COXINHAS FASCISTAS E GOLPISTAS INFERNIZAM EM PORTUGAL:Portugueses não suportam os coxinhas do Brasil

18.04.2018
Do blog CONVERSA AFIADA, 17.04.18
 
Classe média brasileira tem “estilo predador”
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Depois de passar vergonha na Paulista, eles fugiram para EUA e Europa (Créditos: Luis Lima/Veja)

O Conversa Afiada reproduz do blog do jornalista Sidney Rezende:

POR QUE COMPORTAMENTO PREDADOR DE BRASILEIROS EM PORTUGAL CAUSA INDIGNAÇÃO

Por onde passei nos últimos 15 dias aqui e no exterior, ouvi relatos de pessoas em busca de explicações sobre as razões que estão levando brasileiros a buscar “refúgio” em outros países, principalmente Portugal e Estados Unidos. As pessoas querem saber se este êxodo teria motivações políticas. Em seguida, constrangidas, elas diziam que chama a atenção o nosso “grosseiro” comportamento. Um “estilo predador”, disse-me um deles.
Procurei saber detalhes do que exatamente incomodava estas pessoas. Elas dizem que falamos alto, somos arrogantes com garçons, atendentes, seguranças, além de furarmos filas, não cumprirmos horários, nem compromissos previamente acertados, atravessarmos fora da faixa de pedestres nas ruas e não pagarmos passagem nos transportes públicos. O que elas argumentam é que não entendem por que agimos assim, já que todos convivem com os problemas comuns da comunidade em que estão igualmente inseridos.
Já de retorno ao Brasil, esbarrei em relatos de conhecidos que diziam estar de malas prontas para Miami ou Lisboa, Cascais, Porto, e que não aguentavam mais a “bagunça” do nosso país. Eles reclamam da “desordem”, “das autoridades”, do “Temer”, do “Lula”, do “PT”, da “esquerda”, enfim, os alvos são múltiplos. Estas pessoas reconhecem que nossa “imagem lá fora” anda meio queimada. Tenho que reconhecer que estas pessoas “indignadas” têm posses ou reservas financeiras que lhes garantem uma permanência mais longa no exterior.
Este conjunto de pequenas histórias passou a martelar minha cabeça. O que está havendo? A gota d’água foi uma senhora portuguesa que disse para um amigo que os brasileiros “não tinham classe”. Ela praguejou outros impropérios que prefiro não repetir por vergonha.
Num determinado momento, eu não me contive e resolvi compartilhar este sentimento de surpresa frente à repetição de nossa falta de civilidade, com esta falta de respeito com os hábitos de países que abrigam novos imigrantes como nós.
Por isso, eu escrevi o post abaixo no Twitter e, para minha completa surpresa, “viralizou”.
Portugueses começam a ficar incomodados com a enxurrada de brasileiros endinheirados que estão trocando nosso país pelo deles. Eles dizem que são pessoas que se acham melhores do que as outras apesar de terem baixíssima cultura e civilidade. “Gente sem classe”, disse uma senhora.
De cara, saltou para quase 8 mil curtidas, 2.800 retuítes e não param de entrar pessoas testemunhando as barbaridades que assistiram pessoalmente. Uma delas disse que portugueses estavam na fila de espera de um táxi, brasileiros furaram a fila e pegaram a veículo antes de todos. Os nativos reclamaram e os brasileiros fizeram gesto obsceno com os dedos. O taxista simplesmente parou o carro e pediu que os mal educados saltassem. Eles o fizeram e, a partir daí, se voltaram contra o motorista e o hostilizaram.
Dos inúmeros comentários disponíveis no post, existem várias outras reflexões sobre o que está acontecendo com aqueles que, cansados do Brasil, resolveram reconstruir suas vidas em outras terras no Velho Mundo.
Abaixo alguns comentários pinçados a esmo:
“Espero que reflitamos o quanto alguns de nós não percebemos que estamos desconectados de um mundo onde o compartilhamento, a interatividade e o afeto entre os povos tornam-se importante como base para um entendimento entre os humanos. Estamos doentes e não percebemos nossos erros mais gritantes”
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Ratão do Silvio, você não sabe nada sobre Portugal!

31.01.2017
Do blog CONVERSA AFIADA, 30.01.18

Quem salvou Portugal foi a Esquerda!

TucanoFraco.jpg
De Martin Castanheira no Facebook do Conversa Afiada, ao comentar o vídeo do Ratão do Silvio Santos:

Como Português quero aqui deixar bem vincado o meu desagrado pela forma que esse Senhor falou em Portugal e Grécia. Não pelos países em si mas sim pelo facto de apenas dizer que o Brasil ficará como estiveram, mas não querendo dizer a razão pelo qual isso aconteceu E continua a acontecer em alguns Países europeus. A crise internacional iniciou-se por cá e invariavelmente iria estender-se ao Mundo todo, logo o Brasil não seria excepção.

Depois, esqueceu-se esse Senhor de referir que quem reergueu Portugal e a Grécia foi a Esquerda (agora um palavrão aí no Brasil), depois esqueceu de referenciar a diferença populacional entre o Brasil e os países que ele enumerou, depois se esqueceu também que foi com políticas sociais que estes países se reergueram, que foi dando capital à classe média/baixa que por sua vez injectou esse dinheiro na economia que se está a conseguir equilibrar, logo, foi com investimento público, com o Keynesianismo, algo que ele tanto repudia.

Por fim, gostaria de afirmar que amo o Brasil, amo o povo Brasileiro e por tanto gostar de vocês é que me assusta a forma de FAZER política dai, um vale tudo, onde tudo vale para que se promova folclore.

