação para que não passasse o impeachment. Não é porque me retiraram da presidência que este processo amenizou”, completou.

Questionada sobre atuações futuras, Dilma disse que nunca deixou a política de lado, mesmo sem atuar em cargos eletivos. “Sempre fiz política sem ter mandato. Não fui presa durante a ditadura enquanto parlamentar. Fui militante e presidente. Não tenho nenhum projeto muito claro, mas para mim, a política é quando me coloco a questão: ‘O que acho correto, o que posso fazer para o conjunto de homens e mulheres que dividem comigo este tempo histórico?’. Política é a obrigação de pensar nos outros, não apenas (de forma) partidária”, concluiu.

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/poder/253250/Dilma-alerta-primeiro-cegam-uma-menina-depois-matam-algu%C3%A9m.htm

Censura pró Temer repercute no mundo

09.08.2016
Do BLOG DO MIRO, 08.08.16
Por Cíntia Alves, noJornal GGN:

Ao que tudo indica, se a intenção do interino Michel Temer é fingir que não existem protestos no Brasil contra sua permanência no poder em função do impeachment de Dilma Rousseff, a operação “abafa vaia” terá de ser reformulada para alcançar resultados melhores, além de ser estendida ao resto do mundo. Isso porque além dos atos “Fora Temer” Brasil afora, a censura aplicada pela Rio 2016 nos estádios também viraram alvos de reportagens da imprensa internacional.

Na última sexta, o GGN mostrou que o comitê organizador da Olimpíada decidiu lançar de regras que impedem manifestações de qualquer ordem – incluindo políticas – dentro dos espaços oficiais dos Jogos. Para dar guarida à medida que fere claramente a Constituição brasileira, o Ministério da Justiça de Temer disse que as normas da Rio 2016 estavam em conformidade com a lei assinada por Dilma no dia 10 de maio, que versa, entre outras coisas, sobre os direitos e deveres de torcedores dentro dos estádios.

A reportagem “Censurando protestos contra Temer, Rio 2016 viola a lei máxima” apontou que a lei desvirtuada pelo governo Temer para censurar protestos políticos na Olimpíada foi a 13.284/2016. Agentes policiais foram flagrados em vídeos abordando torcedores e ameaçando dar voz de prisão. O motivo? A mensagem “Fora Temer” em cartazes, camisetas, faixas ou até mesmo no grito dos insatisfeitos, de repente, virou uma “mensagem ofensiva”.

Neste final de semana, o Washington Post reportou ao mundo que “por duas vezes, os espectadores foram removidos de seus assentos ou expulsos de estádios porque pediu a destituição do presidente interino, Michel Temer. (…) Estas últimas incidências de agitação política em eventos Olímpicos são seguidas de protestos durante as procissões da tocha olímpica ao redor do estado do Rio e de duas manifestações de rua antes de cerimônias de abertura de sexta-feira.”

“Organizadores e porta-vozes do governo disseram que o regulamento da Rio 2016, bem como a lei brasileira aprovada em maio, significava que nenhum tipo de manifestação política é permitida nos Jogos. Críticos disseram que os espectadores estavam sendo censurados – uma palavra que tem conotações amargas em um país que vivia sob uma ditadura militar 1964-1985.”

Na lei assinada por Dilma, há um inciso no artigo 28 afirmando que “é ressalvado o direito constitucional ao livre exercício de manifestação e à plena liberdade de expressão em defesa da dignidade da pessoa humana.” Os organizadores dos Jogos endureceram os trechos que vetam o uso de objetos, como faixas ou bandeiras, mas quando as mensagens são discurso de ódio ou ofensa a minorias.

Ainda de acordo com o WP, a censura praticada na Olimpíada está no contexto de impopularidade de Temer. “Ele tem enfrentado crescente dissidência desde que assumiu o poder em 12 de maio, depois que o presidente Dilma foi suspensa por um processo de impeachment controverso. Ele tinha apenas 14 por cento de aprovação em uma pesquisa de julho – um ponto a mais do que Rousseff teve em abril – e foi ruidosamente vaiado durante a cerimônia de abertura de sexta-feira.”

O New York Times escreveu que a expulsão de torcedores para blindar Temer “está alimentando um debate sobre os limites da liberdade de expressão em um país que permanece no limite, em meio a um período de extraordinária agitação política.”

“Temer suportou um coro de vaias quando declarou brevemente o início dos Jogos Olímpicos durante a cerimônia de abertura na sexta-feira. (…) Muitos brasileiros não estão dispostos a aceitar que lhe digam onde eles podem protestar.”

Na cerimônia de abertura, Temer contou com a colaboração da mídia eletrônica nacional, que ao transmitir o ato tentou relativizar as vaias. O apresentador Galvão Bueno chegou a dizer que ouviu vaias, mas também alguns aplausos a Temer.

Inconstitucional

Ainda sobre a censura, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, disse que “levar uma placa ou cartaz dizendo fora quem quer que seja, pacificamente, é uma legítima manifestação da liberdade de expressão e, logo, não cabe este tipo de cerceamento” por parte da Rio 2016.

Ao GGN, o criminalista William Cesar Pinto de Oliveira disse que a proibição afronta a nossa Constituição e que todo torcedor que passar pelo contrangimento de ter seu direito à livre manifestação podado deve registrar um boletim de ocorrência e procurar a Justiça.

Alguns torcedores decidiram usar do jocoso jogo de cintura brasileiro para lidar com a situação de censura prévia.

Nas redes, nesta segunda (8), circulam imagens do uso de cartazes com a mensagem “Fora vocês sabem quem”. Há a alusão ao filme Harry Potter, no qual existe um personagem chamado Lord Voldemort, “aquele que não pode ser nomeado” – como Temer.

Reações de brasileiros aos jogos

A censura nos estádios não foi o único assunto que repercutiu na mídia internacional. A reação de brasileiros à Olimpíada também foi citada pelo NY Times.

Segundo o jornal, o brasileiro reagiu de três maneiras à chegada dos Jogos: primeiro, houve “raiva”, com alguns grupos se organizando para apagar a tocha, enquanto outros usaram em seus carros adesivos com os anéis olímpicos reorganizados para “formar uma palavra de quatro letras” – possível o “Fora” do “Fora Temer”.

O segundo sentimento foi a ansiedade. “Com humor negro em meio a uma onda de crimes e temores de terrorismo, um jogo de bingo está circulando para as pessoas apostarem em qual dia durante os Jogos irá ocorrer um ataque.”

A terceira reação foi a “indiferença”, com a “gigante Globo” não se importando em transmitir os jogos olímpicos no domingo à tarde, preferindo, no lugar disso, dar espaço a campeonatos nacionais de futebol.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/08/censura-pro-temer-repercute-no-mundo.html