Asquerosa a forma como o impeachment foi promovido, ao som de música e dança! E ao som dessa música e dessa dança é que o povão se lascou feio, ao som dessa música e dessa dança é que o povão ainda não deu conta que o problema Brasileiro ainda agora está no início e que na melhor das hipóteses apenas dentro de uma década, sim, dentro de uma década é que CASO tudo corra bem poderão começar a respirar de alívio. Aqui na Europa foram 8 anos de duros sacrifícios, sendo nós tão poucos. Imaginemos agora num País com 200 MILHÕES de habitantes!!!

Que Deus abençoe todos Vocês meus nobres Amigos e Irmãos
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Fonte:https://www.conversaafiada.com.br/mundo/ratao-do-silvio-voce-nao-sabe-nada-sobre-portugal

Estudo contesta crença de que empresário se sai melhor na gestão pública

22.09.2017
Do portal da BBC BRASIL,21.09.17
Por Fernanda Odilla, BBC Brasil,  em Londres 

Homem caminha pela rua segurando uma pastaEstudo feito por pesquisadores da universidade britânica LSE revela que a performance de homens de negócios à frente de prefeituras é similar a de políticos com outra formação

Um estudo realizado na London School of Economics (LSE) – uma das mais renomadas universidades do Reino Unido – contesta o argumento de que empresários são melhores administradores públicos.

Instigados pelo anúncio, feito em meados de 2015 pelo então megaempresário do setor imobiliário Donald Trump de que pretendia concorrer à Presidência dos Estados Unidos, dois pesquisadores da universidade londrina resolveram averiguar empiricamente se a experiência na direção de empresas se revertia em boas gestões públicas.

“Na época, muita gente se perguntou se um empresário estaria apto a ser um político melhor. Fomos tentar responder a essa pergunta”, diz Eduardo Mello, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas que concluiu este ano o doutorado na LSE.

A pesquisa, ainda em andamento, foca em prefeitos de cidades brasileiras, segundo os autores, por causa do fácil acesso a dados que permitissem comparações adequadas.

Os primeiros achados do estudo indicam que prefeitos que se declararam empresários, comerciantes, vendedores e os que têm quotas ou participam da administração de empresas não são nem mais nem menos eficientes que seus colegas que vieram de outras áreas.

A análise de indicadores de gastos públicos sugere que a performance dos empresários é muito parecida com a dos demais ao executar o orçamento e ao investir em saúde e educação. Homens e mulheres de negócios não são melhores em reduzir o deficit fiscal nem na execução do orçamento, tampouco são melhores em conseguir mais verbas do governo federal.

Trump com um taco de golfeEstudo foi inspirado em anúncio de que Donald Trump concorreria à Presidência do EUA

“Não achamos o efeito Trump (a crença de que empresários seriam melhores administradores). Analisamos todos os indicadores (que medem a performance de empresários como prefeitos) e nada apareceu como estatisticamente significante”, assinala Mello.

“Empresários não produzem indicadores melhores. A princípio, se comportam como todos os políticos.”

Mello, que assina o estudo com Nelson Ruiz-Guarin, também da LSE, cruzou dados de fontes diversas, como Tribunal Superior Eleitoral, Receita Federal, DataSus, e Censo Escolar.

Os pesquisadores analisaram dados de candidatos eleitos prefeitos em cinco eleições, entre 2000 e 2016. Por meio de regressões estatísticas, eles selecionaram municípios com cenários de disputa acirrada entre um empresário e outro candidato e depois compararam o desempenho dos prefeitos – levando em conta diferentes variáveis.

Assim, selecionaram cerca de 200 a 300 municípios por eleição. Em nenhum dos cruzamentos, contudo, foram identificados sinais de que empresários no comando de prefeituras melhoraram as contas públicas.

Mello disse à BBC Brasil ter se surpreendido com os resultados, pois acreditava que a experiência pregressa em administração poderia fazer uma diferença.

“É uma premissa na qual os eleitores acreditam tanto”, afirmou o pesquisador. “Mas parece que é um mito. Precisamos repensar quais são as habilidades que formam um bom prefeito.”

Mello disse que ainda quer averiguar se há diferença significativa entre a performance dos empresários de primeiro mandato e a dos que estão na política há mais tempo. Ainda assim, ele considera que dificilmente os resultados principais do estudo vão mudar.

Respostas à crise

Comentando a pesquisa, o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda observa que a aposta eleitoral em um candidato que não se parece com um político tradicional é um fenômeno mundial que normalmente surge como resposta à uma crise política ou de representatividade.

Silvio Berlusconi Na Itália pós-Mão Limpas, Silvio Berlusconi, um controlador de um grupo de mídia e dono de um time de futebol

Ele cita o caso do italiano Silvio Berlusconi, magnata da mídia e dono de time de futebol que foi eleito premiê depois que a Operação Mãos Limpas investigou e prendeu políticos de diferentes partidos na Itália por corrupção.

Lavareda atribui a vitória de Trump nos EUA ao fato de que boa parte do eleitorado não se via representada por nenhum político de carreira.

“Toda vez que há uma crise política, é comum a busca por alternativas. Empresários e técnicos são beneficiados com esse discurso de não ser político e de saber administrar”, observa Lavareda.

Segundo o sociólogo, há ainda a crença, “no imaginário do eleitor, de que um empresário rico não roubaria os cofres públicos porque já fez fortuna no mundo dos negócios”, e lembra que muitos empresários se deram bem nas urnas e moldaram carreiras na política.

Lavareda cita os nomes do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), um dos donos da Eucatex, e dos senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE), da família que controla uma rede de shoppings e uma empresa de telefonia, e Blairo Maggi (PP-MT), magnata da soja. Maggi atualmente é ministro da Agricultura do governo de Michel Temer.

Por outro lado, dinheiro e experiência não são garantia de votos, lembra Lavareda, citando o caso do empresário Antônio Ermírio de Moraes, que foi um dos homens mais ricos do Brasil, mas perdeu a eleição para o governo do Estado de São Paulo em 1986.

“Ter empresários e técnicos na política não é um fenômeno tão singular, é natural e esperado”, salienta Lavareda.

Eduardo Mello, o coautor do estudo da LSE que avalia o desempenho de empresários no Executivo municipal, salienta que “o Estado não é uma empresa”. “O objetivo do Estado não é gerar lucro. Não tem clientes, mas precisa cuidar de cidadãos. E negociar com o Legislativo não é o mesmo que tratar com fornecedores”, avalia Mello.

Dificuldades

De fato, administrar uma prefeitura, por exemplo, pode estar longe de ser uma tarefa fácil para um empresário experiente.

Kalil visita obras em aglomerado Santa Lúcia Dono de construtora e ex-presidente do Atlético Mineiro, prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil disse que ‘tá f*da’ cumprir promessas de campanha (Foto: Facebook)

Em julho deste ano, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), entrou ao vivo no Facebook para fazer um balanço do início de seu governo. Dono de construtora e ex-presidente do Atlético Mineiro, Kalil disse que “tá f*da” cumprir as promessas feitas na campanha.

“Estamos aqui trabalhando para burro. Não somos o melhor do mundo, não somos o pior do mundo. A única coisa que aqui não tem é que ninguém está delatado, ninguém vai ser delatado”, disse, admitindo as dificuldades e salientando que na sua equipe ninguém teve o nome associado à corrupção.

Kalil foi um dos empresários que se elegeu em 2016 com o discurso de que não era político. A estratégia também funcionou em São Paulo, onde João Doria, que é dono de empresa, usou a mesma retórica para conquistar a cadeira de prefeito pela primeira vez.
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Fonte:http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41206401

“Sobre os vagabundos grevistas” — o texto que viralizou nas redes sociais

28.04.2017
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

greve geral 28 de abril 2017
Manifestação operária durante a greve de 1917, no bairro paulistano do Braz: enterro de um grevista morto em choque com a polícia. (Foto sem créditos originais)

Manifestação operária durante a greve de 1917, no bairro paulistano do Braz: enterro de um grevista morto em choque com a polícia. (Foto sem créditos originais)

O texto-símbolo da greve geral desta sexta-feira, 28 de abril de 2017

SOBRE OS VAGABUNDOS

Amanhã, dia 28 de abril, vagabundos de todo o Brasil participarão da greve geral em protesto contra as reformas trabalhista e previdenciária.

Ainda bem que existem vagabundos para defender os seus direitos. E, claro, os meus também. Afinal, os vagabundos tiveram papel importante na construção dos direitos em todo o mundo.

Foram vagabundos que, com as greves do início dos anos 80, forçaram os grandes empresários a apoiar a luta pela volta da democracia, pondo fim a uma ditadura de 20 anos.

Eram também vagabundos aqueles hippies que iniciaram uma revolução cultural nos anos 60 e culminaram na emancipação feminina e no respeito ao direito das minorias.

Naquela época, lá nos Estados Unidos, um pastor vagabundo liderou milhares de outros vagabundos pelo reconhecimento dos direitos dos negros e pelo fim do apartheid naquele país.

Por falar em apartheid, quem não se lembra do vagabundo que ficou preso na África do Sul por quase toda sua vida e que acabou derrubando um regime racista com suas greves e boicotes a produtos produzidos pelos brancos?

Foram também vagabundos que, no início do século XX, iniciaram uma onda de manifestações na Europa e na América pelo reconhecimento dos direitos trabalhistas e pela redução da jornada de trabalho.

Assim como as vagabundas que foram queimadas em uma fábrica norte-americana chamaram a atenção do mundo para a equiparação dos direitos femininos àqueles dos homens. Foi em um 8 de março, mais tarde reconhecido como dia internacional da mulher.

Se eu fosse lembrar de todos os vagabundos que lutaram e perderam a vida para que eu e você tivéssemos uma vida melhor, não bastaria um textão na internet. Eu precisaria escrever uma enciclopédia.

Portanto, termino com uma pequena frase: Ainda bem que existem os vagabundos!
(autor desconhecido)
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/04/sobre-os-vagabundos-grevistas-o-texto-que-viralizou-nas-redes-sociais.html

O Livre Mercado é a chave para a prosperidade? A Noruega prova que não

18.12.2016
Do blog VOYAGER
Por Leandro

A Noruega é um país gelado localizado no extremo norte da Europa e considerado por alguns o mais próspero do mundo.

Esse título é comumente atribuído a essa nação devido aos diversos indicadores econômicos invejáveis, estando sistematicamente entre os melhores do mundo em itens como PIB per capita [1] (indicador de geração de riqueza, maior = melhor), IDH [2] (indicador de desenvolvimento social, maior = melhor), índice GINI [3] (indicador de desigualdade social, menor = melhor), índice de homicídios [4] (menor = melhor), desemprego [5], dentre diversos outros (praticamente qualquer indicador de desenvolvimento tem a Noruega entre as primeiras posições).

Um país com tamanho sucesso em áreas tão distintas é um caso importante a ser estudado por aqueles que desejam o sucesso econômico e social de sua própria nação e este texto se propõe a compreender o que tornou e mantém a Noruega numa posição destacada entre todos os países do mundo.

Serão levantados os principais pontos que tornaram a Noruega um caso de sucesso, dentre tantos outros países que encontraram grandes reservas de recursos naturais, dado que muitos acabam permanecendo no atraso dependendo unicamente da extração da matéria prima encontrada.

A Noruega se tornou um país independente da Coroa Sueca em 1905 e permaneceu com pouco destaque na economia europeia até o início da exploração de petróleo no Mar do Norte, na década de 60, cujo período deve ser resumido antes de se aprofundar em outros aspectos da economia norueguesa.

Centro financeiro no bairro de Bjørvika, em Oslo.

Isso se faz necessário pelo fato desse país, apesar de possuir uma pequena população,  de apenas 5 milhões de habitantes, ter se tornado o 13º maior produtor de petróleo do mundo, com uma produção de 2 milhões de barris por dia, além de ser a origem de diversas companhias relevantes em nível mundial do setor (como a Statoil, a Aker Solutions, a Subsea 7, a Seadrill e a DOF). Essa relevância é visível na composição das exportações do país, na qual produtos relacionados ao petróleo chegam a quase 65% do valor exportado.

Alguns poderiam dizer que isso é consequência do petróleo fácil, como o do Oriente Médio, mas isso não é verdade. O petróleo norueguês está em alto mar e sempre precisou de tecnologia de ponta para ser devidamente extraído. Sua situação se aproxima muito mais com a do Brasil, do México, da Nigéria, da Guiné Equatorial e da Namíbia do que dos países do Oriente Médio que possuem óleo de altíssima qualidade e extremamente acessível logo abaixo de seus desertos. Não é necessário se estender para concluir que o ouro negro não trouxe prosperidade similar para os outros países em situação análoga à norueguesa.

Está gostando deste artigo sobre o desenvolvimento da Noruega? Então confira também o nosso artigo que explica como a Inglaterra se desenvolveu clicando aqui. 

O Modelo Norueguês de Exploração de Petróleo

Durante a década de 60, a exploração de petróleo na Noruega era quase completamente feita por empresas privadas estrangeiras. No governo de Trygve Bratteli (do Partido Trabalhista Norueguês, que governou nos períodos de 1971-1972 e 1973-1976), foram tomadas decisões que muito influenciaram no destino da Noruega: A criação da Statoil (petrolífera 100% estatal), a definição de que o governo norueguês teria no mínimo 50% de todos os campos explorados a serem licenciados no país e a obrigatoriedade dos estrangeiros desenvolverem fornecedores locais (chegando ao ponto de forçar a contratação de fornecedores específicos para que sua operação fosse autorizada).

A partir da 4ª rodada de licenciamento (1978-1979) foi introduzida a obrigatoriedade de investimento em pesquisa e desenvolvimento pelas empresas interessadas. Desse investimento, 50% obrigatoriamente teria que ser feito em instituições norueguesas.

            A sede da Statoil, em Oslo, Noruega. 

Em 1985, houve alteração no sistema: O Estado Norueguês passou a ter uma participação variável em cada projeto, definida para cada licença, sendo essa participação do Estado executada através da Statoil (ou seja, a todos os campos a serem licitados teriam a Statoil como sócia, com essa porcentagem variando em cada projeto).

No ano de 1990, foi criado o atual fundo soberano norueguês: o Government Pension Fund Global. Fundo esse que se tornaria o maior fundo soberano do planeta, responsável por investir a receita do governo norueguês como consequência de sua participação na exploração de petróleo do país.

As políticas de conteúdo local foram abolidas em 1994, como consequência de um acordo de livre comércio com a União Européia.

Em 2001, foram vendidas parte das ações da Statoil, que se tornou uma empresa de economia mista, mas tendo como maior acionista o Estado norueguês (que permaneceu como único controlador da empresa). Com essa venda, a participação estatal nos campos passou a ser administrada através da recém fundada Petoro (100% estatal), a qual, porém, não opera nenhum campo.

Pode-se dizer que o regime de partilha que tentou se estabelecer para o pré-sal brasileiro foi inspirado no regime norueguês em diversas de suas fases, como:

1- Possuir uma participação estatal variável para cada campo licitado, administrada por uma empresa 100% estatal (Pré-Sal Petróleo S/A), com participação obrigatória da operadora de economia mista (Petrobras), de uma forma que também varia em cada projeto;
2- Criação de um fundo soberano para a investimento das receitas do Estado provenientes da extração petrolífera;
3- Obrigatoriedade de conteúdo local para os empreendimentos.

O Fundo Soberano e o Estado Empresário Norueguês

Pode-se dizer que a principal herança do modelo de exploração de petróleo norueguês é o seu fundo soberano, o Government Pension Fund Global que por si só é uma demonstração do gigantismo do Estado norueguês.

O valor de mercado do fundo soberano no dia de elaboração desse artigo ultrapassava 7 trilhões de coroas norueguesas (mais de 800 bilhões de dólares), sendo que todo o mercado de ações da Noruega estava avaliado em pouco mais de 2 trilhões de coroas norueguesas (menos de 1/3 do tamanho do fundo soberano do país). A dívida pública norueguesa se encontrava em um pouco mais de 1 trilhão de coroas norueguesas, o que significa que o fundo soberano poderia comprar todas as ações e toda a dívida pública norueguesa 2 vezes que ainda assim sobraria dinheiro.

Como o PIB da Noruega está um pouco acima de 3 trilhões de coroas norueguesas (menos de 400 bilhões de dólares), isso significa que toda a riqueza produzida no país em dois anos é menor que o valor de mercado do fundo soberano norueguês.

No entanto, mesmo sem considerar o Government Pension Fund Global, o governo é o principal player econômico do país, controlador de todas as 5 maiores empresas da Noruega em valor de mercado (já excluindo dessa lista as empresas totalmente estatais, que não possuem valor de mercado bem definido para serem avaliadas), que estão listadas abaixo:

Statoil ASA (67% diretamente do Estado, 3% do Estado via fundos. Controlada pelo Estado)

Dentre essas empresas se encontram a maior petrolífera do país (Statoil), a maior empresa de telecomunicações (Telenor), o maior banco (DNB), além da maior empresa de alumínio (Norsk Hydro), mas a participação do governo em setores estratégicos não se resume a essas companhias.

No setor de energia elétrica, por exemplo, praticamente não há espaço para a inciativa privada. Toda a transmissão e distribuição de energia elétrica em alta tensão é controlada por uma empresa 100% estatal chamada Statnett, que também é a operadora do sistema.

Na geração de energia, além da Norsk Hydro (segunda maior geradora de energia do país) o Estado está presente através da Statkraft (maior geradora de energia do país) e da TrønderEnergi, dentre outras empresas públicas.

Com geração quase totalmente estatal, a Noruega é um dos líderes mundiais no uso de energia limpa e renovável, com mais de 99% de suas necessidades energéticas geradas através de usinas hidrelétricas. Também lidera no uso de carros elétricos e se destaca mundialmente com planos agressivos de redução das emissões de gases poluentes (o que parece irônico vindo de um país que tem nos derivados de petróleo o principal produto de exportação).

Antes da criação da Statnett e Statkraft, a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica era tratada diretamente pelo Norges vassdrags- og energiverk, que é algo como um Ministério das águas e energia. O que significa que o modelo estatal na área de energia elétrica é bastante antigo.

Outro ponto que deve ser destacado é o baixíssimo nível de corrupção (entre os menores do mundo), tanto no serviço público quanto no privado, que está fortemente ligado à transparência quase irrestrita. Diferentemente de outros países, onde o sigilo fiscal é inviolável e um valor defendido de forma apaixonada, na Noruega a renda e os impostos pagos por qualquer cidadão está disponível a quem estiver interessado desde o ano de 1814 (época em que era unida com a Suécia), quando essas informações já podiam ser obtidas nas prefeituras. Hoje, com a internet, os habitantes da Noruega conseguem facilmente descobrir quanto ganham e os impostos que pagam cada um de seus compatriotas, o que simplifica enormemente o combate à sonegação fiscal e enriquecimento ilícito.

Carta Tributária e o Estado de Bem-Estar Social Norueguês

Outro ponto em que a Noruega se destaca é quanto a seus altos impostos. O sistema de taxação norueguês é todo construído de acordo com a ideia de que cada um deve pagar impostos de acordo com suas capacidades, ou seja, o imposto é progressivo: quem ganha mais, paga mais. Pode-se dizer que os impostos noruegueses são altos porque, desde 1970, o peso dos mesmos está entre 35% e 45% do PIB, com pequenas variações no período, sempre figurando entre as maiores entre os países membros da OCDE.

Os noruegueses usufruem dos melhores indicadores sociais do mundo.

Sobre o Estado de Bem-Estar Social, pode-se dizer que a Noruega é referência no mundo, sendo utilizada como exemplo clássico de Estado que propicia tudo que um cidadão pode desejar de um governo, o que um (neo)liberal consideraria um entrave para o desenvolvimento de uma nação.

Os direitos trabalhistas são muito extensos. A lei permite trabalho até 40h semanais, mas todos os acordos coletivos vigentes são de até 37,5h semanais. Além disso, funcionários tem direito a redução de carga horária por motivos sociais, de saúde ou bem-estar. Os que não possuem cargo de chefia devem receber no mínimo 40% de adicional em caso de horas extras.

Todos os funcionários tem direito a 5 semanas de férias, sendo que aqueles com mais de 60 anos possuem o direito de uma semana adicional (totalizando 6 semanas). 3 dessas semanas devem ser tiradas de forma consecutiva, enquanto as outras 2 semanas podem ser divididas em dias ou semanas separadas.

Um funcionário tem direito a 10 dias por ano para cuidar de seus filhos doentes, aumentando para 15 no caso de ter mais de um filho. Pais (ou mães) solteiros tem esse benefício dobrado (20 dias no caso de um filho e 30 no caso de mais de um). Em caso de gravidez, são disponibilizadas 43 semanas (algo próximo de 10 meses) de folga a serem compartilhadas pelo pai e mãe (sendo que as primeiras 6 semanas necessariamente devem ser da mãe e 14 dessas semanas necessariamente do pai).

O seguro-desemprego é bastante generoso. O desempregado recebe 62,4% de sua renda bruta por até 1 ou 2 anos, dependendo de sua faixa de renda. Caso você não tenha dinheiro o suficiente para sua subsistência, o governo irá complementar sua renda no valor que considerar necessário (o valor depende do município).

O hospital público Østfold, em Oslo, Noruega.

O sistema de saúde norueguês é universal, gratuito, descentralizado e financiado pelos impostos. A maior parte dos hospitais é estatal, com uma quantidade muito pequena de hospitais privados. Além disso, mesmo os hospitais privados normalmente recebem dinheiro do Estado.

A Noruega possui um sistema educacional público bem estruturado, que abrange desde a infância até a universidade. Apenas o jardim de infância é pago, mas o governo tem como objetivo torna-lo acessível para todos que tenham interesse em colocar seus filhos no jardim de infância. Quanto ao tamanho do sistema público em relação ao privado, se encontram fora do sistema estatal de educação 45% das crianças no jardim de infância, 2,2% dos usuários da educação primária e secundária baixa (10 primeiras séries, dos 6 aos 16 anos), 6% dos alunos da educação secundária superior (16-19 anos) e 13% dos alunos universitários.

Conclusões

Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.

Também salta aos olhos que a corrupção não é combatida com retórica simplista que responsabiliza o Estado e ignora a corrupção privada. Na Noruega as contas dos indivíduos são expostas e isso é utilizado para inibir a corrupção pública e privada simultaneamente.

Tudo isso leva a um sério questionamento acerca da ideologia que está sendo vendida como solução para o Brasil.

Referências:

• [1] Knoema – GDP per capita ranking 2016
• [2] PNUD – Relatório do Desenvolvimento Humano 2015
• [3] The World Bank – World Development Indicators: Distribution of income or consumption
• [4] UNODC Statistics
• [5] The World Bank Data – Unemployment, total (% of total labor force)
• OEC – Norway
• Norsk Petroleum – Everything you need to know about Norwegian petroleum activities
Norges Bank

• Forbes – The World’s Biggest Public Companies: Norway
• Statoil – Major shareholders
• Telenor Group – Major Shareholdings
• DNB – Shareholders
• Yara – Shareholders
• Hydro – Main Shareholders
Our Power Plants
• Oslo Bors – Norwegian Indices
• National Debt Clocks – National Debt of Norway
• Statista – The world’s leading primary aluminum producing companies in 2015, based on production output (in 1,000 metric tons)
• Statkraft – Hydropower
• Statnett – Legislation
• The Guardian – Norway pledges to become climate neutral by 2030
• Skatteetaten – Tax in Norway
• OECD – Revenue Statistics – OECD countries: Comparative tables
• NHO – Basic Labour Law

• NAV – Unemployment benefits 
               Information about NAV’s services and benefits
               Pensions and pension applications from outside Norway
• Transparency International – CORRUPTION PERCEPTIONS INDEX 2014: RESULTS
• BBC – Tax transparency: Could the UK take a leaf out of Norway’s book?

• G1 – A Noruega pode ter o segredo para acabar com a sonegação de impostos?
• Statens legemiddelverk – The Norwegian health care system and pharmaceutical system
• Utdanningsdirektoratet – Education in Norway: from Kindergarten to Adult Education

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Fonte:http://voyager1.net/economia/o-livre-mercado-e-chave-para-prosperidade-noruega-prova-que-nao/

Mulher comete suicídio após ‘pornô de vingança’ e comove a Itália

19.09.2016
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 19.09.16

Italianos reagem com ‘choque e vergonha’ ao desfecho trágico do caso Tiziana Cantone.A jovem travou batalha judicial para retirar o conteúdo da internet. Enterro foi transmitido ao vivo pela TV e a mulher que queria ser esquecida agora é lembrada por um país

Tiziana Cantone italiana suicidio vídeo
A família da italiana Tiziana Cantone, 31 anos, pede justiça após um vídeo íntimo dela ter sido vazado e divulgado em mais de 100 mil páginas da internet.

Tiziana se suicidou em Nápoles, na Itália. Ela foi encontrada morta na casa da mãe, no último 14 de setembro.

Há alguns meses, a italiana tinha compartilhado com amigos um vídeo íntimo no qual faz sexo com um ex-namorado, confiando que não seria compartilhado nas redes sociais. Um dos membros deste grupo acabou reproduzindo a gravação e o vídeo foi replicado em outras redes sociais e sites de pornografia.
Consequências

Após a repercussão, Tiziana parou de trabalhar e se mudou de cidade. Ela também entrou na Justiça para as redes sociais removerem os vídeos. Apesar das plataformas deletarem o vídeo e ressarcirem a jovem em 20 mil euros, Tiziana continuou sendo alvo de ofensas e ameaças.

Quatro pessoas vão ser investigadas por difamação por conta de seu envolvimento no caso Tiziana. Eles são os amigos aos quais ela repassou o vídeo. A Promotoria napolitana também estuda abrir um processo pelo delito de invasão de privacidade.

A família da vítima pediu justiça, para que “sua morte não tenha sido em vão”.
Suicídios são um problema de saúde pública e precisam ser prevenidos. A cada 40 segundos, uma pessoa se suicida no mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).
Comoção

Até o primeiro-ministro, Matteo Renzi, entrou no debate. “É uma batalha cultural, social e política”, disse Renzi. “A violência contra a mulher é um fenômeno que podemos erradicar.”

O funeral aconteceu na quinta-feira (15) em Casalnuovo. O enterro de Tiziana foi transmitido ao vivo pela TV, e a mulher que queria ser esquecida agora é lembrada por um país.

Agência ANSA
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/09/mulher-comete-suicidio-apos-porno-de-vinganca-e-comove-a-italia.html

O rabo e o cachorro

11.08.2016
Do portal da AGÊNCIA CARTA MAIOR
Por Mauro Santayana

Quem considera a Lava-Jato como a última limonada do deserto está tratando a cauda como a cabeça do cão e colocando o bicho para correr em círculos.

Lula Marques

O fascismo vive, historicamente, de grande absurdos e de um processo crescente, paroxístico, de negação da realidade, que troca a verdade por um determinado paradigma mítico que a substitui na mentalidade dos povos, levando-os a cometer supremas imbecilidades.  
 
O movimento que levou Mussolini ao poder, baseava-se, entre outras coisas,  na ideia de que um dos povos mais misturados do planeta, nos últimos dois mil anos, o italiano, situado no encontro de todas as esquinas do mundo – a África e a Europa, o Oriente e o Ocidente, o Leste e o Oeste – fosse descendente puro dos romanos – já então miscigenados de escravos e bárbaros por gerações – que habitaram a Península Itálica há 2.000 anos.
 
Isso, na crença da improvável hipótese de que um país récem-unificado há poucas décadas, mergulhado ainda na miséria e no analfabetismo, que exportava pobres para todos os continentes, estivesse predestinado a reeditar o poder da Roma Antiga e conquistar o mundo.
 
A Alemanha Hitlerista apropriou-se de um símbolo hindu, a suástica – criado por um povo de pele morena, magro, de cabelos escuros – e com ele consolidou uma mitologia nórdica de cabelos loiros e olhos azuis, que já vinha de obras como a Cavalgada das Walquirias ou o Anel dos Nibelungos,  de Wagner, para erguer como insuperáveis monumentos ao ódio, ignorância, preconceito e morte, as chaminés dos fornos crematórios de Maidanek, Treblinka, Birkenau, cujo principal papel era o de transformar vida – amores, esperanças, memórias,  sonhos, homens, mulheres  e crianças – em cinzas e fumaça.    
 
No Brasil de hoje, o oportunismo e um mal disfarçado fascismo desenvolveram uma ideia mestra com a qual pretendem chegar ao poder: a de que a corrupção é  culpada por todos os males brasileiros e que todos os defeitos e problemas   serão definitivamente sanados quando ela for eliminada para sempre da vida nacional.
 
Desde 2013, pelo menos, uma parcela aparentemente preponderante do Ministério Público e dos juízes federais, aliada aos segmentos dominantes de uma mídia manipuladora e irresponsável – e a um verdadeiro exército de “colunistas”, “especialistas”  e “filósofos” conservadores, mendazes, hipócritas   ideologicamente, e anacronicamente anticomunistas,  destituído de qualquer compromisso com o desenvolvimento do país ou a preservação de um mínimo de governablidade, estão defendendo esse mito, movendo uma das maiores campanhas institucionais e midiáticas já vistas no mundo, destinada a fazer o país acreditar que a corrupção é o maior problema nacional e que ela pode ser erradicada por obra e graça de algumas mudanças na lei e o trabalho repressivo conduzido por meia dúzia de salvadores da pátria.
 
Nada mais errado, equivocado e perigoso.
 
A corrupção, por mais que queiram nos fazer crer certos segmentos da plutocracia e seus apoiadores, naturalmente interessados em pintar o diabo pior do que parece e exagerar o mal em seu próprio benefício, uns, para se supervalorizarem, outros para chegar ao poder, outros, ainda, para destruir adversários ideológicos que não conseguem derrotar nas urnas, não é, insistimos, nem de longe, o maior problema brasileiro, nem o de outro país.
 
Dificilmente ela vai ser totalmente eliminada um dia, como mostra a sua ubíqua, universal, presença, comum e inerente à  sociedade humana, de forma amplamente disseminada, em qualquer nação do mundo, independentemente de sistema político ou grau de desenvolvimento, seja na Europa da  Itália da Operação Mãos Limpas ou da Grã Bretanha em que se pagam orgias com prostitutas com verba do Parlamento, ou em potências espaciais e atômicas, como a Rússia, a China e os EUA.
 
Na maioria dos países do mundo, a corrupção é vista, por quem tem um mínimo de conhecimento histórico,  como um rio que corre continuamente.
 
Um fenômeno que pode ser desviado,  represado, canalizado, momentaneamente, mas que não tem como ser totalmente eliminado – corruptos surgem permanentemente, por desvio de caráter, pressão, convencimento, oportunidade de meter a mão no alheio – que deve ser visto com a dimensão que realmente tem, e cujo controle tem que ser exercido de forma a não afetar o funcionamento de  um sistema infinitamente maior e mais complexo, e muitíssimo mais importante,  que abarca todo o universo político, econômico e social de cada país e toda uma teia, vasta e interligada, de instituições internacionais.
 
Imaginem se o combate à corrupção vai se sobrepor aos interesses estrategicos  de países como a Alemanha, a Rússia, a China, a Grã Bretanha, os Estados Unidos, que com ela convivem há centenas de anos.
 
Por lá, ele é um elemento a mais, no processo continuado, permanente, de fortalecimento e desenvolvimento nacional, que não destrói empresas nem empregos, nem programas ou projetos essenciais.    
 
Do ponto de vista econômico, também, por maior que seja, a importância da corrupção é relativa.
 
No caso brasileiro, mesmo que fosse inequivocamente provado tudo que se está falando – com desvios de bilhões na Petrobras, sem nenhum funcionário de comissão de licitação preso ou envolvido; delações premiadas conduzidas por promotores e procuradores que especificam o que querem ouvir, arrancadas a cidadãos detidos há meses, sob custódia do Estado; conduções coercitivas sem prévia comunicação da situação de investigado e vazamentos propositais a torto e a direito; a repentina e retroativa transmutação, também “de boca”, de doações legais, absolutamente regulares à época, do ponto de vista  da lei e das instituições, em suposta propina – o dinheiro desviado pela corrupção seria, ainda, uma porcentagem mínima do que se desvia em sonegação de impostos, segundo algumas organizações, da ordem de mais de 700 bilhões de reais por ano.
 
Ou das centenas de bilhões de reais transferidos a cada 12 meses dos bolsos dos contribuintes para os cofres dos bancos privados, em juros pagos por títulos públicos, ou em meros cartões de crédito, por exemplo, com taxas de mais de 400% ao ano.  
 
A diferença entre o dinheiro desviado do público por um corrupto e por um banco particular é que a comissão do corrupto, segundo se alega nas investigações, é de um a três por cento, e a do banco pode chegar a 300%, 400% do valor da operação.
 
Sobre o desvio do corrupto, o sujeito que eventualmente estaciona em vaga de portador de necessidades especiais de vez em quando, pode alegar, enraivecido, que não sabia do que estava acontecendo.
 
O assalto dos bancos ao erário, com a conivência dos governos é público, todo mundo sabe que está ocorrendo, mas muitos preferem fingir que não estão sabendo, nem a ele dedicar a mesma indignação.
 
É claro que, para o “sistema” – e para quem vive de gigolar, permanente e malandramente o discurso anti-corrupção – é muito mais fácil e conveniente fazer os trouxas acreditarem que estão faltando escolas e hospitais mais devido à desonestidade dos políticos do que por causa das centenas e centenas de bilhões de reais pagos em juros ou perdidos com a sonegação de impostos.
 
Esse é o caso – embora a massa ignara e conservadora não perceba que está sendo miseravelmente passada para trás – de redes de televisão que sonegam centenas de milhões de reais e que ganharam no último ano cerca de 3 bilhões em rendimentos financeiros, boa parte deles atrelados à SELIC, que defendem a independência do Banco Central em seus editoriais, e “convidam” todos os dias “especialistas” para  “explicar” em seus programas de entrevistas  porque os juros devem subir, com justificativas como a atração de investidores  externos ou o combate à inflação.    
 
Mas esse discurso venal, pseudo-moralista não serve apenas para distrair uma pseudo maioria de idiotas dos problemas realmente importantes e da verdadeira situação do país.
Ele também é a espinha dorsal de um manual que estamos pensando em escrever,  chamado COMO CHEGAR AO PODER ATACANDO OS POLÍTICOS.
 
Um livrinho simples, cheio de conselhos  simples de como enganar os trouxas, aproveitando-se de seus preconceitos e  ignorância, que certamente teria sido lido, e servido de programa tático, se já existisse à época, por pilantras  que usaram e abusaram desse estratagema, como Hitller e Mussolini, e outros assassinos  sanguinários e hipócritas que se seguiram, porque nunca aprendemos, nós, os que pensamos defender a liberdade e a democracia, a velha lição de George Santayana, que reza que aqueles que se esquecem da História estão condenados a repetí-la.
 
De vez em quando, quando derrotado, o sistema fabrica uma bandeira e em cima dela produz um salvador da pátria, como ocorreu com um certo “Caçador de Marajás”. Ele entrou e saiu do governo e, décadas depois, o Brasil continua, paradoxalmente, cada vez mais cheio de marajás que recebem acima do teto constitucional, muitos deles envolvidos com a caça a suspeitos de serem “corruptos”.
 
Como já dissemos aqui, antes, o discurso anti-corrupção e a alegação de que se vai “consertar” o país, castigando os “bandidos”, premiando os “mocinhos” – quem sabe até com uma Presidência da República – e dando paz e tranquilidade para os “homens de bem”, são características clássicas da estratégia fascista, que joga com o preconceito, o conservadorismo, o ódio irracional e o medo da parte mais ignorante da população para chegar, e instalar-se, confortavelmente,  no poder.
 
O combate à corrupção deve ser visto como uma tarefa normal, permanente,  de qualquer país ou sociedade, e exercido com equilíbrio e bom senso, e nunca a serviço de interesses de um determinado grupo ou pessoa.
 
Se o Brasil fosse um cachorro – e está quase se transformando em um, com o avanço célere do “viralatismo” militante  que defende a entrega de nossas riquezas a outras nações, incluídas algumas que estão incensando e vibrando com “líderes” do que está acontecendo por aqui agora – o combate à corrupção seria o rabo – acessório eventualmente útil para combater as moscas – do animal, enquanto a economia, o trabalho, o emprego, a indústria, as grandes empresas praticamente dizimadas pela Lava Jato, os projetos estratégicos de infraestrutura e defesa, a Democracia, o Estado de Direito, a Constituição, as instituições, o Presidencialismo de Coalizão, com todos os seus eventuais defeitos, a República e a governabilidade, seriam o corpo, o esqueleto e os órgãos vitais do animal.
 
Ao querer, na prática e midiaticamente, limitar os problemas nacionais ao combate à corrupção; com um processo interminável que está afetando, da maneira como vem sendo conduzido, vários setores da economia; desviando o foco de todas as outras questões, transformando-o em prioridade máxima – quando se está cansado de saber que no dia em que a corrupção acabar no Brasil, principalmente por obra e graça de dois ou três “vingadores”, o Cristo Redentor  vai  descer do Corcovado, com sua saída de praia, para pegar uma onda em Copacabana e em Katmandu choverão búfalos dourados e sagrados – os responsáveis pela Lava-Jato e quem a está defendendo como a última limonada do deserto estão tratando a cauda como a cabeça do cão e colocando o bicho para correr, em círculos atrás dela.
 
Ou pior, para usar outra imagem ainda mais clara:  hipotecar o futuro político e econômico da oitava economia e quinto maior país do mundo a uma operação jurídica discutível e polêmica é tão surreal e absurdo quanto querer que o rabo balançe o cachorro, no lugar do animal balançar a própria cauda.

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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-rabo-e-o-cachorro/4/36599